Escrevo sobre: Por enquanto sĂł sobre o Cast de Lsdln e Dominic Sessa.
NĂŁo escrevo sobre: Qualquer coisa que envolva ViolĂȘncia explĂcita, ofensas a pessoas reais, preconceitos, ou algo que possa me deixar desconfortĂĄvel.
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did you see dominic sessa is following trump/potus :( do you think itâs just cause heâs president?
yes i did!
there is actually a reason for this. he was following the potus account when it was bidenâs account. they do create a new potus account for each new president, but the new account has been buying followers (specifically ones that followed the previous potus account)
obviously i do not know anything about dominic sessa. he couldâve followed the account on his own accord but i do know for a fact that trump has been buying followers.
he doesnât follow any of trumpâs other accounts and he does follow both of bidenâs accounts so.
Por dentro, vocĂȘ se sentiu como uma criança vendo o Papai Noel, e Felipe percebeu o brilho em seus olhos.
â Felipe, vocĂȘ nĂŁo precisava estragar seu Natal assim. Eu nem montei uma ĂĄr...
â Shhhhh â ele a interrompeu, em tom brincalhĂŁo. â JĂĄ estou aqui, nĂŁo estou?
VocĂȘ levantou as mĂŁos, como quem se rende, acompanhando o ar descontraĂdo dele.
Felipe começou a tirar as comidas das sacolas, distribuindo tudo cuidadosamente sobre a mesa de centro da sala do seu pequeno apartamento. Sem conseguir evitar, vocĂȘ entrou na brincadeira e se sentou prĂłximo a ele, estendendo a mĂŁo para roubar um pedaço de algo no prato.
â Ei, sĂł depois da meia-noite! â disse Felipe, dando um tapinha leve na sua mĂŁo.
VocĂȘ fez um bico de desapontamento, arrancando dele uma risada.
A noite seguiu leve, com o som da TV ao fundo criando um ambiente confortĂĄvel, enquanto o reflexo das luzes natalinas na rua atravessava as janelas.
â E entĂŁo, como tem se sentido ultimamente? â Felipe perguntou, a voz suave.
â Eu sĂł... me sinto sozinha, sabe? Nunca imaginei passar um fim de ano assim, longe da minha famĂlia, sem a companhia de quem eu costumava ter.
â Vamos tentar mudar isso? Que tal criarmos uma tradição? Jogamos os jogos que eu trouxe e quem perder conta uma histĂłria vergonhosa â Felipe disse, empolgado com a prĂłpria invenção.
â HistĂłria vergonhosa? Pode ser divertido â vocĂȘ respondeu, agora com um sorriso, começando a se animar com a ideia.
â EntĂŁo, temos esses aqui â ele disse, colocando-os sobre a mesa. â Escolha seu veneno.
VocĂȘ olhou para os jogos, a ideia de rir e se divertir, mesmo em meio Ă tristeza, parecia exatamente o que vocĂȘ precisava.
VocĂȘs começaram com Uno, e Felipe, surpreendentemente, ganhou de vocĂȘ rĂĄpido. Ele olhou para vocĂȘ, esperando a histĂłria vergonhosa que vocĂȘ teria que contar.
VocĂȘ respirou fundo e, sorrindo, começou a narrar sobre a vez que que vocĂȘ levou um tombo na frente da escola toda.
VocĂȘ ficou em silĂȘncio por um momento, surpresa pela confissĂŁo. Felipe, no entanto, continuou, como se nĂŁo pudesse mais esconder.
â Eu sei, pode parecer estranho, mas sempre que estĂĄvamos juntos, eu nĂŁo conseguia disfarçar. Talvez tenha sido por toda essa nossa amizade, mas eu sĂł nĂŁo sabia como dizer. Sempre tive medo de estragar tudo â ele disse, desviando o olhar por um instante.
â VocĂȘ queria... namorar comigo? â VocĂȘ perguntou, a voz suave, tentando processar tudo o que ele estava revelando.
â Sim, eu queria. Mas nĂŁo podia fazer isso enquanto vocĂȘ jĂĄ tinha outra pessoa. EntĂŁo, eu me escondi atrĂĄs da nossa amizade, com medo de arriscar tudo e te perder. â Ele disse, com uma sinceridade que fez seu coração bater mais forte.
