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Origami Around

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Janaina Medeiros

Kiana Khansmith

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祝日 / Permanent Vacation

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@annyamores

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Tem dor que não sangra, mas devasta. Ela entra quieta, sem pedir licença e quando você percebe… já bagunçou tudo por dentro. São essas dores que não ganham curativo, que não têm nome fácil, que a gente esconde porque o mundo anda apressado demais para parar e escutar, mas quando estamos sozinhos mexemos nela. Às vezes é uma ausência que ficou grande demais, um amor que não era para ser, uma palavra que feriu mais do que deveria ou só o cansaço de ser forte o tempo todo, enquanto por dentro algo grita por descanso, porque está exausto. E o mais difícil dessas feridas invisíveis é que elas não têm um tempo certo para passar, tem dia que ardem como o inferno, tem dias que dormem tranquilas e tem dias em que você acha que se curou, mas basta um cheiro, um nome, uma lembrança e tudo volta. Ainda assim, tentamos seguir com os pedaços que restaram, com as tentativas de começar outra e outra vez. Com o silêncio que grita, mas também cura, porque no meio da devastação, uma coisa insiste em ficar: a esperança teimosa de que a dor não é o fim, mais sim parte do caminho e que mesmo com o peito marcado, a gente ainda pode florescer.
— Julliany em Relicário dos poetas.
Esses dias eu gostei de um olhar. Eu gostei muito de um olhar que me foi dado nos meus olhos, foi sustentado até o fim, com uma conversa toda certa e uma distância grande até, sem nada de futuro. Aí pensei: será que eu tô muito entretida com as coisas simples da vida e tão aberta a paixão assim?
Eu lembrei de um outro olhar que gostei tanto anos atrás, mas tanto, que nem consegui aproveitá-lo direito. Eu esvaziei a experiência um pouco pela minha falta de costume e desespero. E depois, de tanto que me marcou, fiquei reprisando e projetando esse olhar diversas vezes na minha mente como se em uma vida paralela eu o estivesse acessando novamente.
Hoje, eu ainda desvio alguns olhares pelos quais não me interesso tanto, outros por eu me sentir insegura internamente. Mas penso que, por algum motivo, agora com o que construí, eu sustentaria aquele olhar que eu gostei tanto, eu daria espaço pra ele, o deixaria preencher. Será? Se fosse para mim e para eu ter isso de novo, seria colocado no meu caminho. Eu tenho expectativas às vezes quando estou só. Quando estou ativa, tudo isso se repele. Não sei qual é o certo.
Eu amei alguns olhares. Espero conquistar alguns mundos com o meu.
Só depois que me fizeram por inúmeras vezes questionar minha sanidade foi que eu aprendi a confiar em mim mesmo.

