❛ oh, você ouviu aquilo? ❜ a feição de eris se tornou levemente culpada. imaginava que não tinha dito nada alto suficiente para o homem conseguir ouvir do outro lado da porta. ela sentia mais por ter uma reação tão passional do que pelos sentimentos de william. mas também não podia negar que tinha sido péssima com ele, que claramente tinha se arrumado e ela sabia ser uma boa pessoa. ao menos, imaginava que fosse pelo pouco que o conhecia e tinha conversado com ele durante o trabalho. ❛ sinto muito ❜ era tudo que ele iria conseguir dela por enquanto.
eris sentiu o aroma de seu perfume ao passar para cozinha. hm, cheiro de esforço. pobre coitado, ele merecia mais do que estar preso com ela. esperava que ele fosse fácil de lidar e não ficasse com aquela cara de preocupação para o resto da vida. ou talvez eles sequer chegassem a ter um filho e fossem obrigados a se divorciarem. essa seria a melhor opção para os dois, com certeza. se aslan não a matasse primeiro ou se ela simplesmente não enlouquecesse, roubasse um barco e sumisse no horizonte. claro, não o faria. não era covarde e tinha hazzie para cuidar. hazzie… esperava que ele estivesse melhor que ela, que fosse pareado com uma mulher rica como ele desejava. pelo menos um dos irmãos deveria se dar bem, então que fosse o mais novo.
a água não a acalmou como ela desejava. eris devolveu o copo para o lugar com uma lentidão exagerada e encarou o loiro. ❛ não se sinta ofendido, a reação teria sido a mesma para qualquer homem ❜ bom, exceto um, mas isso não vinha ao caso. ela precisava agir como uma pessoa normal, ou melhor, como a pessoa racional que ela era. caminhou até a frente dele, mantendo dois metros de distância.
❛ nós precisamos estabelecer algumas regras de convivência ❜ informou. um começo muito formal, mas aquele era o modus operandi da mulher e ele deveria se acostumar se quisesse conviver com ele. ❛ aquele quarto é meu, eu tenho a chave, você só vai entrar quando e se eu permitir ❜ falou num fôlego só, era muito importante que ele entendesse isso e respeitasse ou teriam reclamações de barulho dos vizinhos e eris seria obrigada a falar que ele chegou em casa bêbado e bateu nela. ela não queria fazer isso, era baixo, mas o faria se necessário.
❛ nós dois trabalhamos com segurança, creio que vai entender se eu trouxer minhas armas para cá sem que a galera chata…. saiba ❜ soltou de uma forma mais leve, ela estava sofrendo sem suas pistolas e ainda mais sem as facas. como ela iria se acalmar se estava se sentindo tão ridiculamente nua? ❛ outra coisa, acho que não precisamos forçar um relacionamento. você deve ganhar bem com os reiss, eu ganho o suficiente com o leonhart, então o lance dos filhos não é algo que a gente vai se desesperar para ter ❜ era uma afirmação, mas julgando pelas expressões de will, ela acrescentou ❛ certo? ❜
por fim, eris conseguiu forçar um sorrisinho e tentou uma abordagem mais simpática para finalizar. ❛ mas, se um dia acontecer, pelo menos a gente produziria uns pirralhos bonitinhos e fortes ❜
— “é, na verdade eu ouvi sim! creio que na hora da raiva você tenha falado mais alto do que imaginou, e eu também tenho a fama de ter uma ótima audição, o que deve ter contribuído também.” deu de ombros com um sorriso. “sem problemas...” completou por fim, no final, talvez até que fosse compreensível tal comportamento, era uma situação constrangedora para todos que estavam participando do projeto, seja de forma espontânea ou obrigada, não era uma situação corriqueira e poderia vir a decepcionar a muitos por ali. mas como homem, claro que havia ficado um tanto chateado com a reação, não era exatamente o que esperava ouvir. “parece que não está muito feliz com a situação, certo? de toda forma, não se preocupe, agora fica mais fácil de aceitar, creio que é totalmente compreensivo diante de toda a situação em que estamos.” falou com sinceridade.
“regras? você sabe mesmo como tirar a graça de uma situação!” ele disse cruzando os braços, porém tais palavras eram rodeadas de ironia, ele concordava com a jovem, uma ótima chance daquilo dar certo seria se eles estivessem seguindo para o mesmo lado. “to brincando, eu acho uma ótima ideia!” ainda carregava algumas caixas com os seus pertences, o que estava começando a incomodar o seu ombro, colocando de lado e caminhando para mais próximo da jovem, bem mais aliviado do que estava a alguns segundas atrás. “você quem manda, senhorita!” ele disse, pouco lhe importava em qual quarto ficaria, então ela já ter escolhido não era um problema. “bom, então não teremos problemas em saber que eu também trouxe! não sou de quebrar regras, mas não poderia ficar sem a minha faca, caso precise...” ele disse, os anos de serviço lhe ajudavam a entender e saber como burlar vistorias, não que fizesse isso com frequência, mas mentiria se não dissesse que aquele era um bom conhecido. “se precisar de ajuda com o contrabando, me avise... posso lhe ajudar com isso!” completou, piscando para eris. “claro, não se preocupe quanto a isso, vamos apenas... deixar rolar...” falou com sinceridade, não estava em seus planos forçar qualquer tipo de relacionamento, e queria que eris soubesse disso. a ultima fala no entanto lhe tirou algumas gargalhadas. “com toda a certeza, a genética seria incrivelmente maravilhosa! desde que puxem a minha personalidade, não teremos problemas!” brincou.