Conselho: Verena devia começar a evitar os lugares onde Albert era recorrentemente encontrado. Hipótese: os dois simplesmente não conseguiam se ver separados, esbarrando-se pelos corredores constantemente, em que pese a italiana fugisse do moreno há algum tempo. Realidade: Nena tinha um ímã para problemas incrustado no colar de pingente de safira que usava e, até aquela Sexta, Hakon tinha sido seu príncipe mal-arrumado mais recorrente, livrando-a de conversas ruins e de situações como aquelas. Fato: ele deixara de ser seu príncipe há muito tempo, tornando-se seu vilão particular. “EI!” Gritou assim que sentiu as mechas claras emoldurarem o rosto, revelando quem era para todos os presentes, para então efetivamente ver de quem se tratava, olhos semicerrados em irritação. “Ora, seu…” Sibilou. Vero, ela já estava acostumada a vê-lo naquele estado, e parte de sua mente registrou o fato de estar só de toalha, mas Verena foi tomada pela cólera, ignorando o pulsar rápido do coração contra o peito ao se aproximar bruscamente de Hakon, tentando recuperar o boné. “Eu disse que nunca ia te perdoar por aquilo, mas, Hesse, isso é muito pior!” Reclamou entredentes, ciente de que a lateral do rosto estava grudada ao tórax úmido do finlandês e que havia uma plateia atrás deles enquanto se punha na ponta dos dedos para tentar alcançar o objeto de uma forma melhor. E então… A face de Verena se iluminou, e ela bloqueou a parte de seu cérebro que dizia para simplesmente correr. Levantando o olhar em um arquear de sobrancelhas, Verena foi rápida o suficiente para que Hesse não notasse o posicionamento certeiro dos pés até que fosse tarde demais, abaixando a mão até a linha da toalha porcamente amarrada. Tentador, não? Não era nada demais, e seria apenas mais uma das vezes que… Ela podia muito bem olhar para— Não! Ele iria perceber. Com alguma sorte, depois da rasteira, recuperaria o boné e poderia fingir que nada daquilo tinha acontecido, vero? Ela ainda não havia o perdoado. “Non so di cosa stai parlando. ¹” Replicou ao repuxar o canto dos lábios para baixo, sentindo a ânsia ao sentir os dígitos dele contra o corpo, olhos cerrados à medida em que começava a suar frio. Só uma pessoa podia tocar na cicatriz, e não era Hakon. Perto demais. A respiração se entrecortou, mas Verena teve presença de espírito o suficiente para puxar a toalha após posicionar a mão no lugar certo. Ora, era agora, ou nunca! Deu a rasteira, emaranhando as pernas, até que… Bene, Nena devia ter pensado naquilo melhor. Por um momento, Verena viu estrelas, e a nuca doeu mais do que deveria ao bater contra o piso frio do chão, com Hak acima dela. Pânico preencheu os pulmões da italiana, então, e ela conseguia sentir as lágrimas grossas emoldurarem os olhos. Não devia ser assim. Non, non, NON! Com os punhos cerrados, Nena fez de tudo para que se afastassem, arregalando os olhos antes de cerrá-los, tentando esmurrar Hakon para que ele saísse de cima dela. “Cazzo! Lasciatemi andare! ²”
Não havia dúvidas que retirar o boné de sua cabeça havia a deixado bastante irritada, como se já não fosse possível reconhecer que não se tratava de um garoto. Hak estava verdadeiramente intrigado sobre o porquê de Verena estar ali e não se arrependia de ter estragado o dito “disfarce”, até porque essa era a única forma de impedir outra de suas loucuras – fosse o que fosse, não devia ser coisa boa e aquele não era lugar para uma lady. ‘ Muito pior? ’ desdenhou, abrindo um sorriso mínimo enquanto mantinha o chapéu longe de seu alcance. Havia se preocupado sobre ter ferido a garota na Primeira Sexta, mas ali estava uma boa carga de dramaticidade da parte dela, uma que o príncipe estava aprendendo a ignorar. Se levasse tudo a sério, ficaria louco com as reclamações da outra. Além disso, ela parecia ter desenvolvido interesse especial em antagonizá-lo sem motivo algum. O Hesse tanto achou que ela insistiria naquela estratégia falha pelo resto do dia, apenas por orgulho, que não percebeu a virada repentina, sentindo os dedos femininos resvalarem até a linha de sua toalha tarde demais. Mesmo quando levou a própria mão, de forma desajeitada, para segurar o tecido, não conseguiu impedir que escapasse, sendo imediatamente exposto. Porém, não passava de distração, já que com isso a mais baixa pode ser bem sucedida na tarefa de fazer com que ele escorregasse no piso molhado, levando-a consigo. ‘ Argh ’ grunhiu com o impacto dos joelhos no chão, irritando com Verena por ter tentado a rasteira. ‘ Qual o seu problema? ’ reclamou ‘ Era só a droga de um boné ’ levantou-se para se apoiar nas mãos espalmadas dos dois lados da italiana, temendo tê-la esmagado na queda. O que diria ela se Albert, agora, lhe quebrasse um osso? Nada estava tão ruim que não pudesse piorar. Provavelmente, naquele momento, todos os colegas de vestiário acompanhavam a cena, e mesmo tendo acabado de dizer para que se vestissem, agora era ele quem passava vergonha, sentindo a coloração azulada migrar para seu pescoço. Graças a Brunelleschi. Ele devia ficar bravo com ela, não fosse o choro. Havia escutado o baque de sua cabeça no piso: mais uma para sua conta. Em razão disso, rolou para o lado, jogando a toalha parcamente sobre a virilha antes de se voltar novamente para a princesa. ‘ Quantos dedos tem aqui? ’ ergueu uma mão com três a frente dos olhos claros, ainda sem mexer com o corpo alheio. Temia que uma virada brusca pudesse causar sintomas mais graves, mesmo sabendo que precisava tirá-la dali. ‘ Acha que consegue se levantar? ’