🔪 Virginia encontrou @coelhinhodapascoa na saída do paintball sangrento e ele disse ❛ i was just... i was trying to help. ❜ 𝒂𝒏𝒅 𝒏𝒐𝒘 𝒘𝒆 𝒂𝒓𝒆 𝒕𝒂𝒍𝒌𝒊𝒏𝒈...
Definitivamente Virginia não entraria naquela atração. Se estivesse em um momento mais bem-humorado e seu melhor amigo de Nova Jersey insistisse muito, se arriscaria e até se divertiria. Mas... Não estava no clima. Para dizer a verdade, estava se sentindo um pouco paranóica desde que pisou na entrada da festa, se perguntando por que aquele sangue todo parecia tão real e, se de fato fosse, de quem havia vindo. Não tinha necessariamente problemas com sangue, porém, ali o excesso estava aborrecendo-a. Sentia-se como se o cheiro estivesse por toda parte e isso sim era incômodo. Só queria pegar outra bebida quando foi parada por um trio de pessoas fantasiadas de Merlin, que a chamaram para entrar no paintball com eles e completar a partida porque o quarto Merlin tinha ido para o Navio Fantasma. Ela negou educadamente na primeira vez, mas na segunda, um dos Merlins deixou que seu robe ensanguentado pingasse em sua roupa e ela saiu irritada. Céus! Não estava nada interessada em parecer assustadora, muito obrigada. Só queria usar uma micro-saia em paz (mesmo apaixonada pela moda local, o cumprimento das roupas a aborrecia demais de vez em quando) e se sentir linda e sexy! Deu mais alguns passos antes de sentir uma mão em seu ombro e se virou, com o ódio de mil vilãs depois de serem chamadas de feias. "O QUE? MAS QUE INFERNO, ME DEI-" se interrompeu ao perceber que não se tratava dos Merlins, mas sim de Bunnymund lhe estendendo um lenço. "...Ai. Me desculpa! Pensei que você fosse o Merlin!" quis bater na própria testa "Que vergonha! E obrigada, a ajuda é muito bem-vinda." sabia que estava corada de constrangimento "Tem algo que eu possa fazer para provar que não sou uma égua grosseira, mas sim uma senhorita Unicórnio muito fofa e adorável? Ou divertida, pelo menos."
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🔪 Virginia encontrou @captnfenix no Open bar de Halloween 𝒂𝒏𝒅 𝒏𝒐𝒘 𝒘𝒆 𝒂𝒓𝒆 𝒕𝒂𝒍𝒌𝒊𝒏𝒈...
Ginny sentia uma saudade tremenda de ser bartender às vezes. Continuava sendo uma vendedora naquele mundo, mas não podia negar que, apesar de odiar ter três empregos e o bar ser o que mais atrapalhava seu sono e rotina antigamente, ela gostava de interagir com a maioria dos clientes. Pensava nisso enquanto percorria o open bar, indecisa sobre o que beber. Foi aí que teve uma ideia. De longe viu Esme parecendo estar na mesma indecisão e apesar de não se conhecerem mais do que de vista, ela se aproximou. "Oi! Ok, vou fazer uma proposta e juro que não é cilada, juramento de Unicornio!" levantou as mãos para mostrar os dedos descruzados "Me diz três palavras e vou tentar montar um drink baseado nelas e no que tem aqui. O que fizer pra você, faço pra mim também, igualzinho." sugeriu. Adorava fazer brincadeiras assim com os clientes quando o bar não estava muito cheio. "Já foi bartender, não vou misturar qualquer coisa, prometo."
🔪 Virginia encontrou @caradep4u no Túnel do Amor 𝒂𝒏𝒅 𝒏𝒐𝒘 𝒘𝒆 𝒂𝒓𝒆 𝒕𝒂𝒍𝒌𝒊𝒏𝒈...
"Oopsie!" Virginia riu consigo mesma ao entrar no barquinho (com a ajuda de um ser mágico vestido de cupido?). Estava um pouquinho alegre depois de experimentar vários drinks no open bar, não que precisasse disso para ser desinibida, claro, mas podia culpar o álcool por estar vendo aquela coisa rosa cheia de corações em meio às outras atrações. Ficou tão distraída conversando com uma pessoa mascarada que nem notou direito em que fila estava, só sabia que era túnel de algo. Bom, ao ler a placa na entrada, ela pensou que aquela galera realmente sabia como criar algo assustador. E que talvez não fosse muito apropriado. "Encontre o amor verdadeiro depois de sair cheio de sangue de um paintball ou de costurar um corpo! Beije a garota!" Mas sei lá, devia ser da cultura deles enfiar romance em tudo. Já estava lá e prosseguiu, mesmo sem par e sem acreditar naquela baboseira. Contudo, o lugar exalava feromônios e na hora que o homem que a acompanharia se acomodou, ela quase prendeu a respiração. Gostoso. Ah, pronto. Tinha acabado de chamar o Pinóquio de gostoso mentalmente. Sua criança interior que foi ao cinema assistir Shrek 2 jamais imaginaria tal reviravolta. "Oi... Hey. Achei que isso aqui ia ser tipo um túnel de terror, não de tesão-" pausou "tensão." se corrigiu "Que porra estou dizendo? Pinóquio, não é? Bem famoso no meu mundo. Eu sou a Unicórnio. De Wonderland. Ou a Sailor Moon pela noite, sua escolha."
🔪 Virginia encontrou @rainhalouca no palácio do Castelo Bem Assombrado e ela disse ❛ can i ask you something and you can tell me to fuck off if you want? ❜ 𝒂𝒏𝒅 𝒏𝒐𝒘 𝒘𝒆 𝒂𝒓𝒆 𝒕𝒂𝒍𝒌𝒊𝒏𝒈...
Virginia arqueou as sobrancelhas, sem entender porque Iracebeth levaria sua opinião em consideração sobre qualquer coisa. Toda vez que esbarrava com a Rainha Vermelha por aí, entrava em uma espécie de meditação improvisada: você tem que odiar essa mulher. Ela é o homem mau da sua história. Ela corta cabeças. Não vá com a cara dela, não empatize, não simpatize, não queira amizade. Mas se ela continuava tendo que repetir aquilo para si mesma, significava que não estava funcionando. O que podia fazer? Se identificava com a mulher, com as coisas que chamavam de loucura. E tinha consciência de que se estivesse ali para ser Virginia Anderson, e não para assumir um papel já definido, jamais teria despencado naquele mundo como uma personagem do Reino Branco, por mais que gostasse de Mirana. Ela não era boa dessa forma. E se lhe fosse dado o poder, já teria cortado fora muitas cabeças na vida, não metaforicamente falando. Sabia disso. "Claro." Sorriu "Sempre quis mandar alguém de alguma realeza pro inferno, seria uma ótima chance. Mas acho difícil que você diga algo que me faça querer te xingar, Rainha Iracebeth."
Esse POV se trata de um assassinato cometido por um serial killer e as consequências desse crime. É um POV muito útil para entender a personagem, a personalidade e algumas ações dela. Porém tenho consciência de que é BEM pesado e pode ser difícil de ler. Tentei ser o menos descritiva possível, ainda assim, alguns avisos de gatilho serão listados abaixo. Outro ponto importante: a história é completamente fictícia e não é baseada em algum crime ou assassino real. Alguns elementos muito pontuais tiveram base em relatos reais ou seriados, mas tanto os personagens quanto as situações e locais são ficcionais. Ele é longo, porém é dividido em partes mais curtas que se passam em diferentes datas (e idades) da Virginia. Os subtítulos deixam bem claro, é só olhar para não se perder! Se esse tipo de conteúdo te causa desconforto, recomendo que não faça a leitura ou que pule algumas partes assinaladas nos gatilhos.
AVISOS DE GATILHO:
prostituição, descrição de cativeiro e ferimentos da vítima (pt. 2 - 2017) menção a outros dois assassinatos (sem descrição), desaparecimento, descaso policial, diálogo transfóbico e misógino (pt. 3 - 2009, fala do policial), reconhecimento de corpo (sem descrição), incitação à pornografia, tentativa de aliciamento, ameaça, uso de arma branca, sangue/ferimento, comportamento paranóico, estresse pós traumático.
