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cellxenas:
Sua mente e sua visão não viam nada ao seu redor, estava totalmente focada à sua frente, naquela maldita branquidão por conta da neve e aquilo só lhe deixava cada vez mais atordoada e com vontade de pular aquela maldita janela a qual estava recostada. Só voltou sua atenção ao que acontecia ao seu redor ao escutar a voz doce de Amelia e quase, mas só quase, lhe direcionar um sorriso. “Três dias? Ah minha querida, Ame.. Três dias são mais do que posso aguentar trancafiada num lugar enorme como esse. Não haverá muito o que fazer por aqui além de agir como uma garota que gosta de jogos de tabuleiro ou seja lá o que for aquilo ou até mesmo leitura. Eu quero poder ter a sensação de liberdade e não vou conseguir isso por três dias.” Um suspiro pesado lhe escapou conforme o olhar desviava da loira para o lado de fora. Cellaena balançou a cabeça para os lados antes de se entregar para aquela sugestão da garota. Ou era aquilo ou pular a janela sem qualquer hesitação. “Okay. Espero que o que esteja indo fazer seja algo bom, se não eu volto pra pular essa janela e não vai ter neve e hipotermia que vai me impedir de sair daqui.”
Amelia era compreensiva com a situação alheia. Realmente a entendia, mas acreditava que se a jóia ficasse pensando daquela maneira mais difícil seria para suportar aqueles dias. “Encontrará maneiras de se distrair, Cellaena. Basta que não fique pensando nisso e em um piscar de olhos poderá ir para fora fazer o que quiser.” Sorriu de maneira confiante. Talvez fosse a única das jóias a olhar a situação daquela maneira, já que Cellaena não fora a primeira que vira reclamando sobre. Mas, em sua concepção, era preciso aceitar os fatos de que não poderiam sair da fazenda e ocupar seu tempo com outra coisa que fosse reclamar do acontecido. Soltou um riso fraco com o aviso que recebeu da Topázio e passou seu braço para entrelaçar com o da negra, assim andando junto da mesma até a cozinha. “Prometo que vou cozinhar algo que vai agradar. Ou ao menos, me esforçar para que fique bom.” Deu de ombros. “Ainda não decidi a receita. Tem alguma coisa que você esteja com saudades de comer?” Se não soubesse a receita decorada, poderia procurar por livros de culinária que a ajudassem. Ao menos deixaria Cellaena um pouco mais animada.
Dentre todos os lugares disponíveis para se estar dentro do casarão, o primeiro lugar que Roxanne procurou por @ameliarcs foi o ateliê de costura. Já tinha ido até o local algumas vezes, não só para acompanhar a amiga, mas também para tentar aprender mais algumas coisas com ela e sabia o quanto lá poderia ser aconchegante, até mesmo no frio que passavam. Os passos eram firmes e certeiros em direção a sala aonde não foi preciso muito para encontrar as madeixas loiras caídas em cima de uma máquina. “Lia, você não vai acreditar!” Suas palavras saíram um pouco mais alto do que desejava, atraindo alguns olhares de outras jóias e até mesmo funcionários que estavam ali trabalhando. “Perdão.” Murmurou algumass vezes para se desculpar enquanto se aproximava de onde a amiga estava. “Oi. Você não sabe quem está aqui.” Informou, os olhos brilhando de animação. Já havia um tempo que estava querendo colocar o papo em dia com a obsidiana mas não vinha conseguido fazer. “Meu irmão!” Finalmente disse, batendo palmas rapidamente. “Eu não entendi muito bem como, mas ele agora tem dinheiro e veio até aqui buscar uma esposa. Isso não é maravilhoso? Agora vou poder ficar perto dele até tudo isso acabar.”
Amelia superou fácil o fato de precisar ficar presa dentro da casa enquanto a nevasca acontecia. Sempre encontrava alguma coisa para fazer. Fosse estudar ou cozinhar. Naquela tarde, por exemplo, resolveu que iria terminar alguns detalhes das peças de roupa que enviaria de presente aos seus irmãos junto com sua carta. A loira costurava a alguns minutos de maneira concentrada para não acabar se machucando novamente quando ouviu a exclamação da melhor amiga. Não precisou de mais do que as primeiras palavras para reconhecer a amiga e por tal desligou a máquina e ergueu o rosto para a outra. Roxanne parecia mais animada do que nunca. “Quem?” Franziu o cenho, tentando se recordar de alguma face diferente dentro da fazenda. Antes que pudesse perguntar, Roxie lhe respondeu. “É mesmo?!” Ergueu as sobrancelhas em surpresa. Não conseguiu evitar também sorrir com a felicidade alheia. A sua melhor amiga estava claramente animada com a presença do mais velho e não poderia ser diferente. Deveria ser bom ter uma parte da família por perto. “É maravilhoso sim! Estou feliz por você Roxie.” Estendeu suas mãos a apertou as da amiga levemente. “Eu vou adorar conhecê-lo. Como se chama mesmo?” A amiga já havia comentado sobre ele, mas Amelia não recordava-se de detalhes.
walfcrd:
Poesia era o gênero preterido de Jacob, que tinha certa dificuldade em entender o que se passava com o eu lírico, mesmo com uma boa educação. Compreendia figuras de linguagem e sabia diferenciar escolas literárias, poucas eram as palavras cujo significado não conhecia, porém muitos poemas eram carregados de sentimentos e metáforas sem sentido àqueles que não tinham muito contato com o lado emocional. O físico era uma dessas pessoas. Mesmo após envolver-se com Amelia e sentir coisas que imaginava nunca ser possível, continuava com seu lado emocional imaturo. Durante a leitura, concentrava-se mais nos movimentos dos lábios da Obsidiana e no som doce de sua voz do que nas palavras em si. Parecia ter se tornado subitamente um ignorante, como se conversassem em um idioma desconhecido. Céus! Era assim que Amelia se sentia quando ouvia suas explicações sobre a ciência por trás dos astros que ela tanto admirava? Jacob não gostava tanto de estar naquela posição, mas sabia que era importante tentar ver o mundo pela perspectiva de sua provável futura esposa. De fato, via as estrelas de modo diferente desde que a conhecera, contudo, supunha que o motivo era a afinidade de Amelia por elas, não o amor. Se tivesse se apaixonado por Laoghaire, por exemplo, teria uma visão diferente de árvores ou algo assim. E então a explicação esclareceu: o personagem conversava com estrelas. Aquilo sim era… atípico. Jacob esforçou-se por alguns segundos, fitando as chamas da lareira, para tentar dizer algo romântico ou ao menos inteligente, como imaginava que era esperado dele. Não conseguiu. Estava fora de sua zona de conforto. “Eu tenho quase certeza de que conversei com estrelas no dia de Vaiel. Tem certeza de que o eu lírico não ingeriu um pouco de slush?” Conforme as palavras saíam de sua boca, percebia o quão rude poderia ter soado, apesar do sorriso bem humorado em seu rosto. Como interesse amoroso, Jacob era um excelente professor de ciências. Virou-se para Amelia, constrangido. “Desculpe. É um poema bonito.” Acho? “Não estou tão acostumado a esse gênero, mas é bom ouvi-la ler o que gosta.”
