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Conto- As Cores do Natal
“Vermelho, branco, dourado e verde, essas são as cores que mais enfeitam o Natal”, isto era o que um homem carismático dizia a todos que passavam na rua coberta de neve na noite gélida do dia 23 de Dezembro daquele ano.
Alguns dos que estavam na parada de ônibus resmungavam entre si, pois o homem não parava de repetir a mesma coisa há horas. Irritados, se reuniram para falar mal do homem, movimento o qual apenas fez que o barulho se tornasse maior e a confusão se estendesse até o ponto em que a policia teve de ir ao local.
Chegando à rua, Rua Dom Colorau, a policia apaziguou o tumulto, mas não encontraram o autor daquela algazarra, pois todos os presentes se contradiziam. Alguns falaram que havia um homem barbudo gritando com todos. Outros afirmavam que o mesmo homem lutara com 10 outros ao mesmo tempo. Havia até aqueles que disseram que não havia homem barbudo algum, que a confusão havia começado com a briga entre dois jovens imaturos. No fim, não encontrarão o homem, este havia se escondido entre caixas de papelão largadas num beco sem saída e assim que a bagunça se desfez, retornou ao local, frente a uma porta vermelha decorada pelo feriado.
Então, o homem voltou a repetir, com a voz agora rouca, as palavras: “Vermelho, branco, dourado e verde, essas cores são as que mais enfeitam o Natal”, agora a frase até ganhara musicalidade, os sinos ecoavam e os passos das pessoas da rua se juntavam à melodia.
Então, outro homem, aparentemente mais novo, largou uma moeda no chão, com delicadeza para que as sacolas recheadas de presentes não se encostassem à neve barrosa. O homem barbudo não percebeu o gesto, afinal ecoava as palavras de olhos fechados, como se estas saíssem do fundo de seu coração. O homem mais novo seguiu seu rumo, achando que havia feito uma boa atitude, afinal aquela era a época de generosidade, mas estava tremendamente enganado, o homem barbudo não era um necessitado financeiramente.
Outras pessoas começaram a por moedas e notas de dinheiro em seus pés, achando que o homem precisava daquilo. Ele continuava a repetir, tudo de olhos fechados, aquelas palavras meditando em seu coração. Quando enfim abriu os olhos, assustou-se com a multidão ao seu redor. Alguns se perguntavam se ele era alguma celebridade, talvez um Papai Noel fantasiado. Outros acharam que ele iria cantar algo, batendo palmas no ritmo que as palavras eram ditas. Havia também aqueles que achavam que era um homem louco e se perguntavam se deveriam chamar a policia ou a ambulância. O silêncio tomou conta, todos fixando seus olhares para as próximas palavras do homem barbudo. Enfim, o silêncio se desfez quando uma garota se desgarrou da mãe e foi em sua direção.
--O que significa isso, Papai Noel?- A criança olhava para cima, tentando realizar contado visual, antes que a mãe viesse, agarra-se seu braço e retornasse de onde saiu da multidão.
Meio desconcertado, intimidado, ansioso com todas aquelas pessoas ao seu redor, o homem refletiu no motivo de ter repetido aquelas palavras durante todas as horas que estara ali. Quando enfim entendeu o motivo, as palavras que fluíram de seu peito, a seguir, foram sinceras e honrosas.
--Eu vejo todas essas cores por aonde vou durante esse mês, mas não vejo o preto. Onde está o preto? Não o preto elegante, atraente, sólido e seguro, mas aquele sujo como a lama misturada na neve.
Uma mulher dentro da multidão protestou.
--Nesta época do ano devemos nos alegrar e festejar. Afinal, é Natal!
O homem barbudo, voltando-se para os demais, se frustrou com a resposta
--Pensam o mesmo que essa mulher?
--Sim-- Responderam em uníssono, aguardando ansiosos o que achavam que seria um espetáculo de rua. Ele coçou a garganta antes de continuar.
--Por que festejar?-- Todos procuravam as próprias respostas em silêncio, mesmo que a verdade fosse tão nua e memorável – Festejam, pois é Natal, mas não sabem o porquê de ser Natal. Vocês sabem por que comem e bebem, não sabem?
