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@versific-ou

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Existem momentos bons, estaria mentindo se falasse que tudo sĂŁo dias sombrios e noites em claro chorando, mas Ă© que os momentos bons parecem sumir no meio de tanta dor.
Versific-ou
âĂ facil gostar de mim quando estou bem, quando esta tudo bem. Ă fĂĄcil me desejar de longe, quando estou na minha melhor roupa, melhor aparĂȘncia, quando estou com um sorriso de canto a canto na minha face. Mas e nos dias tristes e densos? E as minhas fragilidades e defeitos? VocĂȘ se apaixonaria por eles? Conseguiria acordar ao meu lado sabendo que nĂŁo sou perfeito?â
â
âNĂŁo chorei, nĂŁo gritei, nĂŁo fiquei chateado, nĂŁo bati pĂ©. Pra que fazer tanto barulho? Que vĂĄ, nunca me pertenceu.â
â Caio Augusto Leite. Â
âTambĂ©m nĂŁo vale a pena fingir um equilĂbrio que eu nĂŁo tenho.â
â Caio Fernando Abreu. Â

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Isso é sobre todas as vezes que pensei em desistir, mas segui em frente. à sobre as vezes que eu chorei acreditando que não valia a pena, mas valeu. Sobre aquelas vezes que jurei que havia perdido, mas no fim eu ganhei. à sobre o meu medo de não ser o suficiente quando eu sou muito mais que isso. à sobre todas as vezes que eu venci no meio do caos, que eu não tinha mais fé, mas o milagre aconteceu. à sobre aquela noite em que eu fui dormir chorando e acordei feliz pela nova chance. Isso é sobre o filme que eu achei que ia ser ruim, mas virou meu favorito. à sobre aquele final que me surpreendeu. à sobre o dia que eu descobri que valia a pena, que eu me amaria.
Versific-ou
âHoje quando tudo começou a ficar vazio, procurei ver um filme pra distrair. Ontem aconteceu a mesma coisa, entĂŁo aproveitei que era tarde e fui dormir pra ver se tudo acordava melhor no dia seguinte. Ăs vezes quando nĂŁo me restam escolhas, eu simplesmente coloco uma mĂșsica no ouvido e fico lĂĄ esperando o tempo passar. Mas Ă s vezes eu fico me perguntando atĂ© quando vai ser assim. E se um dia eu enjoar de todos os filmes, nĂŁo tiver sono suficiente pra dormir e cansar de todas as mĂșsicas?â
â JoĂŁo Pedro Bueno, sabedorias. (via inverbos)
âĂs vezes nĂŁo hĂĄ nenhum aviso. As coisas acontecem em segundos. Tudo muda. VocĂȘ estĂĄ vivo. VocĂȘ estĂĄ morto. E as coisas continuam. Somos finos como papel.â
â Charles Bukowski. Â
Chilling Adventures of Sabrina

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Queria escrever essa Ășltima carta (eu espero que seja mesmo a Ășltima!) pra poder dizer que finalizei essa histĂłria. Eu venho me questionando a um tempo se eu te amei ou se era sĂł uma fissuração por algo que eu nĂŁo podia ter, e depois de muito pensar eu sei que te amei. Amei uma versĂŁo sua que eu mesma criei, uma versĂŁo idealizada, mas tambĂ©m amei coisas reais como seu sorriso, o jeito que vocĂȘ me abraçava, sua risada fĂĄcil e Ă s vezes que disse que me amava. Eu amei a idĂ©ia de viver um romance como os que eu jĂĄ tinha lido, amei o drama, o choro, a reconciliação. Eu amei coisas estĂșpidas, inteligentes, superficiais e importantes. A verdade Ă© que eu me joguei de cabeça nesse amor que eu criei, tanto que levei meses pra superar tudo e Ă© por isso que agora estou escrevendo pra vocĂȘ, pra dizer que acabou.
Isso Ă© meio engraçado, mas hoje quando acordei senti que tinha alguma coisa diferente, talvez fosse a luz meio alaranjada que entrava pela janela e dava um aspecto diferente pro meu quarto, a questĂŁo Ă© que me senti diferente. Acho que foram todas as preces baixinhas pedindo pro sentimento ir embora, ou talvez sĂł seja o tempo curando. A questĂŁo Ă© quel eu deixei esse sentimento ir embora, ficar guardado na lembrança daquilo que jĂĄ me encheu de felicidade. Eu deixei meu coração ter um nova chance, um novo começo e pela primeira vez acho que nĂŁo vou pensar em vocĂȘ na hora de ir dormir.
