2 anos, 7 diagnósticos diferentes, 2 cirurgias, 11 médicos (que eu me lembro), incontáveis exames, mais de 5 mil de gastos clínicos entre remédios, consultas, tomografias, raios-x, internações, cirurgias etc, 2 semestres trancados na facul, e um praticamente perdido, proposta de emprego tendo que ser recusada, familiares preocupados, amigos me dando forças e dois pais desesperados para acharem um jeito de sua filha conseguir respirar.
Pra quem não sabe, nos últimos dois anos, eu venho enfrentando uma doença à cegas... Eu nunca fui de ficar doente fácil, mas quando ficava tbm era pra me derrubar. Aí teve essa vez, no final de 2015 eu peguei uma GRIPE, só que ela n me derrubou, n me deu febre nem nd, eu só ficava espirrando e tossindo, e por não ter me derrubado como smp, achei que logo passaria e não tomei remédio algum nem me preocupava muito com o clima, afinal eu tinha vindo morar no nordeste justamente por que o tempo era sempre agradável, acontece que depois de umas duas semanas os espirros pararam e a tosse diminuiu e eu achei que estava bem, então em 2016 eu comecei na facul, e como faço Teatro muitas aulas exigem mto do corpo e foi aí que a tosse começou a vir com tudo e a toda hr, td em que eu precisava controlar minha respiração era horrível, foi então que fui até o médico na UPA pela primeira vez, e me diagnosticaram como TOSSE ALÉRGICA...
Dito isso meus pais limparam tudo lá em casa, fizeram uma limpeza profunda no meu quarto e até meu tigre de pelúcia Charlie (com quem eu durmo) me tiraram, tudo para parar a tosse alérgica, mas n adiantou mto. Em 14 de fevereiro, eu tive febre de 39,5° pela primeira vez com essa doença, fomos então desesperados na UPA e outro médico me diagnosticou com PNEUMONIA....
Comecei com os exames e os remédios para tal, achando que até então iria me curar logo, já que agr eu estava fzd de tudo para me cuidar, nisso eu entrei de férias na facul, e novamente achei que já que ia ficar mais quietinha nas férias iria melhorar logo, mas não. De noite quando eu ia dormir, deitava e sentia como se estivesse me afogando, eu dormia sentada. De manhã quando acordava eu tossia tanto, mais tanto que não conseguia respirar e achava que uma hora ia realmente parar. Os remédios não estavam ajudando, nada me fazia melhorar. Eu me sentia cada vez pior, mais fraca, mais pálida, mais magra. Nisso eu já estava passando com outra médica em Natal que detectou DERRAME PLEURAL no meu pulmão esquerdo (pra quem não sabe, isso é água no pulmão, mais especificamente na pleura). Isso explicava a sensação de afogamento.
Comecei a namorar, meu namorado me ajudou a manter o sorriso no rosto, e a auto estima firme, quando eu comecei realmente a parecer doente visivelmente, não só pra mim ao espelho, mas pras outras pessoas também. Olheiras fundas, sempre pálida, o cabelo e as unhas começaram a ficar fracos, e eu comecei a perder peso descontroladamente. Os novos remédios conseguiram secar a água do pulmão, tendo que drenar o resto e fzd a sensação de afogamento passar, mas a tosse imparável ainda estava presente e eu continuava a perder peso, foi então que fiz minha primeira tomografia (tira fotos lindas de dentro do meu tórax), e minha médica da vez me diagnosticou com TUBERCULOSE...
Eu tinha acabado de voltar pra facul e já tive que trancar. Foi a pior fase da minha doença em categoria: visível. Eu já estava fraca em um nível absurdo, não consiga respirar fundo, o ar simplesmente não vinha, em menos de 2 meses eu perdi 7kg. Eu já nem mais saía de casa... Parecia um fantasma, uma alma desesperada por não querer mais sentir dor. Tudo doía, eu sentia frio toda hr, pontadas no pulmão que quase me faziam desmaiar. Mas o que mais me irritava era o remédio que tinha que tomar para o tratamento. Todos os dias, durante 6 meses eu tinha que engolir 4 tipos de drogas fortes diferentes, que mudavam de dois em dois meses, ou seja, ao total foram 12 drogas diferentes que eu ingeri ao longo do tratamento. As reações adversas deles eram horríveis, tinha enjoos todo dia, dores de cabeça, mal humor, insônia, tonturas e cansaço. Pqe o remédio me dava cansaço? Bem, ele concentrava toda a pouca energia que ainda tinha para combater a tuberculose da qual eu estava tratando e não me restava mto para fazer qualquer coisa que fosse.