--Para nutrir os nossos corpos-- Uma voz grossa no meio da multidão disse.
--Sim, então porque não sabem o significado do Natal se este é mais importante que comer e beber?
As pessoas se tornaram inquietas, alguns achando que o homem falava asneiras, outros ansiosos pela próxima fala.
--O vermelho. Sangue consagrado- Iniciou a canção que muitos ali aguardavam – Para nós presenteado, por nós sentenciado. Branco. Como os trapos sujos de sague do parto lavados no rio, limpos e amados. O dourado! Do reino que veio ser proclamado, adornado de ouro, adorado por todos os amados. E o verde, das raízes e frutos dos corações perdoados, que cresceram adorando e para adorá-lo.
Seus olhos se preenchiam de lágrimas e os poucos que compreenderam a letra da canção passaram a cantar junto dele mesmo errando as falas.
--Vermelho, branco, dourado e verde, essas são as cores do Natal! Onde está preto? Onde estão os sujos e lavados? Celebramos, ceamos, presenteamos uns com outros, mas porque o fazemos não sabemos. Mais pessoas se aproximaram um coral de natal. Todos vestiam batas brancas com um pano vermelho sobreposto. Junto do coral haviam -Se a promessa da vinda daquele menino não se cumprisse, estaríamos, todos, condenados. Mas, por Sua glória e fidelidade, o menino nasceu. Aquele que perdoou todos os nossos pecados. Então, onde está o preto? Eu consigo vê-lo! Dentro de muitos corações!
--O menino nasceu, celebrem o Deus – O coral repetia.
--Vermelho, branco, dourado e verde, essas são as cores do Natal! Onde está o preto?
O preto é muitas vezes esquecido nessa época do ano. Contudo, é justamente dele, e de todas essas cores, que devemos lembrar. O preto do pecado. O vermelho do sangue derramado, da promessa. O branco da consumação do calvário. O dourado do reino celestial nos prometido. O verde do crescimento espiritual, da adoração, gratidão pela Sua bondade e graça. Neste dia, então, celebramos o nascimento de Cristo e do cumprimento da promessa feita desde gênesis. Qual o peso dos seus pecados na cruz?
obs: em breve a música cantada no conto será postada no blog e instagram.
Um Presente
Eu pensei em várias ideias para trazer como primeiro post para esse blog. Pensei em falar sobre minha jornada como escritora, sobre a minha frase preferida dos livros, sobre a importância da escrita para mim… mas esses são conteúdos que só focariam em mim e o blog pode até ser meu, eu quem o escrevo, mas a minha motivação está longe de ser só por causa de mim e para mim.
Assim, por Dezembro ser o mês do Natal, o meu feriado preferido, decidi escrever o primeiro post para apresentar esse presente para vocês.
Deus permitiu que a minha criatividade fosse além da minha mente e transbordasse em histórias e poesias que glorificassem o Seu nome acima de tudo. Eu não tenho a capacidade de retribuir o presente, a salvação, que Ele me deu, nem sequer posso/consigo retribuir o meu talento com as palavras. Por isso, ao invés de tentar fazer algo impossível, farei algo que está ao meu alcance e que também é um mandamento: ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura.
Então, eu enviarei meus textos e, pela graça de Deus, aqueles que necessitam ouvir, ouvirão, aqueles que necessitam conforto e repreensão, os terão. Meus escritos. Eles são os presentes que quero enviar para vocês. Eles podem não ser tão grandiosos quanto a salvação nos dada pela morte de Cristo, mas sei que eles poderão fazer alguma diferença enquanto encharcados pelo Espírito Santo, sei disso porque eu mesma testemunhei o que Deus é capaz de fazer por meio de seus servos.
Aqui estou eu. Após sabe lá Deus quantas dúvidas, inseguranças, receios e aprendizados, venho criar esse blog. É por causa do meu desejo (e de Sua vontade) de ver o impacto que o Senhor pode causar nas outras pessoas, com a minha escrita, que irei começar a escrever esse blog e os muitos outros textos que virão a seguir.
Meu nome é Julia e sou escritora de ficção/fantasia(cristã). Sejam bem-vindos(as) ao meu blog!
Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia.
Vinicios de Moraes