Amelia sorriu de canto compreensiva com a reposta que recebeu. Não era difícil notar que Jacob não entendia tão bem poesia. Ao menos, não entendia as metáforas e sentimentos por trás das palavras. Ela entendia que o comprador era um homem que gostava das coisas exatas e literais. Talvez agir pelo coração fosse algo que ela pudesse lhe ensinar para compensar tudo que fazia. "Não tem problema, Jake." Ela respondeu, negando com a cabeça uma vez para mostrar que não havia se importado com a resposta alheia. "Eu entendo que não é fácil compreender em um primeiro momento. Também não fiz e não são todos as poesias que eu entendo fácil." Ainda que preferisse ficar analisando a beleza alheia, voltou seus olhos para o livro. Iria explicar o que entendera a sua maneira e também ficasse mais fácil para que ele compreendesse. "Ora (direis) ouvir estrelas! Certo perdeste o senso! Aqui, ele está sendo acusado por dizer ouvir as estrelas. E eu vos direi, no entanto, que, para ouvi-las, muita vez desperto e abro as janelas, pálido de espanto... Ele não se importa com isso e ainda afirma abrir as janelas para poder ouvir melhor." Não sabia se estaria ajudando em alguma coisa, afinal não considerava-se tão boa com explicações como Jacob era. Ele não precisava falar muito para fazer Amelia entender suas explicações. "E conversamos toda a noite, enquanto a Via Láctea, como um pálio aberto, cintila. De primeiro momento eu não compreendi essa parte." Admitiu voltando a encarar Jacob enquanto falava. "Não sabia o significava pálio e o que ele poderia ter a ver com o que o autor sentia, mas eu pesquisei e descobri que seria uma capa. O céu estaria protegendo ele como um pálio aberto." Sorriu e voltou sua atenção ao texto. Começava a empolgar-se com a explicação. "E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto. Aqui fica claro a tristeza quando nasce o sol e se torna impossível vê-las. Ele não teria a oportunidade de expor seus sentimentos. E então passamos para mais uma acusação do interlocutor e ele finaliza com os versos que afirma apenas precisar amar para entendê-las. Defende a importância de expor seus sentimentos. Aqui o ponto foi a conversa com estrelas mas, acho que poderia ser qualquer outra coisa inusitada." Deixou a leitura de lado e novamente virou-se na direção de Jacob. "Ele sente tanto que desconecta-se da realidade para expor o que está sentindo e se o outro também amasse, poderia fazer o mesmo." Antes de conhecer o comprador talvez ela não tivesse se conectado tanto, mas agora ela compreendia, pois muitas vezes sentia-se fora da realidade quando estavam juntos. "Foi como... Quando conheci você." Sorriu sincera para Walford. Passara tanto tempo preferindo não dizer em voz alta seus sentimentos. Agora ela não queria perder as oportunidades que tinha. "Eu poderia conversar com as estrelas naquele momento." Poderia conversar com as estrelas ali mesmo. “Você nunca sentiu Jake, como se estivesse fora da realidade e naquele instante tudo fosse possível?”
princessavannah:
Após suas cartas terem sido enviadas, a princesa encontrava-se até mais leve para andar pelo casarão, afinal, cumprira o próprio dever. Entretanto, quando se não podia sair do ambiente na qual fora aprisionada diante da neve que cobria o exterior, viu-se procurando algo a se fazer. Aparentemente, boa parte dos integrantes da Corte encontrava-se ocupados em seus aposentos e, diante da impossibilidade de saída, algumas joias e compradores interagiam dentro de Wisteria. Veja: Nanna, de fato, queria interferir em algum encontro, mas sutilezas eram essenciais nestes momentos. Benningfield acabou entrando em uma sala que acreditou inabitada, mas não fora rápida o bastante para sair antes que a presença fosse notada. “Ah, oi!” O cumprimento retribuía o sorriso amigável da outra. “Suas cartas? Para quem está escrevendo?” Nanna, então, tomou a liberdade de invadir o espaço alheio, tomando o assento ao lado da joia.
Levou seus olhos para a mesa onde havia acabado de jogar o livro para evitar que vissem que escrevia as cartas, só então notando que não tivera muito sucesso em sua tentativa. Voltou-se para Savannah e não viu outra alternativa a não ser assentir com a cabeça. “Sim... Estou escrevendo para os meus irmãos.” Para quem mais ela o faria, certo? Eram os únicos a quem se importava fora dali. “Faz um tempo que não conto as novidades e sei que eles ficam esperando pelas minhas cartas.” Podia visualizar a expressão dos meninos quando a carta chegasse as suas mãos e os mais novos aguardando que Caleb fizesse a leitura em voz alta. “Também pretendo enviar alguns presentes. Eles sempre quiseram ganhar alguma coisa de Dia de Vaiel. Comprei um dos desenhos arquitetônicos da sua irmã durante a feita de artesanato e também costurei algumas roupas nos tamanhos deles.” Explicou, deixando um sorriso aparecer em seus lábios no fim. Achava que eles ficariam felizes com as lembranças. “Já escreveu as suas?”

