hazel:
ergue-se de onde estava foi um impulso que não conseguiu controlar. as palavras da outra lhe acenderam em um interruptor que sequer sabia que tinha, virando-se em sua direção tão fula que a expressão de raiva parecia triplamente ameaçadora daquela vez. “quer saber qual é o meu problema?” fez uma pergunta retórica, porque já sabia qual resposta receberia em troca. e bem lá no fundo, também queria verbalizar tudo o que se passava por sua cabeça, mas além de ser muito difícil expressar-se, sequer sabia quais palavras usar pra tudo aquilo fazer sentido. nem mesmo pra ela tudo estava se encaixando. “você é a porra do meu problema.” trincou o maxilar, contendo a ânsia de seguir na direção da loira. não seria seguro mover-se de onde estava, e healy mais do que ninguém sabia disso. “que parece que só entrou na minha vida pra bagunçar essa merda toda e agora eu não sei como colocar as coisas no lugar.” suspirou, porque se sentia aliviada em por para fora uma mera frase com um teor de verdade. não estava mais aguentando guardar tudo aquilo para si. e já não se importava mais se iria parecer surtada ou ridícula para a outra. só ela sabia o que vinha carregando consigo, e se a garota não iria fazer um mínimo esforço para entendê-la, então, já sabia que não deveria tê-la em sua vida. por essas e diversas oturas razões. “o que você queria quando se aproximou de mim? quando me fez pensar que existia uma coisa real entre a gente? eu te disse que eu não era nenhum tipo de experiência, brincadeira ou seja lá qual nome queira dar. sei que eu pareço difícil, inabalável e impermeável. mas eu não sou. e eu deixei você entrar porque pensei que era seguro, porque eu achei que você… gostava de mim. porque você não desistia de mim. mas era só diversão pra você, né? que estava brincando comigo e com vários outros. eu devo ser muito burra mesmo.”
nem sabia porquê ainda se prestava a cair naquela armadilha e se adentrar no assunto, quando já sabia perfeitamente bem o que ela iria dizer. não havia a mínima possibilidade da resposta de healy ser algo além de que ela era a culpada. mesmo que araminta fosse adorar que dissesse o problema que tinha com a sua pessoa de uma vez ao invés de afirmar que simplesmente o era - seja lá o que tivesse feito para hazel -, não era ingênua. “é, eu quero sim. vai, fala aí, o que tá enchendo tanto seu saco que precisa encher o meu junto?” questionou, apenas por sentir a vontade de retrucar o que ela dissera e provocá-la um pouco. pois, como bem sabia, nada sairia como uma surpresa. só a chamaria de insuportável e inventaria uma desculpa para ser a grande vilã de sua vida. “nossa. eu nunca ia imaginar essa.” murmurou mais para si que para hazel a ouvir, utilizando um tom irônico não comumente usado de forma tão séria. afinal, embora usasse tal linguagem em seu cotidiano, não era de seu feitio falar com os outros assim. ao contrário dos colegas de escola e de vários de seus amigos, araminta não era maldosa. não gostava de ceder aos esteriótipos que colocavam sobre si, já bastava o de burra. aguardava a outra começar com alguma espécie de discurso em que a culparia por tudo na sua vida e causava todo um mal para sua existência, todo tipo de baboseiras; portanto, ao escutá-la enfim falar, a rowland encontrava-se chocada, para dizer o mínimo. de forma alguma esperava algum tipo de revelação sincera da parte de hazel, ao menos não daquele jeito. porém, pouco depois, enquanto ainda processava o que escutara, a surpresa já estava se metamorfoseando em irritação. “por acaso nós estamos vivendo a mesma realidade, ou está com as memórias diferentes? peraí, hazel. peraí. nem estou conseguindo entender porque, porra, você simplesmente tirou essas ideias sobre a nossa- enfim, sobre o que acontecia, sobre mim, sobre tudo, porque eu estava dançando- só, dançando, com um dos caras do time? o que isso tem a ver?” questionou. pois este era o ponto que araminta simplesmente não compreendia. o que raios tinha feito para tudo aquilo? a loira reconhecia ser alguém com atitudes questionáveis, porém, naquela história toda estava até achando errado colocá-la como a repleta de culpa no cartório entre às duas. precisou parar para respirar fundo, afastando do rosto as mechas loiras que caíam e as colocando atrás da orelha, e só então tornando a olhar para hazel. droga, de onde ela estava tirando tudo aquilo? “eu posso ser a porcaria de pessoa que for, mas eu não brincaria com alguém dessa forma, hazel. e- olha, eu nunca teria feito isso com você. acha mesmo que tudo o que eu te falei, tudo que aconteceu entre a gente... tudo não passou de uma brincadeira? que eu só devia estar me divertindo às suas custas? de verdade, o que eu fiz pra você pensar isso de mim?” usou o tom de voz mais baixo, desta vez soando mais racional e menos irritada. mais magoada. porque realmente não entendia aquilo. pensava, pensava, pensava e nada. “como você mesma disse antes, eu sei que também pareço não levar nada a sério e só ser uma idiota superficial e a coisa que for, mas... porra, hazel. tudo o que eu te disse foi verdade. eu não estava, sei lá, te usando como um experimento de último ano. e você também me fez acreditar que nós- que o acontecia entre a gente, era real.”












