“Acontece que nem tudo depende da gente. E essa é a grande porcaria.”
— Clarissa Corrêa.
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“Acontece que nem tudo depende da gente. E essa é a grande porcaria.”
— Clarissa Corrêa.

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De onde tu é? 👀
Fortaleza CE
Exatamente!
Humm q ce acha em ??
Podemos fingir que é a primeira vez?
dançamos sobre o caos, abraçando a ruína que fomos. nos movimentamos no ritmo que vimos os destroços cedendo, o laço enfraquecendo, a condenação de qualquer futuro que fosse. entrelacei meus dedos nos teus enquanto assistimos o tempo nos engolir e aos poucos tudo de nós ser consumido, inundando todos os cômodos, becos e vielas dos nossos corações, sufocados até o pescoço. até não restar mais nada a fazer.
“a pior das bençãos, a mais bela das maldições.”
te vi habitar em mim, desvendar meus segredos, não temer as rachaduras que aqui dentro crescem, arrebentam. te vi envolver minha escuridão com teus braços, acalmar meu caos, abrandar meus gritos internos. te vi derrubar, uma a uma, cada barreira que ergui no meu peito para não sangrar novamente, só pra me apunhalar em cantos distintos numa próxima vez.
me fez chegar ao paraíso com a mesma boca que me fez conhecer o inferno, envenenou minhas veias de ti, possuiu minha mente, me tirou a razão e o chão. me fez acreditar no amor e ao mesmo tempo jurar nunca mais senti-lo.
tu arrebentou meu peito de dentro pra fora, me fez sonhar e planejar sonhos que nunca ousei pensar tão longe assim, só pra arrancar dos meus dedos como doce em mão de criança.
“te vi desistindo disso, desistindo de mim. logo você, que nunca vi desistir de nada.”
“mas, às vezes, dar um salto à frente significa deixar algumas coisas para trás… então…”
“podemos fingir que é a primeira vez?”
podemos fingir que existe um mundo paralelo, em outra vida mas ainda nessa, que nossas paredes nunca irão virar meros escombros, que o que sonhamos juntos não vão virar apenas memórias jogadas numa gaveta qualquer, que o nosso laço tem força o suficiente para não arrebentar por mais que a vida force? podemos fingir que dar um salto à frente e deixar algumas coisas para trás vale a pena pela pessoa certa? podemos fingir que a nossa música ainda não acabou e seguimos nosso ritmo como se nossa dança tivesse destinada a durar uma vida inteira?
que o que ressoa do teu peito pro meu é mais forte do que qualquer coisa?
me diz: “podemos fingir que é a primeira vez?”
— voarias, inspirado em Arcane.

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23/04/2026 Huan 💙
O BEIJO αNTES Dα ESPαDα
A obra “Gianciotto Descobre Paolo e Francesca”, pintada em 1819 por Jean-Auguste-Dominique Ingres, é mais que uma cena de adultério. É um instante congelado entre o êxtase e a condenação. Ingres, mestre neoclássico que bebeu nas fontes do Renascimento e soube, como poucos, fundir rigor formal com emoção contida, escolhe o momento anterior à tragédia: o instante do toque, do beijo, da entrega. Um momento onde a espada ainda não caiu, mas o destino já está selado. No fundo do quadro, meio nas sombras, Gianciotto observa. É o marido traído, o algoz inevitável. No primeiro plano, ajoelhado, Paolo, o amante, se inclina para Francesca, que recebe o gesto com uma placidez trágica. Ela segura nas mãos um livro: “Lancelot e Guinevere”, história de outro amor proibido que os inspirou à ruína.
A pintura não grita. Ela sussurra. Sussurra que o amor, mesmo em seu formato mais pecaminoso, contém uma beleza que desafia as normas. Sussurra que existem beijos que valem o castigo. A obra é inspirada na literatura de Dante, especificamente no Canto V do Inferno de A Divina Comédia, quando Dante encontra Francesca da Rimini e Paolo Malatesta no segundo círculo, onde são punidos os que pecaram por luxúria. Ali, os amantes são arrastados por um vendaval eterno, símbolo da força descontrolada do desejo. Com uma voz suave Francesca narra:
"Um dia, por passatempo, lemos sobre Lancelot; sós estávamos, sem desconfiança… muitas vezes os olhos se cruzaram, e o rosto empalideceu. Mas foi um só ponto que nos venceu: quando lemos que o desejado riu ao ser beijado por ela, aquele que nunca mais será separado de mim, a boca me beijou, tremendo. Foi o livro, foi quem o escreveu, que nos condenou.
O relato termina em silêncio. Paolo chora. E Dante, tomado de compaixão, desmaia. A primeira vez em que o poeta sucumbe diante da dor alheia.
O mais marcante, porém, é que mesmo nas trevas, Francesca não renega seu amor. Ela não pede perdão. Ela não mostra arrependimento. Ela glorifica o que viveu, mesmo que tenha sido um amor que desafiou leis, alianças e a moral divina.
É um amor que nasceu no texto e se consumou no gesto. Foi literário, carnal, mortal: e ainda assim, foi digno. Francesca e Paolo são os únicos personagens no Inferno que Dante trata com ternura. Não os interroga, não os condena. Apenas escuta. E talvez compreenda.
Talvez seja isso o que ecoa na pintura de Ingres. Talvez seja isso que pulsa no peito de quem a contempla: um chamado à inteireza dos sentimentos, mesmo que trágicos. Uma recusa em viver de meias medidas.
E se o preço for o inferno: que seja.
Que me castiguem os céus ou os homens, mas que ao menos eu tenha amado, tenha sido desejado e tocado por aquilo que realmente queria.
— Se eu fosse capaz de amar.
— Se eu fosse capaz de amar.

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Alex Venezia

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A vida ficou mais silenciosa depois que parei de me explicar. E, curiosamente, ficou mais verdadeira.
Escriturias