Arthur comprimiu os lábios e automaticamente suas sobrancelhas uniram-se suavemente, de repente, estava pensando seriamente sobre o tópico ou pelo menos o mais sério que alguém embriagado conseguiria elaborar. “Ahn, eu acho que sou sim.” Não é como se tivesse escolha, afinal, precisava lidar com as obrigações do trabalho e as questões de morar sozinho. Sucintamente, responsabilidade tinha essa forma para o texano. Porém, sabia e reconhecia que havia muitas outras. Ele sorriu diante do questionamento e meneou a cabeça uma única vez num movimento positivo. “Sim, só hoje.” Disse num quase sussurro. Não deixaria para depois o que poderia lhe conceder algum entretenimento no presente, ansiava por alguma distração desde do fim da brincadeira que não o divertira nenhum pouco. “I’m a sucker for you, yeah.” Cantarolou uma pequena estrofe do refrão porque era a única coisa que se lembrava da música, tentou manter-se sério, mas assim que seu olhar recaiu para o rosto de Lorelei acabou soprando um riso. “Na-nana. Take you know that you’ll find me.” insistiu em prol da diversão, gesticulando a mão que estava livre para acompanhar o ritmo imposto por sua cantoria dispersa. Esperava que ela se divertisse com sua tentativa. “A Shania? Bom, eu acho que ela tem a idade da minha mãe, então na época… Eu era pré-adolescente, obviamente que eu só fiquei com ela nas minhas fantasias.” Explicou divertidamente, repuxando os lábios para expor um sorriso lamentoso. Com a menção seguinte, o moreno acabou soprando um riso passageiro. “Qual era a sua idade e a dele?” Durante o colegial, era postulado pela maioria dos rapazes de que as garotas preferiam rapazes mais velhos, Arthur nunca conseguiu atestar a veracidade do rumor, supunha que tinha relação com a tal da maturidade e a experiência. Sentiu parte de sua concentração dissipar-se com o toque em sua bochecha, pelo canto dos olhos acompanhou o trajeto do digito de Lorelei. Seus lábios se separaram minimamente e Arthur respirou pela boca, reorganizando seus pensamentos para que pudesse responde-la tão logo. “Hum, transar com duas mulheres ao mesmo tempo.” O dar de ombros pareceu muito natural, não havia nenhuma novidade em um homem desejando estar entre duas mulheres, fosse por culpa da pornografia ou não, parecia um momento glorioso de qualquer forma. Ouderkirk esboçou um sorrisinho amarelo, não era um grande segredo no final das contas, até achou que ela poderia presumir isso, assim como qualquer pessoa. “Aham. Não é muito grande, mas dá para perceber que me machuquei há algum tempo.” Seria muito mais fácil mostra-la, não? Então foi o que fez, dobrou a perna de modo que seu tornozelo estivesse apoiado em uma de suas coxas e sua palma do pé ficou livre para uma inspeção passageira, ele fez uma pequena careta quando a observou, quase como se estivesse vivenciando a dor outra vez ou desaprovando-a por existir. Tinha um gracejo na ponta da língua quando a ouviu e precisou censurar-se para que não o soltasse. “Ainda no Texas, mas acho que seria muito legal ir para outro lugar.” Poderia recomeçar noutro lugar, onde ninguém o conhecia, a ideia parecia agradável e muito distante também. Seria um recomeço ou uma fuga? E qual era o problema fugir de seus problemas, havia uma blitz que o puniria ou algo do gênero. A voz de Lorelei o trouxe para fora de seus devaneios, ele piscou por alguns átimos e esboçou um sorriso caloroso. “Com certeza!” A exclamação acompanhou um riso cúmplice. “Alguns lugares de Oklahoma, do Colorado e Kansas. Eu acho que seria bacana conhecer todo o território dos Estados Unidos antes de me aventurar em outros países. Mas parece que não tenho tempo suficiente para isso, talvez por causa do trabalho ou pela grana que é consideravelmente curta.” Arthur acreditava que era uma junção de motivos; o tempo, dinheiro e a tal da disposição, viajar sozinho não costumava ser tão divertido quanto achou que seria. Acabou rindo quando a ouviu repetir o que havia afirmado, balançou a cabeça em concordância mesmo assim e voltou a pressiona-la contra o próprio corpo como se pudesse ofertar um aconchego ainda maior que o previsto. “Hum, eu trabalho com TI. Gosto bastante do que faço, mas… Sei lá, às vezes acho que poderia ser mais feliz com qualquer outra profissão.” Lidar com máquinas era muito mais simples e confortável do que lidar diretamente com pessoas, isso demandava um molejo que Ouderkirk achava não possuir, apesar de suas constantes tentativas. Abriu os olhos lentamente quando a ouviu mencionar a tal da loucura, a proximidade era tentadora e inebriante, queria pressionar os lábios contra os dela e provar mais uma vez seu sabor, agora sem outra pessoa para dividir sua atenção. Contudo, não sabia se esse desejo partia unicamente da atração sentida ou por estar de alguma forma frustrado com os acontecimentos da noite. Para todos os efeitos estava envolvido com Ella e por mais que achasse que a nova-iorquina estivesse muito à vontade nos braços de outro não parecia adequado entregar-se a outra, poderia se arrepender no dia seguinte. Um sorriso um tanto quanto sem jeito surgiu em seus lábios, mas ele sequer se afastou. “Quero.” Sussurrou cuidadosamente. Ele não queria dormir sozinho, parecia muito deprimente considerando tudo que aconteceu, ao mesmo tempo não desejava fazer algo que se arrependeria, não pensaria com a cabeça debaixo outra vez!, só que merda, resistir aquilo era muito árduo.