Eu sinto saudades ainda do que podĂamos ter sido, mas agora Ă© com aquele gostinho de felicidade, de desapego. Por fim, obrigada. Obrigada por ter me amado, mesmo que por pouco tempo. Obrigada por ter me deixado te amar. E o mais importante, obrigado por partir e me obrigar a me amar.
Com carinho, Gabriela.
Versific-ou
âEle me deu um pĂ© na bunda. E doeu. Fiquei sem entender direito o motivo. Tudo parecia bem. A gente parecia bem. O mundo parecia um lugar bonito e seguro. Eu parecia bonita e segura. E de repente as coisas mudaram. Ficou um vazio grande no lugar dele. Ficou uma sensação de perda dentro de mim. Na hora em que o calo aperta e o coração quase derrete nĂŁo adianta falar de tempo. Enfia o tempo no bolso e sai daqui! NĂŁo quero saber se o tempo cura, nĂŁo quero ouvir que ele Ă© o melhor remĂ©dio para todos os males. NĂŁo quero sair, nĂŁo quero conhecer gente nova, nĂŁo quero achar novo amor. Aproveita e enfia o novo amor no bolso tambĂ©m. Eu quero Ă© ele. Ele, ele, ele. Ă que nĂŁo tem ninguĂ©m igual. Ă que nĂŁo vai ter sentimento igual. Ă que nĂŁo vai ter outra pessoa que seja assim, tĂŁo Ășnica, tĂŁo perfeita, tĂŁo, tĂŁoâŠsabe? NĂŁo vai ter, eu sei. Eu sei e todo mundo sabe, nĂŁo sei por qual motivo, razĂŁo ou circunstĂąncia ficam me enrolando e tentando me passar a perna com esse lance de o-que-Ă©-seu-tĂĄ-guardado. Tenho certeza que ele Ă© a minha alma gĂȘmea. Eu nunca acreditei nisso. AtĂ© conhecer aquele homem. Meu Deus, ele Ă© a metade da minha laranja. Por ele eu mataria e morreria. Por ele eu seria sempre melhor. Por ele eu seria atĂ© capaz de virar AmĂ©lia, a mulher de verdade. Por ele. Ele, que fez com que eu entendesse o amor. Ah, o amor. Aquele cretino. Aquele safado. Aquele ordinĂĄrio. Aquele sem vergonha que faz a gente entregar o coração e acabar de mĂŁos abanando e sangrando. Nunca mais vou amar ninguĂ©m. NĂŁo quero. NĂŁo vou. E nĂŁo adianta vocĂȘ voltar com aquela histĂłria do tempo. E nĂŁo adianta querer me levar pra sair, pra conhecer gente, pra esfriar a cabeça. NĂŁo quero saber de toda aquela baboseira de cortar o cabelo, renovar o guarda-roupa, começar a malhar, frequentar novos lugares, mudar velhos hĂĄbitos, incrementar o dia a dia. NĂŁo quero saber de tudo aquilo que as mulheres fazem para tentar achar A Cura. NĂŁo quero me curar. Quero beber todo dia uma vodca barata. Ou cara, depende do dia do mĂȘs. Quero beber e ficar sozinha. Prometo que nĂŁo vou encher os ouvidos das amigas, das colegas de trabalho, dos amigos gays, da vizinha do andar de cima, da minha mĂŁe. Prometo que nem vou buzinar nos ouvidos do terapeuta. Juro que me comporto. Fico eu, o pouco de sanidade que resta, o copo sempre cheio de vodca, algumas lĂĄgrimas e um punhado de recordaçÔes. Quero isso. Quero a depressĂŁo. Quero a fossa. Quero me acabar. Quero ficar arrasada para sempre. Quero ficar pensando nele o dia todo. Recordando cada momento que passamos juntos. NĂŁo quero saber de me entupir de chocolate e carboidratos. Vou fazer greve de fome atĂ© morrer. E antes vou deixar um bilhete: morri, seu idiota. Morri. Acho que agora estou entrando naquela fase da raiva. Aquela em que a gente imagina o cara de terno e