Era Uma Vez… Uma pessoa comum, de um lugar sem graça nenhuma! HÁ, sim, estou falando de você VICTORIA DE LEON. Você veio de OXFORD, INGLATERRA e costumava ser ASTROFÍSICA por lá antes de ser enviado para o Mundo das Histórias. Se eu fosse você, teria vergonha de contar isso por aí, porque enquanto você estava APRESENTANDO UMA PALESTRA, tem gente aqui que estava salvando princesas das garras malignas de uma bruxa má! Tem gente aqui que estava montando em dragões. Tá vendo só? Você pode até ser INTELIGENTE, mas você não deixa de ser uma baita de uma PILANTRA… Se, infelizmente, você tiver que ficar por aqui para estragar tudo, e acabar assumindo mesmo o papel de CHAMA na história FROZEN… Bom, eu desejo boa sorte. Porque você VAI precisar!
⚝ RESUMO:
Victoria nasceu como uma filha fora do casamento que ainda criança foi levada para dentro de casa, nunca aceita pela madrasta, apesar de seus esforços. Após a morte do pai, foi deixada sem nada e por isso envolveu-se com um homem mais velho que financiou seus estudos. Acabou por envolver-se com outros homens e quando seu marido descobriu, a situação a levou a cometer um crime. Viúva e livre pela primeira vez na vida, mudou de país e se dedicou ao que realmente gostava: astrofísica.
⚝ STATS:
Idade: 30 anos.
Orientação: mulher cis, pansexual.
Altura: 1.75.
Status: viúva.
Ocupação: astrofísica pesquisadora, com foco em cosmologia.
Personalidade: Vicky é, acima de tudo, inteligente. Ela consegue se adaptar a situações e o que esperam dela, uma verdadeira camaleão e assim adquirir vantagens. Por muito tempo fingiu ser a filha perfeita em busca de atenção e depois a esposa ideal para que pudesse ser bancad... para que pudesse perseguir seus sonhos acadêmicos. Apesar de intensa e brilhante, não deseja se tornar uma criatura feita de fogo, uma personagem secundária qualquer! E está fazendo o possível para evitar o seu destino.
⚝ BIOGRAFIA COMPLETA:
TW: violência doméstica, assassinato.
É um conto velho como o tempo a história da criança rejeitada. Maria de Leon, mesmo que infértil, não aceitou quando seu marido colocou para dentro de casa a filha da amante. Uma criança suja e magricela, que até então tinha sido criada por uma pobre e doente que por fim encontrou conforto na morte. Autoritário, o chefe de família faria de tudo para manter as aparências, de maneira que Victoria entrou para a família rica e tradição, de grande nome nas Filipinas. Não foi uma infância fácil, porque Vicky fazia de tudo para ser aceita, desejando o afeto de uma mãe e a atenção do pai. Tampouco uma adolescência normal, porque tendo um pai diplomata pelo país, não era possível fixar raízes em nenhum país. Victória era exímia em tudo o que se arriscava, menos em conseguir o amor que desejava. Quando Paolo morreu, deixou toda a herança para a esposa e a essa altura, Vicky já estava cansada. Tinha dezoito anos e um sonho, que acabou por ser roubado pela falta de dinheiro. Apesar de suas grandes habilidades, amava a ciência e era uma garota que se dedicava demais a olhar as estrelas. No entanto, ninguém parecia disposto a acreditar em seus sonhos ou apoiar os estudos.
Aos vinte anos se tornou amante de um homem mais velho, um dos amigos de seu pai e que bancou seus estudos em física e depois astronomia. Aos vinte e cinco, casou-se com ele. Não era um matrimônio feliz ou genuíno, movido por luxúria, dinheiro e aparências. Não demorou muito para que começasse a trair Richard, devolvendo na mesma moeda as infidelidades dele. Era uma conduta arriscada, visto a tendência ao conservadorismo do mais velho e o ego masculino que jamais aceitaria ser traído. Ele queria uma esposa bonita e inteligente, mas que não trabalhasse ou abrisse a boca. E principalmente, que fosse fácil de manipular e moldar. Victória, apesar de jovem, não era nenhuma das duas coisas. Era curiosa, de espírito livre, repleta de rebeldia e paixões, ainda que fosse boa em esconder em nome do relacionamento que lhe garantia todos os benefícios que desejava.
