ainda me lembro das vezes que cruzei com SOLEIL "SOL" THÉRÈSE DE LEÓN MARTEL na kappa phi! ela era tão parecida com RENÉE RAPP, mas, atualmente, aos 31 anos, me lembra muito mais LUCY BOYNTON. fiquei sabendo que, depois de cursar CINEMA, atualmente é DIRETORA DE CINEMA e que ainda é CARISMÁTICA e NARCISISTA. uma pena acabar encontrando ela assim… não é possível que esteja envolvida com o acidente de fiona e a morte de victor, certo?
aesthetics. óculos escuros da dior; moleskines rabiscados; protetor labial de cereja; jazz tocando ao fundo; copos de café com marca de batom; golden hour; espelho de bolso; ambiente iluminado por luzes de chão; praia no fim do dia; queimar a língua.
inspos. tahani al jamil (the good place), alex russo (feiticeiros de waverly place), amy march (little women), emma woodhouse (emma), daisy buchanan (o grande gatsby), marie antoinette, celine (depois do amanhecer), cher horowitz (as patricinhas de beverly hills), serena van der woodsen (gossip girl), carrie bradshaw (sex and the city), summer roberts (the oc).
☼ conexões desejadas. ☼ bio completa. ☼ povs. ☼ inspos.
☼ BIOGRAFIA.
nepobaby de uma atriz, ciel "cece" de león, e um diretor de cinema, dion martel. eles levaram um relacionamento conturbado, marcado por traições dos dois lados, brigas públicas que deixaram os tablóides ocupados por anos.
a novidade da criança perdeu o brilho rapidamente para os genitores, que tinham muitos compromissos e uma carreira à zelar. cece, percebendo que a maternidade vinha com implicações e obrigações mais pesadas do que imaginou, abandonou o posto rapidamente e fez todo o possível para se desvincular da imagem de mãe — chegou até a posar sensualmente diversas vezes para revistas e aceitar papéis ousados.
depois do divórcio, a mãe era presente só através das telas e das manchetes de jornais e revistas, e coube a dion cuidar da menina. com a alienação parental torando, sol cresceu aprendendo a amar o pai e odiar a mãe.
a université de l'orangerie foi a alma mater do pai, então foi apenas natural para sol acabar lá também. se mudou para des moines em 2013, com 20 anos, e começou o curso de cinema, se tornando membro da kappa phi, como ele.
a faculdade foi um pilar importante para sol. ela vivia isolada em paris, então a université ofereceu à ela a oportunidade de interagir com as pessoas. ali ela encontrou formas diferentes de brilhar e procurar a atenção que parecia sempre obcecadamente atrás.
quando o acidente aconteceu com fiona, os pensamentos antigos de superioridade e ciúme começaram a lhe assombrar. faltava pouco para se formar e ela, antes tão apegada à des moines que era difícil voltar para paris nas férias, se viu fugindo dali como quem foge de um desastre natural.
no dia da morte de victor, tinha ido até a cidade para dar uma palestra como convidada de uma querida professora.
☼ PERSONALIDADE.
dizem que o sol brilha, mas cega… essa sol também é assim. é calorosa, amiga, exala positividade e energia. só que é exuberante demais, tudo demais. às vezes cansa a vista. se ficar muito tempo exposto, pode se queimar.
ela gosta de mostrar só suas partes boas e bonitas aos outros, por isso pode se esquivar e arranjar desculpas quando as coisas ficam intensas. geralmente diz "olhe pelo lado positivo" ou "não me contagie com suas bad vibes".
ela tem sim um ímpeto altruístico forte. claro que, como toda pessoa, alguns dos seus atos são guiados pelo egoísmo, dar aos outros para se sentir melhor. mas ela genuinamente pensa estar melhorando a vida das pessoas e fazendo o possível por elas.
as artes eram sua companhia antes das pessoas. ela gosta muito de escrever e seguiu cinema como o pai, mas se atrai por todos os estilos: ela canta, pinta, desenha, até borda… é pau para toda obra, seu palco é arte!
não suporta não ser boa nas coisas, então frequentemente começa hobbies e desiste deles no meio. se não tem reconhecimento, valorização, ela não continua.
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sol entrou na delegacia e se sentiu como a monalisa introduzida em um museu de uma escola no interior de um país remoto. vestida de chanel da cabeça aos pés, o barulho do seu salto era audível e ecoava pelo piso de porcelanato. foi encaminhada até uma sala por um estagiário, ou qualquer que fosse a pessoa que a recebeu.
sentou-se na cadeira estofada defronte aos dois policiais, aguardando instruções.
"senhorita martel, sou o delegado baptiste desprat, encarregado desse caso, e vou te fazer algumas perguntas. peço para que responda com a maior honestidade. você, é claro, tem o direito de permanecer em silêncio, mas é bom ressaltar que essa é sua oportunidade de dar sua versão dos fatos".
soleil apenas assentiu, permanecendo em silêncio. era tentador não responder nada, mas ia parecer suspeita. ela sabia que tinha o direito de ficar em silêncio, sabia como aquilo tudo funcionava, mas também sabia que não dizer nada ia levantar as suspeitas. aquele princípio legal não estava com nada, ninguém seguia, muito menos um delegado de polícia.
"onde a senhorita estava na data de morte de victor?"
❝boa pergunta, senhor delegado. eu sou uma mulher ocupada. poderia me relembrar qual foi a data?❞, perguntou, inocentemente. por mais que quisesse parecer ingênua, a verdade é que de fato não lembrava a data, apesar de saber onde estava sim quando leu as notícias. ❝ah, claro, obrigada. bom, eu estava aqui, em des moines. a professora isabelle moreau, que leciona roteiro e narrativa cinematográfica na université di l'orangerie, me chamou para dar uma das aulas. por causa da minha experiência, e por ter estudado lá.❞, complementou.
"e você o conhecia? como era a relação de vocês?"