â Eu nĂŁo sabia, Felipe â vocĂȘ disse, olhando para o fundo dos olhos dele. â Nunca passou pela minha cabeça que vocĂȘ sentia algo por mim. Quer dizer, eu gostava de vocĂȘ, sabe? Mas eu estava com outra pessoa e tinha certeza de que vocĂȘ sĂł me via como uma amiga.
Felipe arregalou os olhos, surpreso.
â Eu nĂŁo sabia... Talvez, se eu tivesse sido menos covarde, as coisas teriam sido diferentes.
VocĂȘ deu de ombros ao ouvir o "teriam sido diferentes", um pequeno sorriso melancĂłlico surgindo no seu rosto.
â Talvez... Mas talvez nĂŁo seja tarde demais para isso.
Felipe inclinou a cabeça levemente, como se estivesse tentando entender o que vocĂȘ queria dizer, e perguntou, sem disfarçar a curiosidade na voz:
â O que vocĂȘ sente agora?
â Eu... nĂŁo sei. Tudo ainda parece tĂŁo recente, sabe? â vocĂȘ começou, buscando as palavras certas. â Mas, ao mesmo tempo, eu sei que estar com vocĂȘ hoje foi a melhor parte desse Natal.
Felipe sorriu, um sorriso tĂmido, mas cheio de esperança.
â Talvez seja um bom começo â ele disse, com a voz calma.
â Talvez seja â vocĂȘ concordou, olhando para ele de um jeito que parecia abrir uma porta que sempre esteve ali, mas nunca tinha sido usada.
Felipe estendeu a mĂŁo para segurar a sua novamente, mas dessa vez o gesto parecia mais significativo, como se fosse um pedido silencioso para dar aquele passo juntos.
â Podemos ir devagar, se vocĂȘ quiser. Sem pressa â ele sugeriu.
VocĂȘ apertou levemente a mĂŁo dele, sentindo uma sensação de conforto e segurança.
â Eu gosto disso...
VocĂȘs sorriram um para o outro, cĂșmplices, quando repararam na hora. O relĂłgio disparava: meia-noite.
â Feliz Natal! â ele disse, com um sorriso largo, enquanto te envolvia em um abraço caloroso.
â Feliz Natal, Pipe â vocĂȘ respondeu, abraçando-o de volta, enquanto fazia carinho nas costas dele.
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Notas da autora: No inĂcio era para ser uma fanfic com Ale Sater (Terno Rei), mas eu mudei de ideia e virou um conto experimental, contradizendo OvĂdio em âA arte de Amarâ
NĂșmero de palavras : 2096
A luz da manhĂŁ rebelava-se contra as cortinas brancas e translĂșcidas, deixando entrar um brilho suave. Os acordes graves eram quase um murmĂșrio, e a voz dele guiava seus dedos pelo instrumento, tĂŁo baixinho que parecia quase imperceptĂvel. Ele estava sentado no chĂŁo, em busca de novas composiçÔes, no entanto, antigas em sua alma. Enquanto os raios de sol que atravessavam as cortinas, aqueciam gentilmente os tornozelos de sua amada, deitada na cama a ler as notĂcias mais recentes no celular.
â Quem foi que te concede, Ăł mulher cruel, o dom do canto? â o tom era de piada, mas havia um traço de admiração nos olhos dele.
Ela ri, um riso claro e seguro, e, sem dizer nada, agarra o instrumento, como uma provocação, uma pequena rebeldia entre os dois. E por um segundo, ele imagina que talvez fosse mesmo ela quem lhe ensinava a mĂșsica. Porque o som, o toque, o riso, tudo se misturava em algo que ele mal podia nomear. Era amor, sim, mas um amor que vibrava, indomĂĄvel, quase absurdo.
Ele deixa que ela ganhe. Os braços dela puxam o instrumento suavemente, posicionando-o na cama, enquanto ele permanece sentado no chĂŁo, soltando um suspiro exagerado, como quem carrega o peso de uma âderrotaâ dolorosa.
â Ah, o que serĂĄ de mim agora? â murmurou, fingindo tristeza, com um toque teatral nos olhos semicerrados.
Ela ri, aquele riso fåcil que ele adorava arrancar, e estica uma mão para tocar seu rosto, como se dissesse, sem precisar de palavras, que sabia da farsa. Ele se deixa vencer, sim, e na verdade gosta disso. Entre eles, essas pequenas vitórias e derrotas viravam uma dança silenciosa, um jeito de tocar o amor com as pontas dos dedos.