gravata fazendo cocĂŽ. Aquela em que a gente começa a pegar nojinho. Aquela em que a gente usa todos os palavrĂ”es para definir o infeliz. Aquela em que a gente sai da fase da mĂșsica de corno para cantar bem alto âIâm Every Womanâ de braços abertos, abraçando o infinito, atĂ© ficar rouca e louca. Guardei as fotos em uma caixa e escondi ela no fundo do armĂĄrio. Melhor deixar longe. Melhor nĂŁo ver. Melhor parar de fuçar no Facebook. Melhor deixar de seguir no Twitter. Melhor deletar o telefone do meu celular. Melhor nĂŁo dar uma espiada na vida da ex. NĂŁo quero mais saber o que ele come, se sente frio, se reatou com a antiga namorada, se continua lindo de morrer, se acabou comprando aquele tĂȘnis que eu disse que combinava com ele. NĂŁo quero saber nada disso. Quero virar autista e fingir que ele nunca existiu. Assim sofro menos. Assim vivo mais. Hoje eu reparei que as olheiras diminuĂram. E que deixei de chorar. Me achei mais corada. Menos pĂĄlida. Mais bonita. Uma beleza melancĂłlica. Tem um pouco de tristeza nos meus olhos. Mas vou me maquiar. Senti vontade de me arrumar. Pra mim. Para meu espelho. Pra me animar. Uma amiga me convidou pra um happy hour. Vou. Uns caras me olharam, me senti mais mulher, me senti bem. Quase nĂŁo lembrei dele. Estou trabalhando bastante. Ă bom ocupar a cabeça. Parei um pouco de beber. Arrumei minhas gavetas. Joguei umas coisas fora. Decidi limpar as coisas por aqui. Acendi um incenso. Dancei sozinha na sala. Ri. Fui na padaria. Comprei pĂŁo francĂȘs e queijo cottage. Decidi dar uma volta no Ibirapuera. O dia estĂĄ tĂŁo lindo. Encontrei uma velha conhecida. Conversamos. Marcamos um sushi para o dia seguinte. Fui jantar com a velha conhecida. Me diverti. Voltei pra casa, assisti um filme bobo, lembrei dele, chorei, sequei as lĂĄgrimas e me perguntei: por que estou chorando? Entrei no Facebook e vi uma foto dele com uma mulher peituda. Chorei mais. Dormi chateada e pensei isso-nunca-vai-passar. Comecei a caminhar todos os dias pela manhĂŁ. Ă melhor, vou para o trabalho com mais Ăąnimo. Um cara bem interessante caminha por lĂĄ tambĂ©m. NĂŁo usa aliança, estĂĄ sempre sozinho, ouvindo mĂșsica e com o olhar longe. Parece eu. Me distraĂ. Esbarrei no cara. Ele se desculpou e sorriu. Nossa, que sorriso bem lindo. Senti uma coisinha no peito. Sorri de volta e segui andando. Na outra volta encontrei ele de novo, que sorriu mais uma vez. Para, que vou morrer aqui. Na outra volta eu jĂĄ estava cansada, mas ansiosa por aquele sorriso. Ele sorriu. Me derreti. Parecia uma abobada. Voltei pra casa. No outro dia acordei feliz da vida, o cara sorridente ia estar lĂĄ de novo. E estava. E sorriu. E sorri. E ficamos nessa por uma semana. AtĂ© que ele pediu meu telefone, eu dei e ele me ligou. Quer ir ao teatro comigo? Quero. Enquanto eu me arrumava ele me ligou. Ele, que me deu um pĂ© na bunda. NĂŁo atendi. Sorri. E tentei lembrar a Ășltima vez que lembrei dele. NĂŁo consegui. Talvez eu volte a acreditar no amor de novo. Talvez eu nunca mais sofra. Talvez. A vida Ă© cheia de âtalvezâ, mas uma coisa Ă© certa: o tempo ajuda. E nĂŁo adianta vocĂȘ dizer que nĂŁo e tentar lutar contra isso.â
â Clarissa CorrĂȘa.