2007 - 10 ANOS
A casa das Anderson sempre teve uma rotina bem organizada. Moravam apenas mãe e filha. Lucretia trabalhava na noite e fazia questão de voltar para casa no máximo até às seis da manhã, para que pudesse tomar um bom banho, ela mesma arrumar a filha, o café da manhã e levar a criança para a escola mais tarde. Só quando voltava ia dormir. Uma vizinha, cujo filho estudava na mesma escola, trazia Virginia junto e ela passava o final da tarde com sua babá, a “Vovó Vivi”, como só ela podia chamar a senhora, enquanto sua mãe se arrumava e ia para as ruas buscar clientes noite adentro. Depois do jantar a babá levava a menina para o apartamento, mas Virginia já sabia se ajeitar para dormir sozinha. Ainda assim, mandava uma SMS para a mãe quando chegava em casa e outra quando ia dormir. Era um prédio pequeno, com janelas gradeadas e apartamentos muito apertados. Elas viviam no mesmo andar da melhor amiga de Lucretia, a travesti Vegas Mercy e dois andares acima da babá. Todos os dias pareciam um pouco iguais no apartamento de apenas um quarto, com só uma cama de casal que mãe e filha usavam, uma cozinha misturada com sala de estar e um cubículo minúsculo como banheiro. Era um apartamento asseado e cheiroso; Lucrecia semanalmente tirava um dia para levar as roupas na lavanderia e fazer aquela faxina e Virginia, com seus dez anos, se orgulhava de já conseguir ajudar a mamãe a “manter a casa muito lindinha”, em palavras dela. Ela não sabia exatamente o que sua mãe fazia, mas sempre a ouvia dizer para tomar cuidado com homens mais, não falar com estranhos e estudar para ir para a faculdade. Ginny queria ir para Princeton por causa do filme 'Uma Nova Cinderella'. Era onde princesas estudavam.
O dia 12 de agosto, no entanto, era um pouco diferente dos demais. Lucretia encomendava um bolo com uma confeiteira das redondezas, montava uma mesa e elas assopravam velas de aniversário antes da aula. Nesse dia a mãe não trabalhava: levava a filha para a escola, a buscava no fim da aula e durante a tarde Virginia procurava pela casa o presente escondido pela mãe, numa caça ao tesouro. Quase sempre alguns amigos da família apareciam mais tarde, alguns com presentes, outros apenas com suas presenças: Vovó Vixen, titia Mercy, tio Johnny e seu namorado do ano. Ginny convidava as crianças da escola, mas nenhuma nunca apareceu, nem mesmo Paul, o garoto do prédio vizinho que vinha com ela para casa. Ela até ficava triste, mas adorava colocar o vestido novo que Mercy lhe presenteava e ouvir a rádio de músicas retrô, sua favorita. Eles cantavam, comiam bolo, ela brincava com seus presentes e no dia seguinte ia de vestido novo para a aula. Tia Mercy era a mais criativa de todas e a transformava na criança mais estilosa do mundo todo.
Naquele ano, depois de se despedir dos amigos e colocar a menina na cama com seu pijaminha de nuvenzinhas, Luce deu um suspiro aliviado ao jogar fora as dez velas do bolo. Haviam sobrevivido juntas e bem naquele mundo por mais um ano, completado uma década. Aquela era sua maior conquista. Haveriam mais, ela pensou com otimismo.
2017 - 20 ANOS
Outubro era o mês favorito de Virginia. Ela ia ao máximo de festas de halloween possíveis, improvisava fantasias incríveis, encenava The Rocky Horror Picture Show em um teatro meio decadente em NY, assistia às crianças pedindo doces ou travessuras. Até sua energia, já hiperativa e caótica, ficava ainda mais marcante. Naquele ano, no entanto, um compromisso destruiu seu ânimo completamente. O primeiro temido julgamento. Aos 20 anos, ela poderia ter escolhido ser representada somente pela advogada, mas queria estar lá. Haviam encontrado o corpo de Lucretia há quase cinco anos; depois de tanta agonia, trâmites legais, trocas de advogado da defesa e espera, ela não aguentaria ficar em casa.
O réu era um homem qualquer. Estatura mediana, cabelos castanhos meio ralos, olhos de uma cor escura. Usava óculos, parecia descuidado da aparência e vestia um terno cinza que não lhe servia direito. Alegava inocência. Havia confessado os outros dois assassinatos posteriores com o mesmo modus operandi, imitando a cena da primeira morte, mas o de Luce ele negava veementemente. “Ela estava viva, eu juro. Não faria isso, não com ela. Eu amo a Lucy! Ela estava viva, eu juro.” Ficava repetindo, então entraram os advogados de acusação, falando sobre detalhes do cativeiro, da cena do crime, exibindo em um telão fotografias que Virginia nunca tinha visto, detalhes que ela não conhecia. Era um quarto com uma parede inteira coberta com fotos analógicas que ele tirou da mulher, a maioria sem que ela soubesse, enquanto a seguia pelas ruas e algumas poucas dela já no cativeiro. Tinha uma cama de casal com cabeceira de metal retorcido formando curvas pintadas de prateado, uma roupa de cama florida. Seria bonita se não houvessem manchas de sangue seco nas algemas presas na cabeceira, nos travesseiros e nos lençóis. O piso branco estava imaculadamente limpo, mas as paredes pareciam ter sido arranhadas com diferentes tipos de objetos e também com unhas. Uma folha de papel foi encontrada presa na dobradiça da única janela, um retângulo minúsculo no banheiro que não tinha porta. Dizia, com caligrafia rudimentar, com algo que depois foi identificado como sangue da mulher "Estou aqui. Ajuda." Os pulsos da vítima estavam em carne viva quando a encontraram e quase todas as unhas haviam sido quebradas e arrancadas; ela lutou muito para sair dali. O que Virginia sabia já era ruim o suficiente, mas ver as imagens… Ela encarava as fotografias das evidências sem desviar o olhar por um segundo. O homem a olhava como se ela fosse o presente de aniversário escondido que ele havia acabado de encontrar. Ela o olhou apenas uma vez, inexpressiva. Seu estômago se retorceu e por anos, quando a insônia a atacava, jurava ter visto aqueles olhos com cor de nada no escuro. Às vezes ficava deitada na cama imaginando como poderia fazer para torturá-lo e matá-lo longamente, a cada vez aperfeiçoando o plano mais um pouco, só isso a fazia dormir feito um bebê.
2009 - 12 ANOS
Virginia acordou com o despertador e imediatamente estranhou. Onde estava sua mãe? Era doze de agosto! Será que ela tinha pego trânsito? Se atrasado por causa de uma pane no metrô? Podia acontecer… Mesmo aborrecida por ter começado seu dia especial do jeito errado, ela logo foi até a cozinha e abriu a geladeira. Um bolo redondo com cobertura de chantilly cor de rosa estava ali, sinal de que a data não tinha sido esquecida e sua mãe apenas estava atrasada. A menina se arrumou sozinha para a escola e esperou, esperou, esperou. Perdeu o horário para a aula. Tentou ligar, mas o celular da mãe estava desligado. Foi até o apartamento de Mercy e bateu na porta, sendo recebida por sua tia postiça muito aborrecida por ter sido acordada tão cedo. Perguntou se ela sabia algo sobre Luce, mas nada. Ambas foram até Vovó Vixen, que também não sabia. Mercy a deixou com a senhora e disse que iria até o trabalho da mamãe ver se ela estava por lá. Quando voltou, expressão dela entregou tudo antes que uma palavra fosse dita: nem sinal.
Esperaram até o fim da tarde e foram até a delegacia. Vegas até usou suas roupas e seu nome “de tio”, mas os policiais disseram que precisavam esperar 72h para iniciar as buscas. Preencheram papéis e as dispensaram.
Apareceram três dias depois para revistar o apartamento. Virginia quis gritar com todos eles. De que adiantava procurar ali? Ela já tinha olhado em todos os cantos e não tinha nada, nem um bilhetinho minúsculo, deixado por Lucretia. Decidiram falar com Mercy, já que a mesma havia ido à delegacia. A criança se escondeu atrás de um móvel para escutar a conversa. Uma grande bolsa feminina havia sido encontrada no banco de trás de um carro de uma empresa de aluguéis que a levou até a polícia depois de descobrir que os documentos entregues pelo último locatário eram falsos e que todos os telefones para contato estavam fora de acesso. Na delegacia, os documentos dentro da carteira batiam com o boletim de ocorrência aberto no dia doze. Lá dentro, além da carteira, havia um conjunto simples de calça jeans, camiseta e tênis, um pacote fechado de preservativos, spray de pimenta, um rolinho de papel de presente e uma caixa da boneca Barbie Quero Ser Noiva, que Virginia havia visto na televisão muito tempo antes e ficado encantada. Aquele era para ter sido um aniversário como todos os outros. Eles mostraram as fotografias, mas todas as coisas estavam apreendidas, assim como o apartamento estava isolado para investigações. Disseram à Mercy que logo o serviço social viria até elas para tomar providências quanto à menina.
“Acho perda de tempo procurar essa mulher. Encontrou um cliente rico e deixou a filha pra trás… Ou decidiu mudar de ramo e tá por aí com esse cara que falsifica documentos. Gente boa não é.” o policial acendeu o cigarro, recostando-se na viatura. Já era noite e Virginia estava sentada nos degraus que levavam à entrada do prédio, aproveitando a escuridão causada pela lâmpada queimada do hall de entrada para ficar sozinha uns minutos.
