Eu serei o vagalume que pisca na espessa escuridão — não para iluminar tuas trevas, pois minha luz é fraca, mas para te despertar a ideia de que há algo além da noite.
Eu serei a voz que te dirá verdades desagradáveis da forma mais amável possível.
Tu jamais estarás sozinha enquanto eu caminhar por esta terra.
Quero que tu dances comigo ouvindo a música dos desterrados. E que rias comigo, simplesmente por sermos. Que me fites com esse olhar de quem carrega dentro o fogo estelar. Que, quando necessário for, junte meus pedaços em formas incongruentes, que só fazem sentido para os que deram um nó na linha que separa a sanidade da loucura. Que me abrigue em teus braços em noites frias demais.
Quando essa dor estranha que te assalta no meio de risadas — e tantas palavras, tantas!, mas que não servem — não conseguirem traduzir esse vazio imenso que aperta teu peito no meio da tarde, e esse cansaço infindável, que parece emanar doutras eras, te emudecer, eu saberei ler teus silêncios.