❝ah, claro, senhor baptiste. victor foi o presidente da nossa fraternidade. impossível não conhecer❞, falou, como se explicasse um fato fundamental. na verdade, estava mesmo. percebeu os olhares dos dois presentes, como se esperassem mais. ❝nós também tivemos um relacionamento durante 2015, que terminou um pouco antes da formatura. sabe como é, futuros e visões diferentes.❞
"você sabia que victor estava investigando a vida das pessoas que integravam a kappa phi na data do acidente de fiona? alguma vez foi procurado por ele?"
a pergunta era difícil. se sabia? se disesse que não, ia ser esquisito, porque eles namoravam na época. se dissesse sim, ia se comprometer. estava encurralada. mas já sabia e esperava isso. ❝como disse, mantínhamos um relacionamento na época. então sim, sabia. só que victor tinha esssas ideias. era um presidente engajado na fraternidade. até então, ele não tinha me entrevistado. eu não entendia direito o que ele queria com tudo isso, mas prometi participar. só queria ser uma boa namorada❞, contou. bom, aquela de fato era uma versão da sua verdade. ❝mas não me entrevistou, acho. não que me lembre.❞, disse, sem saber direito se era verdade. não lembrava mesmo.
"você sabe o que aconteceu no dia do acidente de fiona? acha que foi apenas um acidente?"
❝eu sei o que vocês sabem, delegado. era uma festa, eu estava lá. de repente, alguma coisa acontece e esse pandemônio, caos todo. não lembro o que aconteceu direito, os detalhes... como eu disse na época, foi tudo muito rápido e eu estava alcoolizada❞, enfatizou. tentava esconder a irritação. já tinha sido interrogada por isso e era um saco ficar respondendo sobre, teclar aquilo insistentemente. onde quer que estivesse fiona, devia se sentir satisfeita de que as atenções estavam sobre ela. como gostava. ❝é claro que foi um acidente. ninguém quer propositalmente matar uma caloura inofensiva, delegado. essas coisas acontecem❞, falou, com convicção. não tinha como saber as intenções de todos, mas por agora era melhor jogar aquela carta.
"acha que victor tinha motivos para desconfiar que alguém tinha causado o acidente?"
❝não sei. depois do acidente, nosso relacionamento foi deteriorando. ele foi mudando. era difícil saber o que ele pensava, a gente acabava brigando porque ele não se abria comigo e não era mais a mesma pessoa. então eu de fato não sei, comigo ele nunca comentou❞, mentiu. tinha certeza de que muitas brigas envolveram discussões apontadas por victor, por detalhes que ele insistia em desenterrar e ela gostaria que simplesmente morressem.
"qual motivo ele tinha para achar que você estava envolvido?"
❝se o senhor quer descobrir o que se passava na cabeça de victor, temo que vamos ficar por aqui por muito tempo, vou querer uma taça de vinho❞, brincou. como os olhares dos oficiais não vacilou e não demonstrou nenhum sinal de simpatia, ela se recompôs: ❝não sei, delegado. talvez inveja ou ciúmes, ele nunca aceitou eu ter terminado com ele, sabe❞, disse. de fato acreditava que victor podia ter algum ressentimento por ela ainda, especialmente porque repeliu todas as posteriores tentativas de contato. inclusive aquele convite bizarro para ir até a casa dele, que desocbriu depois se tratar de um convite que ele fez para todos da kappa phi. ❝mas como todos, eu estava na kappa phi naquela noite. não sei o que se passava na mente obsessiva dele, e espero que pessoas inocentes, cidadãos de boa índole e sucesso, não sejam culpadas por teorias de alguém doente❞, expressou com o tom mais inocente e doce que conseguiu. era uma mensagem. e sua melhor narrativa, sua melhor chance de a deixarem em paz.
"você foi procurada por victor nos últimos anos?"
❝de vez em quando ele mandava uma mensagem. mas acabei trocando de número porque uma vez vazaram na internet nossa, você nem imagina como foi aterrorizante. depois disso, não conversamos mais. você sabe, somos ex-namorados. não é como se exes pudessem ser de fato amigos, delegado. quem diz que é possível, só usa isso de desculpa para recair, não seguir em frente❞, opinou. era uma estratégia, falar daquela forma. talvez fosse riscada como fútil, irrelevante. afinal, era uma "celebridade". talvez fossem classificá-la como descolada da realidade e isso fosse o trunfo que a salvasse de ser uma suspeita de verdade.
"certo, senhorita martel. está dispensada. vamos manter contato".
soleil se limitou a assentir novamente e levantar, deixando aquele lugar o que esperava - mas pressentia que não - ser para sempre.
— 🔮 entre as gravações do programa de humor mais sem graça de toda a europa e a monotonia da sua vida pessoal, greta gostava de passar um tempo naquela cidade que foi seu lar durante os melhores anos da sua vida. a morte do antigo companheiro de fraternidade, é claro, tornava o local menos agradável, mesmo não sendo próxima do rapaz. mas a intimação para depor foi, certamente, a cereja do bolo: agora tinha a prova de que estava assombrada por uma maré de más energias. logo que a recebeu, tratou de mandar mensagem para as melhores amigas e intimá-las — com o perdão da piada — até o seu apartamento. ❝ eu te avisei que namorar um esquisitão seria um problema, soleil! ❞ não poupou a amiga de sua reclamação, virando-se para as encarar com uma garrafa de vinho em uma das mãos e um maço de cigarro na outra. ❝ demorou o quê? dez anos? o cara morreu! e ainda assim, ele tá me arrumando um problema! ❞ voltou a resmungar, suspirando ao final. ❝ acham que eles vão tentar nos colocar em maus lençóis? não confio em homens de farda. ❞
☼ se existia alguma coisa de bom naquele circo todo, era o fato de que ela poderia se reunir com suas melhores amigas. não que não pudessem antes, faziam aquilo constantemente por anos, mas em des moines, parecia diferente. poético. ou trágico, dependendo da visão. claro que agora era no apartamento de greta, e não nos quartos da fraternidade, o que na verdade era muito melhor.