“Não é uma vítima como qualquer outra? Não tem nenhum sinal no apartamento de que ela planejava fugir e…” um outro oficial, um pouco mais jovem, começou a falar, mas foi cortado por uma risada.
“Você claramente nunca comeu puta na vida, né Shaw? É só balançar mais dinheiro na frente delas e pronto, vão atrás que nem cachorra querendo carne.” o homem jogou a bituca do cigarro no chão e pisou em cima “Você mesmo viu o que as outras putas disseram, ela não foi forçada a entrar no carro.”
“Mesmo assim, Turner. Ela queria voltar, eu tenho certeza. Tinha o aniversário da menina, o bolo, até presente! A detetive Stevens vai concordar comigo. Se fizermos um bom trabalho, ainda podemos trazer essa mulher pra casa, apesar de já termos perdido tanto tempo.”
“Quando trouxer me avisa então, uma mulher bonita daquelas… E que aparentemente cobra barato, já que mora nesse muquifo de merda, ia ser um alívio não ter que comer puta feia uma vez na vida.” deu uma pausa, franzindo as sobrancelhas para o outro, que estava de costas para Virginia. “O que? Ah, não me olha com essa cara não, porra! Se disser que não pensou a mesma coisa eu não acredito. Só espero que o serviço social dê um jeito de não deixar a menina com aquele homem de peruca. É novinha, mas é bonita. Vai acabar virando puta também.”
Aquela frase foi um divisor de águas: era uma menina antes, mas dali em frente era uma puta também.
2013 - 16 ANOS
Virginia levou alguns segundos para notar o celular tocando. Era domingo e finalmente podia dormir. Trabalhava em uma loja Target durante o dia e como garçonete em um bar de karaokê pela noite. Os preços das coisas estavam aumentando demais e ela tinha começado sua poupança para conseguir uma moradia em Nova York de uma vez por todas, já que o trajeto de Jersey pra lá era extremamente exaustivo. Bocejou, a luz do sol invadindo o quarto por uma frestinha aberta da cortina. Atendeu com a voz sonolenta, mas assim que ouviu a frase na voz agora conhecida do detetive Shaw, despertou na hora.
“Encontramos sua mãe, Virginia.” o coração dela parou. Há tanto tempo não tinha mais esperança, mas por um segundo sonhou que Lucrecia estivesse viva. “Eu sinto muito. Nós precisamos de você para o reconhecimento oficial do corpo.”
“Ok.”
“Você está em casa?”
“Sim.”
“A detetive Stevens vai te buscar e te acompanhar pelo dia. Ela entrou em contato com a senhora Morgan e com a assistente social de vocês. Não te deixaremos sozinha.” ele disse, usando o sobrenome de batismo de Mercy. Ele era um dos poucos oficiais que a chamavam de senhora, mesmo que já estivessem em contato com a equipe por um tempo, principalmente depois que dois casos semelhantes aconteceram na região.
Encerrada a ligação, não demorou para que Mercy aparecesse no quarto, chorando. Elas choraram e sem dizer uma palavra foram se trocar para receber a detetive e a assistente social. Ainda não tinha contado para a mãe de criação que largou a escola, mentia dizendo que trabalhava por meio período. Agora tudo viria à tona, mas ah, que se fodesse o mundo. Estava exausta de ser humilhada naquele colégio.
Sweet sixteen, Virginia Anderson. Depois de reconhecer a mãe por um anel que ela sempre usava e pelo que restava dos cabelos, estava feito. Com exames de DNA, era oficial, Luce Anderson foi assassinada em outubro de 2007, depois de ficar dois meses em um cativeiro que foi transformado em um santuário para a vítima pelo próprio criminoso. Ele dizia apenas ter decorado o espaço em homenagem à Lucretia, porque “a amava muito e ela era tão bonita”, mesmo com todas as evidências físicas apontando para ele.
Deitada em seu quarto na residência que dividia com Mercy, Virginia teve um pensamento que nunca mais lhe saiu da cabeça: Amor era uma palavra bonita para obsessão e controle.
2020 — 23 ANOS
Virginia estava no estande da WonderLust em uma feira de entretenimento adulto. Nessas feiras todas as vendedoras usavam crachás com nomes falsos, o que já era normal para ela, que adotou o sobrenome Morgan depois de passar a viver com tia Vegas. Naquela noite, ela usava calças de couro, uma blusa branca com o logo da loja, uma tiara com orelhas de coelho cor de rosa e um crachá em formato de coração onde se lia “Cheryl”, como em todas as feiras e eventos. A dona da franquia achava prudente esconder a identidade real das meninas, especialmente em feiras maiores como aquela. Estavam em Los Angeles, em um hotel no coração de Hollywood e Ginny tinha uma folga antes de seu voo para casa, então estava pensando em ir para alguma praia menos movimentada, talvez Hermosa ou Redondo Beach. Nunca tinha tempo para ir à praia.
Atendeu vários clientes naquele dia. Casais, grupos, pessoas sozinhas, nada fora do costume, até que um homem chegou. Era bem comum, na casa dos quarenta anos, disse ser jornalista e cinegrafista e estar procurando um presente para a esposa. Escolheu uma lingerie vermelha que compunha uma fantasia de diabinha, um vibrador duplo e alguns óleos de massagem. Conversava enquanto Virginia embalava tudo para presente, mas ela não prestava muita atenção, respondendo no automático, até ele dizer uma frase estranha:
— A semelhança é realmente impressionante.
— O quê? — perguntou, confusa.
— Você e ela tem os mesmos olhos, pelo menos das fotos. É como ver Lucretia ao vivo. — ele respondeu e Virginia congelou.
— Não conheço nenhuma Lucretia, sinto muito. — disse com o máximo de frieza que conseguiu reunir para parecer casual.
— Eu gostaria de ter conhecido. Mas te conhecer é o bastante. Sou obcecado pelo caso. — os olhos dele brilhavam como se olhasse para um brinquedo brilhante em uma estante. — Você faria uma fortuna se fizesse um filme caseiro… Tem muita gente louca pelo caso que pagaria muito. Eu poderia te fotografar, te filmar. Conheço um fórum dedicado apenas aos assassinatos de Trenton. Vou deixar meu cartão com você, Virginia. Pense a respeito, você pode ganhar o que sua mãe nunca pôde e eu nunca te machucaria, só quero fazer umas fotos ou vídeos.
Ele saiu tão casualmente quanto entrou, deixando um cartão de visita com o endereço de um site rabiscado logo abaixo do telefone. Ela correu até o banheiro, enjoada, trêmula, e vomitou tudo o que tinha no estômago. Pegou o celular e procurou o site pela guia anônima, encontrando o que já esperava: um fórum sobre sua mãe, o assassino e as demais vítimas dele. Haviam fotos, informações que deveriam estar em segredo de Estado, vários tópicos com comentários. Um deles falava sobre uma busca pela filha de Lucretia Anderson, sobre quem não se havia notícias graças à proteção dos dados das pessoas próximas. Mas jornalistas eram uma raça maldita quando queriam. Depois de chorar por muitos minutos, ela refez a maquiagem e voltou ao estande, onde trabalhou até o fim de seu turno. Quando saiu, a primeira coisa que fez foi discar o número no cartão.
— Eu pensei na sua proposta. — disse antes que o homem pudesse responder — Não sei se quero fazer isso… Mas eu gostei de você. Queria conversar mais. — a mentira quase lhe fez vomitar de novo. Ele respondeu com entusiasmo, perguntando por um ponto de encontro. — A saída de emergência C dá para um beco bem escondido…
E foi assim que, meia hora depois, o mesmo homem apareceu, sem as sacolas de compras.
— Sabia que você faria a escolha certa. — ele sorriu.
— Ainda não tenho certeza. E preciso saber se você não está me filmando agora. Só quero conversar e saber exatamente o que você quer.
— Pode me revistar. — o homem levantou os braços, fazendo-a arquear as sobrancelhas. Ela lhe fez uma revista completa, constatando que ele não tinha câmeras ou armas de qualquer tipo.
— Você realmente acha que valho tanto assim?
— Oras… Claro que vale, Virginia.
— Mas eu não sou experiente, nunca fiz isso. Você nem sabe se eu ficaria bem em câmera.
— Sou fotógrafo, sei essas coisas de longe.
— Ah… É que… Talvez eu ser filha dela não seja o suficiente. Você está prometendo muito dinheiro e eu realmente preciso de muito dinheiro. Não faria por menos do que umas dezenas de milhares…
— Se você me mostrar do que é capaz, posso te dizer quanto o filme vale. Só estava pensando em te fotografar com roupas parecidas, te filmar amarrada… Mas se tiver ação, vai valer bem mais.
— Ação do tipo… Oh, entendi. Ok. Eu vou te mostrar, se encosta ali. — apontou uma parede.
— Você é doente, garota. Só pode. — ele riu quando ela se abaixou à sua frente, descendo suas calças e roupas íntimas até o joelho. Aparentemente, só conversar com a filha de Lucretia Anderson já era o suficiente para dar uma ereção àquele homem.
