Os trânsitos da vida ensinam mais do que qualquer regra congênita hegemônica se você estiver disposto, viu. Se você tiver coragem.
Tem duas reflexões da Fernanda que me fizeram chegar a uma conclusão que possivelmente vai ser minha bússola e meu norte daqui por diante.
A primeira é que amor é uma coisa que a gente sente sozinho. A segunda é que a gente dá o que é nosso. A gente só dá o que tem e as pessoas não vão tirar isso de nós.
Minha conclusão é que qualquer coisa que receberem de mim, é algo meu, que eu tenho em mim e que se expandiu a ponto de alcançar aquela pessoa, ambiente, situação ou contexto. Eu não estou dando. Você está, na verdade, sendo atingido pelo que eu tenho comigo, é só meu e cresceu até você. Assim, você acessa coisas que podem te inspirar a criar pra você também, ou reacender, ou somar com o que tu tenha e transformarmos em algo ainda maior, ou até romper e transmutar se for a melhor opção.
Isso vale pra qualquer tipo de qualidade, não só pro bem. Por isso, meu compromisso tem sido firmar tudo de melhor comigo dentro de mim e integrar todas as minhas cores, pra o que eu faço e o que eu tenho seja altamente nutritivo e agora, com essa consciência, pra que eu só expanda o que for bom. Pelo menos, numa expressiva maioria das vezes.
O que eu faço pro mundo, eu faço pra mim. E em condições humanas, devo precisar de ajuda em algum momento, não estar na melhor fase. Nessas horas, nos meus caminhares distintos, espero encontrar pessoas como eu: que me permitam acessar aquilo de bom que elas expandem, natural e despretensiosamente, e que isso me cuide, me cure, me liberte também.
Eu me mantenho intencionando ser essa pessoa que amo e admiro. Trabalhei tanto por isso que hoje se tornou minha verdade, minha espontaneidade, eu me exercendo com maestria e o melhor, acessando pessoas que ampliam isso em mim. Direta ou indiretamente.
Vivendo experiências que são início, meio e fim em minutos. Que não precisam graduar. Que apenas existem. Que apenas são. Não tem nada lá na frente além do que foi absorvido e transformado através delas. Mas tem que ter peito, tem que estar presente.
A vida é feita de infinitos trânsitos de diferentes fluxos, direções e sentidos. Mas o que não é transitório sou eu. Eu sempre volto, eu fico.
Volto porque eu amo ser em mim. Volto porque sei o meu lugar. Independente do que vai ou vem, eu escolho crescer com o que me serve e soltar o que perdeu função. Eu escolho só sentir também às vezes porque sou criança e nem tudo é pra ser útil, amor.
Eu aproveito a viagem. Nem sempre sou eu quem dirige. Às vezes, estou no meio-fio assistindo o tráfego das estradas. Eu vivo o caminho como se ele fosse, por si, a chegada. Constantemente. Mas em todos os cenários, em qualquer posição, eu sei exatamente pra onde ir, onde devo estar. Eu tô sempre nos meus lugares certos desde que eu me lembre, desde que eu me honre.
Eu volto pra mim. Eu fico comigo.