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kasecmg:
Ao erguer o olhar dos sapatos e roupas encharcados, Kase percebeu que falava com Amelia, comprimindo os lábios, temendo ter soado grosseiro. “Não é preciso, senhorita Rousseau. Eu me viro” olhou ao redor em busca de um dos criados de Wisteria Hollow, não vendo ninguém. Andar pela casa até a ala dos compradores naquele estado poderia ser pior para quem fosse responsável pela limpeza, mas se fosse a única alternativa, ele teria de fazê-lo. Para quem não tivera criados durante toda uma vida, ele estava muito mal acostumado. “Tudo isso?”, perguntou, alargando o sorriso, assim que ouviu o que Amelia planejava fazer. Sabia que isso não era algo que ensinavam em Blue Spring Manor, já que não eram todas as joias que se mostravam dispostas a servir. Ele vinha encontrando dificuldades com a maioria justamente por conta do temperamento difícil, traços que não serviam a uma boa esposa. “Estou preocupado em aceitar e senhorita se ofender mais tarde. Sei que não está aqui para fazer minhas vontades” apesar de isso não ser de todo ruim. Não diria isso em voz alta, contudo, já que sempre era repreendido sem motivo. “Não sabia que tinha talento para a cozinha também” elevou as sobrancelhas, pensando que não devia haver muita coisa que a outra não soubesse fazer. Se havia algo em seu desfavor, era a curiosidade. Cartwell gostaria de manter a Obsidiana de fora de suas maquinações. “Ah, sim, precisava ver com meus próprios olhos, you know” falou, rindo na sequência. “Quem esperaria por algo assim? Vamos ter de ser criativos enquanto ficamos presos aqui”
“Tem certeza? Não parece ter nenhum funcionário por perto para ajudar.” Levou seus olhos ao redor para fazer a confirmação do que dizia, antes de voltar-se ao comprador. Soltou um riso fraco com a fala alheia, antes de negar com a cabeça. “Não vejo isso como estar fazendo suas vontades, senhor. Estou apenas ajudando. Uma gentileza que faria para qualquer um.” Sorriu de maneira discreta. Amelia realmente faria para qualquer pessoa que estivesse na mesma situação de Cartwell e teria feito aquelas reclamações. “Não sei se cozinho tão bem para considerar um talento, mas eu gosto de fazer. Aprendi cedo para ajudar minha mãe em casa, então...” Deu de ombros. Nada do que fazia era considerado algo grande para si mesma. Acompanhou a risada alheia, assentindo com a cabeça. Realmente fora uma surpresa para todos ali. “Ninguém estava esperando, de fato. Já vi grande parte das meninas reclamando sobre não podermos sair.” Amelia talvez fosse a única que tinha entendido os motivos para precisarem ficar ali dentro. “Exatamente por isso estou me oferecendo para fazer o seu fondue. Será uma boa forma de passar as próximas horas.” Sorriu para o comprador de maneira a deixá-lo tranquilo quanto as suas sugestões. Faria porque estava com vontade. “Espere um momento que vou pegar a toalha.” A loira apressou-se em seguir o corredor ao lado até o banheiro social daquele andar. Ao que lembrava-se, as funcionárias colocavam toalhas limpas em um armário abaixo da pia. Assim que encontrou-as, pegou uma e levou-a até o comprador. “Aqui.” Estendeu a toalha para Kase e aguardou. “O senhor quer me acompanhar até a cozinha? Ou prefere que eu o chame quando ficar pronto?”
Acreditar por um segundo que as coisas poderiam acontecer de maneira fácil a partir dali fora a pior coisa que Amelia poderia ter feito. Esteve vivendo um conto de fadas nos últimos dias desde que Jacob afirmara que a amava e estava disposto a fazer a proposta, mas então a notícia de que os preços das jóias haviam aumentado chegaram aos ouvidos de todos. Rousseau não fazia ideia da quantidade de dinheiro que @walfcrd tinha e também não estivera pensando no assunto até aquele dia. Torcia intimamente para que fosse o suficiente para o seu novo preço, pois apenas o pensamento do comprador dando o lance em outra ou ela sendo obrigada a desistir dele, a deixava angustiada e assustada. Estava envolvida demais para algo do tipo. Ao menos os dois ainda tinham o encontro para se distraírem. Aquela não fora a primeira opção, mas não estavam esperando pela nevasca repentina que os impedia de saírem da fazenda. Amelia estava satisfeita, no entanto. O importante para ela era estar na presença de Jacob o quanto pudesse, já que começava a sentir uma necessidade estranha tê-lo por perto. “[...] E conversamos toda a noite, enquanto a via-láctea, como um pálio aberto, cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto [...]” Em frente a lareira, os dois sentaram-se em um dos sofás da sala. Amelia tinha um livro no colo e a fazia a leitura do mesmo em voz alta, dando entonação nos momentos necessários, da melhor forma que conseguia. Uma ou outra palavra ainda escapava dos conhecimentos alheios, mas acreditava que estivesse sendo possível entender. Até então, a loira mantinha uma distância educada do comprador, mas resolveu movimentar-se um pouco para o lado para ficar mais perto. Seu corpo esquentava apenas por aquela pequena ação, mas era uma sensação boa. “[...] Direis agora: “Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido tem o que dizem, quando estão contigo? E eu vos direi: “Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender estrelas.” E a loira finalizou a poesia em questão. Lembrou-se de que na primeira vez em que conversaram, havia prometido à Jacob mostrá-lo outros poemas que usavam estrelas, astros e outros termos da astronomia como metáforas. “Bonito, não acha?” Desviou os olhos das palavras e direcionou-os a face do comprador. Pela proximidade que agora estavam observava-o de perto com carinho, sem conseguir evitar os pensamentos de que este ficava ainda mais bonito sendo iluminado pela luz das chamas. “Creio que seja uma interpretação subjetiva, mas para mim o sentimento do autor era tamanho, que ele não conseguia importar-se em ser interrogado por sua capacidade de conversar com as estrelas.”
Kase estava quase tendo calafrios, e não era devido às temperaturas do lado de fora. Desde que a notícia de que o preço das joias aumentara o moreno vinha se perguntando o que faria. A quantia de trezentas peças de ouro guardada não era suficiente para cobrir o preço nem mesmo da joia mais acessível, porém, o militar não queria passar pelo vexame de sair da fazenda sem ninguém por falta de fundos. Por fora, no entanto, não demonstrava preocupação, embora ficar preso dentro da mansão, sem que pudesse ir até Cape Triumph arrumar algum ouro fizesse com que ficasse impaciente. “Eles ao menos deviam preparar fondue enquanto esperamos” falou ao retornar para dentro, após ter saído para analisar as estradas. Uma péssima ideia. “Ótimo. Consegui encharcar minhas botas. Vai ficar aí paradx ou vai buscar toalhas?” disse para x primeirx que viu.