soleil soltou uma risada sincera ao ouvir as palavras da amiga. era libertador poder ser ela mesma e não ficar olhando por cima do ombro para ver se tinha algum fantasma a seguindo. não era só a sensação da presença de victor, mas todas aquelas pessoas do passado. ali, com as duas, parece que as coisas tinham voltado à uma certa dose de normalidade. eram só três garotas fofocando e falando mal de ex-namorados. ❝tudo bem, tudo bem! vocês avisaram! mas você lembra que eu coloquei naquele aplicativo fotos nossas e os nossos filhos iam ser simplesmente os mais lindos do mundo. isso tem apelo.❞, brincou, mas não muito. na época, era sim uma das coisas que pensava. eles eram um par bonito, que fazia sentido. ele era o presidente da fraternidade, oras! ❝pior ex-namorado da história. criando caos depois de morrer. ugh, nada me tira da cabeça que isso é só um trote dele, como sempre. ele era fissurado em passar do ponto.❞, desabafou, pegando uma das taças de vinho que greta havia servido para elas. ❝com o perdão de soar igual uma conspiradora, a gente precisa... combinar alguma coisa. nos depoimentos, acho que não tem muito o que fazer. mas sei lá. todas essas pessoas da fraternidade aqui. vocês sabem que esse maluco que mandou as cartas pra gente foi alguém da kappa phi. só pode ter sido. e na minha cabeça têm muitos candidatos...❞.
celeste respirou fundo antes de entrar no bistrô, tentando acalmar os nervos. fazia tanto tempo que não via sol e o convite para um encontro a pegou de surpresa, não imaginava que ela tinha voltado para des moines. ainda assim, ela sabia que não devia recusar. era bom ver a amiga de infância novamente, mas também havia um certo nervosismo misturado com a alegria. apesar de todas as memórias boas que compartilhavam, celeste também sentia uma pontada de desconforto por não ter conseguido retribuir como gostaria todo o apoio que recebeu durante anos. quando entrou no local, se aproximou com um sorriso nervoso, tentando esconder a ansiedade que sentia. ao ser recebida com o sorriso caloroso de soleil, sentiu um alívio imediato. era como se o tempo não tivesse passado entre elas. retribuiu o gesto com um abraço apertado, deixando escapar um riso suave ao ouvir a brincadeira. "acho que posso dizer o mesmo!" respondeu, os olhos brilhando enquanto se sentava. o ambiente do bistrô era acolhedor, com risos e conversas animadas enchendo o espaço, criando uma atmosfera descontraída. o cheiro de comida caseira e café fresco pairava no ar, se misturando com a música suave que tocava ao fundo. celeste olhava ao redor, tentando se distrair da enxurrada de pensamentos que a atormentavam, se esforçava para encontrar a energia necessária para a conversa. suspirou involuntariamente, sentindo o peso das últimas semanas. "as coisas... estão piores que antes." começou, a voz um pouco cansada, mas o sorriso ainda moldando o rosto. "os últimos dias foram terríveis, para ser sincera. sinto que tudo está desmoronando de novo." fez uma pausa, os olhos desviando para o menu, embora não conseguisse realmente focar nas palavras. depois de um momento, olhou para sol com uma expressão que misturava frustração e desespero. inclinou-se ligeiramente para frente, a voz um pouco mais baixa, como se estivesse compartilhando um segredo. "você também recebeu, não foi?" a pergunta saiu quase em um sussurro, como se o simples fato de mencionar a intimação fosse algo terrível e inapropriado.
☼ sol viu o riso esvair da expressão de celeste e passar a uma expressão ansiosa, preocupada, exausta. notou que aquele só poderia ser o efeito de ter permanecido em des moines depois de todo aquele tempo. mal podia imaginar a celeste, sua celeste de anos atrás, mofando naquele lugar, especialmente depois de tudo o que aconteceu. era de cortar o coração. mas foi o que ela quis, deixou bem claro há muito tempo que não queria mais ajuda financeira de ninguém. não era muito sua praia lidar com emoções conflitantes, não as suas, muito menos as dos outros, então aquilo era um pouco torturante. de toda forma, pela amiga, sabia que precisava deixá-la desabafar. ❝recebi❞, respondeu simplesmente, alguns tons abaixo do normal. tentou manter a expressão neutra. podia estar agindo como se estivesse dentro de um thriller, mas aquilo não ia prejudicá-las, muito pelo contrário. ❝não é o único motivo pelo qual te chamei aqui, óbvio. queria te ver depois de tanto tempo, mas...❞, hesitou, antes de continuar o assunto inevitável. decidiu manter um tom neutro e alguns decibéis abaixo do normal, como se falasse de coisas mundanas. ❝precisamos sim falar sobre isso. eu... isso foi do nada. eu conheço victor melhor do que ninguém, mas não sei mesmo no que ele se transformou nesses últimos anos. você que ficou por aqui... de onde surgiu isso?❞, questionou.