Um dia, Richard descobriu um dos casos de Vicky. Eles estavam em Bali. O homem ergueu a mão para agredir Victória pela primeira e última vez. A marca no rosto e os hematomas pelo corpo motivou a jovem a conseguir uma arma da forma mais rápida que o dinheiro poderia e então na mesma noite, pela primeira vez, mandou o marido em coma para o hospital, onde ele ficou por três meses até falecer. Fora necessário apenas uma bala e uma mira certeira. Tornou-se uma viúva com apenas vinte e sete anos e a única herdeira da fortuna bilionária do empresário americano-filipino. Foi inteligente o suficiente para se livrar das suspeitas do crime e ser finalmente livre. Victória dedicou-se a sua formação, especializando-se e adquirindo conhecimento o bastante para se tornar um nome poderoso e ser admitida na universidade de Oxford para o departamento de astrofísica. Dedicou-se ao trabalho e ao estudo pelos anos seguintes, desfrutando de uma vida luxuosa e cheias de viagens, com trabalho e amores constantes.
Interessada em leitura, colocou o livro misterioso junto aos seus outros para dar uma olhada quando tivesse uma folga do trabalho quando o recebeu. Teria uma palestra no dia com a turma do primeiro ano de física da universidade e reuniu todos os livros que utilizaria como base, levando-os ao público. Entre eles, estava sem querer, o de contos, que Victoria abriu por engano bem no meio de sua palestra! Assim desaparecendo por completo enquanto pretendia falar sobre a origem dos buracos negros.
NO INÍCIO:
Vicky estava incrédula e deslumbrada. Por um lado, ela nunca foi muito afeiçoada as histórias, apenas algumas, então estava achando fantástico que haja um lugar onde as pessoas acreditam ser parte dos contos de fadas. Ela estava, aos poucos, começando as acreditar que aquelas pessoas realmente são quem dizem ser. Como não? Está vendo magia com seus próprios olhos! E a incomoda profundamente que esteja um lugar que não seja capaz de compreender e onde sua ciência não se aplica. Vicky sabe que não está morta, como alguns parecem acreditar… Ela achava que apenas foi parar em algum tipo de universo paralelo, embora não saiba como. Tudo o que sabe é que quer voltar para o seu emprego e dinheiro, para a sua vida de livros e paixões. Ela gosta de sua vida no mundo real e não deseja ficar no mundo das histórias ou virar uma coisinha feita de fogo.
Victória estava preocupada. Ela amava ser astrofísica, mas parece complicado exercer a profissão de cientista onde as coisas pouco parecem fazer sentido. Quando estava sendo bancada por Merlin, estava tudo até bem, mas agora? Ela não sabe com o quê ou como trabalhar nesse mundo! Além de estudar, o que sabe melhor fazer é flertar para conseguir o que deseja, utilizando do charme para alcançar seus objetivos. Em uma terra cheia de príncipes, ela procura por sua presa perfeita. Se deu certo uma vez, pode dar certo outra vez, não é? Só não pretende tirar a vida de ninguém novamente.
AGORA:
Está começando a se acostumar com a ideia de ficar no mundo das histórias. Embora sinta falta de seu emprego, sua ciência e tudo o que conhecia, não existia muito o que segurava Vicky no mundo real. Nenhum amor. Nenhuma família. Sequer um animal de estimação! Ela agora tenta enxergar com certa positividade o momento que está vivendo, procurando maneiras de se estabelecer da melhor forma no mundo dos contos. No entanto, ela ainda não gosta de seu destino como Chama. Ela se recusa a queimar e odeia o fato de pegar foto aleatoriamente. Não gosta da ideia de que seu destino já está escrito e não tem como fugir, pior ainda: ser criação de outra pessoa, uma personagem secundária qualquer. Isso fere o orgulho da mulher. Está trabalhando como assistente de pesquisa de Jane Porter e assistente da Rainha Má. Não é bem o que queria; mas pelo menos está trabalhando. Gosta da aprender com Jane e a proximidade da Rainha Má e a magia dela deixa Vicky animada. Além de tudo, está sempre procurando maneiras de obter vantagens e benefícios, seja com alguma rainha ou um príncipe casado.