Virginia segurou na base de seu órgão genital e abriu bem a boca, olhando-o de baixo e piscando algumas vezes. Quando foi segurá-lo com a outra mão, tinha um canivete de cabo cor de rosa.
— É uma pena que você não tenha uma câmera, porque isso aqui daria um filme snuff dos bons. — ela sorriu, encostando a lâmina bem onde começava o órgão. O homem gritou, grave, alto, em pânico. — Eu se fosse você não me mexeria muito, posso acabar escorregando. — ela gargalhou, percebendo que ele estava prestes a empurrá-la e lhe dando uma cotovelada nos testículos para que perdesse a força. O movimento fez com que o canivete abrisse um corte pequeno no interior de sua coxa. — Meu nome é Cheryl Miller, senhor. Não conheço nenhuma Virginia Anderson. — afundou um pouco mais a lâmina, olhando o filete de sangue que escorreu com nojo. — Como é meu nome mesmo?
— Ch-Cheryl Miller.
— Tão inteligente… — ironizou — Endireita as costas, anda! Puta que me pariu, que homem lerdo! — girou os olhos, ficando de pé, o canivete ainda próximo da genitália masculina.
— Aquele fórum de vocês é um absurdo. — cortou um tracinho na barriga dele, quase na genitália. — Nunca parou para pensar que essas moças têm famílias vivas? Achei de péssimo gosto. Não só eu achei… Trabalho para algumas pessoas que também não acharam aquilo nada bom. — blefou, enquanto continuava cortando — Você tem até amanhã de manhã para tirar tudo do ar, não me importa quem seja o dono. Fale com quem precisar, dê seu dinheiro, sua bunda, seu sangue se precisar. Ou vai dar sua vida. Tem sorte que me deixaram te dar uma chance. É maluco, por acaso? Ou só idiota mesmo? Acha que garotas bonitas ficam por aí em feiras dando sopa querendo fazer filmes com uns imbecis como você? Eu não gosto de desrespeito, tá? Meu chefe tem olhos em todos os lugares, consigo acabar com a sua vida assim. — estalou os dedos, finalmente guardando a lâmina. — Ah, boa sorte explicando essa cicatriz para a sua esposa. Se é que um homenzinho patético como você tem mesmo uma. — disse, antes de lhe dar uma joelhada entre as pernas, que o fez cair no chão, gemendo de dor e ostentando uma ferida em forma de estrela acima dos pêlos pubianos.
Virginia seguiu para seu hotel como se não se importasse com nada, mas ao chegar lá chorou e tomou banho com água tão quente, esfregando a pele por tanto tempo e com tanta força que ficou completamente vermelha. Não saiu no dia seguinte, nem mesmo para o café da manhã do hotel. Saiu quase na hora de seu voo, nunca falou com ninguém sobre o incidente. O site realmente foi deletado e nunca reapareceu, ao menos não até seu sumiço para o Reino dos Perdidos. Ela continuou de olho pelo surgimento de outros, enviou as provas que tinha para a polícia, mas além dos ocasionais podcasts ou vídeos sobre a história (que não citavam seu nome, já que não constava nas informações disponíveis para o público), nada mais estranho surgiu. Foi sorte seu blefe ter dado tão certo, porque não tinha ninguém com olhos em todos os cantos querendo protegê-la.
Ela não queria ser definida por aquele assassinato. Não queria que sua mãe fosse definida por isso também. Estava lutando para se mudar para Nova York, conseguir ter um emprego só, terminar o ensino médio por um supletivo, talvez entrar numa Community College ou ter seu próprio negócio. Era inteligente, cheia de vida, fazia teatro, tinha aprendido a estilizar e fazer suas próprias roupas, amava moda e segundo sua chefe tinha uma mente brilhante para vendas. Poderia ter um futuro além de um cativeiro. Mesmo que sonhasse com um cubículo com fotografias suas ao invés das de Luce, que fosse paranóica com a ideia de estar sendo seguida, filmada ou fotografada. Era criativa, tinha uma boa família (Mercy era a melhor mãe com quem Lucretia poderia tê-la deixado), boas pessoas ao seu redor. Era feliz.
Não tinha medo de nada. Não tinha medo de ninguém. Só dele. O homenzinho com cara de nada. Mas ele estava na prisão sem direito a condicional. Aquelas duas cidades eram seu território, não dele. Ela se movia como se tanto NJ quanto NY lhe pertencessem. Aliás, ela se movia como qualquer lugar que pisasse lhe pertencesse. Não celebrava mais aniversários, mas essa foi a única coisa que Virginia permitiu que ele lhe tirasse. O estranho, ela às vezes pensava ao se olhar no espelho, é que parecia jovem e moleca demais, como se os anos não celebrados não tivessem passado. Um rosto de adolescente em uma mente que já estava cansada e de saco cheio havia muito tempo. De resto, ela não deixaria que ele vencesse. Enfrentaria seu maior medo dia e noite, lhe arrancaria a cabeça se fosse preciso. Sua obsessão fantasiada de "amor" não era nada perto do quando ela e sua família improvisada amavam sua mãe.
Amor, naquele sentido romântico e pífio da palavra, era algo que sequer existia. Era assim que ela pensava e assim que levava a vida.
We got the empire, now as then
We don't doubt, we don't take reflection
Lucretia, my direction
Dance the ghost with me
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Virginia não se empolga com muitas coisas, mas Sailor Moon e o guarda-roupa mágico que trás qualquer roupa que ela pede para a realidade são definitivamente duas das que realmente a deixam feliz. Agora, já acostumada à essa regalia do mundo mágico, ela aproveita cada evento do reino e já acordou feliz da vida pensando "Você vai me deixar linda de Usagi Tsukino de Sailor Moon. Ah, eu quero tipo a da Paris Hilton, com os cristais e o corpete. Isso mesmo, estou imaginando, armarinho, estou pensando direitinho, porque queria muito essa fantasia, mas teria que comprar um monte de strass vagabundo e colar, mas aqui posso usar cristais de verdade e você vai fazer todo o trabalho!" estava quase dançando pelo quarto "Você não sabe quem Paris Hilton é, né? Nem Usagi Tsukino. Ainda bem que eu existo para te ensinar algumas coisas." ela disse, finalmente abrindo as portas e encontrando tudo exatamente como queria. E seu cabelo? 6 mil Merlos! (Ou pelo menos parecia ter feito por um cabeleireiro que cobraria esse tanto)
"Ei! Nada de chifrada na bunda. Eu estou tentando ajudar." Robert até tentou fingir que aquilo era uma conversa séria, mas o sorrisinho nos lábios o entregava. "Mas já que estamos aqui, o que você come quando está na forma de um unicórnio?" Completou a brincadeira, como se isso fosse uma informação importante que ele precisava saber quando se tratava de estudar unicórnios. Ele acabou rindo também quando Ginny comentou que Robert era comprometido com os estudos, o que era meio que verdade. Desde que chegou ali, vinha realmente se esforçando na academia de magia e tudo mais. Tinha até ganhado uma competição de perguntas sobre o mundo mágico no dia do torneio, então... Deus, será que as pessoas estavam começando a achar que ele era um nerd? Tinha se dado bem na época do colégio sendo popular e agora seu destino seria o contrário no mundo das histórias? "Bem, talvez você esteja mesmo com a bateria fraca." Ele comentou sobre o chifre da unicórnio, que Ginny comentou que piscava como se estivesse falhando. E dessa vez ele nem estava brincando com ela, lembrando-se das noites em que ele sofria com aquela maldição. "Todos nós estamos. No meu caso, alguns apagões durante a noite... eu acho que eu ando até... algum lugar próximo ao mar. Quando eu volto, estou molhado e muito cansado." Depois do brinde dos dois, Robert deu alguns goles em seu copo de cerveja. Gostava do ambiente do Bloody Hooked. De alguma forma, fazia Robert se recordar dos bares dos tempos da faculdade. Mas a conversa com Ginny era completamente diferente; ao invés de Robert estar escutando conselhos para conquistar alguma mulher ou algum cara, a amiga estava fazendo o oposto disso. E não era nem um papo para esquecer alguma crush que deu errado, era pra evitar que sequer chegasse àquele ponto. "Por que eu sinto como se devesse estar anotando tudo isso?" Ele disse assim que escutou o termo Coyote Ugly. Ele riu, terminando o seu copo de cerveja. Americanos eram engraçados. "Então... certo. Então vamos por partes..." Robert recostou-se na cadeira, tentando entender toda a lógica daquilo. "Eu começo a ver o lado negativo de uma pessoa... ignorando completamente as coisas positivas..." Continuou, falando como se fizesse as próprias anotações mentalmente. "E então eu durmo com ela, pra no dia seguinte acordar querendo arrancar o meu braço..."
