furacão do autoconhecimento
Esses dias, me peguei relendo um livro que já havia devorado há algum tempo, e novamente me senti em um espelho, me identificando profundamente com a personagem principal. Mas dessa vez, algo me chamou a atenção de uma forma diferente, e uma série de questionamentos começaram a surgir.
É aquela famosa teoria de que, às vezes, pegamos os problemas e os varremos para debaixo do tapete. Mas, com o tempo, o tapete fica tão cheio que chega o momento em que a faxina precisa ser feita. Eu admito que tenho esse mau hábito, mas, dessa vez, a situação me obrigou a puxar um desses problemas de debaixo do tapete, e, para a minha surpresa, acabei caindo no olho do furacão.
Você deve estar se perguntando: "Como assim?". Espera que a minha mente caótica irá tentar te explicar o por quê!
A personagem citada é extremamente carente – em diversos aspectos – e sente uma necessidade constante de ser aceita, de fazer os outros gostarem dela. Para alcançar isso, ela se molda conforme o que considera ser "aceitável" para aqueles com quem se relaciona, e não falo apenas de relacionamentos amorosos. Ela cria versões de si mesma, esconde sentimentos e coloca uma máscara para cada situação. Chega a um ponto em que ela se perde nesse jogo de identidades, e a pergunta surge: 'Quem sou eu de verdade?'.
Mas, por que "olho do furacão"? Para mim, a metáfora faz sentido, uma vez que, quando começamos a nos questionar sobre quem somos, acabamos nos encontrando no meio de várias versões de nós mesmos: escolhas, desejos, gostos, desgostos, sentimentos... Tudo surgindo de cada uma dessas versões, não é algo bonito. E, naquele momento, é difícil saber em quais dessas versões se agarrar para tentar entender quem realmente somos. Então, me bateu o desespero, eu me vi cada vez mais entrando no furacão e me perguntando: 'Quem sou eu?' 'Eu me conheço de verdade?'.
Hoje, me encontro fazendo terapia, imersa em uma jornada de autoconhecimento. Confesso que pensei que seria algo simples, com perguntas do tipo: 'Quais comidas eu gosto? Quais são meus hobbies? Quais cores me atraem?' Tola fui eu! Essas perguntas são fáceis, diante das complexas que estão por vir. A verdade é que você se sente completamente perdida. Porque, quando você passa tanto tempo usando máscaras, mentindo para os outros e até para si mesma, você se perde de tal forma que o caminho de volta parece um labirinto sem saída, sem fim, e o pior? Sem esperança.
Isso tudo revela uma versão fraca de mim — que insisto em tentar esconder — e que me faz questionar se não seria melhor viver na ignorância, em vez de enfrentar esse processo doloroso e incessante de autodescoberta. Talvez... Mas, acredito que depois de 23 anos, pode ser que a faxina precise ser feita e a saída do furacão e do labirinto precisem ser encontradas, não é?
Assinado, seu caos de sempre.












