Era engraçado ver que os apelidos escolhidos na brincadeira de webnamorados seriam usados agora que estavam juntos de verdade, porque o teor de zoação rapidamente se desfez para dar espaço ao real sentimento meloso que nutriam um pelo outro e foi inevitável sorrir carinhosamente ao ouvi-lo. — Ok, oma. — repetiu mesmo sem possuir sentido algum só pelo desejo de também falar o apelido escolhido e aproveitar da satisfação de estarem finalmente na página que tanto quis. Como não era alguém que tinha o costume de compartilhar absolutamente tudo com os amigos e também fazia um tempo considerável desde seu último relacionamento, Riley em momento algum parou para pensar sobre isso desde o acampamento, então a pergunta de Dick a deixou silenciosa por alguns segundos. — Não sei. — a nova dinâmica de relacionamento dos dois era muito recente e não parecia muito seguro a expor tão rapidamente quando ainda estavam se conhecendo através de um diferente olhar. Não que estivesse contando que as coisas dariam errado, mas a morena não queria que a notícia se espalhasse com velocidade e que o relacionamento fosse alvo de energias negativas logo de cara. — Talvez eu conte para uma pessoa só por enquanto. — afinal, Samuel sabia de tudo o que passou por sua cabeça quando ainda estava em dúvida sobre o que fazer e a reação positiva dele atraia seu interesse em atualizá-lo. Até pensou em redirecionar a pergunta para o rapaz, mas uma interrogação em sua cabeça estava começando a incomodá-la e a falta de um pronunciamento oficial tornava tudo um pouco nublado, porque ser um casal podia significar muitas coisas e Navarro não sabia como deveriam se classificar caso algum dos dois decidisse falar algo a alguém. — Mas o que somos exatamente? — questionou com seu olhar curioso e suas mãos um pouco inquietas. — Digo, estamos ficando, nos conhecendo, namorando…? — a última opção fez seu coração bater com um pouco mais de força, porque em sua cabeça já estavam naquele degrau praticamente e seu interesse sendo exclusivamente dele colaborava para que agisse de tal maneira, mas também não se incomodaria caso Richard preferisse ir aos poucos. A explicação de que não eram a dupla mais convencional não foi uma surpresa para Riley, porque eram visíveis as diferenças entre ambos tanto em personalidade quanto no estilo e isso foi até um dos motivos para que notasse os próprios sentimentos com espanto, porém os pontos que tinham em comum eram fortes e foram exatamente eles os responsáveis pelo o que aconteceu em seu coração. Entretanto, a curiosidade sobre o que Angelo teria comentado ainda existia mesmo que escolhesse deixar isso para trás, porque se Dick quisesse comentar com mais detalhes, com certeza já teria o feito. — Só um pouquinho. — brincou mostrando o pequeno espaço que separava o seu polegar do indicador. Se ele concluía isso após o incidente com os s’mores, Navarro acreditava que tinha uma justificativa válida para forçá-lo a comer os doces: ensiná-lo a ser menos teimoso. — Mas eu queria que fosse uma surpresa. — finalizou o assunto dando de ombros. A informação de Dick não ser virgem fez o cenho feminino arquear, mas não por esperar o contrário, afinal, desde o início ele se mostrou uma pessoa bastante desenrolada e desinibida sobre esses assuntos, e sim pela naturalidade em que ela foi externada. O assunto de sexo sempre foi algo delicado para a garota e o desconforto que sentiu com o discurso da mãe evidenciou um pouco disso, porque era difícil conversar sobre algo que não tinha o mesmo impacto em si. — Não é culpa dela se você tem cara de santinho. — permitiu-se brincar, embora se sentisse estranha em ter a necessidade de falar um pouco mais sobre isso. — Mas ela ‘tava falando aquilo mais para mim, porque, hm… — como não fazia ideia de qual seria a reação masculina sobre isso, estava um pouco nervosa. — Eu sou virgem. Mais ou menos, na verdade. — seu relacionamento anterior havia sido com uma garota e depois de algumas tentativas frustradas graças a inseguranças e desconfortos, conseguiram se relacionar sexualmente, porém sem a parte penetrativa, então tecnicamente ainda era virgem. Quando Jade permitia, ela era uma das suas maiores confidentes e seu namoro com Leanna não foi um segredo, mas claro que não contou todos os detalhes porque a mulher continuava sendo sua mãe.