"Sua bunda." respondeu simplesmente "Nunca acordou com dor nela depois dessas caminhadas misteriosas?" apoiou o cotovelo na mesa e o queixo na mão ao ouví-lo falar. "Não lembro, normalmente só me transformo parcialmente. Espero que sua memória se estabilize e que você seja cuidadoso, não seria bom receber a notícia de que você foi levado pelo mar de madrugada. Ou que desapareceu." disse, com certa preocupação pelo rapaz, a última palavra lhe causando um incômodo no estômago, sua expressão tornando-se séria. "A Senhorita Unicórnio teria que procurar outra bunda para comer, não queremos isso." voltou ao tom de brincadeira para não deixar espaço para perguntas sobre sua preocupação. Pensar em pessoas desaparecidas chegava a lhe causar ataques de pânico e mesmo que nunca tivesse dito em voz alta, gostava de Robert. "Porque deveria, é uma aula." girou os olhos, brincando. Mas ao ouví-lo falar ela apenas riu e fez uma careta. "Me leve um pouco a sério! Ou seja menos literal, sei lá!" exclamou "Não precisa ignorar o positivo, só dar uma ênfase mental ao que for irritante. Muito menos dormir com a pessoa, mas se quiser aí já é problema seu." tamborilou na mesa, pensando num jeito de explicar seu ponto. "Vou dar um exemplo prático. Vamos fingir que estamos nesse bar flertando e que estou ponderando se te acho atraente ou não." inclinou a cabeça ligeiramente para o lado, ajeitando a postura para parecer mais charmosa, exatamente como faria se estivesse em meio a um flerte. "Muito bonito. Sorriso incrível. Senso de humor terrível, me irritaria muito rápido. Literal demais, detesto ter que ficar explicando as coisas. E trabalha numa biblioteca, o que significa que deve ser desses intelectuais, esse estilo de vida não combina em nada comigo. Veredito: vale a noite e uma amizade, talvez nem saísse correndo da casa dele antes de amanhecer!" comentou como se falasse consigo "Aí não me apaixono por você porque mantenho em mente que é mais útil na minha vida sendo um bom amigo do que uma paixão." bebeu o finalzinho de sua cerveja "Vai, me avalie mentalmente. Sem dó, no hard feelings."
Em meio a todo aquele caos a única coisa que agradava Gaston era o fato dele ter conseguido abrir um estabelecimento que gostava tanto. Ter sua Taverna era uma realização pessoal muito significativa para si. Ficava feliz produzindo e vendendo suas cervejas que faziam tanto sucesso no Reino, e mais feliz ainda quando tinha oportunidade de falar sobre elas, ou sobre si mesmo, ou sobre suas conquistas que eram expostas como fotos enormes emolduradas e penduradas pelas paredes do local. Não havia uma vez sequer que flagrou alguém olhando para suas fotos e troféus e não chegou perto para se gabar; obviamente não agiria de forma diferente ao presenciar Virginia naquela situação. Aquela perdida irritante, que parecia fazer questão de ir até o seu estabelecimento só para tirar sua paz, e que desfazia de absolutamente tudo que fosse relacionado a ele, não passaria despercebida logo agora que parecia estar o admirando pela primeira vez. Após aproximar-se da mulher, que encarava um dos seus quadros, ele limpou a garganta. “Eu sempre soube que a sua insolência era atração reprimida.” comentou enquanto puxava do bolso um lenço e a oferecia. “Pra você limpar o canto da sua boca, tem algo escorrendo.”
"Oh! Estava mesmo precisando dar uma escarrada. Essa coisa de ser meio cavalo, meio gente deixa meu sistema respiratório tão confuso..." bateu os cílios, fingindo o olhar discreto de uma dama daquele mundo, antes de aceitar o lenço, puxar o máximo de ar possível, quase chegando a soar feito um porco e assoar no tecido a mistura nojenta de fluídos. "Obrigada, gentil cavalheiro. Agora pode levar meus fluídos corporais para casa, se faz tanta questão." continuou, enfiando o lenço agora imundo no bolso da camisa alheia e dando dois tapinhas amigáveis em cima. "Vou ter que admitir, Gaston, você já foi realmente muito bonito." disse, já que tinha sido pega encarando (de forma que achou ser discreta, mas discrição não era o forte de Virginia) um retrato mais antigo do homem. Ele definitivamente não era feio, mas não era exatamente o tipo de bonito que a atraía. Gostava que seus homens fossem o extremo oposto de seu café: doces e não tão fortes. Além do mais, ele tinha cara de coach motivacional que do nada decidiria entrar na política só para ficar lá sendo desagradável e dando opiniões duvidosas e ultrapassadas. "Mas isso foi há o quê? Outch, duas décadas!" exclamou ao ver o ano do retrato no canto "Está ficando velho, hein querido? Temos ótimos produtos anti idade no Mystic Mirror." disse, antes de olhar em volta e procurar uma mesa para si. Acabou se decidindo pelo balcão mesmo. "Qual sua tara em pensar na minha opinião sobre você? O universo me odeia desse tanto ou é só porque não aguenta conviver com o fato de que algumas mulheres não te acham atraente?"
"Você até pode dar uma sumida, gatinha, mas enquanto você desejar pela minha presença, eu vou continuar te encontrando." Hansel piscou pra ela, recostando-se no balcão do local e oferecendo-a um sorriso. No entanto, toda aquela pose escapou de seu rosto quando Hansel soltou uma risadinha assim que Ginny bagunçou seus cabelos. Ele ajeitou a postura, passando os próprios dedos pelos fios claros para que retornassem ao lugar. Felizmente, a perdida pareceu interessada em ir ao cinema com ele; isso tinha se tornado facilmente um de seus passeios favoritos. E coincidentemente seu hobby preferido era tirar o foco de qualquer perdido do trabalho deles para que ele fosse o centro de sua atenção. "Tudo bem. Eu encarei os pôsteres por bastante tempo, então eu sei bem do que estou falando." Hansel deveria ter lido as sinopses, mas o caçador de bruxas não era mesmo muito chegado a ler nada. Julgaria o filme pela capa e tiraria delas o enredo do filme. Voltou a se recostar no balcão, dessa vez estreitando os olhos para analisar Ginny, como se pudesse adivinhar facilmente o filme preferido dela que estava em cartaz. "Moulin Rouge?" Chutou, mas antes que Ginny respondesse, ele já estava adicionando: "Espera, eu tenho quantas chances?"
"Gatinha é aquele senhor que vira uma bolinha de pelo de bolas, sweetiepie." abriu um sorrisinho, franzindo o nariz e deixando escapar uma risada baixa. Por mais implicante que fosse, não escondia quando tinha interesse. Só demonstrava daquele jeito petulante. "Ah, é o suficiente pra entender tudo da sétima arte." ironizou, de certa forma se lembrando de muitos jovens projetos de escritores, cineastas, músicos ou whatever que encontrava no bar onde trabalhava pela noite. Saiu com alguns deles, de diferentes gêneros, quando era mais jovem, mas tinha perdido a graça. Não tinha mais saco pra gente sonhadora demais, gostava de gente objetiva e pé no chão. Franziu as sobrancelhas perante o olhar analítico do rapaz, sentando-se boba e óbvia. E lá estava: a resposta certa. "Nossa, vai se foder!" respondeu, indignada, mas nem um pouco surpresa por ele ter acertado. Ela tinha cara de Moulin Rouge. "Detesto romance, mas abro exceção pra esse porque as performances das músicas são muito boas." e porque se comovia com histórias sobre prostitutas, mas isso não saía falando. "Comigo? Hmmmm, várias. Aceitaria mesmo que você errasse. Por mais que você seja um caçador de bruxas e meu antigo vizinho teimasse que eu sou uma, eu não tenho vocação pra presa, não é lá muito difícil me capturar." pendurou-se no balcão, jogando-lhe um beijinho "Se eu quiser que me capture, claro."