â O meu futuro marido hĂĄ de estar presente no mesmo banquete que nĂłs; seja essa a Ășltima ceia para vocĂȘ, meu noivo, e amante.
â EntĂŁo serĂĄ nossa Ășltima dança? â ele pergunta com um tom leve, e ela apenas o encara, como se jĂĄ soubesse a resposta. â Estou com inveja dele.
Com isso, entende que o que desejava nĂŁo era uma ceia farta, mas uma ceia suficiente. Algo pequeno, Ăntimo, capaz de refletir o que compartilhavam e o que estava por vir em janeiro, quando dariam o prĂłximo passo. Ele desejava apenas o essencial â que aquela noite fosse uma celebração da promessa invisĂvel que agora sustentava cada olhar entre eles. Ela fecha a geladeira lentamente, compreendendo o gesto nĂŁo dito. Juntos, escolhem itens simples: pĂŁo, queijo, vinho. A noite pede pouco, apenas o suficiente para que, naquele momento, eles celebrem um ao outro.
Ela senta numa cadeira e anota no celular tudo o que pretende comprar no mercado. Ele se aproxima e, com os dedos sujos de cinzas, nicotina e tabaco queimado, passa entre seus cabelos. Ele sabia que aquilo a irritava, mas ela responde sarcasticamente: "Hahaha! Eu vou lavar o meu cabelo depois de ir ao mercado", enquanto faz a dancinha da vitĂłria, a mesma pela qual ele se apaixonou antes mesmo de serem namorados. Vingativo, ele apaga o cigarro na pia Ășmida da cozinha, sob o olhar de reprovação dela. Sem hesitar, ele a beija, prometendo que limparĂĄ depois. Tudo naquele instante parecia acontecer em uma lentidĂŁo quase intencional, como se o tempo decidisse expandir sĂł para eles, dando espaço para um raro conforto.
E talvez seja exatamente isso, conforto, que busco ao escrever este texto, mas posso ser sincera? Eu nĂŁo quero estender muito, pois se estender posso acabar invadindo a intimidade desse casal tĂŁo real e tĂŁo sinceroso. Me sinto mal por ter contado a vocĂȘ, meu leitor, essas breves brincadeiras deles. SĂł que decidi contar para que nĂłs nĂŁo desistĂssemos de encontrar essa sorte, a sorte de encontrar um amor morno, um amor confortĂĄvel, tĂŁo confortĂĄvel que em seus dias mais agitados e cheios de deveres vocĂȘ, eu,iremos correndo para o ninho desse amor. BemâŠvou retornar Ă narrativa.
Ă a partir dessa perspectiva dela que o envolve em seus braços, ali, naquela cozinha de um apartamento alugado. O cheiro de cigarro e sabonete dele, o perfume de cereja e avelĂŁ dela. Precisavam ir ao mercado o mais cedo possĂvel; afinal, era vinte e quatro de dezembro, e todos os despreocupados agora estavam apressados, correndo para preparar a ceia de Natal. Mas, por alguma razĂŁo, esse casal nĂŁo.
Esse âenvolverâ dos braços dela transformou-se num âamassarâ dos corpos. Melhor dizendo, ele deu nela uns amassos â amassos amorosos. Ele a amava hĂĄ mais de quatro anos, ela o amava hĂĄ mais de quatro anos. Ela deu nele uns amassos, amassos amorosos ... E juntos, eles se amassaram, assim, um no outro. E, talvez, sĂł talvez, seja exatamente isso que escrevo: que essa mulher, que hĂĄ pouco cativou o homem ao seu lado, ou o ame ou o faça, misteriosamente, amar-se nela. Aceita, meu leitor, aquele que hĂĄ de servir-te em silĂȘncio, sem grandes gestos â aceita aquele que saberĂĄ amar-te com a leveza de quem compreende e a lealdade de quem nĂŁo se assusta com o Ăntimo.
Ela nĂŁo fazia ideia do que começar a escrever assim que chegou a Positano. O mar turquesa e as casas empilhadas nas encostas, como se tivessem sido colocadas Ă mĂŁo, eram belĂssimos, mas ainda nĂŁo provocavam o despertar criativo que ela buscava.
Foi no mercado local, entre barracas de frutas frescas e o aroma de limÔes sicilianos, que eles se esbarraram. Ele se apresentou com um sorriso despretensioso: Esteban Kukuriczka, arquiteto argentino, ali para trabalhar no projeto de restauração de um hotel boutique da região.