Quando encontrou com o comprador, Amelia voltava da sala de estudos onde esteve escrevendo a carta para os irmãos. Não entendia o motivo para ele ter saído da casa com o tempo que estava. Estranhou ainda mais a fala alheia que a fez franzir o cenho. Provavelmente não havia notado que não tratava-se de uma funcionária ali, mas mesmo assim a loira tratou de respondê-lo, pois apesar de estranhar, não havia se ofendido. Kyle apena não a tinha visto ali. “Posso buscar toalhas para o senhor, se assim quiser.” Riu fraco, assentindo com a cabeça. “Se não me engano, eles deixam algumas toalhas no banheiro desse andar.” Indicou com a cabeça o corredor onde este ficaria. “Se esperar aqui, trago para você e pode secar suas botas... Ah, e também posso fazer o fondue.” Sorriu divertida e deixou-lhe uma piscadela cúmplice, mostrando que havia ouvido a reclamação alheia e estava tudo bem com ela. “Gosto de cozinhar.” Deu de ombros. Na verdade, seria mais divertido do que permanecer ali sem fazer nada de interessante. “Mas qual o motivo para ter ido lá fora, senhor? Foi conferir se as notícias eram verdadeiras?” Esperava que Cartwell não a considerasse invasiva, mas realmente estava curiosa sobre os motivos alheios.
Tudo o que Cellaena queria era poder dar um belo de um passeio por aí sem nem ao menos se dar ao luxo de prestar atenção no caminho ou similares. Soube que ao longe tudo começava a ficar mais esbranquiçado por conta de uma nevasca que estava vindo, mas estava torcendo que por aqueles lados não estivesse chegando nada, apenas para que pudesse chegar até os estábulos para dar um passeio à cavalo, sua atividade favorita. A sensação de liberdade era maravilhosa que a garota luz sequer sabia explicar, apenas amava ela e por isso que estava certeiramente vestida para o passeio e pronta para tomar as rédeas do primeiro cavalo que surgisse à sua frente, só não esperava que fosse um empregado a lhe dizer que não poderia porque a nevasca havia atingido o lugar. Era sério aquilo? A topázio respirou fundo antes de sair a passos pesados e ir para a primeira janela que encontrasse para ver a realidade ridícula. “Eu não mereço me sentir como um pássaro preso novamente.”
Desde que fora informada sobre a nevasca e que não poderia deixar a casa, Amelia forçou-se a pensar em coisas diferentes para fazer. Queria encontrar-se com Jacob, mas o quão inapropriado seria ir até ele para isso? Não, precisava pensar em alguma atividade que a distraísse. Pensou, então, em ir até a cozinha para fazer alguma coisa. Talvez ajudar no jantar daquele dia, cozinhando algum prato típico de Lorandy como fizera no começo da temporada. Caminhava com tranquilidade até o cômodo quando viu uma das jóias passar por si tão irritada que nem mesmo a enxergara. “Cell?” Amelia murmurou, virando-se na direção que a Topázio caminhava e então seguindo-a com preocupação. A negra não parecia em seus melhores momentos. Entendera os motivos da irritação quando esta abriu as janelas. Devia estar sentindo-se mal por não poder sair. “Infelizmente essa é a realdade...” Amelia murmurou, deixando-se fazer notar pela outra. “Mas não se preocupe, Cell. Acredito que a nevasca não deva durar mais do que três dias...” Sabia que três dias poderiam ser uma eternidade para quem já estava incomodada com a notícia, mas era melhor do que um mês inteiro presas ali. “Se quiser vir comigo para se distrair... Estou pretendendo cozinhar agora.”
“Proibidas de saírem… Quero ver quem vai me prender” murmurou para si mesma, enquanto procurava uma porta que não estivesse trancada. A saída da cozinha, por onde retiravam o lixo era a fonte de suas maiores esperanças e uma dedução certeira. Assim que Kitty a abriu, o vento cobriu sua silhueta dos pés à cabeça com neve, forçando-a a adiar seus planos — carregava um livro grande e frágil, não podia deixá-lo molhado! Ela o escondeu embaixo do tecido grosso da capa de inverno e pôs a mão na maçaneta mais uma vez. “E lá vamos nós…”
“Não, não vamos a lugar nenhum.” Amelia colocou a mão sobre a da amiga, impedindo-a de abrir a porta como pretendia fazer. Posicionou-se então entre a Ametista e a porta e encarou-a com o cenho franzido. “Kitty, você está maluca? Se sair da casa pode pegar uma pneumonia ou pior.” Talvez o instinto maternal de Amelia fosse um pouco exagerado, mas achava uma ideia absurda de Chastity querer sair daquela forma, apenas porque estavam proibindo-as. “E lembra-se quando me disse que não iria mais desafiar Sra. Culpepper e entrar em encrencas? Sabe que se for pega, não apenas passará os dias em casa como fazendo alguma tarefa que não quer...” Desceu os olhos pela ruiva e então notou o livro que a esta tinha escondido abaixo das vestes. “Você pode ler na sala. Te faço companhia... Pode ser?”

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✗。º◂—— Embora não fosse recomendado que permanecessem no exterior da fazenda, era exatamente onde Kyle se encontrava, com uma xícara de café em mãos e bem agasalhado. A neve não havia caído naquele dia, mas ainda se acumulava em alguns espaços sobre a grama devido dias anteriores. Havia acabado de sentar-se na borda da fonte, parada naquele momento, quando fora interrompido por um dos criados para a entrega de uma carta. Sozinho, decidiu abri-la no mesmo momento, sorriso sendo esboçado ao constatar que se tratava de uma carta do governante de Icoris. Uma leitura rápida foi feita antes que dobrasse o papel e o guardasse no bolso interno do colete, preparando-se para se sentar novamente quando a visão alheia invadiu seu campo. Há quanto tempo estava ali? Questionou-se mentalmente, desfazendo a breve expressão de confusão para esboçar um sorriso. — Você já ouviu aquele ditado? Se no dia de São Ramiel chover, alguma coisa, alguma coisa, vai permanecer…? — Questionou a companhia em tom divertido, pois não lembrasse do maldito ditado.
O vento forte havia diminuído um pouco, mas Amelia ainda não considerava fraco o suficiente para que um dos compradores estivesse do lado de fora da casa daquela forma. A qualquer momento a ventania podia voltar ainda mais forte e não era saudável que Kyle estivesse naquele mesmo lugar. Deixou de observá-lo pela janela e dirigiu-se até a porta da casa. Ajeitou o casaco sobre o corpo e abriu a porta. Um pouco encolhida, a loira caminhou até o comprador. “Sr. Stuart?” A loira disse de forma a fazê-lo notá-la. Estava pronta para sugerir que ele voltasse para dentro da casa quando ele passou a falar. Franziu o cenho levemente. “Não, senhor... Me desculpe.” Encolheu os ombros por um segundo. Realmente nunca havia ouvido falar sobre aquele ditado e também não pretendia demorar-se em seu aviso. “Senhor, acho que deve voltar para dentro da fazenda.” Movimentou a cabeça para indicar o lugar logo atrás dos dois. “Estou sentindo que a ventania vai voltar daqui a pouco e não é seguro que permaneça aqui fora...” Deu voz as suas preocupações, encarando-o com certa ansiedade. “Vamos entrar?”