Mas eu aguentei firme, com todo o apoio de quem smp esteve do meu lado fisicamente e/ou emocionalmente, eu enfrentei os 6 meses de tortura, e algo naquelas drogas realmente começaram a fazer com que eu me senti-se melhor, ao final do tratamento, já conseguia respirar um pouco e a tosse havia sumido, porém não recuperei peso algum, e ainda me cansava mto. Dps de outros exames e mais tomografias, minha médica disse que eu parecia melhor, mas só parecia msm. Ela estava preocupada porque o derrame pleural estava voltando com o TRAUMA PULMONAR causado pela consequência da TB, logo me prescreveu mais remédios que dessa vez não ajudaram de mto e a preocupação dela foi tão grande que me passou para outro médico, que me passou pra outro e outro e quando eu fui ver, estava todos os "outros" médicos numa sala de cirurgia tirando um pedaço do meu pulmão para ser examinado. Agora eu era caso de estudo clínico pois ninguém conseguia descobrir o que eu tinha ao certo, porém descobriram algo muito importante e frustrante para a minha pessoa: EU NUNCA TIVE TUBERCULOSE OU PNEUMONIA OU QUALQUER OUTRO DIAGNÓSTICO QUE ME DERAM ANTES, passei um ano e meio sendo diagnosticada e tratada de forma totalmente errada. A partir daí foi uma bagunça! Um vai e vem de exames, tomografias, raios-x, perguntas médicas, foi brotando médicos, residentes tudo em cima do meu caso, e eu só queria entender o que estava acontecendo pqe já estava perdidinha com tudo isso.
Até que me internaram, fiz mais uma cirurgia e passei 2 semanas no hospital, nos dias em que meus familiares ou meu namorado durmiam lá até que dava pra levar, nos dias em que eu ficava sozinha naquela cama de hospital, eu só tinha vontade de chorar desesperadamente, eu queria sentir o sol na minha pele! Me sentia encarcerada. Quando me deram alta e eu saí do hospital nem meus olhos conseguia abrir pqe já tinham se desacostumado com a luz do dia! Passou mais algum tempo, meus incontáveis médicos continuaram com as pesquisas, e eu fzd consultas de rotinas e recolhendo resultados de exames que fiz quando fiquei internada... Meu caso foi levado até os EUA pra vcs terem uma ideia de como a coisa foi rara e complexa, eu havia recuperado apenas 2kg, mas isso já era uma vitória, estava só aguardando a enquete médica de se eu ia ser operada novamente ou não, nessa altura da jornada, eu já sabia que o canal superior que passa o ar no lado esquerdo do meu pulmão tinha se fechado e meu pulmão por inatividade graças a esse fechamento tinha ATROFIADO, mas não sabia (nem os médicos sabiam ainda) se teria como reabrir esse canal e fzr uma plástica no meu pulmão.
Poucos dias atrás eu fui numa das minhas consultas de rotina e meu médico finalmente me informou de que não serei operada, pois não há mais como abrir esse canal, e se eu fosse dnv pra uma mesa de cirurgia seria para remover todo o meu pulmão esquerdo, e como metade dele ainda funciona (lentamente, mas funcionando) optaram por não me operar, e que os últimos exames haviam afirmado de que agr não teria mais riscos de mais atrofiamento. Foi então que depois de 2 anos eu realmente descobri o que eu tive e que tbm poderei viver normalmente, graças a Deus (tendo alguns cuidados especiais, é claro, e uma rotina saudável e com exercícios para sempre, para evitar problemas na velhice).
Hoje não tenho mais uma doença, mas sim uma DEFICIÊNCIA PULMONAR, mais especificadamente eu possuo ATELECTASIA IDIOPÁTICA NO LOBO SUPERIOR ESQUERDO! Meu Deus Amanda, o que isso significa? Significa um colapso pulmonar espontâneo de origem desconhecida. A real é que eu peguei uma gripe, e por virar uma gripe mal curada causou algum tipo de infecção que gerou aos poucos o colapso pulmonar e pela falta de agilidade e competência médica em me diagnosticar corretamente no tempo certo, eu acabei perdendo metade do meu pulmão esquerdo.