A conversa fluiu como o vento leve daquela manhã. Eles caminharam juntos pelas ruelas estreitas, comentando sobre a vida na cidade. Ela não sabia dizer se o que a encantava era o jeito livre com que ele falava ou o cabelo loiro, sempre bagunçado, que parecia combinar com a sua personalidade despreocupada.
â O que acha de um jantar diferente hoje Ă noite?
O lugar escolhido foi um velho cinema que exibia filmes antigos todas as noites. O ambiente era acolhedor, quase Ăntimo, com cadeiras de madeira e paredes decoradas com cartazes desbotados. Durante o filme, eles conversaram em sussurros, trocando impressĂ”es e risos contidos. Depois, o jantar aconteceu em um pequeno restaurantes a poucos passos do cinema, iluminado por lĂąmpadas amareladas que pendiam de ĂĄrvores. A comida era simples, mas saborosa.
Entre uma taça e outra, ela falou sobre os romances que escreveu e os que ainda sonhava escrever, enquanto ele descrevia sua obsessão pelos detalhes arquitetÎnicos, as histórias que cada estrutura carregava, e como o hotel em que trabalhava era um desafio que o fazia se sentir vivo.
Ainda assim, ela resolveu continuar. Por que nĂŁo?
Esteban a surpreendeu cada vez mais conforme os dias passavam. Em uma tarde ensolarada, ele a convidou para conhecer a obra onde trabalhava. O hotel boutique, ainda em reforma, tinha ares de algo que carregava o passado nas paredes, mas aguardava por uma nova vida.
Ele a guiou por entre os corredores empoeirados, explicando cada detalhe com paixĂŁo: a escolha dos azulejos, o cuidado em preservar as molduras originais das janelas, e a forma como a luz natural atravessava o salĂŁo principal.
Ela sorriu, encantada tanto pelo lugar quanto pela maneira como ele falava. Talvez fosse a forma como ele via o mundo â atento, detalhista e ainda assim tĂŁo livre â que fazia tudo ao seu redor parecer mais vibrante.
Em outro dia, ele a surpreendeu novamente, desta vez com um presente. Era um pequeno bloco de desenhos, onde ele havia esboçado partes de Positano, cenas que ele dizia lembrar dela: a curva de uma rua que terminava no mar, uma sacada cheia de flores, uma cadeira de madeira na sombra de uma oliveira.
O beijo foi intenso, carregado de tudo o que palavras ou desenhos nĂŁo poderiam expressar.
Eles acordaram juntos naquela manhĂŁ, com a luz do sol filtrada pelas cortinas, cobrindo o quarto com um tom dourado. Ela observou Esteban, ainda adormecido ao seu lado, e sentiu um aperto no peito. O tempo parecia escorrer entre os dedos, e os Ășltimos dias juntos jĂĄ tinham o peso de uma despedida que ambos evitavam mencionar.
Quando ele finalmente abriu os olhos, deu um sorriso preguiçoso, e por um momento, tudo parecia simples.
â Temos mais alguns dias, certo? â ele perguntou, segurando a mĂŁo dela.
â Certo â ela respondeu, tentando esconder a melancolia na voz.
Prometeram aproveitar cada instante como se o fim não estivesse à espreita. Passearam pelas ruas de Positano, compraram frutas frescas no mercado, e passaram uma tarde inteira na praia, onde ele a convenceu a mergulhar no mar turquesa, apesar de suas hesitaçÔes.
No Ășltimo dia de Esteban, eles se despediram sem promessas. Ele precisava voltar Ă Argentina; o projeto em Positano estava concluĂdo, e novos compromissos o esperavam.
â Cuida bem das palavras, como cuidaria de uma casa â ele disse, antes de partir.
Ela sorriu, mas nĂŁo conseguiu responder. O beijo de despedida foi longo e silencioso, como um adeus e um agradecimento.
A cada pågina, ele era transportado de volta àquele verão. O mercado local, o cinema antigo, o terraço iluminado pelas luzes da cidade e, principalmente, o som da risada dela, o jeito como ela o olhava quando falava sobre seus sonhos.
Ele leu devagar, como se quisesse prolongar a sensação de reviver cada instante. Quando chegou ao fim, fechou o livro com um sorriso grato.
Na Ășltima pĂĄgina, uma dedicatĂłria simples dizia tudo:
"Para quem jĂĄ viveu um verĂŁo eterno."
E ele sabia, sem sombra de dĂșvida, que era para ele.