âVocĂȘ Ă© os brinquedos que brincou, as gĂrias que usava, vocĂȘ Ă© os nervos a flor da pele no vestibular, os segredos que guardou, vocĂȘ Ă© sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, vocĂȘ Ă© o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa sĂ©ria que teve um dia com seu pai, vocĂȘ Ă© o que vocĂȘ lembra. VocĂȘ Ă© a saudade que sente da sua mĂŁe, o sonho desfeito quase no altar, a infĂąncia que vocĂȘ recorda, a dor de nĂŁo ter dado certo, de nĂŁo ter falado na hora, vocĂȘ Ă© aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lĂĄgrimas, vocĂȘ Ă© o que vocĂȘ chora. VocĂȘ Ă© o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, vocĂȘ Ă© o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, vocĂȘ Ă© as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, vocĂȘ Ă© o orgasmo, a gargalhada, o beijo, vocĂȘ Ă© o que vocĂȘ desnuda. VocĂȘ Ă© a raiva de nĂŁo ter alcançado, a impotĂȘncia de nĂŁo conseguir mudar, vocĂȘ Ă© o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o Ăłdio que tudo isso dĂĄ, vocĂȘ Ă© aquele que rema, que cansado nĂŁo desiste, vocĂȘ Ă© a indignação com o lixo jogado do carro, a ardĂȘncia da revolta, vocĂȘ Ă© o que vocĂȘ queima. VocĂȘ Ă© aquilo que reivindica, o que consegue gerar atravĂ©s da sua verdade e da sua luta, vocĂȘ Ă© os direitos que tem, os deveres que se obriga, vocĂȘ Ă© a estrada por onde corre atrĂĄs, serpenteia, atalha, busca, vocĂȘ Ă© o que vocĂȘ pleiteia. VocĂȘ nĂŁo Ă© sĂł o que come e o que veste. VocĂȘ Ă© o que vocĂȘ requer, recruta, rabisca, traga, goza e lĂȘ. VocĂȘ Ă© o que ninguĂ©m vĂȘ.â
â Martha Medeiros. Â
âAmor nĂŁo se pede, Ă© uma pena. Ă uma pena correr com pulinhos enganados de felicidade e levar uma rasteira. Ă uma pena ter o coração inchado de amar sozinha, olhos inchados de amar sozinha. Um semblante altista de quem constrĂłi sozinho sonhos. Mas vocĂȘ nĂŁo pode, nĂŁo, eu sei que dĂĄ vontade, mas nĂŁo dĂĄ pra ligar pro desgraçado e dizer: ei, tĂŽ sofrendo aqui, vamos parar com essa estupidez de nĂŁo me amar e vir logo resolver meu problema? Mas amor, minha querida, nĂŁo se pede, dĂĄ raiva, eu sei. Raiva dele ter tirado o gosto do mousse de chocolate que vocĂȘ amava tanto. Raiva dele fazer vocĂȘ comer cinco mousses de chocolate seguidos pra ver se, em algum momento, o gosto volta. Raiva dele ter tirado as cores bonitas do mundo, a felicidade imensa em ver crianças sorrindo, a graça na bobeira de um cachorro querendo brincar. Ele roubou sua leveza mas, por alguma razĂŁo, vocĂȘ estĂĄ vazia. Mas nĂŁo dĂĄ, nem de brincadeira, pra vocĂȘ ligar pro cara e dizer: ei, a vida Ă© curta pra sofrer, volta, volta, volta. Porque amor, meu amor, nĂŁo se pede, Ă© triste, eu sei bem. Ă triste ver o Sol e nĂŁo vĂȘ-lo se irritar porque seus olhos sĂŁo claros demais, sĂŁo tristes as manhĂŁs que prometem mais um dia sem ele, sĂŁo tristes as noites que cumprem a promessa. Ă triste respirar sem sentir aquele cheiro que invade e vocĂȘ nĂŁo olha de lado, aquele cheiro que acalma a busca. Aquele cheiro que dĂĄ vontade de transar pro resto da vida. Ă triste amar tanto e tanto amor nĂŁo ter proveito. Tanto amor querendo fazer alguĂ©m feliz. Tanto amor querendo escrever uma histĂłria, mas sĂł escrevendo este texto amargurado. Ă triste saber que falta alguma coisa e saber que nĂŁo dĂĄ pra comprar, substituir, esquecer,implorar. Ă triste lembrar como eu ria com ele. Mas amor, vocĂȘ sabe, amor nĂŁo se pede. Amor se declara: sabe de uma coisa? Ele sabe, ele sabe.â
â Tati Bernardi.Â

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