mesmo que todos soubessem que haviam sido intimados, marie-anne fazia questão de agir com a maior naturalidade do mundo. ela não tinha nada a temer, quiçá tinha algo a ver com aquilo, por que deveria ficar com medo, afinal? o calor do sol emanava da ponta de seus dedos para o resto dos braços e ela estava transparecendo confiança, o que não era tão natural assim. quando ouviu uma voz conhecida, virou-se com um sorriso no rosto, o mais receptivo que conseguia para aquele momento.⠀⠀—⠀⠀seria rude se eu dissesse que não tinha pretensão de voltar tão cedo? a vida em lille é muito melhor que aqui.⠀⠀—⠀⠀por mais que fosse grata por ter se formado e estar em um emprego estável atualmente, não queria se envolver naquela bagunça de novo.⠀⠀—⠀⠀des moines tem somente a educação de bom para oferecer, e olhe lá! não me surpreende o victor dar o seu show logo quando estamos perto de ir embora desse fim de mundo.⠀⠀—⠀⠀viu que soleil estava com um cigarro e apenas negou com a cabeça, como se desaprovasse aquela atitude.⠀
☼ foi bom ver o rosto de marie-anne. tinha ido até a universidade porque tinha a esperança de que... o que? não sabia direito. alguma resposta? inspiração? talvez quisesse aquilo mesmo, topar com alguém do passado e entender o que outras pessoas achavam daquilo. ❝de jeito nenhum! eu também não tinha. qualquer lugar na frança me parece um lugar melhor que aqui.❞, 'ou do mundo', adicionou mentalmente. a menção de victor e do que tinha acontecido fez soleil perdeu um pouco da compostura. esperou que não tivesse transparecido muito. ❝victor com certeza deu um jeito de fazer até a última coisa da vida dele ser extravagante❞, concordou. em geral, tentava não pensar no ex-namorado. agora, os motivos pareciam só se acumular. ❝com certeza tudo isso é só um último trote dele e logo vai se resolver. você lembra como ele era, né? nossa, parecia que quando calouros entravam na kappa phi, ele ficava maluco. amava isso tudo. essa é mais uma das brincadeiras dele, com certeza.❞, falou positivamente. só não sabia se era para tranquilizar marie-anne ou ela própria.
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não havia um motivo em particular para o olhar se demorar sobre a mulher, a não ser a curiosidade do que ela poderia estar fazendo ali. valentin pensou na questão do saudosismo relacionado aos anos passados naquele lugar, mas não conseguia se sentir da mesma maneira. especialmente depois dos eventos recentes, a sua vontade era de nunca ter pisado ali. muita coisa teria sido mais fácil e não era só sobre fiona e victor. ❛ e quase sempre é por falta de opção, pode reparar. ❜ comentou junto a um suspiro cansado. ele mesmo, só voltou para des moines porque tinha se divorciado e não via mais lugar para si em paris, onde tudo lembrava a parisiense com quem se casou. balançou a cabeça em concordância sobre a frase enigmática, entendendo facilmente o que ela queria dizer apesar de tudo. ❛ difícil dizer qual é qual agora. ❜ completou com um suspiro. o acidente de fiona foi terrível e marcou-os de um jeito doloroso. agora a morte de victor fazia o mesmo.
☼ sol riu. ele tinha um ponto. ❝mais ou menos... poderia ter recusado o convite da festa dos cem anos. quase recusei... não sei se teria sido diferente❞, deu de ombros. não adiantava ficar pensando no que poderia ser, hipóteses eram só hipóteses. tinha certeza que a polícia de des moines podia lhe encontrar facilmente em qualquer canto da frança. não era difícil mesmo. ❝eu tenho um palpite❞, falou baixo, mas sabendo que ele podia escutá-la, de qualquer forma. a conversa começava a ir a uma direção sombria, reminiscente, então decidiu manter as coisas leves. ❝e você, valentin? por aqui de passagem? ou ficou em des moines?❞, perguntou, genuinamente interessada. não se lembrava de ter conversado com ele na festa.
𝟐𝟎𝟐𝟒 𖤐˚。⋆ ♥︎ ₊˚. A verdade era que, Nadine nunca mais quis pisar no campus da universidade. Era nostálgico demais, doloroso demais. Mas haviam coisas que fugiam do seu controle - principalmente quando ela, por coincidência ou não, acabou se tornando uma das voluntárias do canil da faculdade de veterinária. Como alguém que nunca quis decepcionar alguém, poderia negar o pedido da diretora Dubois? Com a chegada do final do expediente, ela estava pronta para ir embora, quando viu uma figura enigmática olhando para a fachada de l'orangerie. Aquela era... Sol? Antes que pudesse formular algo, a sua presença logo foi notada e Nadine soube apenas sorrir em cumprimento a velha amiga, a qual ela não sabia ter voltado para a cidade até aquele momento. "Você também recebeu a intimação?" Foi a primeira coisa que disse, aproximando-se. "Realmente, foi uma excelente recepção para você. Não acredito que esteja aqui, justo quando... tudo isso aconteceu." Se não bastasse os acontecimento de 2015, agora também tinham a morte de Victor para lidar e o desenrolar das investigações.
☼ sol olhou de soslaio para nadine. depois que saiu de des moines, julgou que nunca mais precisaria lidar com alguns dos seus ex-colegas. e lá estava ela. se cerrasse só um pouquinho os olhos, as feições envelhecidas da mulher desapareciam e era como se visse a nadine de nove anos atrás. o jeito da fala, a postura dela... foi inevitável não sentir que estavam nos corredores da kappa phi. e, juntamente com isso, os sentimentos de desconfiança. sempre achou a sua interlocutora um pouco... dissimulada. como se escondesse uma faceta por debaixo da sua amigabilidade exacerbada com todos. por isso a fala dela deixou sol um pouco desconfiada. 'olha só, soleil, você bem aqui quando tudo isso aconteceu...' estava insinuando que ela tinha algo a ver com as coisas? sol divagava. precisou voltar à atenção ao momento, para não parecer uma idiota ali parada, em silêncio. ❝recebi... como se fosse visitar um parente e ele te recebesse à vassouradas.❞ brincou, tentando fazer parecer que ela encarava tudo aquilo como uma piada. ❝é, uma coincidência terrível. mas acho que muitas pessoas tão na mesma situação, né. com a festa de cem anos da kappa phi acontecendo, acho que não tivemos nenhum faltante. tava todo mundo lá... e, consequentemente, aqui.❞ falou suave e ocasionalmente, sem tentar parecer que se defendia de algo. ❝e você, nadine? o que faz por aqui?❞, perguntou, curiosa com o que a mulher poderia estar fazendo ali na universidade.