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"Desde a chegada de estranhos que vão estragar a minha vida por uma segunda vez, e pra completar, ainda vão bagunçar a minha sexualidade. Eu não duvido mais que uma bola de cristal seja capaz de prever o futuro." Tudo era possível naquele novo contexto, ainda que se sentisse uma tola por acreditar nas coisas mais absurdas. Afinal, quem poderia imaginar que tudo estaria de cabeça para baixo como estava agora? "Ao menos, uma bola de cristal que não seja tão insolente como a que acabei de escutar dizer absurdos." Bebericando mais um gole de sua bebida, se permitiu voltar a reclamar mais uma vez. "Eu nem bebi tanto assim pra precisar de uma poção para ressaca." Disse, incerta. Havia perdido as contas de quantos daqueles drinks havia ingerido. Mas não poderia ser algo ruim quando o seu humor, apesar de tudo, ainda estava muito bom. "Mas podemos ir para outro lugar, sim. Alguma sugestão que não seja o Túnel do Amor?"
As palavras de Drizella fizeram Vicky erguer a sobrancelha, confusa. Não sabia muito a respeito do destino dos outros, porque não costumava perguntar a não ser que fossem próximos, mas as sentenças proferidas pela outra fizeram brotar a semente da curiosidade. "Como é possível que baguncem a sua sexualidade? Isso é possível?" Não achava que a magia poderia portar a orientação das pessoas, mas também ainda estava aprendendo sobre como funcionava e quais eram os limites. "Você pode não ter bebido agora, mas está com cara de quem vai fazer em algum momento. Tem algumas pessoas que descontam a insatisfação no alcool e você parece um pouco insatisfeita. Não vou julgar se fizer isso... talvez eu até acompanhe." Não estava muito feliz também, afinal, mas Drizella conseguiu arrancar um sorriso do rosto. "Ainda não acredito que fizeram um túnel do amor! Que timing péssimo. Também não tenho muito interesse no lugar." Apesar de um pouco curiosa, admitia para si mesma. "Você já foi até o..." parou um pouco, tentando se lembrar de algum lugar. "Caminho dos fantasma? Ou navio fantasma? Os fantasmas estão trabalhando bastante nesse Halloween, pelo que parece."
Iracebeth se julgava uma pessoa difícil de se assustar. Um, porque realmente não se surpreendia com muita coisa. Dois, porque tinha visto e vivido (e sido a mandante de muitos desses atos, obviamente) horrores inimagináveis durante a guerra no País das Maravilhas. Quis entrar no Caminho das Bruxas só para reafirmar sua arrogância e talvez ter um desejo concedido, mas bastou pisar o pé lá para saber que não seria uma tarefa tão simples quanto tinha julgado. A atmosfera sombria lhe fazia continuar andando mesmo quando sua vontade era parar graças à magia, e tinha quase certeza de que havia escutado a voz de seu pai lhe chamando. Não era possível, certo? O Rei de Copas já estava morto há muito tempo. Mas era Halloween, e bruxas podiam ser bem… maldosas, para não dizer coisa pior. Se ouvir a voz do pai era só o começo, preferia não saber o que enfrentaria pela frente, mas agora não havia alternativa além de continuar o caminho. Se virou sobressaltada ao perceber que não estava sozinha, encarando a garota com os olhos semicerrados. “Não, eu… fui jogada, acho? Faz parte da atração?”