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A carta de Enzo chegou, trazendo sentimentos contraditĂłrios. A empolgação de reencontrĂĄ-lo, de vĂȘ-lo conhecendo o pequeno, desmoronou assim que pensei no que poderia acontecer entre Enzo, Esteban e eu. Esta noite, contarei tudo a Esteban. Apesar de ele sempre ficar na defensiva quando menciono Enzo, ele precisarĂĄ compreender.
28 de abril de 1921
Esteban permaneceu em silĂȘncio e preferiu se retirar quando mencionei a chegada de Enzo. NĂŁo consigo entender o que ele colocou na cabeça; evita qualquer conversa sobre o homem.
Esteban aceitou a situação com uma dignidade que nunca vou conseguir entender completamente. Ele ama o menino como se fosse seu, com uma devoção que Ă s vezes me faz questionar se eu sou digna desse tipo de amor. Mesmo assim, percebo como a vinda de Enzo o inquieta. Ele nĂŁo diz nada, mas seus silĂȘncios sĂŁo tĂŁo claros quanto palavras.
A cada dia, a chegada de Enzo parece mais inevitåvel, como uma onda que cresce ao longe, prestes a alcançar a costa e mudar tudo o que conhecemos.
15 de maio de 1921
Hoje, descobri que estou gråvida novamente. Meu coração parece pequeno para caber tantos sentimentos ao mesmo tempo. à de Esteban, o homem que tem sido meu porto seguro, mesmo em meio a tantas tempestades.
Olhei para ele esta manhĂŁ enquanto brincava com nosso pequeno no jardim. Seu sorriso era tĂŁo genuĂno, tĂŁo cheio de amor, que quase chorei. Esteban ama como poucos homens sabem amar: com calma, paciĂȘncia e uma generosidade que me deixa sem palavras. Ele nunca pediu nada em troca, nunca exigiu mais do que eu pudesse dar, e, mesmo assim, me deu um lar, uma famĂlia.
E, ainda assim, nĂŁo posso evitar pensar em Enzo. Ele estĂĄ prestes a chegar, e com ele virĂĄ um peso que nĂŁo sei se Esteban ou eu estamos prontos para carregar. NĂŁo quero que essa nova vida seja marcada pela sombra do que ainda sinto por Enzo. Quero que esse bebĂȘ nasça em um lar cheio de amor e paz, como aquele que Esteban tem tentado construir para nĂłs.
Ele falou sobre o bebĂȘ e a chegada de Enzo. NĂŁo foi fĂĄcil ouvir, mas ele disse que estĂĄ aqui, que sempre estarĂĄ. Ele me pediu para nĂŁo me preocupar com o que Enzo representa. A conversa foi difĂcil, mas ao mesmo tempo, me deu um pouco de paz.
Minha mãe me falou sobre Enzo hoje. Ela soube de algumas cartas que ele tem enviado à mãe dele. Cartas cheias de dor, sem esperança, como se ele estivesse preso no passado. Ela disse que ele se isola cada vez mais, sem planos, só com arrependimentos.
A gravidez tem sido uma montanha-russa. Os dias passam devagar, e o medo de nĂŁo estar preparada para o que estĂĄ por vir me consume. Esteban tem sido maravilhoso, sempre ao meu lado, mas a ansiedade sĂł cresce. O bebĂȘ se mexe cada vez mais, e isso me dĂĄ um pouco de alĂvio, mas o peso da espera e da mudança estĂĄ sempre lĂĄ.
Nosso filho estĂĄ crescendo rĂĄpido. Hoje, ele me fez rir com uma tentativa de falar mais palavras. Isso me faz sorrir, mesmo nos dias mais pesados.
Julho estĂĄ quase aĂ, e Enzo vai chegar. NĂŁo sei o que esperar, nĂŁo sei como vou reagir. HĂĄ uma parte de mim que teme o reencontro, que teme que tudo o que eu construĂ com Esteban desmorone. A dĂșvida me corrĂłi. O que ele quer de mim agora? E eu, o que sou capaz de dar a ele?
Esteban tem sido paciente, mas meu coração ainda estå em um turbilhão. Não sei quanto tempo mais conseguirei esconder o que realmente sinto.
O inverno cortante nĂŁo comparava com o vazio gelado que se expandia dentro de vocĂȘ. Havia sido uma luta constante para tentar fazer com que ele visse vocĂȘ, para que ele visse o que estava se desintegrando entre vocĂȘs.
