O meu chão abriu quando me vi sem você. Não ouço mais o barulho da TV, a voz empoderada, não sinto mais suas mãos tocarem as minhas. A casa ficou em silêncio e o vazio tomou conta. Mesmo assim, ainda ouço a sua voz. Perguntando como faz o programa voltar ao ar. Sempre ali, sentada no mesmo canto do sofá, como se a sua alma pudesse se fundir com a do amor da sua vida. Como se dali tirasse forças, mesmo com o brilho do olhar apagado há tantos anos. Aquela sala tem um silêncio desesperador, que não acolhe, não ameniza. Estar nesse cenário sem você é como perder o ar, como não ter direção... É uma dor inexplicável, sem trégua. É uma guerra na busca por um motivo pra viver. Querendo partir. Querendo inexistir se eu não tenho você. De nada importa seguir em frente. Se você era o norte. Era o calor, a segurança, a razão. De nada importa viver uma vida onde eu não te veja todos os dias.
