Abrindo um sorriso divertido ao ter sua visão obstruída pelas mãos de Dick, Riley levou um leve susto ao ter seus lábios unidos num selar prolongado, porque a facilidade e a liberdade que tinham de trocar beijos era uma novidade que ainda não havia entrado completamente em sua cabeça já que estava tão acostumada com as movimentações receosas e repletas de expectativa de antes, além, claro, dos pensamentos caóticos toda vez que se pegava encarando os lábios masculinos. Passando as mãos na cintura do outro, a morena permitiu que o beijo fosse um pouco além de um simples selar, mas sem perder o caráter casto só para matar um pouquinho a vontade de ficar grudada nele. Sair do banheiro e se deparar com a cena de Dick brincando com Harry foi extremamente adorável e a aproximação do felino a animou, porque fazia semanas desde a última vez que o viu pessoalmente. — Quero ficar com suas roupas. — respondeu enquanto acariciava os pelos escuros do animal, porém a sua felicidade não durou por tanto tempo graças ao rapaz que o espantou. — Por que você fez isso? — reclamou surpresa com a atitude dele, mas seu rosto frustrado se desfazendo à medida que seu corpo era guiado pela cama por Dick. Obedecia-o silenciosamente com curiosidade sobre as intenções masculinas, todavia, seus batimentos cardíacos aceleraram brevemente por não conseguir tirar da cabeça a revelação que fez antes de saírem do carro, porque agora que não existiam grandes motivos para sua mente entrar em colapso, ela parecia fazer questão de sabotar a sua tranquilidade das maneiras mais aleatórias. No fim, o garoto apenas deitou sobre seu corpo inocentemente e sua respiração descompassou inutilmente. Sem saber o que fazer com as próprias mãos e pernas, o corpo de Riley demorou alguns segundos para reagir, abraçando-o com os braços e abrindo as pernas para que ele se acomodasse melhor entre elas. — Você ‘tá me esmagando. — grunhiu risonha enquanto arrepios a percorriam devido à respiração masculina em seu pescoço. Com os olhos fechados com força, a garota recebeu os beijos pelo rosto acreditando que fosse a resposta para sua pergunta, mas o inusitado afastamento com a ajuda para levantar foram suficientes para entender que estava enganada. — Ok. — disse baixo buscando a mão masculina para que fossem com os dedos entrelaçados ao andar superior que ainda lhe era desconhecido. A mansão em que Dick morava era enorme e saber que existia espaço útil em cima só comprovou que não conhecia nada dali, porque lembrava dele ter comentando sobre existir uma piscina, mas não fazia ideia onde estava localizada também. — Você precisa fazer uma tour comigo por aqui, porque eu só conhecia a sala, a cozinha, seu quarto e seu banheiro. — falou enquanto observava com atenção aos detalhes da área externa e ficava extasiada com a visão privilegiada do mar e o céu escuro. Riley estava prestes a sentar ao lado do rapaz quando foi puxada ao colo dele, acomodando-se ali sem reclamações e se sentindo incrivelmente acolhida pelos braços que a envolviam, puxando-as carinhosamente num pedido silencioso por mais aperto e, consequentemente, maior aproximação. Entretanto, a fala masculina soou bastante soturna para Navarro, que se esforçava ao máximo para não pensar no futuro, sobretudo quando as coisas mal haviam começado, porque se sentia bastante vulnerável com aquele tópico e a última coisa que desejava era um novo momento dramático quando deveriam apenas aproveitar a companhia um do outro. — Não, mas não vamos pensar nisso. — respondeu baixinho negando com a cabeça. Incomodando-se por não conseguir ver o rosto de Dick na posição em que estavam, Riley se libertou dos braços masculinos para se sentar ao lado dele e poder fazer o contato visual que tanto queria, mas sem deixar de ser um pouco folgada ao deitar as suas pernas no colo dele. — Posso te fazer uma pergunta? — questionou apoiando o braço sobre estofado do encosto do sofá. — Quando foi que você começou a gostar de mim? — essa era uma dúvida que carregava desde a declaração dele, porque ainda parecia ser surreal demais para acreditar.
