O desafio das 13 capas vermelhas
Devido a acontecimentos recentes, optei por uma postagem temática para hoje: essa será um desafio, que consistirá na listagem de treze livros com capas vermelhas que estejam em minhas prateleiras, sejam elas físicas, virtuais ou do Goodreads/Skoob.
(1) ORGULHO E PRECONCEITO, de Jane Austen
O clássico de Jane Austen não está sendo incluído aqui somente pela capa vermelha maravilhosa da edição da Martin Claret, mas pelo dia internacional da mulher. O livro foi revolucionário para a sua época, sendo um sucesso escrito por uma mulher, cujas protagonistas (sempre femininas) tinham personalidades próprias, inteligentes e independentes. Austen entrelaça com maestria o romance e a crítica social sobre a sociedade da época, nos encantando com cada uma das protagonistas com quem o leitor certamente se identificará.
(2) O HOMEM INVISÍVEL, de H.G. Wells
Eu já falei sobre esse livro recentemente, mas eu adoro a capa dele, que, na edição que tenho, é vermelha, então vai estar aqui, sim. Essa obra de H.G. Wells é imperdível para fãs de ficção científica, trazendo a invisibilidade com a ciência como base, e descrevendo detalhadamente os efeitos físicos e psicológicos que podem ser sofridos caso obtenha esse "poder". Também recomendo a leitura para quem escreve ou deseja escrever históricas com a invisibilidade como foco, por ter várias situações que você, como escritor, talvez não tenha considerado e que são interessantes de abordar na narrativa.
(3) CEMETERY BOYS, de Aiden Thomas
Não só de clássicos vive um esquerdista! Em seu debut, Thomas traz uma história sobrenatural com protagonismo trans e gay jovem que faz parte do gênero literário jovem adulto. O desenvolvimento do enredo é simplesmente mágico, além de trazer uma perspectiva única sobre transgeneridade e um grupo de personagens majoritariamente latino (mexicano, especificamente). O livro trata de assuntos como transfobia, racismo, luto e xenofobia de forma excelente: não é o foco da trama, mas é um fator impossível de ignorar. "Cemetery Boys" se tornou um dos meus livros preferidos imediatamente após terminá-lo.
(4) VILÃO, de V.E. Schwab
É uma das minhas leituras mais recentes e não sei se consigo frisar o quão excelente ela é: uma obra de fantasia e ficção científica, segue Victor e Eli, antes parceiros científicos e posteriormente, inimigos. O foco em vilões e personagens com moralidade dúbia é um aspecto muito elogiado desse livro e com razão. O jeito que Schwab descreve dilemas morais é único. Ah, e eu faria tudo por Victor Vale e Sydney Clarke.
(5) TODOS QUEREM BEIJAR KARL MARX, de Fabrício Fonseca
Esse foi lido no início de dezembro do ano passado e tem vários pontos intrigantes e criativos: a própria ideia de um jovem protagonista chamado Karl Marx, toda a questão da sorte que seu primeiro beijo hipoteticamente carrega, a inclusão de uma narrativa poliamorosa e representatividade bissexual. Contudo, um dos erros do livro para mim foi ter pontos criativos demais para pouco desenvolvimento. "Todos querem beijar Karl Marx" é um curto conto com uma ideia que merecia uma novela inteira.
(6) SIMON VS. A AGENDA HOMO SAPIENS, de Becky Albertalli
Depois do lançamento do filme, o título mudou para Com amor, Simon, mas eu tenho uma preferência descarada pelo título antigo, portanto continuarei a usá-lo. A obra de Becky Abertalli já é bem conhecida na comunidade LGBTQ+, não só tendo filme, mas também mais de um spin-off. Apesar de eu ser, sim, apegado a esse livro por ter sido um dos primeiros a trazer representatividade LGBTQ+ para o gênero jovem adulto, é uma que é relativamente fácil de digerir para heterossexuais, que obviamente não é suficiente por si só. Mas, é claro, serve o seu propósito de um divertido romance LGBTQ+. O veredicto, então, é que vale a pena ler, por ser um bom livro, mas também por ser interessante conhecer o contexto de representatividade no qual adolescentes queer viviam até pouco tempo atrás.
(7) OUR VIOLENT ENDS, de Chloe Gong
A sequência de These Violent Delights, releitura de Romeu e Julieta onde o casal é entre os herdeiros das duas principais gangues de Xangai, nos anos 1920. A escrita de Gong é encantadora, fazendo com que o livro facilmente se tornasse um dos meus favoritos, tal como Cemetery Boys. Além do estilo de escrita ser um deleite (trocadilho ruim de minha parte, admito), também temos a criatividade da releitura e a complexidade do enredo, tendo vários pontos narrativos e entregando ao leitor uma experiência maravilhosa em cada um. Voltando à referência ao título do primeiro volume, ele certamente merece ser descrito como um deleite violento e, apesar de não ter essa palavra no título, Our Violent Ends, que lançará dia 16 de novembro, mas que eu já li a ARC, é tão prazeroso quanto.
