❛ ↬ ALL I ASK OF YOU. )
— “With you and I defying gravity, they'll never bring us down.”
Alguns dias haviam se passado desde a notícia de que Davina Rosário havia sido comprada pelo governador — seu pai, surpreendentemente — e libertada do noivado com Jacob. E, sim, ele havia prometido que faria uma proposta oficial a Amelia no momento em que conseguisse quebrar o compromisso, no entanto, precisou de algum tempo para finalizar sua pesquisa. Como já mencionado, acreditava piamente que todas as mulheres sonhavam com um pedido de casamento grandioso e não desejava ficar abaixo das expectativas de Amelia. Quando finalmente terminou o presente que falaria muito mais do que seus lábios conseguiriam dizer, procurou-a, com a aliança já em seu bolso. “Amelia” cumprimentou, sorridente, ao se sentar ao lado dela. “Me desculpe por não tê-la visto nos últimos dias, estive... ocupado. Enfim, tenho um presente para você.” No exato momento em que estendeu o livro para a Obsidiana — pobremente costurado pelo próprio Jacob, todo escrito em sua caligrafia —, uma onda de insegurança o atingiu. Já haviam conversado sobre o que sentiam um pelo outro, sabia que Amelia estava disposta a se casar com ele, no entanto, aquela proposta tratava-se de muito mais do que um casamento. Oferecia um futuro, uma vida de planos compartilhados, algo palpável. “Pode abrir” pediu, ansioso para analisar as reações dela. Conforme as páginas eram viradas, Jacob se lembrava do trabalho que havia tido para reunir aquelas informações. Tratava-se de um compilado de projetos para os anos seguintes. No início, uma estimativa bem calculada de quanto ouro restaria à família Walford no retorno a Osfro, acompanhada das despesas imediatas: uma nova casa com quartos suficientes para os Rousseau, mais criados, gastos com necessidades básicas e a matrícula dos irmãos de Amelia em uma escola de qualidade. Assim como esperava antes mesmo de recorrer à matemática, o acréscimo de quatro pessoas, incluindo três crianças, na família diminuiria o tesouro dos Walford; entretanto, havia um plano nas páginas seguintes. Jacob venderia metade das fazendas que possuía, já que não lucrava tanto com a pecuária nos últimos tempos, e estimava encerrar seu projeto de armazenamento de eletricidade em cerca de um ano. Com isso, abriria a mão da pesquisa, que tanto limitava seu tempo. Precisava — queria — se dedicar à família que construiria com Amelia. Além disso, tinha outro ofício em mente. A última parte do livro detalhava os investimentos necessários para fundar uma escola, com estimativas de preços de construções, móveis e materiais necessários, além das licenças requeridas pelo estado e salários de funcionários. Contudo, aquele não seria um colégio qualquer. O balanço completo de entrada e saída de dinheiro vinha acompanhado de uma proposta de bolsas para quarenta por cento dos estudantes, que poderiam estudar sem pagar a cara mensalidade de uma escola conceituada. Na última página, um desenho — feito por terceiros, claro — de como poderia ser o prédio principal, com o nome escrito na fachada: Instituto Amelia Walford. Àquela altura, o coração de Jacob parecia prestes a sair de sua boca, ainda assim, esforçou-se para continuar o pedido antes que a Obsidiana pudesse dizer algo. “Amelia...” Ele se levantou do sofá para ajoelhar-se, tirando a aliança de seu bolso. “Eu não sou bom com sentimentos, talvez você tenha percebido. Mal conhecia essa parte de mim antes de ter você em minha vida, tenho muito a aprender e só posso pedir que tenha paciência se desejar me ensinar. Demorei a perceber que estava apaixonado, mesmo que meu coração tenha sido roubado no momento em que nos conhecemos. E...” Jacob sentia sua mãos suarem pelo nervosismo. Respirou fundo e ajeitou a gola de sua camisa antes de continuar. “Eu amo você, Amelia, de uma forma que eu nunca pensei que fosse possível amar alguém. Tudo que eu peço é que me aceite como seu esposo, não pelo dinheiro que tenho, não pela vida que eu posso oferecer, mas sim pela vida que eu quero te dar. Não posso prometer que vou conseguir realizar todos os seus sonhos, mas prometo fazer tudo em meu alcance para te fazer feliz. Então... Você aceita se casar comigo?”
Citada: @ameliarcs