observou soleil atentamente, captando os sinais de confusão e receio que tentavam se ocultar sob aquele sorriso. era claro que aquela situação desconfortável não era o que nenhuma delas esperava encontrar de volta em des moines. assentiu levemente, compreendendo a gravidade da situação. " de fato, qualquer reunião entre nós pode levantar suspeitas, especialmente agora que a investigação foi retomada. " ponderou por um momento antes de continuar, percebendo a hesitação de soleil ao mencionar os eventos do passado. " talvez reunir as pessoas seja realmente o melhor caminho. ver o que elas lembram, o que podem ter testemunhado recentemente. a informação pode ser nossa melhor arma neste momento. " a expressão de iris suavizou um pouco ao ouvir soleil se colocar à disposição do "bem maior". ela sabia que, apesar das aparências, cada uma delas tinha seus próprios interesses e segredos. " transparência pode ser uma vantagem, de fato. “ concordou. ” é importante garantir que estejamos um passo à frente, mas sem atrair muita atenção indesejada. " ao ser questionada sobre os próximos passos, iris considerou cuidadosamente suas palavras antes de responder. “ eu diria que precisamos primeiro estabelecer uma base sólida de informações. entender quem está disposto a colaborar e até onde podemos confiar neles. depois, podemos decidir os próximos movimentos com base no que descobrirmos. não podemos nos dar ao luxo de agir precipitadamente, mas também não podemos nos dar ao luxo de ficar paradas enquanto o jogo se desenrola ao nosso redor. ” olhou para soleil, buscando qualquer sinal de acordo ou discordância. " e você, soleil? há algo mais que acha importante considerar ou algum caminho que gostaria de explorar? "
☼ sol começava a se sentir desconfortável na presença de iris. aquelas perguntas não eram despropositadas; achava que nada que vinha dela podia ser. ela passava uma sensação de está-la analisando, para muito além do que respondia. a mulher limitou a assentir. mesmo com sua tentativa de desviar a narrativa para ela, iris parecia tão boa nisso - ou melhor - que ela. não sabia se podia confiar nela. na verdade, tirando seu pai, existiam exatamente três outras pessoas no mundo que confiava. ❝acho que dava pra começar tudo isso reunindo as pessoas em pequenos grupos. quem era mais próximo, pra parecer natural. e de alguma forma, em algum momento, juntar tudo isso.❞ contribuiu, mesmo ainda desconfortável em dar algum tipo de opinião. ❝não sei como dá pra coordenar isso. por mensagem pode ser perigoso, se alguém acabar tendo o celular confiscado... ou grampeado❞ considerou. a maior parte do seu conhecimento vinha, claro, do trabalho feito com os seus roteiros. tinha participado da produção de alguns filmes e episódios de séries policiais, mas nunca fez um trabalho próprio disso. quem sabe, depois que tudo passasse, não seria uma boa ideia de filme novo. a mídia iria adorar. anotou mentalmente. ❝de qualquer jeito, vai ser difícil. não sinto... firmeza que em vinte e um testemunhos não possa sair... algo interessante aos policiais.❞ respondeu, olhando significativamente para iris. era o máximo que podia fazer sem comprometer sua posição. ainda não tinha falado com suas melhores amigas para tentar fazer algum tipo de sentido daquela bagunça toda.
☼ depois de receber a intimação e perceber que sua estadia em des moines precisaria ser maior do que ela gostaria, sol tinha decidido que ia se concentrar na parte positiva daquilo tudo. claro que acabou mudando de ideia algumas vezes, mas de toda forma, no fim das contas o que permanece foi: precisava descobrir o que os antigos colegas pensavam. e precisava de pessoas confiáveis ao seu lado. celeste estava, obviamente, no topo da lista. a amizade de infância entre as duas sobreviveu ao tempo por diversas vezes e, por mais que tivessem se afastado depois de todo o rolo com a família dela, ela continuava sendo uma das pessoas com quem soleil não teria medo de conversar... ou se abrir, se fosse necessário. por isso, convidou a amiga para a encontrar em um bistrô após o horário comercial. escolheu propositalmente um lugar cheio de pessoas conversando e rindo, para caso precisassem... sol não sabia direito. de álibi? afastar suspeitas? ela ainda não tinha ideia das suas motivações (além de sair bem daquilo tudo). aguardava a chegada de celeste se distraindo ao olhar o menu, mas a verdade é que mal conseguia ler as palavras; sua mente estava distante. foi só quando viu a amiga se aproximando que deixou o papel de lado e lançou um de seus melhores e mais famosos sorrisos, cumprimentando: ❝ora, ora! quem é viva sempre aparece!❞ brincou; a verdade era que aquilo também podia se encaixar para ela, que saiu fugida de des moines desde que se formou. levantou-se para cumprimentar celeste com um beijo e um abraço. fazia anos que não a via! ❝mon ami, quanto tempo!❞ disse, soltando a mulher e voltando para o seu lugar. ❝como estão as coisas?❞
iris observava soleil com um olhar afiado e calculista, os pensamentos correndo rapidamente enquanto mantinha a compostura. era quase reconfortante ver um rosto familiar em meio ao caos que se desenrolava. ela deu um leve sorriso, um gesto que parecia tão ensaiado quanto verdadeiro. " de fato, a recepção de des moines nunca deixa a desejar, não é? " respondeu, o tom de voz controlado e sereno. iris deixou escapar um leve suspiro, uma mistura de nostalgia e frustração. " ah, dickens sempre acertou em cheio. parece que fomos jogados de volta ao olho do furacão. " deu um passo à frente, aproximando-se de soleil. “ ainda assim, não é nada que não possamos manejar, certo? afinal, somos sobreviventes. ” os olhos de iris varreram o entorno rapidamente, procurando por qualquer sinal de perigo ou de seus antigos colegas. “ tenho certeza de que não fomos os únicos a retornar para esta reunião forçada. precisamos nos manter alertas e, mais importante, unidos. a última coisa que queremos é deixar que nos separem e nos enfraqueçam. ” fez uma pausa, permitindo que suas palavras ressoassem. " e então, soleil, qual é o próximo passo? não somos mais os jovens despreocupados que éramos. agora, precisamos jogar este jogo com cautela e precisão. "