(8) UM MILHÃO DE FINAIS FELIZES, de Vitor Martins
Vou revelar aqui para vocês um segredo, que me faz ter falhado como queer brasileiro: eu nunca li nenhum trabalho do Vitor Martins. Sim, eu sei, é algo assustador e que beira ao absurdo, mas é a verdade. Contudo, eu espero fazê-lo logo, porque tenho um fraco por histórias com cafés como plano de fundo, além de Jonas parecer um protagonista encantador. Assim que eu tiver lido, darei mais detalhes sobre a confirmação da minha "brasileiridade".
(9) BEM-VINDOS À RUA MARAVILHA, de Gabriel Mar
O livro conta a jornada de Rua Maravilha, desde que ainda faziam parte dos cadernos de Igor, o protagonista da história, até o roteiro ser colocado em prática na forma de um musical, com apoio do diretor, gênio e prodígio (segundo a própria obra), Arthur. Esse pequeno parágrafo foi escrito totalmente baseado na sinopse, por eu ainda não ter lido, apesar dele estar na minha lista, mas tenho interesse em ler obras sobre teatro e eu não encontro tantas, infelizmente.
(10) LEATHER AND LACE, de Magen Cubed
Finalizei a leitura desse livro esse ano, e tenho algumas opiniões em relação a ele. A narrativa gira em torno do caçador de seres sobrenaturais Cash e seu melhor amigo, Dorian; eles são parceiros na caça, recebendo dinheiro por cada captura, e a caça em torno da qual esse primeiro volume gira é a de Paul e Matthew, uma dupla de assassinos em série que usam suas naturezas sobrenaturais (transformarem a si próprios em veados, algo parecido com licantropia) para matar as vítimas e roubar seus órgãos. (O livro é bem violento, como dá pra perceber, então se você é sensível a descrições gráficas de violência, então seria seguro para você pular essa leitura.) Paralelamente a isso, Cubed desenvolve a atração entre Dorian e Cash. O estilo de escrita é envolvente, tendo me prendido na leitura por bastante tempo, e os personagens têm bastante potencial, mas acho que o primeiro volume poderia ter sido melhor. O jeito que o transtorno de ansiedade de Dorian é abordado é muito bom, mas aparentemente, o personagem foi confirmado não binário e pansexual nas redes sociais da autora e eu teria gostado de ver alguma menção a isso nesse volume e torço para que seja abordado no próximo. Se você gosta do conceito da série Supernatural, mas acha heterossexual demais para o seu gosto, então Leather and Lace é a leitura perfeita para você!
(11) THIS WINTER, de Alice Oseman
Eu sou um grande fã de Alice Oseman e eu nem sei se isso é uma novidade mais, e esse conto é de temática natalina envolvendo a família Spring, principalmente Charlie, o protagonista de Heartstopper e Tori, sua irmã, que é a protagonista de Solitaire. É bem curtinho, mas muito interessante se você quer conhecer mais dos irmãos Spring. Ah, e também tem um capítulo no ponto de vista de Oliver, o Spring caçula, e é a coisa mais fofa! É uma leitura maravilhosa para dezembro, tendo um clima natalino, e abordando os estereótipos de hospitais psiquiátricos, terapia e transtornos emocionais.
(12) FELIX EVER AFTER, de Kacen Callender
A história gira em torno de Felix Love, um demigaroto que, ironicamente, nunca se apaixonou e sente que faz parte de muitas comunidades marginalizadas para ter um final feliz, sendo negro, trans e queer. Apesar de ainda não ter tido a oportunidade de ler (estou dando prioridade para os que eu tenho um prazo e infelizmente, esse não está incluído), tudo nessa proposta me atrai, a mistura de romance com autodescoberta e aceitação que fazem parte dos gêneros jovem adulto e coming of age, principalmente quando são focados na existência LGBTQ+. Vale lembrar que a versão brasileira já está em pré-venda pela Editora Nacional!
(13) EM CHAMAS, de Suzanne Collins
E, por último, eu não poderia deixar de incluir o segundo volume da trilogia Jogos Vorazes. É um livro que eu li faz bastante tempo, enquanto as adaptações cinematográficas ainda estavam sendo lançadas, e eu preciso reler, mas lembro que foi um dos meus livros favoritos durante a minha infância/pré-adolescência e tem um significado emocional por causa disso e por ter sido uma das minhas primeiras influências do meu pensamento político (uma razão bem importante para fazer parte dessa lista.)
Por hoje, é só! Sinta-se livre para fazer sua própria versão da tag, contanto que me marque na sua postagem, porque esse não binário precisa de atenção! E um lembrete a mais não faz mal a ninguém, mas se você tiver dezesseis anos ou mais em 2022, não esqueça de que o número pra apertar na urna eletrônica é o que está no título dessa postagem!