Se havia uma característica que poderia marcar a personalidade de Aurora tanto quanto sua língua afiada era o coração mole. Por mais que por fora parecesse ser mais séria, a generosidade e a empatia da joia se faziam presente desde muito nova; lembrava-se de levar moradores de rua para jantar à mesa com sua família, ou de estar sempre adotando animais que definitivamente não tinham condições de cuidar. E se ser uma garota de luz tinha mudado quase toda sua personalidade, essa parte ainda era intocada e inexplorada. Diferente do seu gosto por transgressões. Era inacreditável, por mais que tentasse manter-se distante de confusões, era como se estas a perseguissem, como se a palavra caos fosse alguma espécie de segundo nome ou maldição. Daquele vez, entretanto, fora algo completamente proposital. caminhava pelas extensas propriedades quando ouviu um piar bem baixinho. Dentro do tronco oco da árvore ela encontrou um ninho, duas caquinhas de ovo jaziam ali, mas os filhotes estavam mortos, enquanto o pássaro que ela deduziu ser a mãe estava caído no chão, uma asinha aparentemente fraturada. Podiam culpá-la por ter se disposto a levá-la para casa? “— Certo, eu te mostro. Mas apenas se me prometer que não vai contar. Cross your heart?¹ ” Perguntou uma última vez, parada no quinto degrau das escadas que levava aos quartos. As duas mãos bem escondidas atrás do corpo, que só foram reveladas quando ela obteve uma afirmativa. “— See? She’s hurt, the poor little thing².”
"É claro que sim...” Amelia disse, quase sentindo-se ofendida por Aurora não considera-la alguém de confiança. Talvez a loira fosse um tanto responsável e certinha demais, mas ainda era leal aos amigos. Dava conselhos, mas não os dedurava. Ao contrário, se visse alguma de suas amigas em encrenca, encontraria uma forma de ajudá-las. Aguardou em silêncio até que a morena, enfim, lhe mostrasse o que estava escondendo. As sobrancelhas ergueram-se em surpresa ao ver um pequeno pássaro nas mãos alheias. “Por Uros... Onde o encontrou?” Aurora havia mesmo ido para fora mesmo quando haviam lhe pedido para que não fizessem? Torcia para que ninguém tivesse visto a morena fazer tal coisa, pois poderia envolver-se em problemas. “A nevasca repentina deve estar envolvida...” Murmurou, encarando o pequeno animal com pena. “O que pretende fazer com ela? Sabe como cuidar?”
Não havia música no salão, contudo, tal fato pouco importava para a Donndubhán. Os acordes soavam com perfeição em sua mente conforme ela se movimentava com graciosidade pelo cômodo antes vazio, numa sequência de piruetas, tendus e arabesques mais tranquila do que as que estava acostumada. Estava, sendo a palavra chave aqui. O único indicativo do desconforto latente em seu joelho era o trincar discreto de seu maxilar, que se acentuava cada vez que seus pés assumiam a quinta posição — talvez um dos movimentos mais básicos do ballet. Certamente lhe diriam que não deveria estar esforçando seu corpo daquela maneira, mas o que Lucy poderia fazer? Precisava do ballet da mesma maneira que precisava do oxigênio. E, verdade fosse dita, a dor não era nada em comparação à tranquilidade que se apoderava dela quando dançava. Naquele momento era apenas ela em seu próprio mundinho. Ou talvez não exatamente. ❝ — Engraçado, não me recordo de apresentações gratuitas estarem incluídas em meu contrato ❞, a frase soou como um ronronar, dita por cima do ombro ao notar uma presença mais ali. Era uma brincadeira, é claro, e que era denunciada pelo riso baixo que foi soprado logo em seguida, sem que a morena cessasse seus movimentos. Lucy, afinal, havia estado em grandes palcos até alguns anos atrás, logo, ser vista realmente não a incomodava de maneira alguma.
Seu destino não fora o sala de música, mas Amelia não conseguiu evitar observar a professora dançando quando passou por ela naquela tarde. Mesmo já tendo feito o treinamento, ainda impressionava-se com as habilidades da mulher. Havia sido mediana durante as aulas de dança, mas era uma das que mais gostava. Certamente eram bem mais proveitosas do que as aulas de matérias teóricas aos quais sofria com as dificuldades. Amelia também se saíra melhor nesta área das artes do que em canto. “Me desculpe, Sra Donndubhán.” A loira murmurou após ter sido vista pela mulher. “Não queria atrapalhar, mas não pude deixar de ficar assistindo sua dança. A senhora é mesmo muito talentosa.” Elogiou, assentindo com a cabeça. “Imagino se um dia conseguiria fazer algo parecido... Acho que não.” Riu franco, encolhendo os ombros. Ao menos o básico para se dançar com um parceiro, a loira havia aprendido bem.