☼ sol escutava iris sem expressar (ou melhor, conseguir) qualquer uma de suas emoções. ela estava confusa, um pouco triste, definitivamente assustada. aquele não era um trio que a martel gostasse que fizesse parte de sua vida. era tão fácil fugir disso em paris; podia ser uma cidade turística, cheia de gente (e ratos), mas existiam pequenos oásis que ela conhecia, para onde podia ir. ali em des moines parecia que não existia escapatória, que tinham olhos sobre si a todo o momento. e podiam muito bem ter. ajeitou a postura e sorriu para íris. ❝eu concordo completamente❞, iniciou. a verdade era que sol não confiava em quase ninguém, mas definitivamente manter o grupo unido parecia uma boa estratégia. só precisava ficar atenta, porque conhecia bem aquelas pessoas. podiam ter passado anos, mas algumas coisas não mudam, e sabia que no fundo ainda era cada um por si. a idade só poderia ter piorado isso. ficou um pouco surpresa com a atitude direta da sage, mas era de se admirar. tentava arrancar uma resposta dela, para poder classificá-la, provavelmente. ❝qual é o próximo passo? ótima pergunta. ia amar saber a resposta, mas a verdade é que eu não sei. a esse ponto, qualquer reunião entre nós vai parecer suspeita. e considerando que alguém de fato fez tudo isso...❞, hesitou antes de continuar. não sabia direito o que estava pensando. decidiu mudar o rumo da fala. ❝ainda assim, talvez fosse útil reunir as pessoas. e ver o que elas pensam, o que lembram. principalmente quem continuou morando aqui, o que podem ter visto ultimamente. eu sou transparente e fico à serviço do bem maior, como sempre.❞ não era mentira. podia ser sua versão da verdade, um pouco distorcida, inconsciente e conscientemente, mas era verdade. não queria que ninguém se ferrasse. mas, acima de tudo, não queria ser o bode expiatório de ninguém. ❝qual você pensa que deveriam ser os próximos passos, íris?❞ não fazia mal devolver a pergunta.
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onde: des moines, frente da université de l'orangerie
quando: 2024, após receber a intimação
quem: sol & aberto
☼ sol não tinha fumado muito durante o seu tempo na faculdade, surpresamente. foi um hábito que adquiriu depois de mais velha em paris... ah, sabe-se lá por que, mas todo mundo fuma em paris. très chic. a nicotina agora fazia o seu trabalho, e ela quem não ia reclamar. encarou a fachada da université de l'orangerie. como podia algo tão familiar soar tão estranho? e como ela podia estar ali na frente agora depois de tantos anos? olhou para os lados, procurando policiais à paisana. ultimamente estava assim, paranóica. e não é que não foi a toa? não tinha nenhum pistoleiro olhando para ela e anotando seus passos, mas notou muse ali por perto, medindo-lhe com o olhar. ❝dizem que o bom filho à casa torna...❞ iniciou, um sorriso calmo no rosto, discrepante com seu estado de espírito. mas tinha aprendido há anos que não importa o interior; se mentisse o suficiente externamente, logo o interno mimetizaria tudo aquilo e as coisas ficariam boas novamente. ❝c'était le meilleur des temps, c'était le pire des temps¹... recepção nota mil de des moines.❞ disse, enigmática. muse entenderia do que falava, óbvio. todos tinham sido intimados, era o que se lia no jornal.
¹ "foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos", em português. é uma citação de "o conto das duas cidades", de charles dickens. oooh que cult.
Dans les frissons du cœur
Dans les maudites chansons
Dans les cages d'ascenseur
Où ils gardent les bas-fonds
Dans l'angoisse et la peur
Frissonnant d'émotion
Je te survivrai
sol riu ao mesmo tempo que bebia o gole de château margaux , contendo no último segundo o impulso de cuspir o que bebia, por causa do ímpeto de rir. durante sua vida toda, foi conhecida como alguém sorridente, positiva, vibrante. a verdade que ninguém sabia é que no fundo, se contabilizasse todos esses risos, noventa por cento seriam de desespero.
e aquele não era diferente. amaldiçoava as suas próximas cinco gerações, e também as cinco passadas. agora os motivos de ter ido para des moines e ter entrando na kappa phi pareciam ridículos. ah, meu pai fez isso. que merda! que merda! seu pai... nem tinha tido coragem de contar para ele o que estava acontecendo. e dion era normalmente o seu confidente para tudo. e sabia que ele iria resolver aquilo tranquilamente, da mesma forma que aliviou a sua barra lá em 2015. mas reviver isso parecia insanidade.
que diabos. ela era sol de león martel. tinha ganhado todos os prêmios franceses de cinema possíveis. era irreal, inacreditável que isso pudesse estar acontecendo, saído de um roteiro mal feito. ela jamais escreveria a trama dessa forma...
ainda assim, deveria admitir que algumas coisas eram irônicas o suficiente para prender um telespectador. ela devia saber.
victor dagoty. esse nome se repetia em seus lábios há anos. na verdade, durante os nove anos desde que se formou, ela fez o possível para esquecer, mas só ela sabia como o ex-namorado a assombrava. e agora aquela trama tinha qualquer coisa de fantasmagórica, porque ele morreu. caralho, que timing. victor sempre dava um jeito de ser o centro das atenções. a gente tinha isso em comum, porra!
olhando pela janela do airbnb que alugou para passar uns dias em des moines, se perguntou o motivo de estar ali. bom, teoricamente o motivo estava na sua frente agora. a intimação policial. a carta recebida. o sol reluzente. bufou. não podia ser menos óbvio? um sol para a sol. quem é que fosse aquele remetente, tinha pouca criatividade. e ainda assim, os clichês continham sempre um quê de fatalidade, destino. o que é pra ser sempre é, nunca escapa... e ela se sentia um pouco assim agora.
