VINHA SUSTENTANDO A MESMA POSTURA desde que Candice dele se aproximara pela primeira vez. A convivência na corte finlandesa nem de perto se assemelhava à exposição vivida em Hyacinthum, de modo que ele estava vendo e entendendo a morena somente agora, o que podia ter a ver, também, com sua completa desatenção no tocante a certos assuntos enquanto estava fora da ilha. Ele não tivera motivos, na época, para reparar na irmã mais nova de Joan, nem para bem, nem para mal. As coisas que supostamente diziam a respeito dela não chegavam aos ouvidos do Hesse. O que ele sabia era o que ele via, e tirara suas conclusões com base nisso, conclusões estas que eram quase indulgentes em alguns momentos. Não queria que ela o visse como um vilão, alguém que estivesse lá para julgá-la, e isso acabou dando abertura para que chegasse até ali, contra a vontade de Albert, que fizera o possível para alertar a mais nova de que devia se manter longe. E quando ela deixava estampado no rosto que ele era o causador de certo tipo de dor, decorrente de uma rejeição imaginária, o finlandês se odiava. ‘ Não, você é… Não é nada ruim ’ há dias que ele vinha a encarando, contra a vontade, reparando em traços, curvas até então não vistas, em como os olhos dela eram de um azul diferente a depender da luz. Naquele momento, pareciam ter sido ressaltados pela ausência de maquiagem, e o príncipe deu-se conta de que ela não trazia os cosméticos na cor azul habitual, mas havia deixado o rosto ao natural, lábios e bochechas em tons avermelhados que faziam com que sentisse o ímpeto de tocar. Foi choque que ocupou as feições do príncipe, contudo, quando ele ouviu a frase seguinte. Seria assim tão errado se deixar levar? Especialmente depois das últimas semanas, em que tudo o que precisava era um pouco de conforto? Em seu íntimo, sabia que era errado submeter a Rosberg a isso, mas ela fazia parecer que a machucaria menos se fizesse o que ela pedia. Entretanto, depois que visse quem ele era, teria desejado o contrário. ‘ Não sabe o que está pedindo… ’ que era quase um depois não diga que não avisei. Cerrou os dentes, uma das mãos subindo até a parte de trás do pescoço da vermelha devagar, puxando-a para perto pela barra da regata, antes de virar o corpo para que caíssem em sua cama. ‘ Você é impossível, Candice Rosberg ’
❥ 〰 ❛ Ela sabia que era loucura se aproximar do príncipe, desde o começo. Suas ações até podiam ter se iniciado motivados por uma curiosidade ao saber como ele realmente era longe de Joan, talvez porque se ele era capaz de amar sua irmã, uma vermelha, ele também pudesse gostar dela. Mas ele era honrado demais para dar uma chance a irmã mais nova da ex amante, era respeitoso demais para vê-lo com outros olhos dado a sua tenra idade, era responsável demais para se permitir ir em frente com qualquer coisa que pudesse prejudicar seu título. Depois que eles interagiram algumas vezes, ele se esforçava tanto em afastá-la que passou a se tratar de um desafio, afinal ela não estava acostumada a escutar rejeição atrás de rejeição. No entanto, ele não saia de sua cabeça. Era insano. Mas quando ela precisou escapar dos problemas foi a ele que ela recorreu. A verdade é que Hakon tinha todos os motivos para mandá-la embora, e no fundo, apesar do medo de ter que voltar sozinha para o quarto cheio de fantasmas de pessoas que ela nem conhecia, ela sabia que ir até lá era um tiro no escuro. Ele ter reconhecido que ela não era ruim, podia parecer pouco, mas já era mais do que ele havia dado a ela. Candice sentia um desespero ilógico, uma necessidade de que ele a quisesse também que ela se sentia em pânico com a mera possibilidade dele a mandar embora, tanto que ela não teve qualquer pudor em implorar. Então ela se aproximou ainda mais, as mãos tocando o rosto dele enquanto ela o assistia vacilar entre ceder aos seus pedidos e manter-se impassível diante de suas investidas. --- --- Então me mostra... --- --- Ela era uma aluna aplicada e ele podia não iria se arrepender de dar a ela uma chance, ou um momento que fosse. Quando ele a puxou, jogando-a na cama, ela por um momento se sentiu atordoada, que ela arfou quando as costas se chocaram com o colchão. Aquilo estava acontecendo. Ela apertou o couro cabeludo do príncipe entre os dedos, sentindo a barba por fazer em seu rosto e sim, ela soube que era real. Um sorriso de satisfação foi reprimido por uma mordida em seus lábios, e ela ajeitou as pernas, de modo a passar a coxa pelo quadril alheio. Os dedos acariciaram a pele clara do pescoço, fazendo um caminho até que o dedão pudesse sentir os lábios quentes e arroxeados entre os dígitos. --- --- Você não viu nada ainda. --- --- Ela riu, tomando os lábios dele com os seus, arqueando levemente as costas para cima, puxando-o pela camisa em busca de mais contato.