Vicky fechou os olhos e respirou fundo, tentando focar na própria mente e não nas coisas que pareciam ao redor. Portanto andava devagar, os passos lentos, abrindo de novo as pálpebras ao sentir alguém por perto e tentar se comunicar, esperando que não fosse mais um fantasma do passado. Ou um fantasma qualquer. Não parecia ser, observou com satisfação quando a outra mulher pareceu falar algo normal. "Se eu faço parte da atração?" Indagou, confusa. Olhou para si mesma... não achava que parecia assustadora. Diante de algumas outras fantasias vistas, achava até que estava bem simples. "Eu pareço assustadora?" Perguntou com um sorriso antes de balançar a cabeça de forma negativa. "Não, não sou. Você é?" Achava que não, mas queria ter certeza. Parecia ser uma boa perguntar para arrancar também pistas da identidade da desconhecida.
Não fosse algumas fantasias com um excesso de realismo notável, Valentina estaria se sentindo mais do que aliviada por encontrar um lugar familiar. A companhia de Vicky, no entanto, era mais do que suficiente para distraí-la de tudo ao seu redor. “Hm, eu?” Buscou uma confirmação para ganhar tempo, era uma pergunta simples, não havia motivo para mentir para a amiga, ainda assim limpou a garganta, sentindo falta do drink que tinha pedido. Esperou que a amiga não perguntasse os detalhes sobre como ela tinha parado naquela barraca no final das contas. “Hm, alguém me arrastou para uma tal de barraca dos restos mortais.” Respondeu fingindo casualidade, aliviada por sua bebida ter chegado, tomou um longo gole antes de se levantar de seu muito disputado banquinho por um momento. “Quero que conheça alguém.” Afastando seu vestido do caminho, apontou para a criatura a seu lado. Antes quieto como se estivesse em stand-by, deveria se parecer com um homem, mas ela não tinha muita habilidade para costurar as coisas em seus lugares perfeitamente. Era bom saber que nasceu para ser piloto e não cirurgiã. “Este é Jubileu. Cumprimente a Vicky, Jubileu, ela é uma grande amiga minha.” Ordenou ao monstro, observando ele erguer o braço e depois de um aceno, sua mão cair no balcão. Entediada, Vale apenas pegou a mão e empurrou de volta no lugar, sorrindo sem graça para Vicky. “Desculpe por isso, não sei como resolver. Não sou especialista em monstros.” Deu de ombros voltando ao seu lugar antes que alguém lhe roubasse o assento como já quase aconteceu antes. “Submundo? Como será que funciona isso?” Estava curiosa como esteve desde que a névoa se dissipou. “Não parece um lugar que eu gostaria de ir.” Confessou sem pensar muito. Apesar de sua cultura acreditar que os mortos visitavam seus parentes no dia dos mortos, Vale ainda não se sentia preparada para ver sua mãe, ou seu pai. “Quer dizer, não quero ver nenhum parente meu. Mas se você quiser dar uma olhada nisso, eu posso te acompanhar. Ainda estou curiosa.”
Barraca de restos mortais não parecia um local agradável e o pensamento ficou claro na expressão que se retorcia, principalmente ao acompanhá-la até... Jubileu? Victoria o encarou chocada e impressionada, acenando ao observar a destreza com a qual Vale pareceu consertá-lo. Não tinha grandes problemas com sangues ou machucados, ainda que achasse tudo esquisito. Decidiu que não queria ficar por perto, acompanhando satisfeita a outra até o local anterior, bebericando mais um gole de álcool. Estar no meio de tantas pessoas fazia com que se sentisse um pouco feliz. "Você parece ótima com monstros." Disse, porque Vicky sabia que ela mesma não seria capaz de lidar com algo como aquilo. "Não sei bem como funciona o submundo aqui. Toda cultura parece ter um diferente, não é? Só consigo imaginar que as portas daquele lugar devem estar abertas, já que vi uns fantasmas por aí." O navio fantasma ainda não saía da cabeça, incomodada com os espectros que pareciam querer se aproximar demais. "Você acha que algum parente seu estaria lá?" Indagou, as mãos fechando-se novamente em torno do copo. "Quero dizer, porque parece um lugar ruim, para onde vão as pessoas cruéis." Não sabia se seria um assunto delicado ou não, mas não tinha vontade de arrastar Valentina para algo que pudesse causar algum desagrado. Victoria mesmo não sabia com certeza se queria ir ou se conseguiria lidar com sua curiosidade.