memórias de victor e fiona a assombravam agora. era tudo tão mais fácil em paris; e, não obstante, existia um ímã naquela cidade, anteriormente tão amada por ela. parte dela tinha vontade de entender tudo aquilo, mas a predominante era ainda aquela que foi proeminente durante a adolescência, que preferia olhar pelo lado positivo. e existia lado positivo nisso tudo? a intimação policial dizia com todas as sílabas: você fez algo errado. e era verdade.
a vida adulta toda ela decidiu ser diferente. agora que já tinha um teor alcóolico no sangue, poderia admitir em silêncio, taça de vinho em uma mão e a cigarrilla em outra: eu sou o que sou por causa de quem sou. acreditava nos seus roteiros e na sua visão para eles; sabia que seu senso aguçado artístico não falhava. mas a questão continuava sendo que eles só tinham o peso atual pelo fato de um "MARTEL" estar acompanhado nos créditos. independentemente disso, ela decidiu seguir. não queria fazer coisas preguiçosas, tomar o caminho mais fácil, só porque os dois sobrenomes tornavam isso óbvio. ela fez a faculdade, começou de baixo, comprou café para os grandes, recebeu merda nos ouvidos dos maiores. e persistiu. nepotismo à parte, ela sabia que merecia algumas coisas, pelo menos alguns crédito. e tudo porque decidiu que, mesmo tendo todos os recursos do mundo, ainda ia prezar pelo SOL no lugar do DE LEÓN MARTEL.
esmagando a ponta da cigarilla na sola do seu coturno saint laurent, ela fez uma prece: vou sair dessa do mesmo jeito que entrei. olho por olho, dente por dente. existia um princípio naquela coisa toda. eu por mim, sol por sol. se seu nome tinha lhe feito ganhar uma carta de tarot cintilante daquelas, ela ia fazer com que não fosse em vão. ela sabia brilhar e queimar ao mesmo tempo. ninguém brilha mais que o sol. ninguém queima o sol. ela ia dar um jeito. não importa qual jeito.
( 2015) ⸻ manon estava chorando. tinha acabado de desligar o telefone, falava com o pai. nunca era uma conversa fácil com ele. não desde a falência escondida a sete chaves, porque era ela quem carregava um fardo pesado demais para alguém tão jovem: sustentar a vida de luxo da família e manter as aparências. e ela já tinha feito tanta coisa em nome desse propósito e mesmo depois de tudo quase ir por água abaixo, ainda precisava continuar. e o problema era sempre o tom escolhido, a escolha das palavras duras. podia ser casca grossa como era, mas ainda era só uma garota. por isso se sobressaltou ao ouvir a voz de muse às suas costas e perceber que não estava mais sozinha no jardim. ❛ oh mon dieu! que droga! por que você está se esgueirando atrás das pessoas como um fantasma? ❜
( 2024) ⸻ ainda que os anos de faculdade não tivessem sido os piores de sua vida, muita coisa tinha acontecido. coisas que manon já tinha empurrado para um canto esquecido em sua mente e não queria mais ninguém mexendo lá. no entanto, alguém tinha que morrer e fazê-la revirar tudo aquilo. nesse processo, se reconectar com os antigos colegas de fraternidade era inevitável. por isso estava na casa de muse naquela noite. tinha levado uma garrafa de vinho e uma torta de limão para que pudessem jogar conversa fora. ❛ por que está aí no escuro, criatura? se está se escondendo da polícia, tarde demais. eles já sabem onde o culpado está. ❜ ela brincou com muse, a risada saindo entre as palavras.
☼ ❝oieeee, que tal se inscrever pro nos...❞ começou animadamente sol, até que percebesse manon se virar, com os olhos marejados. por alguns segundos [que, verdade seja dita, pareceram anos], a martel ficou sem reação. não era a melhor do mundo em lidar com sentimentos de tristeza, e ver que algo não estava certo com alguém era difícil para ela. só que, acima de tudo, sol gostava de animar as pessoas e fazer sua parte para se certificar de que todo mundo estava bem. ❝desolée, chérie, não foi minha intenção, de verdade...❞ iniciou, a voz aveludando, se tornando delicada. ❝eu vim te chamar pra se inscrever pra arrecadação semestral da faternidade... mas podemos falar sobre... uh, isso, se quiser.❞ ofereceu, juntamente com um sorriso doce.
Parada na frente do espelho da fraternidade, Angélique terminava de se ajeitar para poder sair para a aula quando muse acabou tirando sua concentração da maquiagem que estava fazendo. Muitas vezes, a Park acreditava que devia ter um prêmio de paciência, porque controlar sua irritação para manter a imagem de frágil era algo que precisava muito dessa virtude. - Caramba! Acabei de errar o delineado que estava fazendo. Não precisava ter me empurrado, chéri. - virou o rosto, fazendo um biquinho triste para amolecer o coração de muse e fazê-lo se sentir culpade - embora elu fosse mesmo já que não estava olhando por onde andava. - Por que está com tanta pressa?
Starter aberto
Des Moines - 2024
Uma pausa nas ligações do dia, era isso que Angélique Park estava precisando, ainda mais depois de passar a manhã toda conversando com políticos burros e tendo que mostrar um sorriso. Cansada, era assim que a mulher estava se sentindo, especialmente com toda aquela dor de cabeça de estarem falando sobre a morte de Victor - que ela nem mesmo ligava, não tinha nada com aquilo e não se importava como ele tinha morrido ou porque, não era alguém que valesse a pena para ela. Perdida em seus pensamentos, não escutou quando um homem lhe xingou por estar demorando para dar um passo para o lado para que ele passasse com seu cachorro. - Pode repetir o que disse? - o tom de voz saiu baixo, os olhos fixando-se no rosto masculino e ficando quase que totalmente negros. Aquilo parece ter assustado o babaca que murmurou algo e apenas apressou o passo para sair dali. - Idiota. Homens sempre pensam que podem falar o que quiserem para as mulheres, não é mesmo? - o tom de voz mudou completamente para amigável quando notou muse passando.
