Parei para analisar e percebi que, por mais que Setembro tenha sido um mês e tanto, agradeço por ter saído viva dele. Não consigo colocar em palavras o quão feliz estou por, finalmente, esse mês ter acabado.
O dia 30 costumava ser especial, pois eu celebrava histórias, momentos e alguém que costumava estar na minha vida. Hoje somos completos estranhos, mas com a certeza de que aquela amizade valeu a pena enquanto durou.
Houve tantos ciclos e circos na minha vida que meu papel mudou de protagonista para coadjuvante, e me senti completamente perdida na própria história. Hoje consigo ver claramente o papel que atuei e o quanto isso me ajudou a ser quem sou. Foram tantas versões de mim mesma, que, às vezes, me pego com saudade de quem já fui. No entanto, estou extremamente orgulhosa de quem sou atualmente. Sei que minha versão futura terá muito o que me agradecer quando for a hora certa.
Eu sempre brinco que a minha vida é uma grande novela mexicana, só que sem a parte do drama, apenas a cômica. São tantas coisas para assimilar, que nem acredito que vivi e sobrevivi à metade das coisas que me trouxeram até aqui.
Pela primeira vez na minha vida, eu me sinto bem, em paz e feliz. Por muito tempo, a felicidade foi algo que eu nem sabia por onde começar, mas acho que “raro” é um bom começo. Quem já passou por perdas, depressão e sofre com transtorno de ansiedade, sabe do que estou falando. É um sentimento que não dá para colocar em palavras, mas vou tentar descrever.
Imaginem você ser uma criança onde tudo é mágico, tudo é lindo, até você ralar o joelho e doer. Por um instante, tudo o que importa é aquela dor. Até que ela passa e você esquece que, um dia, aquilo aconteceu. E vida que segue, a vida volta a ser linda. Agora retire toda a parte fofa da descrição e pense na criança que só conhece a dor, que foi ensinada a acreditar que não existe nada além disso no mundo.
Somos condicionados a buscar a felicidade, o amor, a “paz”, em tudo ou em todos ao nosso redor. Até percebermos que tudo isso não existe. Pelo menos, não por aí. Há coisas que só encontramos dentro de nós mesmos. E haverá pessoas que acreditarão que elas estão por aí, em algum lugar. Depositamos muito de nós nos outros e naquilo que nos cerca, quando deveríamos nos dedicar a nós mesmos.
A gente só encontra o que está fora quando olhamos para dentro. E muitas das vezes dá medo de olhar para dentro. É aterrorizante jogar luz naquele cantinho escuro, porque nem sempre queremos confrontar nossas certezas, ou o que sobrou delas.
Eu costumava olhar a vida de outra forma…
Hoje eu vejo tudo diferente e confesso: eu gosto do que vejo. Eu me sinto mais completa, mais feliz e pronta para me entregar a uma tal de “Coragem” que me disseram que existia por aí e que eu precisava tentar tê-la comigo. Talvez, algum dia, a gente se torne melhores amigas. Talvez, não tão distante assim, eu tenha muito mais o que celebrar do que apenas o que eu costumava fazer.
Talvez, muito provavelmente, eu só tenha aceitado o meu destino. Aceitado que não há entrega se não houver abrir mão do controle. Estou disposta a viver o que tiver que ser. E assim será.
E é aqui que eu encerro mais um ciclo desde que cheguei nessa nova cidade, que não para de chover. Me sinto a Bella de Crepúsculo, quando ela se muda de uma cidade ensolarada para uma cidade chuvosa. Não que isso seja ruim ou um problema: dias nublados também são bonitos. E dias chuvosos podem ser produtivos.