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Ser adulto é cumprir com a obrigação, mesmo que não esteja em condição. É levantar, escovar os dentes, lavar o rosto, trocar de roupa, comprar o pão, fazer o café, sair de casa, dar sinal, pegar o ônibus, trabalhar e estudar (essas últimas duas exigem um pouco mais quando feitas ao mesmo tempo), cumprir com as metas, entregar as atividades e tudo o que for adicionado de responsabilidade e compromisso. Ainda que os pedaços de si mesmo estejam espalhados, esquecidos, amontoados, perdidos, irreconhecíveis ou quebrados em mais pedaços. Para as crianças que tiveram um pouco de sorte, essa realidade chega mais tarde ou às vezes é consideravelmente facilitada. Já outras são obrigadas a cumprir com essa demanda sem nem mesmo ter trocado os dentes e, às vezes, de uma maneira estupidamente mais difícil. Mas eu acho que, em todas as realidades, não há um que esteja inteiro. Sempre pedaços, independentemente do berço. Talvez a diferença esteja na maneira como lidamos com a própria incompletude, sem deixar que ela nos mantenha em estática, emergidos na inércia. Ou simplesmente ficar para trás em pedaços não seja uma opção para quem já é responsável pela própria vida ou por outras vidas. A vida não espera ninguém. E, se não tiver sorte, a dor que te dilacera pode te acompanhar por toda uma vida. Mas, independentemente, siga. Não há muito o que fazer. De verdade, não tem.
incomum
voltei a ter insônia,
o antialérgico não tá fazendo efeito,
não tenho nenhum livro pra ler
não tenho nenhuma série pra assistir.
então recorri à poesia
como minha última válvula de escape.
sinto falta de dormir vendo as estrelas
já não coleciono mais amanheceres
acho que nunca vou entender todos os seres
que me povoam.
o silêncio me cai bem como minha melhor veste.
não se avexe
eu aprendi a gostar da minha solitude,
como quem já foi amiúde
e quem já sentiu imensidão.
eu não vou pedir perdão
nunca escondi que sou estranha
e para ser franca
eu não vejo o mundo como os outros,
eu enxergo tudo em outras cores
eu ouço tudo em outros tons.
sou muito observadora
vejo além do que se vê
e se você quer saber
eu não vou mais me encolher
pra caber nas caixas
nem nos padrões.
você diz que me conhece
mas nem eu sei quem eu sou.
não sou um conceito,
eu sou um enigma.
estou muito ocupada sendo arte
para ser artista.
moldura nenhuma pode me prender
pois minha liberdade tem asas.
não se pode conter uma estrela
e pressupor que os vagalumes não morrerão.
sou mais do que você pode conceber:
eu sou um universo em constante evolução
Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir o planeta e uma época com você.
- Carl Sagan.
As pessoas dizem que o tempo cura tudo, mas ninguém fala sobre como ele também ensina a gente a esconder melhor aquilo que nunca deixou de doer.
Escriturias
Eu sinto falta de você, mas não do jeito que as pessoas costumam entender quando falam de saudade. Não é aquela falta que pede volta, que implora recomeço ou que fantasia um final diferente pra algo que, no fundo, já estava escrito pra não dar certo. É uma saudade mais silenciosa, quase madura demais pra fazer barulho. Porque eu sei, com a clareza que só o tempo traz, que nós não éramos um lugar pra ficar. Mas ainda assim, fomos um lugar bonito de passar.
Sinto falta das nossas piadas que ninguém mais entenderia. Daquelas que começavam sem sentido e terminavam com a gente rindo de algo que só fazia lógica dentro do nosso mundo. Era como se tivéssemos criado um idioma próprio, feito de referências aleatórias e timing perfeito. E é estranho perceber que esse tipo de conexão não se replica. Ele acontece uma vez, daquele jeito, com aquela pessoa, e pronto.
Tem coisas que só existem porque fomos nós duas ali, naquele exato momento do mundo. Histórias que não cabem em narrativa nenhuma, porque perderiam a graça se alguém de fora tentasse entender. E às vezes eu me pego lembrando dessas cenas como quem revisita um lugar que já não existe mais. Não dói como antes. Mas também não deixa de ser um vazio específico, desses que ninguém mais ocupa igual.
Eu lembro de uma vez em que eu soltei uma curiosidade completamente aleatória, dessas que surgem do nada, e você riu do jeito que só você ria, meio desacreditando, meio interessada. E eu tenho quase certeza que, em algum momento da sua vida, aquilo voltou à sua cabeça e você lembrou de mim. E isso, de alguma forma, me conforta. Saber que eu ainda existo em algum detalhe esquecido do seu dia.
Até coisas que eu fazia antes de você agora carregam você. Misturas gastronômicas estranhas que eu sempre gostei… hoje têm um gosto diferente, porque vêm acompanhadas de memória. Como se o que era só hábito tivesse virado história. E talvez seja isso que a saudade faz: ela pega coisas simples e transforma em relicários de momentos que já passaram, mas ainda respiram dentro da gente. 
E tem aquela frase que se algo termina com "ão...". Aquela que eu nunca esqueço, porque eu sei exatamente o que você responderia, mesmo hoje. É como se, em algum lugar, a nossa versão antiga ainda estivesse conversando, intacta, sem as marcas do que veio depois. E às vezes eu me pego completando esse diálogo sozinha e rindo.
Eu não sinto falta de tentar dar certo com você. Não sinto falta do desgaste, das entrelinhas pesadas, da sensação de que, por mais que existisse sentimento, não existia construção. Isso eu aprendi a deixar pra trás. Porque maturidade também é entender que amar, não é motivo suficiente pra permanecer.
Mas eu sinto falta do que foi leve. Do que foi verdadeiro enquanto durou. Da versão de nós que existiu sem esforço, sem medo, sem excesso de futuro. E talvez seja isso que mais fica: não a vontade de reviver, mas o reconhecimento de que foi real. E que, mesmo não sendo pra sempre, foi o suficiente pra nunca ser esquecido.

