única coisa que peço agora é sentir meu cérebro... Sou um homem que já sofreu demais com o espírito. Eu só espero que meu cérebro mude e que suas gavetas superiores se abram
Antonin Artaud, 1924

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única coisa que peço agora é sentir meu cérebro... Sou um homem que já sofreu demais com o espírito. Eu só espero que meu cérebro mude e que suas gavetas superiores se abram
Antonin Artaud, 1924

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Seria talvez necessário dizer também que fazer amor é sentir o corpo refluir sobre si, é existir, enfim, fora de toda utopia, com toda densidade, entre as mãos do outro. Sob os dedos do outro que nos percorrem, todas as partes invisíveis de nosso corpo põem-se a existir, contra os lábios do outro os nossos se tornam sensíveis, diante de seus olhos semicerrados, nosso rosto adquire uma certeza, existe um olhar, enfim, para ver nossas pálpebras fechadas. O amor, também ele, como o espelho e como a morte, sereniza a utopia de nosso corpo, silencia-a, acalma-a, fecha-a como se numa caixa, tranca-a e a sela. É por isso que ele é parente tão próximo da ilusão do espelho e da ameaça da morte; e se, apesar dessas duas figuras perigosas que o cercam, amamos tanto fazer amor, é porque no amor o corpo está aqui.
Michel Foucault, Corpo Utópico
Meu corpo é o contrário de uma utopia, é o que jamais se encontra sob outro céu, lugar absoluto, pequeno fragmento de espaço com o qual, no sentido absoluto, faço corpo
Foucault, O corpo utópico, as heterotopias
Diary of a Lost Girl (G.W. Pabst, 1929)
Funeral Parade of Roses (1969), Toshio Matsumoto

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A todos os que pretendem ainda falar do homem, de seu reino ou de sua liberação, a todos os que formulam ainda questões sobre o que é o homem em sua essência, a todos os que pretendem partir dele para ter acesso à verdade, a todos os que, em contrapartida, reconduzem todo conhecimento às verdades do próprio homem, a todos os que não querem formalizar sem antropologizar, que não querem mitologizar sem desmistificar, que não querem pensar sem imediatamente pensar que é o homem quem pensa, a todas essas formas de reflexão canhestras e distorcidas, só se pode opor um riso filosófico — isto é, de certo modo, silencioso.
As Palavras e as Coisas (Michel Foucault)
Sertânia, 2020, Geraldo Sarno
De agora em diante, senhores filósofos, guardemo-nos bem contra a antiga e perigosa fábula conceitual que estabelece um “puro sujeito do conhecimento, isento de vontade, alheio à dor e ao tempo”, guardemo-nos dos tentáculos de conceitos contraditórios como “razão pura”, “espiritualidade absoluta”, “conhecimento em si”; — tudo isso pede que se imagine um olho que não pode absolutamente ser imaginado, um olho voltado para nenhuma direção, no qual as forças ativas e interpretativas, as que fazem com que ver seja ver-algo, devem estar imobilizadas, ausentes; exige-se do olho, portanto, algo absurdo e sem sentido. Existe apenas uma visão perspectiva, apenas um “conhecer” perspectivo; e quanto mais afetos permitirmos falar sobre uma coisa, quanto mais olhos, diferentes olhos, soubermos utilizar para essa coisa, tanto mais completo será nosso “conceito” dela, nossa “objetividade”. Mas eliminar a vontade inteiramente, suspender os afetos todos sem exceção, supondo que o conseguíssemos: como? não seria castrar o intelecto?
Genealogia da Moral, Friedrich Nietzsche
( Ninotchka, 1939), Ernst Lubitsch
Central do Brasil (1998), Walter Salles

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Central do Brasil (1998, Walter Salles)
A inércia restauradora do sono se coloca contra a letalidade de toda a acumulação, a financeirização e o desperdício que devastaram tudo aquilo que costumava ser de domínio comum. Agora existe apenas um sonho, que supera todos os outros: o de um mundo compartilhado cujo destino não é terminal, um mundo sem bilionários, que tem um outro futuro que não a barbárie do pós-humano, e no qual a história pode assumir outras formas além dos pesadelos reificados da catástrofe. Talvez — em muitos lugares diferentes, em muitos estados disparatados, inclusive na fantasia e no devaneio — a imaginação de um futuro sem capitalismo comece como um sonho. Seriam insinuações do sonho como interrupção radical, como recusa do peso impiedoso do nosso presente global, do sono que, no nível mais mundano da experiência cotidiana, pode sempre esboçar os contornos de renovações e começos mais plenos de consequências. ==========
Jonathan Crary , 24/7: Capitalismo tardio e os fins do sono
Goodbye, Helios. By James R Eads
PARA FORA DE SI Eu existo, mas não me possuo. Só por isso chegamos a existir. O "existo" é interior. Todo interior é em si mesmo sombrio. Para ver a si mesmo e, ainda, o que está à sua volta, ele deve sair de si.
Ernst Bloch
Re-Animator (1985), Stuart Gordon

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Re-Animator (1985), Stuart Gordon
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