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Ouvir o modo como @zcanya falava do funcionário fez com que Roxanne franzisse o cenho por um momento, ouvindo os comentários de Amélia e Kitty antes de fazer o seu. “Em que mundo eu estava que não fiquei sabendo de todo essa envolvimento seu com o Vlad?” Perguntou para a jaspe, o sorriso evidente em seus lábios. “Bem, rico ou não, eu apoio se você começar a gostar dele. Como eu sempre digo, dinheiro não é tudo.” A mesma frase havia sido dita para Jacob na noite anterior durante a conversa que teve com o comprador, aconselhando-o para ficar com Amelia. Pelo visto não foi o suficiente. Em relação aos problemas de Anya durante sua alucinação com o slush, a âmbar apenas deixou um risadinha escapar. “Eu fiquei sabendo que sra. Culpepper colocou a Cora para limpar as janelas de uma ala. Acho que ela pegou pesado com vocês, mas agora já está feito. Espero que tenham aprendido a lição, meninas.” Sua última frase foi imitando a voz da mulher, rindo baixo depois. “Acho que sua escolha de paquera é a de todos nós. Ou pelo a minha também. Por falar nisso, eu tenho uma pergunta para lhe fazer Kitty: Por algum acaso você recebeu algum bilhete do senhor Cartwell?” Talvez estivesse sendo intrometida, como foi indiretamente chamada por um dos compradores na noite passada, mas sabia que com a ametista isso não teria problema. A curiosidade era tanto sua quanto de Amelia e sabia que a amiga iria ficar agradecida depois de ter perguntado. Roxanne terminou a trança no cabelo da obsidiana no momento que a atenção foi voltada para si e chegou um pouco para o lado na cama, para que todas pudessem lhe observar. “Hm, meu dia começou com uma conversa simples com o senhor Hybern. Nós conversamos sobre a estátua de Vaiel e como nossos irmãos mais novos provavelmente iriam destruí-la até o final do evento.” Essa história já havia contado para a melhor amiga então não prolongou muito. “Depois que eu me separei de Amelia, eu vi o senhor Duncan sentado em um canto do salão e resolvi ir até ele. Nós trocamos algumas palavras e me certifiquei se ele, hm, se estava tudo certo.” Nem todos sabiam do que havia acontecido com ele, a própria âmbar só sabia porque Lia havia contado então foi vaga para não espalhar o ocorrido. “Não fiquei muito tempo lá e fiquei boa parte da festa me divertindo e escrevendo as mensagens para vocês até a hora dos fogos.” Aquele com certeza havia sido o momento mais significante da noite para a loira. “Eu encontrei com o senhor Chermont sentado no telhado da fazenda e perguntei se poderia fazer companhia. Ele aceitou e nós ficamos conversando antes dos fogos começarem, perguntando se estava gostando da festa e tudo mais. Então quando os fogos começaram… ele disse que a noite ficaria melhor se recebesse um beijo de uma moça bonita.” Ela parou por alguns segundos, seu rosto provavelmente deixando claro o que havia acontecido. “Eu juro que praticamente ouvi sua voz Kitty, dizendo que eu não podia desperdiçar a chance. Então eu não desperdicei.” Comentou, dando de ombros e rindo baixo. “Foi, hm, realmente muito bom e com certeza faria mais vezes. Mas já digo que não estou apaixonada nem nada do tipo e ainda considero a possibilidade de conhecer outros compradores.”
“Ah, claro, por que você assinou contrato pra casar com comprador pobre, Roxanne!” Anya dissera com um sorriso nos lábios. A frase da outra lhe parecia errada demais quando chega aos ouvidos da adoriana. “Eu não vou me apaixonar por ele, galerinha. Vlad, como eu disse, é bonito. Hot. E aparentemente tem vários problemas com isso também. Quem viu ele, Kerr e Walford dançando na mesa?” E, em seguida, ao notar o que dissera, a joia rapidamente se ocupou em preencher a conversa falando de si mesma. “Ah, eu vi uma cabeça de cavalo também, mas já perdi meu medo. O novo cavalariço é legal, sabiam? Fui conversar com ele hoje de manhã. O nome é Percy.” Anya agradeceu aos céus por Kitty ter falado também, pois pôde completar rapidamente: “Eu tenho certeza que eu pedi desculpas quando fiz isso. Eu sou educadíssima.” E, enquanto falava, esperava que todos tivessem se esquecido de que falara de Walford. Não era pra tocar naquele assunto. “Eu aprendi uma lição maravilhosa: aquela mulher é o demônio.” Acreditava que aquela não era apenas a sua visão acerca da Sra. Culpepper. “Acho que eu não escolhi o Cartwell pra Kitty não! Eu na verdade escolhi pra mim porque amo um homem de farda.” E, assim, um sorriso se formara na face da jovem, embora soubesse que ela não tinha tantas chances com Cartwell, afinal, ele parecia deveras inclinado às joias mais caras. E, bem, nem as querida de fato. Só achava o homem bonito. “E, Kitty, eu encontrei o Jayden Chermont. Ele tem a sua cara. Todo esquisito.” Mantinha o sorriso nos lábios ao falar aquilo. “Hybern?” O sorriso de Zyanya desaparecera no momento que ouvira aquele nome. É sério que Roxanne estava interessada no próprio satanás? A Jaspe trincou o maxilar para que sua expressão não mudasse. Ninguém sabia quem era Hybern e, embora quisesse contar às suas amigas quem ele era, isto envolvia contar a ela quem ela era. E até mesmo para aquelas que a joia considerava próximas de si, Anya mentia. Confiar havia passado a ser uma tarefa difícil. “O que Duncan tem de rico tem de chato.” E, assim, revirou os olhos para a fala do homem, procurando afastar a sensação que a invadira. “Desculpa, Amelia, sei que é seu amigo, mas, poxa, da uma forcinha aí! O cara é bonito e rico e se faz de difícil. Só marcou encontro com a Roxanne e parece que nem quer pegar também.” Bouthillier acreditava que Duncan não valia a pena como um todo, mas o dinheiro dele valia. Ao que Roxanne chegara a falar de Jayden, o rosto de Anya se contorceu. “Você ‘tá me zoando, Roxanne… Tu beijou o Jayden? Sério? E a Kitty?”
Ouvindo Anya comentar sobre a apresentação musical do dia de Vaiel, Kitty se animou, batendo os pés no chão involuntariamente. “Eu vi! O que foi aquilo? A única coisa boa que o slush já fez. Fiquei até nostálgica com aquele momento.” E mordeu a língua. Não tinha muitas informações sobre o tal Kerr Whitethorn, porém imaginava que poderia acabar entregando Elmer caso arriscasse dizer que o conhecia, mesclando as histórias dos dois. Nenhum homem respeitável teria um grupo musical como o embaraçoso De5tiny. “Por nenhum motivo” completou, ainda que não fizesse muito sentido. “Até você, Roxie?” Kitty riu ao ouvir o comentário da Garota Âmbar, ignorando o que Anya dizia a respeito de Kase — já haviam discutido aquele assunto e sabia que ela não falava sério. “Ele só me enviou uma resposta abaixo das expectativas mesmo” contou, encolhendo os ombros. Se estava bem lembrada, havia guardado o bilhete do comprador em algum lugar da primeira gaveta da mesa de cabeceira… e bingo! A Ametista desamassou o papel e entregou-o nas mãos de Roxanne, com os seguintes dizeres: Estou pronto para repetir sempre que a senhorita quiser. Bom Vaiel. “Ao menos ele teve a decência de me responder, não posso dizer o mesmo de Andrew e Jayden. E Kerr.” O último bilhete havia sido enviado apenas como uma brincadeira, no entanto, Kitty imaginava que seria divertido convencer as amigas de que possuía algum interesse romântico no falso comprador. Também seria útil para talvez afastá-las dele, evitando decepções. “Vou considerar como um elogio” respondeu à Anya, sobre Jayden Chermont. De fato, era exatamente a excentricidade dele que fazia com que a Ametista se sentisse tão atraída, além dos traços tão agradáveis aos olhos e bom humor. “Também gosto bastante do Sr. Hybern. Pensei que ele fosse sem graça, mas cada vez percebo mais o quanto estava enganada.” Parte dela desejava contar às amigas o acontecido na floresta, contudo, dada a intensidade do momento, Kitty julgou ser mais prudente respeitar a privacidade de Andrew e não comentar nada. Ele estava quase alcançando Kase e Jayden em seu pódio. E por falar no segundo… A Ametista ficou boquiaberta ao ouvir a história de Roxanne sobre seu beijo de Vaiel. Estava um tanto decepcionada, devia dizer, não por sua amiga ter beijado Jayden, mas sim por imaginar uma cena bastante abaixo de suas expectativas para ele. Ainda assim, a Âmbar estava certa, teria recomendado que não perdesse a oportunidade. Ela parecia… feliz. Kitty quase se sentia culpada por estar se encontrando com o mesmo homem. “Eu não me importo, Anya. Mas, Roxie, se você gostar mesmo dele, posso… hm, recuar.” Sabia que a amiga era boa o suficiente para qualquer homem se sentir honrado em tê-la como esposa. Seria doloroso ter de evitar Jayden, porém faria aquilo por Roxanne.