Quando o celular vibrou no banco ao seu lado, vocĂȘ hesitou. A mensagem era de Enzo. SerĂĄ que deveria ler? Pensou. Mas, ao ver o nome dele na tela, uma parte de vocĂȘ cedeu. VocĂȘ tocou a tela com a ponta dos dedos, e a mensagem apareceu:
"Por favor, nĂŁo vĂĄ. Eu sei que fiz tudo errado, mas sem vocĂȘ... eu nĂŁo sei quem sou mais. NĂŁo consigo mais viver sem vocĂȘ aqui. Eu sĂł peço mais uma chance. Me dĂȘ uma chance, eu vou lutar, eu prometo"
VocĂȘ olhou para a mensagem, o peito apertado, mas as palavras nĂŁo tinham mais o mesmo peso. Ele sempre dizia que ia mudar, sempre prometia. Mas vocĂȘ estava cansada de ser a Ășnica a tentar, de ser a Ășnica que se importava. As promessas dele nĂŁo eram mais suficientes. VocĂȘ havia se afundado demais tentando salvar algo que ele nĂŁo queria salvar.
Sem forças para continuar olhando para aquela tela, vocĂȘ desligou o celular e apoiou a cabeça no volante. O silĂȘncio tomou conta do carro, mas nĂŁo havia paz. A dor da partida ainda estava fresca, e os momentos bons, as lembranças felizes, agora estavam manchados por todas as vezes que ele te afastou, pelas palavras rĂspidas que ele nunca pediu desculpas.
E foi quando o som de um leve toque na janela fez seu coração disparar. VocĂȘ olhou rapidamente, e lĂĄ estava Enzo, parado na calçada.
Ele parecia menor, um homem quebrado, algo que vocĂȘ nĂŁo reconhecia mais. Seus olhos estavam vermelhos, como se tivesse chorado, mas seu rosto estava frio, como sempre. Ele nĂŁo sabia demonstrar afeto, nĂŁo sabia como te abraçar quando vocĂȘ mais precisava.
O som da sua voz te atravessou. VocĂȘ engoliu em seco, sem saber o que dizer. Os anos de frustração, de tentar fazer com que ele se importasse, de tentar de todas as formas que ele te amasse como vocĂȘ o amava, tudo parecia estar condensado naquele instante.
Enzo olhou para vocĂȘ como se tivesse sido atingido por uma pedra. Ele tentou abrir a boca, mas nada saiu. Ele queria falar, queria dizer algo que a fizesse mudar de ideia, mas as palavras pareciam lhe faltar.
â VocĂȘ nĂŁo sabe como demonstrar, Enzo. VocĂȘ nĂŁo sabe como amar... E, por mais que eu queira, nĂŁo posso mais estar aqui esperando que vocĂȘ mude âVocĂȘ engoliu as palavras com dificuldade, o aperto no peito quase te sufocando. â Eu jĂĄ perdi demais de mim mesma tentando salvar algo que vocĂȘ nunca quis salvar.
Enzo deu um passo atrĂĄs, os olhos marejados, mas ele nĂŁo as deixou cair. Ele estava ali, imĂłvel, como se estivesse preso, como se a dor de te ver indo embora o tivesse paralisado.
â Mas eu vou mudar... Eu prometoâ ele disse, as palavras saindo em um suspiro, sem a convicção que costumava ter.
VocĂȘ sentiu um frio mais intenso, uma sensação de vazio ainda maior. Ele sempre dizia que ia mudar, que ia tentar, mas nunca conseguia. E vocĂȘ estava exausta de tentar, de esperar por um homem que nĂŁo sabia nem ao menos como te amar.
Sem olhar para trĂĄs, vocĂȘ colocou a chave na ignição e virou a chave com a mĂŁo trĂȘmula. O som do motor foi como um grito quebrando o silĂȘncio da noite.
VocĂȘ respirou fundo, mas a dor ainda estava lĂĄ, se espalhando por todo o seu corpo. Quando olhou pela janela, Enzo estava parado, olhando para vocĂȘ, com os olhos vazios e o rosto sombrio. Ele nĂŁo se movia.
VocĂȘ deu partida, e ao sair dali, sabia que nĂŁo havia mais retorno. As promessas, as palavras de arrependimento, nada disso poderia trazer de volta o que vocĂȘs tinham sido. Ele se perdera em algum lugar, e vocĂȘ finalmente se encontrou, mesmo que fosse sozinha.