a quietude é composta pelo bálsamo da cumplicidade . não é um silêncio glacial ; incômodo e tempestuoso . aquieta a perturbação de outrora — a mesma que lhe motivou ao autoflagelo . o sossego advém do toque cálido sobre a pele ; ante a olência perfumada do marido contígua a própria . não almeja de um sermão ou motivação superior a presença dele . é simples e eficiente : é detentora da posse , voluntária e conquistada , de tudo àquilo que precisa : o casamento vívido outra vez . a ponta do dígito desenha círculos sob a pele nua , tracejando o peitoral másculo com uma ternura inconfundível . desfruta do conceito mais sóbrio e profundo de malacia ; uma tranquilidade ímpar que somente basil pode proporcionar . não sente . não precisa . acalentou perante a pronúncia suave , os lábios que se aconchegam da curvatura calmosa do pescoço . está enamorada por cada partícula que compõe a cerne de basil ; entregue àquela conexão desmedida e intensa que partilham . você está pronto ? ' pra vender essa casa ? soprou em confidência e expectativa inabalável , o suave resvalar da boca sob o peito do howl - morgan .
serena com a musicalidade díspar da sonância do batimento cardíaco . o súpero e mais belo cântico dos cânticos . lembra quando a gente comprou ? emite a consonância de uma modulação alegre , o rejúbilo de lembrar onde de fato semearam o conceito de união . anos de terapia , cumplicidade , compaixão e amor . hão de superar , ano após ano , cada trauma obscuro que fora lavrado na floresta . a gente vai recomeçar ... nossa família . embora só vá acontecer quando estiver longe ; repartido daquela sina impetuosa e amaldiçoada da floresta . éden pode nos visitar em nova york . confidencia a expectativa que tanto cultivou nos últimos dois anos , o almejo de se livrar daquela mácula que tanto os perturbam . pensei em um jardim bonito . o cintilar luminoso fê-la rir , em regozijo , pela semelhança das vezes em que basil havia relatado a falta de energia . deve ser uma confirmação do universo , querido . embora a luz não retorne tão breve — tampouco se degenera pela falta — , cassandra se aconchega ainda mais sobre a figura afável do marido . não quero ficar longe outra vez , basil . tateia sob a companhia da penumbra o bíceps e antebraço em demora , de modo que entrelaça os dígitos para beijar os nós dos dedos . eu confio a minha vida em você . confidencia quando permuta os dígitos pelo traço cobiçoso ; o roçar vagaroso do lábio sobre o queixo que percorre , em verossímil lentidão , o maxilar para então se entregar a avidez dos lábios .
⊱ basil poderia proferir tudo que cassandra quisesse ouvir e fazer tudo que ela desejasse se cada aspiração fosse soprada junto de sua derme daquela maneira; viraria a porra de um astronauta se fosse uma fração do espaço que ela quisesse — quão bobo, quando pensa que ela guarda todas as estrelas e segredos dos cosmos na imensidão que se esconde em cada nuance dos olhos escuros, seus mistério bem guardados para uma pessoa que não era treinada na arte de admirá-la —, até as decisões mais fáceis que existiam poderiam ser incitadas em calmaria sob as carícias da esposa, mas aquela era a questão: não se trata mais de uma decisão a ser feita, é um veredito final — lutara contra seus demônios e vencera, não há mais nada o prendendo àquelas terras ( além da ordem policial ), não há nem um espacinho sequer para dúvida em mim, amor. estou pronto. é em serenidade que recita contíguo ao ouvido dela, um sussurro em cumplicidade. suas mãos, que outrora tremulavam em mácula e desassossego, agora rogam preces contra a nudez aveludada do corpo de cassandra, desliza-a pelo braço onde sela seus lábios ao redor da ferida — não eram mais desculpas, apenas o desejo da cura —, conclui sua jornada espalmando a palma cálida da esposa sobre seu peito acima do coração, consegue sentir, querida? ao contrário da mentira e da omissão, sua verdade não altera sua pulsação — forte e contínua, não perde uma batida sequer. o tato serpenteia para as costas de cassandra, o dedilhar de cada vértebra em bonança — verdadeiro ou falso? era real, real, real.
⊱ não é necessário que exercite muito a mente para ser invadido por lembranças doces de não apenas a compra da casa, ia bem além disso, se maravilha com a ideia de que tantos de seus primeiros foram alcançados ao lado de cassandra — reza, implora e barganha com todos os seres superiores para que nunca permitam que exista um último entre eles. lembro! mesmo com os cupins e janelas emperradas.... era perfeita porque era nossa. a reminiscência não é amarga — diz mais sobre sua recém encontrada capacidade de deixar ir, de se soltar do material porque não há amnésia que tire de si todas as memórias, sejam boas ou ruins, todas elas de alguma forma moldaram quem eles se tornaram e por isso são tão especiais. começar sem toda… dor. há alguns dias havia chego ao ápice de sua penitência, quando se urge a envolver o pescoço delicado da esposa em um ato de punição e libertação, pois trouxera prazer e não flagelo. seus olhos brilham quando se vê capaz de fazê-lo novamente, dígitos calosos que repousam sobre seu abrigo favorito — a curva bonita do pescoço onde consegue sentir a pulsação dela como asas de borboleta. e você vai voltar, sem um arranhão sequer. não se trata de outra prece ao universo, traz como verdade sobre aquilo que ainda não tocam, mas que basil sabe — o temor pela carreira, pela maneira que seu nome havia sido arrastado pela lama injustamente, todo seu terror. nós vamos sair por aquela rua famosa com roupas bonitas e óculos escuros para ir atrás daqueles advogados feito os daquelas séries famosas, vamos fazer eles pagarem por tudo isso, amor. lhe revolta a perspectiva de um sistema que falhou em executar a única tarefa que deveriam ter se encarregado — proteger os inocentes. bem, pelo menos dos crimes que eles queriam lograr aos sobreviventes.
⊱ um jardim bonito, sim, por favor! eu já coloquei a nossa horta em vasinhos, vou pesquisar uma forma de… levar nossa árvore de amoras também. e a eden pode nos levar novas mudas sempre que for passar uns dias com a gente. ah! a bee vai poder correr pelo jardim bonito e se divertir com a gente. pouco fôlego lhe resta em meio aos devaneios narrados como se já fossem a história escrita em pedra, seu riso jubiloso corta a brisa álgida que invade o quarto — sequer é incomodado pelo frio que vivia em seus ossos, nah, não há preocupação alguma no mundo capaz de infiltrar a sua mente naquele momento além da esposa em seus braços. e se o universo havia abençoado, que venham as provações e martírios para serem trucidados pela fortaleza que era o vínculo de almas que partilhavam. querida… inspira com tanta ternura que seu sotaque faz com que as vogais se moldem umas nas outras e a alcunha escorra dos lábios com sua marca singular de candura, eu amo você. luta com toda e qualquer perspectiva de espaço — que nunca mais deseja cultivar — ao guiar a mão de cassandra na sua até seu próprio cabelo para ela segurar, do mesmo modo que seus dígitos serpenteiam pela nuca da mulher quando a acolhe contra seu peito. foi como voltar para casa, a maneira que seus lábios deslizam um sob o outro e encaixam em perfeição — não apressa o beijo de forma alguma, deliciasse com todo o teor da esposa na ponta da língua que suga quando roga por mais. o férrico que invade o palato advém da gana que sucede a calmaria, o mordiscar impensado do lábio dela, eu confio minha vida em você, e confio em você com a minha vida. declama sem afastar as bocas, a mordida em seu próprio lábio para que um novo pacto fosse selado.

