Amelia não havia presenciado nenhuma dança. Pelo que lembrava-se, permaneceu no quarto após Jacob ter desaparecido do cômodo. A loira não encontrava-se mais no ânimo de participar do evento com os outros. Por tal, não faria nenhum comentário. Não queria saber como havia sido, principalmente por ter ouvido comentários dos funcionários sobre Walford não estar completamente vestido naquele momento. Sentia um certo incômodo tomar conta de si quando pensava naquilo. Ficou apenas ouvindo os comentários das amigas sobre até que o assunto mudara para Kase e as intenções do comprador com a Ametista. Também estava curiosa para saber se Kase havia enviado algum bilhete para a amiga, depois da conversa que tivera com o rapaz. Havia tentado dar-lhe confiança suficiente para enviar as mensagens para as garotas que desejava. Enquanto Kitty parecia buscar alguma coisa, Amelia deixou-se rir pelos comentários de Anya sobre o rapaz. A Jaspe era, definitivamente, a pessoa que mais lhe fazia gargalhar ali dentro. “Não acho que seja para tanto, mas não dá para negar que ele é mesmo atraente.” Assentiu com a cabeça e deixou que um sorriso discreto aparecesse em seus lábios. Não fazia o seu tipo, mas realmente gostava do Cartwell. Quando a amiga trouxe o bilhete entregue pelo comprador, Amelia inclinou-se para poder ler as palavras junto de @rcxnnz. “Acho que foi uma boa resposta, Kitty.” Encolheu os ombros. Acreditava que a amiga deveria considerar aquilo uma boa coisa, pois como ela mesmo havia afirmado, ao menos ele havia se importado o suficiente para responder. “Eu gosto do Sr. Hybern.” Comentou com simplicidade. “Nunca tive uma conversa íntima com ele, mas acho que é muito inteligente e tem assuntos interessantes a tratar.” Amelia admirava pessoas inteligentes e talvez fosse aquilo que a fizesse simpatizar com Andrew, mesmo que não fossem amigos. Focou então no relato que era feito por Roxie. Ainda não havia tido conhecimentos sobre o encontro da mesma com os outros compradores. “Jay não é chato. Vocês só não tiveram a oportunidade de conhecê-lo, de fato.” Defendeu seu amigo sem hesitar. As pessoas ali não conheciam Duncan como ela fazia. Não sabiam de sua infância difícil, do quanto esforçara-se na vida e era digno de reconhecimento maior do que poderiam dar. “E também não está se fazendo de difícil... Ele só tem uma forma diferente de agir.” Murmurou por fim, dando de ombros. Amelia gostaria que o amigo deixasse que mais pessoas enxergassem o quão incrível ele poderia ser, mas não iria forçá-lo a nada. “Olhem o que ele me deu de presente.” Com um sorriso, a loira colocou a mão dentro do vestido e retirou o pingente que decorava a corrente para mostrar as amigas. “Linda, não é?” James era mesmo um anjo. Virou o rosto para Roxanne apenas no momento que ela contara sobre o beijo trocado com Jayden. Segundos depois levou seu olhar para Kitty. A amiga já havia lhe informado sobre como se sentia com o comprador e não deveria ser fácil ouvir que ele beijara outra, mesmo que estivessem fadadas àquele acontecimento. “Acho que Roxie não sabia sobre Kitty...” Realmente acreditava que não, pois conhecia a loira para saber que ela não se aproximaria tanto se soubesse.
hcneysett:
Saindo de sua zona de conforto mais uma vez, Casper esforçava-se para expor suas preocupações e desejos diante de Amelia. Era quem tornara-se sua amiga entre as vinte pretendentes, e sendo uma das joias poderia lhe ajudar diante do problema que se encontrava. Talvez não fosse exatamente um problema, mas era como o Honeysett via a situação. Era de se esperar que não soubesse muito bem seguir padrões pré definidos de socialização ou conquista, visto que toda sua vida fugiu de normas como essas. Tentava levar tudo muito naturalmente, porém, dentro de Wisteria Hollow, talvez esse fosse justamente o seu erro. “Bom, conhecê-las como seria na minha vida comum… Leva tempo. O que não possuímos.” Franziu o cenho. “Digo, se procuro uma esposa, realmente alguém para viver comigo debaixo de meu teto, creio que só de haver essa finalidade gritando ao fundo de cada frase torna tudo tão artificial que acabo me pondo distante. É difícil encarar como natural e sentir que qualquer relacionamento está avançando.” Tagarelou, devaneando sobre o assunto enquanto possuía ambas as mãos nos bolsos. Ele pensava demais, tornava tudo racional demais. Esse era o problema.
Fazia sentido o que ele dissera. Amelia nunca tivera um relacionamento, mas imaginava que levava tempo até conhecer uma pessoa o suficiente para criar sentimentos e deixar-se apaixonar. “Eu entendo, Casper... Mas ainda tenho comigo que vai se tornar mais difícil ver algum desenvolvimento se estiver pensando tanto.” Opinou, ainda encarando o amigo com atenção. Queria poder ajudá-lo, de fato. “É verdade que será impossível ser exatamente como um relacionamento comum, afinal essa não é uma situação comum de todos os dias...” Soltou um riso fraco, antes de encolher os ombros. “Mas tratá-la como artificial também não ajudará. Pense que todos estamos lidando com sentimentos aqui.” Aprendia ao longo dos dias que passava ali, que tratava-se muito mais do que conseguir um marido ou esposa. Começava com aquele intuito, mas envolvia outras variáveis bem mais intensas. “Você deve querer alguém que te fará se sentir diferente. E certamente encontrará, se deixar que aconteça. Tenho a impressão que o medo de não ter um avanço pode também te bloquear a enxergar.” Não sabia se o que dizia estava fazendo algum sentido para o comprador, mas eram os melhores conselhos que conseguia pensar em dar, levando em conta suas poucas experiências. “Não teve ninguém, Cass?” Perguntou, encarando-o com doçura. “Ninguém que te fez sentir algo incomum em algum momento específico?”