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❝Hum... Realmente são coisas importantes, então, acho que de certo modo sua colocação está certa.❞ Ainda que Eric não gostasse muito da perspectiva pessimista daquilo, mas também era difícil ser otimista contra fatos e argumentos lógicos, ele sabia bem disso. ❝Eu infelizmente vou ficar te devendo uma resposta elaborada sobre isso, por que nunca estudei muito esse tipo de assunto, então, teria mais sorte se perguntasse ao Frankenstein.❞ Ainda que até onde sabia o médico não era dos mais sociáveis, mas não achava que Victoria fosse ter problemas com uma pessoa reclusa, ou em ir atrás de respostas se achasse que poderia as ter, parecia muito determinada e Eric apreciava isso. ❝Eu sinto muito, Vicky... Também tenho tido alguns problemas com memórias... Então, se quiser ajuda para buscar mais sobre o assunto pode contar comigo.❞ Talvez não tanto para a parte de leituras extensas, mas se precisasse pegar emprestado algum item especifico, Eric poderia dar o seu jeito de conseguir o que era necessário, ainda mais para algo tão crucial quanto manter as memórias originais intactas. ❝Acho que nós que somos daqui é um pouco diferente... Ao menos pra mim não foi tudo que mudou, ainda que as pequenas coisas façam diferença...❞ Ao falar isso ele instintivamente tocou uma das mãos, a lembrança da queimadura atualmente inexistente, ainda lhe causava uma dor mental. Era vivido demais para ser esquecido.
A ideia de procurar Frankenstein parecia interessante, visto que Victoria não se lembrava de já tê-lo visto. Mesmo após tantas semanas no reino dos perdidos, sentia que ainda tinha muito a fazer e explorar. "Como acho algo interessante, posso procurar algum livro sobre isso. É uma forma de buscar também uma maneira de como preservar as minhas próprias memórias. Não sou Chama, não quero recordações de coisas que sequer aconteceram. Gosto de ser Victoria e vou manter isso." A voz estava tomada por determinação, decidida a não se perder ou deixar que as lembranças desaparecessem. Se conseguisse alguma solução, qualquer que fosse, poderia até mesmo oferecer ajuda a outras pessoas que necessitassem. Vicky percebeu a forma como Eric pareceu tocar as mãos, inclinando a cabeça em curiosidade. Não queria ser intrometida, mas considerava que já tinham criado certo laço para que pudesse perguntar. "Sua história vai mudar muito?" Perguntou, um pouco mais baixo dessa vez, esquecendo-se dos sons ao redor. "Vai ser muito ruim? Porque sério, todos aqui parece que vão encontrar a infelicidade de alguma maneira. Ainda não vi ninguém com um final feliz." O que também achava curioso, porque as fábulas infantis pareciam sempre pregar alguma boa mortal e felicidade eterna.
"-- Então eu cumpri minha missão, gatinha." Deu uma piscadinha, antes de um giro como se mostrasse o look incrível. "-- Vestida para morrer..ou matar, o que vier primeiro." Deu de ombros, prontamente entrelaçando os bracinhos com a nova amiga. Ela e Vicky tinham muito em comum, e ficavam mais próximas a cada dia. "-- Ah, espertinha...então é voce que acorda a vizinhança inteira, hum?' Carlota pensou em comentar que a cama pegaria fogo com as duas, mas não sabia se era ofensivo. "-- Então ela faz aqueles...qual nome que o perdido disse....parkour zero grau?" Ela não fazia ideia do porque o adicional zero grau, mas apenas seguia, parecia ser descolado. "-- Mas já que você quer uma aventura, por que não vamos procurar alguma? tem tanto lugar terrível pra gente explorar!"