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O sorriso dele acompanhou o dela, ainda que o dele não possuísse qualquer grau de inocência. ❝Vou ter de dizer que concordo plenamente.❞ A arte era realmente mágica na visão dele, ainda que talvez em sua futura vida fosse mágica de uma forma bem mais literal considerando os poderes do Músico. Mas a concordância também era dada ao questionamento dela, junto de um aceno de cabeça e o olhar que permitiu vagar pela figura feminina mesmo que de forma um pouco discreta. Não era tão descarado assim no final do dia. ❝Tenho certeza de que seria uma honra trocar experiências com você, me questiono o você poderia me oferecer.❞ O sorriso no rosto dele era inevitável, ainda que não fosse arrogante, apenas buscava instigar um pouco mais para que visse onde toda aquela conversa poderia os levar. Estava tentando viver mais no momento, ao menos enquanto não tinha de lidar com um destino inevitável. ❝A Ópera é fantástica, todos que trabalham por lá são muito empenhados também o que garante uma experiência fantástica e ouso dizer que mágica.❞ Brincou fazendo referência ao que falavam antes, mesmo que nada fosse encantado por lá, a arte sempre pareceria mágica ao seu modo. Mais pelo drama e pela graça do que pela cordialidade requirida, ele pegou a mão dela e deixou um leve beijo nas costas dela enquanto se curvava, uma meia mesura exagerada, o tom de voz sendo carregado de certo gracejo. ❝É uma honra conhecê-la, Virginia. Sou o visconde Raul de Chagny, ao seu dispor... ❞ Não conseguiu segurar a pompa por muito tempo, deixando uma curta risada escapar antes de voltar a postura normal. ❝Mas pode me chamar apenas de Raul, prefiro ficar sem toda a pomposidade por aqui.❞
Além do cara ser um baita dum gostoso, Virginia estava genuinamente se interessando pela conversa. Sua atenção fugia muito facilmente, mas era interessante pensar como a arte transcendia épocas, eras e, aparentemente, dimensões. "Tenho uma coleção de aparatos musicais do meu tempo da qual me orgulho muito. Algumas canções são de uma complexidade que beira o clássico. As músicas mudaram, mas as partituras continuam sendo escritas da mesma forma." comentou, com um sorriso mais doce "E um apartamento muito aconchegante equipado com ótimas bebidas." completou, lhe dando uma piscadela. Ah, a hookup culture... Quem diria que poderia jogar esse tipo de cantada no mundo dos contos de fadas? (No mundo real era impossível. Seu apartamento era tudo menos aconchegante) "O empenho com certeza vale a pena." comentou, abrindo um sorriso diante da mesura exagerada. "Há quanto tempo não encontro um cavalheiro tão gentil... Encantada, Visconde de Chagny." devolveu o cumprimento de forma igualmente pomposa, o vestido comprido e cheio de detalhes completando a cena. "Raul, então. Está convidado a visitar a mim e minha biblioteca musical a qualquer momento."
Ele sentia ofendido por ela não ter lembrado dele de primeira, mas mais do que isso, sentia-se ofendido por ela ter lhe chamado de FEIO! isso era impossível e se tinha uma coisa que Bartholomew sabia é que ele não era nada feio, muito pelo contrário, era um homem bem bonito. " você está mentindo. " retrucou como uma criança de cinco anos de idade, mas não era bom provocar o ego de um gato. " desculpe se eu fiquei traumatizado porque uma louca resolveu que seria apropriado atropelar animais. " devolveu, pronto para dar as costas a ela e continuar seu caminho, mas apostava que estava quase conseguindo mais uma inimizade naquele lugar. " você não teria coragem, como bem mencionou, eu sou um gato muito fofo e quando olhasse para meus belos olhos verdes, você ficaria com pena e desistiria. " provocou, mas logo sua expressão se transformou em espanto. " sua mercenária! como ousa ameaçar o bem mais precioso de um homem? "
"Vá ao consultório do Coelho Branco e faça umas sessões de terapia. Já pedi desculpas, o que mais quer que eu faça?!" girou os olhos, impaciente. Entendeu o ponto dele e estava sendo mais cuidadosa com animais pequenos... Mas tinha a impressão de que a irritação daquele momento se devia ao fato de ela tê-lo chamado de feio, o que tornava a interação extremamente engraçada na visão da jovem. Estava pronta para rir assim que ele virasse as costas, mas aí o homem continuou falando. "Eu lembraria que por trás dos olhos fofos existe um homem feio e irritante. Duas coisas que de-tes-to. Deixaria meu carinho para os felinos reais." fez um biquinho, mas não conseguiu conter o riso. "Essa é sua coisa mais preciosa? Meu Deus, encontrei alguém mais pobre que eu. Agora sim, fiquei com pena, mas não muita."
ele sabia que virginia tinha algo para dizer , mas estava evitando , provavelmente da mesma forma que ele evitava a maior parte das conversas sérias . ser um produto da imaginação de alguém era péssimo , mas ser forçado a ser uma versão divergente de si mesmo naquele mundo ? isso era bem pior . ‘ desculpa , merlin , nada ! é uma merda mesmo e ele sabe . ’ dessa vez , falou olhando para cima , como se merlin fosse deus . esperava que o velho estivesse tão frustrado quanto ele e que desse logo um jeito de mandá-lo para casa . loren ergueu uma sobrancelha , soltando uma risada debochada ao ouvir virginia . o sarcasmo e a provocação sempre serviam como uma espécie de linguagem comum . ‘ ah , claro , porque você não é como as outras garotas . ’ afinou a voz para soar mais debochado , fazendo aspas com os dedos . ‘ aposto que tem uma playlist secreta só com músicas da taylor swift . ’ ele inclinou a cabeça levemente para o lado , mantendo o sorriso provocador no rosto . enquanto virginia cantarolava , loren olhou para ela com certa curiosidade . não esperava esse momento de leveza , e , mesmo que ele fosse do tipo que odiava admitir , a música parecia suavizar as coisas . ele se manteve quieto , sem querer interromper o breve momento de paz , ainda que uma parte sua quisesse soltar algum comentário sarcástico para manter as defesas altas . ‘ diferente de você , eu não tenho uma biblioteca mental com as bandas mais obscuras que já existiram . eu gosto de um clássico . ’ loren pegou sua guitarra de forma quase instintiva e sem pensar muito , os dedos começaram a deslizar pelas cordas . a melodia suave e melancólica de ‘’heaven knows i'm miserable now" preencheu o espaço . não era uma escolha aleatória ; aquela música o descrevia perfeitamente naquele momento , como se morrissey tivesse escrito a letra diretamente para ele .
"Ele sabe que é ruim pro mundinho dele, duvido que dê meia foda pra ser ruim pra nós ou a nossa realidade." suspirou "Um bando de velhos filhos do cão, essa galera da Academia." comentou. Tinha certeza de que se encontrassem uma forma de restaurar a paz deles, mas isso custasse as vidas de todos os perdidos, eles iriam em frente sem dó. Talvez fizesse o mesmo se estivesse no lugar deles. Arqueou as sobrancelhas, olhando o rapaz como se ele fosse ridículo. Odiava que dessem justificativas para seus gostos ou para o que fazia, ainda mais pessoas que mal a conheciam. Mas Loren aparentemente aparecia em sua vida para isso: lembrá-la da existência de pessoas odiáveis. "Já passei da época de ter playlists secretas há muito tempo. Realmente não sei muitas músicas dela, mas se vende tanto e comove tanta gente, deve ter algumas boas." respondeu antes de se deixar levar pela música. A visão que o rapaz tinha de si condizia com a de muita gente. Pick me girl, diferente das outras, gosta de posar de diferentona. Bom, Virginia era do jeito que era e não dava explicações ou demonstrava incômodo com os comentários, mesmo quando sentia. Tinha um gosto musical meio fora da caixa de verdade. Amava música, mas raramente levantava o assunto com pessoas que não eram seus amigos próximos, que já estavam acostumados ou eram igualmente esquisitos. Às vezes ela pensava que era assim porque tinha tido uma vida muito incomum desde bebê e isso a tornou a fruta torta dentro do cesto. Não era uma persona moldada com cuidado e propósito, mas não se dava ao trabalho de corrigir quando insinuavam que era. "Claro que não. Você tem cara de vanilla mesmo. Que toca Wonderwall pra se declarar e transa de meia." zombou "Mas, musicalmente falando, não dá pra reclamar de alguns clássicos." disse, empolgando-se assim que reconheceu a canção, levantando-se para cantar com mais ênfase 'I was looking for a job and then I found a job and heaven knows I'm miserable now' era definitivamente um dos melhores versos da história. Trabalhar era um saco em qualquer dimensão, dá-lhe Morrisey! Não era uma canção animada, mas demonstrava emoção e ela deixou escapar seus sentimentos por meio da performance improvisada, circulando pela sala, demonstrando a frustração e infelicidade que vinha sentindo nos últimos dias.
Mirana chegou ao jardim dos chás do Palácio Invertido acompanhada de dois guardas do exército de espadas — desde que descobriram que a rainha tivera um encontro com a sua irmã, não a deixavam andar livremente nem mesmo dentro do próprio castelo. Era parte do protocolo de segurança, diziam, embora a Marmoreal desconfiasse que os guardas apenas não confiavam que a rainha estivesse em um bom estado mental para ficar sozinha. Seria quase ofensivo que achassem a sua regente louca se parte dela não tivesse plena noção do degringolar de sua saúde.