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lexnc:
De imediato franziu o cenho, curiosa pelas palavras que viriam de Amelia. Observou a loira com atenção e seu sorriso somente crescia a cada palavra alheia. Não deveria estar surpresa, afinal, era com Lia que estava falando. A moça havia sempre sido dócil desde se conheceram. Admirava aquilo. Sabia muito bem que jamais conseguiria ser simpática e delicada daquela maneira, as ruas deixavam alguns traços que nem mesmo os melhores professores de etiqueta foram capazes de retirar. ❛ ── Lia… isso é incrível! Disse com imensa alegria. ❛ ── Eu digo de verdade. Obrigada. Por se importar. Eu fui uma dessas crianças e é muito bom saber que existem pessoas pensando em fazer a quantidade diminuir. Certeza que se eu fosse criança agora você seria tipo minha heroína número um! Brincou, cutucando a outra. Tivera muitas decepções a respeito de várias pessoas em sua vida, mas era uma alívio encontrar pessoas genuinamente boas como a moça a seu lado. Ela mesma tinha os próprios planos para projetos de apoio a crianças de rua e desejava imensamente que mais pessoas pretendessem fazer algo assim também. ❛ ── Não faz ideia? You’re kidding, right? Ameia! Colocou-se na frente da outra, impedindo que continuasse a andar. You got it! Afirmou com veemência. ❛ ── Claro que é possível. Mais do que possível. Eu tenho certeza de que vai conseguir conquistar tudo isso. Me deixa dar umas aulinhas de política e história na sua escola? Eu adoraria! Pediu, abrindo a porta da sala e entrando no cômodo.
Nunca havia comentado sobre seus planos futuros com ninguém, mas sabia que Leo era uma boa escolha para fazer pela primeira vez. A jóia entendia a importância de assuntos como aquele e certamente a apoiaria e daria boas dicas. Suas suspeitas foram confirmadas quando a morena lhe respondeu. No mesmo instante, Amelia sorriu de maneira carinhosa para a outra. “A quantidade de crianças que passam por situações difíceis é muito maior do que parece e eu não vejo ninguém fazendo nada para diminuir.” A loira não conseguia entender como os governantes fechavam os olhos para aquela parte da população. “Eu não acho que crianças deviam sofrer dessa forma...” Negou com a cabeça algumas vezes enquanto falava. “Elas deveriam brincar, estudar... Não deixarem todos os seus sonhos de lado pelo básico que deveria ser direito de todos, a sobrevivência.” Se viesse a casar com Jacob, a loira não esperaria até falar sobre suas ideias e desejava de todo seu coração, que ele pensasse de uma forma parecida. Poderiam fazer muitas coisas juntos. “Não... Digo, eu não sei como vai ser a minha vida após a tempo...” Parou de falar quando a jóia entrou na sua frente. Soltou um riso fraco com a fala alheia. A positividade alheia era contagiante, realmente. A maneira firme como falava até deixava a loira um pouco mais confiante de que poderia conseguir realizar aqueles desejos no futuro. “É claro que sim!” Fez questão de afirmar, acompanhando a amiga para dentro da sala de estudos. “Quantos mais colaboradores empolados como você, melhor será.”
itsleere:
Amelia era uma amiga improvavel, de fato, só se aproximaram quando as duas já estava em Adoria, talvez porque em Blue Spring Manor tudo ainda parecesse irreal demais, perto de casa… Não parecia tão definitivo. Agora, longe da família, ela tinha encontrado na loira alguém que dividia o apreço pelo lar, pelas pessoas que estavam longe. — Confia em mim. — Ela disse, indicando para que a Obsidiana passasse pelo portal rapidamente. Claro, ela não aceitaria tão facilmente e ela suspirou, batendo o pé, um pouquinho má comportada demais. — É uma surpresa, anda! — Ela indicou, já puxando a porta atrás delas. Assim que a vela em sua mão iluminou o depósito, ela indicou uma parede cheio de rabiscos em giz, iniciais das mais varias gravadas atrás de um caixote. –- Eu acho que foram outras jóias, de outros anos. Quem sabe onde elas estão agora? Você logo logo vai embora, vai ter sua família. Queria que tivesse uma boa memória de mim, antes de ir. — Ela deu de ombros, dando um pedaço de giz que trazia no bolso para a loira. — O que acha?
Surpresas em sua maioria eram agradáveis, mas ainda estava desconfiada daquela em questão. Quem lhe garantiria que Laoghaire não estava com uma ideia louca na mente? “Ok...” Suspirou, mas assentiu com a cabeça. Era melhor ela ir junto. Dependendo da situação, poderia encontrar uma forma de ajudar e sairiam dali sãs e salvas. Seguiu com o olhar onde a ruiva iluminava e então notou os rabiscos na parede. Franziu o cenho. “O que é?” Agora sua curiosidade começara a tomar conta e a loira aproximou-se mais para poder ver as iniciais indicadas melhor. Mesmo que antes estivesse um pouco incomodada com a insistência da outra, Amelia abriu um sorriso discreto com a fala alheia. Também gostaria de deixar uma marca na vida das pessoas antes de sair. “Uma ótima ideia.” Assentiu com a cabeça e aceitando o giz que a outra trouxera. Encarou a parede por alguns segundos, analisando tudo que fora escrito ali e procurando pro um espaço onde pudesse colocar suas próprias iniciais. Quando encontrou, a loira começou a escrever um AR de maneira delicada mas ainda firme. “É estranho, não?” Começou, ainda focalizando no que fazia. “Passamos por dias tão intensos aqui... Criamos laços importantes, para depois nos afastarmos e parecer que tudo isso foi apenas um sonho.” Terminou de colocar suas inicias junto das outras e voltou-se para a Laoghaire. “Mas não, não vou me esquecer de você.” Sorriu. “Não são todas que conseguem me fazer invadir um local secreto dessa forma.”