"Você deve tá ouvindo outra pessoa acordar a vizinhança, porque faz um tempo que eu..." Vicky parou, percebendo que não seria um detalhe muito interessante para compartilhar. Assustador, de fato, mas ainda não iria se expor daquela maneira para uma amiga em potencial. "Não faço parkour também, acho que é muito radical para mim. Imagina cair e machucar de verdade? Odiaria cicatrizes." Era o tipo de coisa que também não chamava a atenção de Vicky. Quando se tratava de esportes, o máximo que gostava de fazer era algumas trilhas pela floresta ou caminhadas pela cidade. "Quais lugares terríveis você já explorou?" Indagou, porque também não estava muito animada para os espaços assustadores. "Fui ao navio fantasma e não sei se gostei muito. Os lugares daqui parecem mais estranhos do que de costume."
"O que?" Diaval questionou, surpreso por aquela ser a pergunta de Victoria depois do que acabou de contar sobre sua vida com Aurora. Sentiu seu rosto esquentar, fazendo-o balançar a cabeça, mas um sorriso sem jeito ainda pendia em seus lábios. "Não..." Não soou nada convincente em suas palavras, até porque seria mentira dizer que não havia agido no outro dia por conta de ciúmes. Não só isso, mas por saber que seria fácil ser deixado pra trás. Não tinha como ele competir com nenhum mocinho, como já havia sido provado no passado... Mas seu erro foi achar que Victoria faria o mesmo. Ou que ele mesmo não era importante pra ela. Diaval sabia que tinha problemas em se expressar como a maioria das pessoas, e essa era a maior pedra no caminho de se permitir conhecer mais de Victoria e também de contar mais sobre si mesmo. Só que ciúmes também era uma grande razão, ele podia admitir isso em sua própria mente (Mas não em voz alta... pelo menos não agora. Até porque era algo que estava estampado na sua testa, ele suspeitava). "De qualquer jeito..." Diaval enfatizou essas palavras, como se estivesse pronto para mudar de assunto rapidamente, o que deve ter soado um tanto cômico. Isso o fez aumentar o seu sorriso, mas não se afastou de Vicky, acariciando a mão dela em seu peito, aproveitando um pouco mais daquele momento em que podia apreciar o brilho efervescente dos olhos castanhos que o encaravam no corredor mal iluminado. "Obrigado." Por ter o escutado. Por ainda estar ali.
Deixou que Victoria o guiasse para o próximo cômodo dessa vez, segurando a mão dela e aproveitando para entrelaçar os seus dedos. Sentia falta disso; dos toques que, se pensasse demais, saberia que estava cruzando alguma linha além da amizade. Mas não iria pensar demais agora, apenas aproveitar o fato de que Vicky estava ali. Depois de sentir seu coração apertar todos os dias que a procurou e não a encontrou... era um grande alívio estar com ela ao seu lado, disposta a ficar. Ele franziu o cenho quando ela se virou para Diaval e riu dele, comentando sobre a sua fantasia. Com a mão livre, passou-a pela sua cabeça só pra notar que o chapéu havia voltado. "É uma fantasia estúpida. Eu pedi por algo assustador e eles me vestiram de Chapeleiro Maluco." Ele disse com um óbvio desdém em sua fala, tirando o chapéu para colocar na cabeça de Vicky. Diaval sabia que a magia daquele negócio logo faria o objeto retornar pra si, mas ele sorriu ao vê-la com a peça, estendendo a mão que segurava a dela um pouco pra cima, como um pedido silencioso para que ela girasse e permitisse que Diaval desse uma boa olhada no que Vicky estava vestindo. "E o que você está usando? É uma fantasia?" Ele perguntou, sem conseguir pensar no que seria. A provocação sobre os ciúmes o fez rir baixinho, sabendo que merecia ser lembrado disso pela eternidade. "Sabe, antes que eu continue, acho que você precisa me explicar por que estava tão pronta para atirar em mim." Diaval brincou, a provocando de volta como se a mudança de assunto fosse fazê-la se esquecer do anterior. "Olha isso." Logo foi a sua vez de puxá-la consigo naquele cômodo com animais assustadores empalhados na parede, levando-a até uma das estantes ali perto. Ele puxou um livro vermelho pra baixo, fazendo a estante se mover e uma passagem secreta se abrir. Diferente dos outros cômodos, o escritório esquecido não parecia tão assustador assim, apenas um pouco apertado, e claustrofóbico se não fosse pela grande janela ali aberta que dava para uma boa visão do céu estrelado. "Às vezes é bom saber de certos segredos." Brincou, pegando um dos vinhos de uma das estantes dali. Roubar de Drácula não era uma escolha muito esperta, mas duvidava que o vampiro sequer estivesse no castelo em noite de Halloween. Diaval recostou-se no batente da janela, puxando Vicky consigo para ela ficar próxima. "Você gostava do Halloween? No seu mundo?"
