É tudo isso que me faz seguir em frente.
Ela vem, eletrônica, cadente.
Num tesão frio e calorosa na tortura.
Debulha palavras digitais, numa lógica não humana.
O tempo não existe, mas o meu cabelo cai,
tudo cai com a insistência do tempo.
Não há tempo para ser feliz, mas os meus dentes
caem e já não posso sorrir.
a minha pele não era assim.
Ontem eu estava aprendendo a caminhar e caía.
Amanhã, cairei por conta do meu corpo fraco.
Hoje, caio porque bebo demais.
Quando ela acender a luz, serei libidinoso.
Quando ela ascender no elevador, em algum tempo,
cairemos juntos. Quando estivermos ensanguentados,
presos nas ferragens, talvez fogo ou só mesmo o tesão,
olharei calmo e doce para Mariana, antes de morrermos; direi:
o seu vestido tomara que caia está intensamente rubro,
tal qual o gosto das agulhas nos olhos de quem tenta te amar!
O teu batom borrou e você, mesmo tendo ficado feia, perdeu um dos sapatos:
eu nunca mais vou te ver, Mariana, preciso dormir.