“É bom você começar a se acostumar, já que não pretendo me ausentar tão cedo.” foi o que disse assim que o melhor amigo abriu a porta. Um sorriso largo marcava as feições de Lucy, um dos poucos sinceros que oferecia. “Yeah, mas devo informá-lo que deu sorte de não existir nem uma pauta que precisasse cobrir com urgência. Sabe como é, né? O pseudo benefício de quem não tem contrato fixo de trabalho.” um ligeiro suspiro lhe escapou. Trabalhar como freelancer era uma opção sua, mas vez ou outra se questionava se deveria buscar por estabilidade profissional. Questão que avaliaria em outro momento, afinal, sua ida até a casa do melhor amigo envolvia a ideia de relaxar depois de dias de pura tensão. “Eu trouxe algo para você.” disse, alegremente, colocando a pequena caixa nas mãos do mais novo assim que adentrou o espaço que pertencia a ele. “São alguns quitutes da Molly, você sabe, os melhores da cidade. De graça. Se considere um homem de sorte.” brincou, lançando uma piscadela em direção a ele enquanto despia seu casaco. Em seguida, ao ouvi-lo, uma pequena ruga formou-se entre as sobrancelhas de Lucy. “O que você me pede sorrindo que não faço chorando?” questionou, revirando os olhos teatralmente. “Ok, mas qual é a desse chá novo? Agora estou curiosa a respeito.”
' —— Vai demorar mas vou me acostumar e estou bem feliz com isso.' declarou. Talvez, na realidade, nem demorasse tanto assim para se acostumar com a presença de Lucy em Montrose. Além do mais, adorava isso. Os dois juntos de novo sem a inconveniência de ter que se comunicarem por meios tão demorados. ' —— Se pra me dar atenção você tem que ficar sem trabalho, eu só tenho que torcer pra você pegar menos coisas pra fazer?' a questionou com um sorriso travesso. Tendo consciência de que a ruiva amava o trabalho, nunca poderia torcer para ela ficar desocupada, mas podia brincar com isso. E bastou que fosse anunciado que havia ganho um presente para que Fritz se animasse. Ficou ainda mais agitado quando viu que eram doces. ' —— Eu definitivamente sou uma pessoa de sorte!' declarou, sutilmente escolhendo não utilizar o termo para definir o gênero. Vinha treinando ser sutil quanto a isso, era muito difícil, mas estava conseguindo às vezes. A caixa cheirava aos doces gostosos que comprava sempre que tinha chance de ir até o local que a irmã da melhor amiga trabalhava; aquele ambiente era o paraíso e Friedrich realmente gostava dali. ' —— É por esse e outros motivos que eu te amo.' contou, sorrindo de maneira mais larga para a outra. ' —— Bem, é um chá para fazer as pessoas relaxarem. Não como camomila comum, sabe? É mais... sabe quando os trouxas usam anestesia? Então, esse é mais pra isso. Pra fins médicos. Mas é totalmente seguro alguém tomar pra relaxar! É só tomar em uma pequena quantidade, é por isso que eu só vou te dar uma colher.'