☼ sol muitas vezes não tinha noção de como se movimentava por aí, podendo parecer um furacão andando pelos corredores da kappa phi. naquela manhã, por deus, não conseguia achar o top branco por nada. já tinha passado por três quartos das colegas da fraternidade, e nada. o quarto de angel era o próximo, mas achou que a garota podia já ter saído, se assustando ao encontrá-la ali. ❝mon dieu, angel, achei que você já 'tava na aula ou algo assim.❞ foi o que saiu primeiro, antes mesmo de uma desculpa. aí percebeu que foi mal educada, e ajeitou a postura, um sorriso luminoso no rosto: ❝desolée, chérie. eu 'tô procurando um top branco, sabe? não consigo achar em lugar nenhum e não lembro pra quem emprestei a última vez. por algum acaso deixei ele por aqui?❞, perguntou, olhando ao redor, mas tentando não parecer tão invasiva. o que era difícil para ela.
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chat starter aberto
cafeteria de Des Moines . 2015
- Você não acha que é muito estranha a maneira como a professora Fran olha pela janela quando passa uma ambulância ou uma viatura? - dizia com mistério na voz antes de levar a cerâmica castanha de encontro à boca - Tipo... ela fica nitidamente fora de órbita. - deu um grande gole em seu café - Nossa! o café daqui é o melhor mesmo... esses grãos brasileiros são muito bons. - olhou para muse e retomou seu tom de mistério - Eu acho que ela está envolvida naquele caso do roubo de notebooks do laboratório -
☼ sol segurou a língua antes que pudesse soltar um alto e sonoro "quem é a professora fran?". a memória não era das melhores, e agora ela tentava pensar se tinha esquecido de alguma professora. na verdade, como edouard fazia fotografia e ela cinema, é possível que compartilhassem sim aquela aula. ugh, sua memória andava uma merda ultimamente. tinha visto uma manchete falando que sua mãe tinha um novo namorado, e seu dia foi completamente arruinado; não conseguia mais pensar em nada. tentou disfarçar sua distração com um gole longo na própria xícara de café. precisou concordar sobre o café. ❝ugh, é bom mesmo, e eu sou chata pra caramba com café, então é dizer muita coisa! obrigada por me convidar, eu 'tava cansada de tomar o café feito pelos calouros lá em casa, é um terror.❞ confessou. café era uma parte importante para ela, ultimamente um dia queria dizer mais ou menos sete xícaras, talvez mais quando tinha projetos para entregar. acabou sorrindo, curiosa, com a teoria do garoto. ❝hmmm, teoria interessante, elabore mais... e, cuidado, posso roubar suas ideias pra algum roteiro. nesse ponto do semestre minha criatividade tá quase zero...❞.
abaixo do read more, algumas conexões que eu gostaria de desenvolver com a sol + as atuais. lembrando que são só ideias chaves, a gente pode mudar e desenvolver de forma diferente!
colega de quarto. a pessoa com quem ela dividiu o dormitório na kappa phi. podemos analisar a personalidade de cada e decidir como era o relacionamento a partir disso. @laviedevivi
nem jesus agradou todo mundo. essa pessoa específica é alguém que não cai no papo da sol, o que deixa ela maluca. é uma pessoa que ela buscou muito agradar na faculdade, mas seu char ficou irredutível, como se conseguisse ver através das rachaduras da garota sorridente e feliz toda hora (ponto maior se for alguém mais velho, mas não necessariamente precisa ser). (1/1) @yoonwonk
amigos, amigos do peito. procuro amigues da sol na faculdade, gostaria de que tivesse de tudo: amizade-meio-inimizade; melhores-amigos-para-sempre-mesmo; do-terceirão-pra-vida (acabou pós faculdade); amizade improvável que ninguém sabe de onde surgiu, nem elus; amizade-tipo-irmão-irmã-implicância. (infinitas vagas!!!)
se me atacar, eu vou atacar. queria explorar uma conexão de competição. pode ter sido só na faculdade mesmo, não necessariamente o mesmo curso, mas por estarem na fraternidade, acabavam competindo. a definir o que virou a relação nos dias de hoje. (1/1) @wheelofeva
caso do acaso bem acaso. amizade colorida? sei lá? algo com alguém, que não foi tanto pra frente, tanto na época da faculdade quanto depois. quando as coisas ficam difíceis, ela pula fora, queria explorar essa questão de não saber lidar com sentimentos profundos. (0/1) [sol é bissexual]
amizade de infância, famílias próximas e mantiveram contato. @onlyfooll
boas amigas que se conectaram por causa dos interesses artísticos. @eclipsinstar
frenemies, sol fazia o possível para mantê-la por perto e existia uma admiração/medo por parte de sol, que se sentia ameaçada pela personalidade e posição da mais nova. @ fiona agnew
ex-namorados que terminaram em maus termos depois do acidente de fiona. @ victor dagoty
frenemies, sol suspeita que a doçura de nadine seja apenas uma fachada, mas nunca se atreveu a dizer nada. a proximidade dela com fiona fez a loira suspeitar dela durante a faculdade. @nadinc
melhores amigas de infância. sol e margaret são filhas de atores e foram criadas de forma próxima. essa é uma das suas duas únicas referências de amizade duradoura, desde a infância até faculdade e carreiras parecidas, elas são inseparáveis. @t
melhores amigas de infância. sol e mc se conhecem desde crianças, porque as famílias são chegadas. a amizade perdurou durante a faculdade e aos dias atuais, elas têm gostos, ideias e opiniões parecidas. uma conexão genuína e importante para sol. @a