Assentiu a cabeça, escutando-o falar que era mais responsável do que o contrário. Era um bom sinal, equilibrava com a falta de prudência dela. Mordeu o lábio inferior como se quisesse controlar o sorriso largo ao ouvi-lo cantarolar o trechinho da música dos Jonas Brothers. ❛❛ And you’re making the typical me break my typical rules. It’s true, I’m sucker for you, yeah ❜❜ Cantarolou o final do refrão, dançando no ritmo. A risada que escapou depois indicava que havia noção da empolgação, fazendo uma careta logo depois, como se pedisse desculpas. ❛❛ Me empolguei um pouquinho. ❜❜ Brincou, mas o riso mostrando a diversão por vê-lo cantar e poder se juntar. Deu um tapa na própria testa ao perceber que havia entendido a informação errada, o riso nasalada saindo enquanto tentava pôr em palavras. ❛❛ Entendi tudo errado. Pensei que a sua ex-namorada fosse mais velha, não a Shania. ❜❜ De bandeja, havia lhe dado a informação de que já se envolveu com uma homem mais velho. Mas, bem, a respeito de paixonite em celebridades, não poderia dizer que estava muito longe daquilo, já que costumava gostar de uns homens um pouco mais velhos do que sua idade. ❛❛ Eu tinha vinte e ele trinta e oito. Não foi exatamente um namoro, a gente só… teve alguma coisa. ❜❜ Balançou uma das mãos, com certo desdém da situação. Lembrava-se de ter sido a primeira vez em que ficava insegura sobre uma relação, e da necessidade de reafirmar o que tinham. Motivo pelo qual ela decidiu dar um basta antes que precisasse de terapia. Abriu um sorriso quase convencido, satisfeita não só por ouvir a revelação, mas por ter feito parte do item riscado de sua lista. ❛❛ Adorei saber que participei um pouquinho da sua lista. ❜❜ Respondeu, sorrindo, então pensando no que poderia falar sobre o seu diário para retribuir o que ele havia contado. ❛❛ Tem uma página no meu diário que fala com detalhes sobre o meu primeiro beijo com uma garota. ❜❜ O sorriso no rosto de quem estava se lembrando do acontecido, as sobrancelhas erguidas, em tom sugestivo. Se Arthur quisesse ler, teria de esperar, pois o diário não estava ali, mas ela poderia recitar algumas partes que se lembrasse, caso ele preferisse. Passeou com o dedo de leve onde ele disse ter uma cicatriz pelo corte de vidro, e balançou a cabeça quando o viu fazer uma careta. ❛❛ Coitadinho… Que bom que não se cortou dessa vez. Mas qualquer coisa eu cuido de você, está bem? ❜❜ A mão que antes estava no pé, alcançou o rosto e fez um carinho em sua bochecha. O biquinho divertido foi substituído pela risada nasalada que escapou sem que percebesse, o mesmo tipo de riso que saía de seus lábios naturalmente enquanto falava com ele. ❛❛ Que tipo de lugar você gostaria de morar? ❜❜ Perguntou, mas pensando se ela mesma teria uma resposta para a sua própria pergunta. ❛❛ Grana não vai ser problema quando sairmos, só vai ter que resolver sobre o tempo. ❜❜ Resumiu o que, de certa forma, também seria sua realidade. Precisava trabalhar dobrado para mostrar ao pai que merecia a vaga na empresa tanto quanto os irmãos, e a vontade de sair de lá e buscar voos mais altos a fazia focar muito no trabalho também. Abriu um sorriso largo, típico de Lorelei, quando ouviu a confirmação de que ele dormiria com ela na casa da árvore. Apesar de quase sempre ter segundas intenções com as pessoas, ela não se importaria nem um pouco de apenas dormirem juntos. Às vezes, tudo o que precisava era um pouco de chamego, e ele já havia dito gostar de ser essa pessoa. Além de já terem dormido juntos, com Callie próximo a eles, e agora era sua oportunidade de ver se a conchinha do texano era tão boa quanto parecia. Segurou em sua mão e se levantou, puxando-o de leve para irem até lá. Não se importou se alguém os veria, não era ela quem tinha algo a esconder, mas até que ele fizesse o contrário, caminhou com os dedos entrelaçados aos dele até a casa da árvore. ❛❛ Você disse que trabalha com TI, e gosta do que faz, mas… Pensa em trocar de emprego quando sair daqui? Quais seriam suas opções? ❜❜ Retomou o assunto, a curiosidade lhe atingindo enquanto aproveitava os últimos minutos de conversa, já que o sono começava a lhe abater, e sabia que dormiria logo que chegassem ao local de destino, acabaria dormindo rapidamente.