Um sorriso de orelha a orelha iluminou o rosto de Mirana ao perceber a presença de Virginia que havia, enfim, aceitado um de seus convites para tomarem chá juntas. Por maior que fosse o seu medo do futuro, a Rainha Branca nunca deixaria de tratar a Unicórnio de Chapéu, uma futura súdita, como parte da sua corte. "É Mirana, querida." Riu com a confusão dela, balançando a cabeça de leve, e mesmo que gostasse das reverências e bajulações não fez questão de corrigi-la. Franziu a testa com o comentário seguinte da garota. "Oras, mas se diz que ela é Rainha do Pop, como não seria uma rainha de verdade? Tenho certeza que esse lugar, o Pop, a tem como uma regente de muito respeito e nós deveríamos tratá-la como tal!" Entrelaçou o braço no de Virginia, conduzindo-a em direção à grandiosíssima mesa de chá no centro do jardim. Era muito mais do que duas pessoas poderiam consumir — a mesa, sozinha, estendia-se por quase toda a extensão do local e era protegida pela sombra de uma árvore avantajada de onde pendiam xícaras e bules de chá como frutos. "Estou muito curiosa para aprender mais sobre aquela sex shop que você mencionou! Existe também uma rainha desse lugar no seu mundo? O que, exatamente, vocês fazem na sex shop?" Indicou a cadeira na lateral da ponta, onde a rainha se sentava, para que Virginia se acomodasse. Realmente não fazia ideia do que era a tal de sex shop, e estava bastante curiosa pela forma que a Unicórnio falara no outro dia sobre ser um lugar divertido e cheio de prazeres. "Se você me explicar certinho, posso trazer a sex shop para cá! O País das Maravilhas adora lugares novos e eu estou sempre procurando uma desculpa para ter mais um hobby."
Assim que viu os dois seguranças, Virginia se sentiu como se realmente estivesse visitando Kate Middleton. Se a residência da princesa de Gales fosse de ponta cabeça, lógico. A gravidade bizarra daquele lugar a fazia sentir um certo conforto. Seria a atmosfera Wonderlander a contagiando? Seu rosto corou ao perceber que mesmo depois de tanto pensar, havia conseguido errar o nome da rainha. "Mirana." repetiu "Eu sou péssima com nomes, peço desculpas." estava prestes a cavar um buraco e se enterrar no chão quando a ouviu falar. Ginny abriu um sorriso, metade porque se esquecia que eles não conheciam coisas como música pop, em parte porque a literalidade com que ela levou a palavra rainha foi simplesmente adorável e em parte porque... Naquele momento Mirana falou exatamente como uma grande fã que acompanhava a cantora desde os anos 80 e realmente a via como realeza. Conseguiu relaxar um pouco enquanto seguiam de braços entrelaçados, maravilhada com a beleza peculiar do local. Aleatoriamente sentiu vontade de colecionar xícaras. "O Pop é um estilo de música! Mas ela tem esse título por ter sido muito revolucionária, eu concordo que ela merece ser tratada com o respeito de uma rainha, assim como Michael Jackson, que era o Rei do Pop e mudou completamente a forma de se fazer música desse estilo! Além de ter revolucionado na dança e..." riu baixinho, quase envergonhada. Se começasse a falar sobre artistas dessa década, não pararia mais, eram sua obsessão. "Acho que você gostaria de muitas músicas pop. São animadas e dançantes." comentou, chocada com o tamanho da mesa e a quantidade de comida. Era tudo tão lindamente preparado que dava dó de comer, mas Virginia sempre foi comilona (e, por incrível que pareça, amava chás), então logo se acomodou. "Oh! É um tipo de loja! Existem várias, com donos diferentes... Não sei se posso dizer que a que eu trabalhava tinha uma rainha, apesar de ter sido apelidada de Império do..." pausou, olhando de soslaio para a mulher, que tinha um ar tão inocente... Talvez fosse melhor começar de forma mais light do que contar que trabalhava em um lugar apelidado "Império do Sexo" por críticos especializados. "Império do prazer. Eu era vendedora, inclusive. Meu trabalho até se parecia com o que faço no Mystic Mirror... Guiava os clientes até as opções que os atendessem melhor." sorriu "mas as sex shops são lojas bem específicas..." pegou sua xícara (na qual havia surgido chá de laranja, seu favorito) e bebericou. "Os produtos são voltados para intimidade e sexualidade. Para que a pessoa se divirta sozinha, ou com alguém." falou de uma vez "Particularmente acho que uma sex shop seria incrível por aqui! Temos tantos casais! Além disso, acho mais importante conhecer nossos corpos, descobrir o que gostamos ou não. A maioria das pessoas tem vergonha ou não sabe o que procurar quando vão à uma sex shop pela primeira vez, mas se forem bem atendidas acabam se soltando, se divertindo e encontrando coisas. A magia possibilitaria a criação de produtos ainda mais interessantes. Sabia que um dos mais vendidos se chama varinha mágica? Não é como a da Fada Madrinha, não faz magia literal, mas pode fazer mágica por você em um dia estressante." empolgou-se como se estivesse no trabalho. Céus, estava falando de siririca com a Rainha Branca. Se aquilo era um coma, os médicos haviam ministrado o medicamento mais bizarro já inventado. Porém, que culpa tinha se o assunto despertou o assunto da mulher? E que tantas coisas tinham nomes peculiares? Havia o coelho, o jardim de rosas, magia portátil, o buraco do coelho... Não dava para dizer que as pessoas não eram criativas. "Aqui o amor é algo muito importante, não é? Acho que a intimidade é um dos pilares do amor verdadeiro. Inclusive do amor próprio! Todos tem suas fantasias e desejos... Por que não, em um mundo tão fantástico e cheio de maravilhas, ter um espaço onde essas fantasias possam ser descobertas e vividas com discrição? Eu acho que combina muito com o País das Maravilhas, onde somos grandes curiosos. Seria um hobby de infinitas possibilidades e diversão."
"Sorvete de café." Ele repetiu aquilo como se fosse um absurdo. Isso sempre existiu, ou o estabelecimento estava introduzindo uma invenção dos perdidos? Ele não apreciava climas muito frios, então não passava muito tempo em Arendelle pra saber que tipo de sorvetes estavam inventando. Mesmo assim, Diaval não reclamou quando Virginia fez o pedido para os dois, escolhendo algum outro sabor pra ela. Diaval escutou o que ela tinha a dizer com atenção, imaginando que se transformar em um unicórnio não devia ser muito agradável. Quer dizer, ele podia se transformar em um corvo, mas um unicórnio parecia um animal mais... espaçoso. E Diaval gostava de passar despercebido. "Qual a história do unicórnio mesmo? É algo em Wonderland, não é?" Questionou assim que se sentaram em alguma mesa quando os pedidos ficaram prontos. Um pequeno sorriso apareceu nos lábios do homem corvo quando Ginny confessou que achou que ele não aceitaria o convite dela. "Tudo bem. Eu aceitei justamente porque precisava fazer algo novo nesse reino." Confessou. Por algum motivo, achou que sair da rotina iria deixá-lo menos tenso com as preocupações fora do comum que vinham acumulando em seus ombros. Além disso, ele gostava da companhia de Virginia. Não era algo que ele iria dizer em voz alta, já que ele queria manter uma reputação ali de que detestava a presença dos perdidos e de como achava que eles iam arruinar as histórias, mas gostava de escutá-la. E Virginia certamente falava muito. "Bem, sim. No começo foi difícil... Eu ficava bastante doente." Ele confessou enquanto voltava sua atenção para sua taça de sorvete, passando a colher pela sobremesa ao se relembrar do seu primeiro contato com a magia. "Mas eu tinha Malévola pra me ajudar, e era o poder dela que me guiava." Ele aprendeu a se transformar em corvo sozinho com o tempo, mas o que Ginny contava sobre as transformações dela fizeram o homem lembrar daquele começo. "Agora... depois da festa de despedida, parece que está voltando a ser difícil pra mim também." Ele deu a primeira colherada no sorvete para não ter que falar que a magia de Malévola estava falhando depois da festa também. Mas Diaval não achava que era por isso que ele estava instável. Era a maldição que caía sobre o reino inteiro; a que os perdidos trouxeram com eles. Diaval achou melhor focar-se no gosto do sorvete de café, que não era nada mau. E, por mais que o desgosto de ter pessoas de fora mexendo em suas histórias, ele não queria deixar Virginia sem algum tipo de ajuda. Ele mesmo precisava de qualquer ajuda possível, e por isso até tentou questionar uma das sereias no outro dia. Podia ter alguma magia aquática que acabaria com as transformações instáveis! Mas havia outro lugar que Diaval não havia ousado procurar. "Você já falou com os cidadãos de Wonderland sobre isso?" Perguntou pra ela, tentando fisgar alguma coisa também. Geralmente ele torcia o nariz para o povo do País das Maravilhas e suas conversas em pé nem cabeça, mas talvez Ginny pudesse encontrar algo. "Eles são... excêntricos. Mas geralmente a comida que criam lá tem algum efeito." Não eram só os chás com efeitos peculiares. Também havia aqueles biscoitos mágicos, ou antídotos de diversos propósitos. Alguma das Rainhas devia ter algo. "Se procurar por algo vindo de lá, talvez você consiga pelo menos dormir melhor... com alguns sonhos sem sentido, mas melhor."