faltou a voz de bebê. — zombou, se lembrando de uma das mensagens da garota em um de seus momentos mais melosinhos da noite (até então), a hipocrisia de se tornar o que mais criticava não estava perdida e ele não tinha nem a decência de fingir que não estava adorando tudo aquilo, até porque mesmo que tentasse disfarçar, seria impossível mascarar todas as implicações do sorriso que insistia em permanecer em seu rosto. — quem? — questionou em curiosidade, por mais que dick estivesse sempre rodeado por pessoas, ele não tinha tantos amigos assim para dar a notícia ele mesmo, na real ele tinha dois e um não merecia saber assim tão cedo, logo para não gerar conflito, resolveu que deixariam que eles descobrissem sozinhos, isso era, se conseguisse conter a sua língua, mas estava disposto a se segurar um pouquinho em favor de se divertir um pouco as custas dos outros. — eu não acho que devemos esconder, mas também não precisamos contar se você não quiser. — deu de ombros, deixando que a decisão final fosse de riley, afinal, pelos círculos sociais que faziam parte, era um fato que quem teria a maior exposição seria ela. foi preciso o complemento da pergunta da garota para que dick entendesse o que ela queria dizer, porque em sua cabeça ele tinha uma imagem bastante clara do que eram e mesmo que já não fossem mais a bagunça de antes, na hora de colocar em palavras que a coisa complicava, pois ele desconhecia um termo que abrangesse tudo aquilo. ele ficou em silencio por alguns instantes, porque namorados, além de ser a definição que queria, era a que mais fazia sentido quando eles já tinham passado daqueles outros status que riley havia citado há muito tempo, mas também uma parte de si não podia deixar de ponderar se a garota iria achar que estavam indo rápido demais já que dick não era lá muito conhecido por ter noção das coisas. entretanto, a sua promessa de não se acovardar mais quando se tratava da garota ainda estava valendo, por isso somente encolheu os ombros, apertando a mão dela suavemente na sua. — você quer ser minha namorada? porque eu fico mais do que satisfeito em te chamar assim. — mirou em um tom de casualidade, mas acabou sendo traído pelo seu reflexo de ficar buscando no rosto dela qualquer indício de que talvez tivesse feito a sugestão errada e era impossível não se sentir um pouquinho frustrado diante de como as coisas geralmente aconteciam entre eles, porque se aquele fosse o seu pedido de namoro, ele tinha muito o que aprender e dessa vez, de preferência, de alguém eu sabia o que estava fazendo. — depois ainda veio perguntando das origens do meu gosto pelo seu rude love. — brincou, forjando uma expressão digna de piedade para provar o ponto de seu sofrimento. — e foi, meu coração tá meio estranho até agora. — concordou por fim, levando a mão da garota até o seu peito, comparado ao estado caótico de seu coração enquanto escutava o disco estava, naquele momento ele estava bastante tranquilo e mesmo que fosse impossível sentir as mudanças do ritmo sobre seu moletom, ele gostada de ter aquele toque singelo e ele não via forma melhor de encerrar o pequeno conflito quanto ao CD. era engraçado pensar que ele podia passar aquele tipo de imagem porque ele não podia negar que tinha certa reputação pelos corredores do instituto, por trás de seu rostinho adorável ele não era o melhor exemplo de pessoa mesmo que tivesse dado uma sossegada de uns tempos para cá. — oh. okay. — até então nunca tinha parado para especular sobre a vida sexual da garota porque achava mesmo que não era de sua conta e por mais que fosse claramente atraído pela garota, seus sentimentos românticos não eram nem um pouco influenciados pelos sexuais, por isso a sua resposta tão breve, ele realmente não sabia o que fazer com aquela informação, entretanto acabou lançando um olhar confuso para ela com o final de sua frase, — mais ou menos? — riu baixinho, ele não levava assim tão a sério aquele conceito porque era a) ultrapassado e b) uma construção social criada para oprimir e envergonhar e por isso tinha uma definição bem básica do que ela representava. — não precisa responder se te deixa desconfortável. — assegurou rapidamente, como não podia tirar os olhos do caminho por muito tempo, ficava difícil para ele decifrar o que se passava com riley quando não podia acompanhar atentamente suas expressões e linguagem corporal, por isso achou importante verbalizar aquilo.
