Existem dias em que até respirar parece exigir coragem. O ar entra, mas nunca parece suficiente. Há um peso invisível preso na garganta, como se cada palavra precisasse atravessar um caminho cheio de espinhos antes de alcançar a voz. Então eu me calo. Porque o silêncio dói menos do que explicar aquilo que nem eu consigo compreender.
Aprendi a engolir o choro antes que ele encontre meus olhos. Não por força, mas por medo. Medo de que alguém perceba. Medo das perguntas. Medo de ver a preocupação substituir a tranquilidade de quem eu amo. Porque, quando descobrem que você não está bem, deixam de olhar para você como pessoa e passam a vigiar cada passo, cada ausência, cada suspiro, como se o cuidado também pudesse aprisionar.
No fundo, eu não queria respostas. Queria apenas um lugar onde pudesse existir sem precisar fingir que sou mais forte do que realmente sou. Um lugar onde o silêncio não fosse interpretado como ingratidão, onde o cansaço não precisasse de justificativas e onde eu não fosse obrigada a parecer inteira o tempo todo.
Se alguém perguntar, direi que é apenas uma fase de noites mal dormidas. Que o sono anda desregulado, que acordei cansada, que preciso descansar um pouco mais. As pessoas costumam aceitar explicações simples. Elas tranquilizam mais do que a verdade.
A verdade é que existem batalhas que não deixam hematomas. Existem tempestades que acontecem sem fazer barulho. Existem lágrimas que nunca chegam ao rosto porque aprendem a cair para dentro.
E talvez seja por isso que quase ninguém perceba.
Porque eu sorrio quando esperam um sorriso.
Respondo que está tudo certo quando perguntam.
Continuo vivendo como se nada tivesse acontecido.
Enquanto, por dentro, passo todos os dias tentando convencer o meu próprio coração de que ele ainda consegue suportar mais um pouco. -Samyra
