"Não é exatamente novidade de onde venho. Temos até cafés gelados com chocolate, chantilly e um monte de frescuras. Meu melhor amigo adora. Você não tem cara de fã de chantilly, sem ofensas." riu baixinho, lembrando-se do colega de trabalho no bar. "Ela guia a Alice no lugar do Coelho Branco, junto com a sobrinha do Chapeleiro." explicou. Não gostava de pensar na história, era como ler um horóscopo que dizia "você vai morrer semana que vem, mas tudo bem, pois vai ser em nome do bem maior!", o que não a agradava. Ok, o fim da história era feliz e deixava subentendido que a Unicórnio sobrevivia a seu sacrifício benevolente. Mas, outch, ainda assim não era legal pensar sobre isso. Focou no comentário do homem, abrindo um sorriso quase nostálgico. "Eu era totalmente apegada à minha rotina, mas aqui passo o tempo todo fazendo coisas novas. Tudo é novidade. Ok, era uma rotina caótica, mas eu já sabia que tipo de caos esperar." confessou. Entre Nova Jersey e Nova York sempre haviam acontecimentos bizarros, fosse no metrô a caminho do trabalho, na boate onde era bartender, no predinho onde morava, nas ruas, nas vielas... Cidades que nunca param. No Reino dos Perdidos, vários lugares eram parados e silenciosos, mas ainda assim, era tudo novidade. Na hora de dormir às vezes parava e contemplava o silêncio, a ausência de carros passando na rua... Pensou sobre a sugestão enquanto tomava algumas colheradas de seu sorvete. "Não digo isso como ofensa, mas para mim quase tudo aqui se parece uma Wonderland infinita. Uma grande loucura." franziu as sobrancelhas "Algumas loucuras são maravilhosas, já outras..." torceu o nariz "Mas tem razão, acho que o Chapeleiro ou o Coelho possam ter respostas. E claro, as rainhas. Eu devia parar de encher o saco de Iracebeth se quiser ajuda." deu uma risadinha baixa "Obrigada por compartilhar, Diaval. Sabe, sobre as transformações. Elas só... Começaram do nada e nunca tinha ouvido de outra pessoa como é se tornar um animal. Não sei se é um tópico sensível, mas obrigada mesmo assim. Você não tem obrigação nenhuma de ouvir e responder minhas perguntas e, ainda assim, aqui estamos." Parou por um momento. Sabia que ele era um indivíduo fechado e que não costumava ser acolhedor com todos, então não podia deixar de ser grata. Certas batalhas eram assustadoras demais para se travar sem nunca falar a respeito. Ainda estava um pouco desesperada com o sonho sobre Jacob e sua incapacidade de mencionar o vilão a fazia querer bater a cabeça na mesa dramaticamente, mas não adiantaria de nada. Contudo, um lampejo de ideia lhe veio. Crescer num mundo de pessoas que viviam conversando sobre assuntos sensíveis utilizando códigos talvez tivesse lhe ensinado uma coisa ou duas sobre ser fofoqueira. "Parece uma epidemia. Desde aquela noite, é como se todo mundo tivesse insônia no C.C.C. Muitos estão passando por transformações, né... Mas até os que não estão, é normal ouvir barulhos nos apartamentos, encontrar gente nos corredores ou nas salas. E não dá nem pra dizer que estamos trocando o dia pela noite, já que trabalhamos durante o dia..." refletiu, fingindo estar apenas tagarelando para que Jacob e sua maldita magia silenciadora não a fizesse calar a boca. "Enfim, mais uma pergunta importante!" o encarou com seus olhos, quase implorando para que ele estranhasse sua fala anterior "Minha língua está azul?"
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"Eu adoraria trabalhar com você!" Garantiu com um sorriso, logo soltando um suspiro frustrado porque sentia-se exatamente como Virginia. "Entendo o que quer dizer. Não dá para conhecer as pessoas de verdade, pelo que parece, porque estão divididos em mocinhos e vilões, mas não acredito muito nisso. Além de tudo, as coisas funcionam de uma forma esquisita." A maior tristeza da vida de Victoria, provavelmente: sua amada física não se aplicava ali, o conhecimento que tanto tinha estudo para obter de nada valia. "Considero que quase superei isso. Estou tentando me adaptar bem aqui! Não tem secador de cabelo ainda ou unhas de fibra, mas são coisas que posso sobreviver sem. Quero dizer, estou tentando e conseguindo." Ainda que suas unhas estivessem detestáveis! Mas tentava se manter otimista, exceto pelo fato de logo se tornar Chama. "Então o seu chifre só para de doer se você colocar o chapéu?" Era estranho, mas muitas das coisas ali eram estranhas. "Quero ver todos os seus chapéus, por favor. Sinto que vai ser uma forma de te reconhecer caso eu te veja em sua outra forma." Achava triste que precisava de algo assim para reconhecer as novas amizades, mas não podia negar o fato de que as transformações eram algo que estavam acontecendo. E pronto. Até o momento, ninguém parecia ter sido capaz de evitar. Sentiu certa pena de Ginny, pensando que ela não tinha outra escolha a não ser se converter em um animal, porém não externalizou o sentimento para ela. "Sinto muito que você sinta dor... pelo menos está se tornando um lindo e mágico unicórnio, não é?" Tentou ver algum otimismo, algo que não conseguia enxergar na própria situação. "Eu mudo completamente!" O desanimo era claro na pronúncia. "Eu viro chama, literalmente. Toda cheia de chamas, composta de fogo, totalmente. Cabeça, pernas, pés, tudo. Não consigo entender como é possível, mas acontece. Então queimo e derreto as coisas ao meu redor, é horrível."
"Pelo menos a gente se encontrou. Acho que no mundo real nunca nem nos conheceríamos." deu uma risadinha. Vicky era o tipo de mulher que Virginia admirava muito de longe, nem se daria ao trabalho de sonhar em ser como ela; não gastava tempo com sonhos impossíveis. Era impressionante o quanto duas pessoas de universos tão diferentes, com conhecimentos tão distintos, podiam funcionar tão bem juntas. "E no final das contas não tem bonzinho nem malvado, todo mundo tem seus defeitos, boas e más intenções. Mas a divisão é engraçada. Se não estivéssemos todos aqui, a Unicórnio é uma mocinha muito fofa... Já a Virginia não é nem um, nem outro. Merlin foi inteligente de juntar de novo ao invés de continuar mantendo Malvatopia." ou talvez tenha criado uma bela oportunidade para o caos, pensou. "Odeio não ter secador! Meu cabelo não se finaliza sozinho, sabe? Mas posso te dar uma mãozinha com as unhas. Claro, não será nada como as postiças que eu fazia, mas sou uma boa manicure." sorriu. Não se lembrava se já tinha comentado sobre esse trabalho com a morena "Sim! Estranho, não é? Tentei procurar na biblioteca, mas o chapéu é uma coisa única... Acho que vou atrás do Chapeleiro, talvez ele saiba algo." deu de ombros "Ah, vamos fazer uma noite de garotas então! Te mostro a coleção de chapéus e faço suas unhas, que tal? Se você colocar fogo no meu roommate vai ser só efeito colateral." riu alto, embora gostasse de Bino, gostava de lhe encher o juízo às vezes. "Realmente não dá pra dizer que não é bonito... É quase como se ela brilhasse, nem consigo me reconhecer." franziu as sobrancelhas. Alguma hora teria que parar de falar do animal na terceira pessoa, mas ainda não seria agora. "Tá brincando?! Tipo o Chris Evans no filme do Quarteto Fantástico só que em versão mulher gostosa? Com todo respeito, claro. Parece apavorante, mas estou te imaginando como aquela menina chama do filme Elementos. Assustador, mas também parece algo bonito de se ver, como a Unicórnio."
"Betty o quê?" Precisava admitir: alguns daqueles perdidos eram corajosos, como Virginia não dando a mínima para a sua reputação menos que honrosa. Iracebeth assentiu em satisfação com o uso do título, cada vez mais esquecido em relação a ela. "Vossa majestade é muito melhor, obrigada. Algum dia, se você continuar por aqui," lançou um olhar que deixava claro que desejava que isso não acontecesse, "eu estarei tentando decapitar sua cabeça. Ou talvez, no caso de um unicórnio, seja suficiente cortar o chifre. Mas creio que isso garante um pouco de respeito. E, de qualquer forma, quem disse que eu já não vi esse filme?"
"Desde que seja um corte rápido... Mas prefiro a cabeça, se for só o chifre eu vou virar uma égua e isso é tão... Lame. Imagina, a Égua de Chapéu?" fez uma careta. Virginia era um pouco insensível a violência, afinal, boa parte de sua vida tinha sido envolta determinada por um evento sanguinário. "E...? Gostou do filme? Acho importante saber a opinião das rainhas sobre assuntos de grande valor. Afinal, se eu continuar aqui, serei parte da sua história."