ficou feliz em ouvi-la confirmando que ficaria com as peças oferecidas, porque ele descobriu que gostou bastante da imagem de conforto que ela formava com suas roupas, sem contar que estavam praticamente combinando o que ele achou fofo. — minha. — respondeu simplesmente em um tom petulante, buscando a mão da garota que acariciava harry para leva-la até os seus cabelos, se ela queria acariciar alguém, que fosse ele e não seu gato ingrato, sem contar que por ser tão persistente quanto o dono, não demoraria muito para impor a sua presença outra vez. — shh, é o peso do meu afeto. — ele ainda tinha um pouco do cuidado de apoiar a maioria de seu peso em seus braços sobre o colchão, mas com o comentário divertido dela acabou pendendo mais sobre o seu corpo ao envolver com mais firmeza a sua cintura e aninhar-se contra seu peito, rindo suavemente e por muito pouco não trocou os planos do nascer do sol em favor de ficarem por ali mesmo, mas temia acabar não sendo tão produtivo quanto gostaria quando a possibilidade de ficarem juntinhos daquela forma era tentadora demais, no final ele realmente queria equilibrar um conversar com um diálogo real, afinal ele gostava bastante de falar, mas sobretudo, gostava e ouvir a garota e não importava se falavam sobre algo sério ou suas famosas abobrinhas. — você conhece basicamente tudo agora, primeiro andar tem a sala de tv, de jantar e a de jogos, aí a cozinha. no segundo são só os quartos, aqui é isso e o estúdio ali atrás. — ao lado de onde a escada terminava tinha o que antes era uma suíte extra, mas o primeiro investimento de bomie foi transformar aquilo em um espaço para o seu trabalho e de vez em quando dick se aproveitava daquele privilégio para brincar com as coisas ali. — ah, tem o subsolo com a piscina e a sauna. é só isso, na próxima vez que você vier aqui a gente dá uma explorada, que tal? — ofereceu sorridente, porque estava mesmo doido para arranjar cada vez mais desculpas para ter a garota por ali, já que ele estava indeterminadamente banido de seu apartamento e seus pontos fixos de encontro se limitavam ao instituto e a sua casa. — assim eu vou ficar muito mal acostumado. — brincou, adorando a facilidade que estava tendo quando se tratava de ter a garota em seu colo, facilitando todas as questões de proximidade que tanto lhe incomodavam. era apenas da confirmação que ele não estava se precipitando que dick precisava, porque quando se tratava do futuro aquela era a sua atividade favorita: simplesmente não pensar nele como se aquilo fosse evitar todas as complicações. — desculpa. — disse baixinho para colocar um fim no assunto antes de aproximar seu rosto do ombro da garota para deixar um leve selar carinhoso ali. embora triste que ela tenha escolhido mudar de posição e isso ficasse bastante claro em seu bico manhoso, não reclamou como de praxe já que a nova disposição tinha as suas vantagens. aquela pergunta era uma que costumava causar bastante nervosismo, mas dick estava tão sereno naquela noite que não deixou que sua mente criasse interpretações fantasiosas sobre as palavras da garota, apenas assentindo suavemente para ela prosseguir com a pergunta de verdade, suas mãos indo para as pernas dela em seu colo para não perder um ponto de contato entre eles. dick arqueou as sobrancelhas com a questão, a forma que havia pendido a cabeça suavemente para o lado mostrando que estava pensando, porque era muito difícil ter uma resposta concreta para aquela pergunta quando tudo tinha acontecido de uma forma tão gradual. — eu acho que começou em l.a. e só foi crescendo aos poucos — revelou, sorrindo sutilmente com as memórias resgatadas daquele dia, na época não tinha ficado nada explicito e nem ele mesmo tinha interpretado a noite daquela forma até então, mas era indiscutível que seu interesse havia surgido diante da noite emocionante e reveladora que passaram juntos, — mas eu não percebi até depois do halloween, o dia do fliperama foi um grande tapa na minha cara porque eu ‘tava confuso pra caramba. a ficha só caiu mesmo quando você veio falar comigo naquela semana que eu não fui para escola. — resgatar aqueles dias era péssimo porque ele estava um verdadeiro caco, emocionalmente falando e o peso da confissão desajeitada que seguiu aquela noite foi imenso por acreditar que aquele era o fim deles. — eu quero saber sobre como foi pra você também. — provocou, deixando um fraco beliscão na perna dela no meio de seus carinhos. ele gostaria de ouvir o ponto de vista dela, claro, mas também não a forçaria a falar caso não quisesse.