“Ele não te curou da noite para o dia, mas ele te deu um motivo para acreditar de novo, para sorrir, para se sentir valorizada e desejada. Ele te mostrou que existe um amor verdadeiro e ações que falam mais alto que qualquer sofrimento passado.”
Ontem, durante uma conversa comigo mesma, escrevi esse trecho. Nunca pensei que um dia voltaria a fazer o que amo, do jeito que amo. Enquanto processava meus próprios pensamentos e sentimentos, deparei-me com uma dura realidade: existe um sentimento novo, uma experiência nova diante de mim.
Por alguns dias, busquei respostas em lugares óbvios, não óbvios, nos meus próprios textos e nas coisas que observo. Busquei meu porto seguro, sabendo que ele me daria uma luz. Que coincidência é o amor... ele me deu ainda mais motivos para pensar. Dizem as más línguas que quando alguém tem interesse genuíno em nós, a gente sabe, a gente sente, em um nível de certeza nunca antes visto. Talvez, um dia, eu escreva sobre ele. Mas aqui, quero focar na cura.
Para falar da cura, preciso contar o que me machucou ou como me machuquei durante um longo período da minha vida, tentando viver essa sina.
Dos amores que tive, dois me doeram imensamente. Ambos, por falta de sinceridade, respeito e, principalmente, clareza. É fácil ser sincero e dar sinais errados. É fácil se mostrar disponível e desrespeitar o que o outro sente. E é mais fácil ainda manipular. Foram longas noites chorando de soluçar por situações que nunca chegaram a se concretizar — pelo menos, não comigo. Cheguei a acreditar que eu não merecia me sentir amada por ninguém, já que sempre acabava da mesma forma: com meus interesses subindo ao altar. Quanta ironia!
A vida não tem senso de humor quando quer nos humilhar e mostrar onde é o nosso lugar. Eu, que sempre fui romântica e gostei de demonstrar o que sinto, me vi tão machucada a ponto de ter medo até de dizer que estou apaixonada.
Se tudo o que recebi foi o "melhor" que eles conseguiram dar, hoje consigo imaginar o que teria sido o "pior". E, com certeza, eu teria sofrido ainda mais. Às vezes, o livramento é o próprio sofrimento.
E por falar em ironias da vida, o mundo não acabou.
Somos histórias tentando coexistir dentro da rotina um do outro.
Eu, que sempre gostei de observar, me peguei sendo estudada — por um olhar que parecia me desnudar e acessar a minha alma.
Ele não sabe que tenho uma memória boa.
Sendo bem honesta, ele não precisou de muito para "me acessar". Mas precisou ralar para me tirar de uma zona de conforto da qual eu não esperava abrir mão tão cedo.
E quando digo em voz alta que me apaixonei, não confesso uma verdade; eu me convenço de que estou, finalmente, vivendo algo real. A grande verdade é que nunca estaremos prontos ou curados o suficiente para nos rendermos a uma nova paixão. E o que a gente faz quando o medo nos convence de que, talvez, tudo não passe de uma loucura ou uma nova ilusão? A GENTE VIVE O AGORA. Porque é só isso que temos.
Se algum dia o amanhã não existir mais para mim, quero que saibam que estou feliz. Porque, por mais que eu queira me convencer do contrário, estou pronta. Eu sei que estou.
A cura não vem do tempo ao tempo, do deixar para lá... A cura vem do reconhecer o que ainda machuca, o que ainda causa medo, e agir. Agir com sabedoria para não machucar o outro. Pôr as cartas na mesa, ditar as regras (ou se deixar ser guiada) com a clareza do que quer ou o que não funciona mais para você.
E foi assim... Que ele se tornou uma verdade absoluta: ações falam mais alto do que qualquer tentativa de definir o que vivo ou o que sinto (com palavras soltas). No fim do dia, eu sei o que vivi. E isso, para mim, é a prova mais do que absoluta de que, quando existe interesse e é recíproco, nada e nem ninguém é capaz de penetrar essa bolha.