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“Então veio você, para mostrar que ainda vale a pena viver. Para mostrar que a vida vai além de apenas existir, mostrar que cada sofrimento vale a pena, se vier seguido de aprendizagem. Veio para fazer do vazio um lugar preenchido, e deixar claro o que antes era escuro. Você veio e trouxe a paz no sorriso, alma e coração. Você veio e organizou a bagunça que antes existia em mim. Veio para fazer renascer em mim a esperança de um sentimento tão bonito. veio e trouxe as melhores coisas que pode oferecer, até mesmo quando não podia, você tirou forças da onde não tinha pra poder me ajudar. Me mostrou que ainda existem pessoas de bom coração. Não foi tão difícil de te encontrar. Sabe pq ? A única pessoa mas preciosa do mundo é você mesma. Não existiria filhos, mãe, pai e família sem a sua existência..O Amor próprio é o que falta em muitas pessoas, não procure o melhor nos outros. seja o melhor pra vc, faça o melhor acontecer em sua vida.
CaféeElivros ☕📚
Tem um excesso aqui dentro que não cabe em nada que eu saiba medir. Não é que me faltem palavras, é que elas sobram… e nenhuma delas sustenta o que eu sinto sem que no meio do caminho, alguma parte se perca.
Falar é um exercício de perda. Escolher uma frase é, automaticamente, apagar todas as outras versões que também seriam verdade. E talvez eu não diga nada justamente por esse apego a tudo que eu queria que ficasse.
Porque dizer exige uma escolha. E escolher já é perder alguma parte.
E tem tanta palavra amontoada que já não cabe no momento, que não conversa com a vida como ela é agora, mas que eu mantenho. Não como uma proibição ou que eu esteja escondendo o que já tem forma em mim, é só que não encaixa. De repente, fica algo na minha mão.
Uma palavra. E algumas das minhas verdades.
O que eu faço com isso? Onde é que eu enfio uma verdade que já não tem pra onde ir?
É carregar algo inteiro sem ter onde colocar.
Sem um discurso bonito ensaiado no banho. Só algo bagunçado, atravessado, com pedaços que fariam sentido se conseguissem sair juntos, mas não saem. Porque na hora de transformar em frase, parece que tudo empobrece. Fica menor do que é.
E eu sei que parece medo. Às vezes é, eu não vou negar. Mas também é a sensação de saber demais pra conseguir fingir que não vai dar em nada. Porque eu sei o que vira quando deixa de ser só meu. O clima muda, o chão se desloca, a relação ganha uma cor que não sai mais na lavagem. Aos poucos, a gente entende que nem tudo o que é verdadeiro precisa ganhar o mundo. Algumas verdades são mais bonitas, ou pelo menos mais seguras quando não saem daqui.
Só que entender tudo isso não resolve o que fica. E fica.
Aparece no meio de uma conversa banal sobre o preço do café, no silêncio que estica um segundo a mais do que o socialmente aceitável, em coisas minúsculas que encostam na gente e trazem todo esse entulho de volta sem o menor esforço. É uma vida inteira que já aconteceu na minha cabeça, com começo, meio e fim, mas que nunca teve a permissão de existir aqui fora.
É estranho demais viver cercada de coisas que quase foram, sem nunca terem tido a chance real de ser.
Sobra só o excesso, sem destino.
E o pior não é a impossibilidade. O pior é entender que, agora, dizer chega tarde.
Calei a saudade e toda forma de insistência olhando para frente e abraçando cada espaço que foi ferido no silêncio até o peito sentir à vontade para iniciar um recomeço.
Maxwell Santos
Arrisque!

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Quando eu percebi que criei sentimentos por memórias que nunca tinham acontecido já era tarde demais para apagar.
@poesyou