A fantasia de Chapeleiro Maluco não parecia combinar nada com Diaval, mas Victoria achava adorável agora que olhava bem. Ele estava vestido com algo que não era preto, tampouco sóbrio! Manteve os olhos nele, se convencendo de que era para guardar a lembrança de uma roupa colorida, mas também uma desculpa para apenas olhá-lo. Não queria tirar a atenção dele um momento sequer, seguindo-o para onde quer que fosse... mesmo a sala esquisita em que ela mesma havia colocado ambos. Não havia mais vestígios de raiva ou irritação quando ajustou o chapéu dele em sua cabeça, abrindo um sorriso ao imaginar que aquilo definitivamente não combinava com Lara Croft. "Não acho que o Chapeleiro seja assustador." Comentou com uma risada, segurando o chapéu na cabeça. "Mas eu estou vestida como uma personagem de videogame, uma aventureira inteligente. E as vezes muito sexy." Bem, era contra a sexualização feminina, mas não podia negar que o filme com Angelina Jolie era seu preferido quando se tratava de Tomb Raider. Perguntava-se se um dia seria capaz de assisti-lo no mundo dos perdidos, porque adoraria mostrar para Diaval. "Estava pronta para atirar em você porque queria te alertar para não chegar perto. Além disso as armas não são de verdades." Indicou o coldre na perna, uma arma escura aninhada ali, apenas de enfeite.
Estava muito mais animada em um novo cenário, satisfeita por deixar de lado as cabeças empalhadas que causavam arrepios. Preferia mais o espaço tranquilo na companhia de Diaval, sempre se mantendo por perto. Estar com ele após dias de ausência era como voltar a respirar novamente. Não tinha percebido que abrigava a sensação de estar submersa até vê-lo e respirar de maneira plena novamente. "Você é tão misterioso." Resmungou, observando-o com a garrafa, os olhos se voltando para o céu por um breve instante. "Você sabe muito sobre as pessoas e ninguém sabe muito sobre você." Victoria aproveitou da proximidade para cutucar o peito dele, quase uma acusação implícita em suas palavras e gestos ao olhá-lo de novo. Não estava brava de verdade. Mais uma das desculpas para manter suas mãos em Diaval. Deixou que a palma da mão repousasse ali novamente, sob o coração. "Halloween não fazia parte exatamente da minha cultura, mas eu conhecia." As crianças da Tailândia não tinha costume de se fantasiar e pedir doces, afinal. "Depois de adulta ia para algumas festas, mas nunca gostei tanto. Eu tenho um pouco de medo de filmes de terror." O tom estava baixo, quase uma confissão secreta. "Passava as minhas noites de Halloween trabalhando. Não me importava tanto." Deu de ombros, a mão subindo então pelo pescoço para de novo se alojar no rosto do homem, onde desejava deixar. Victoria poderia passar boa parte de sua noite apenas deixando que seus dedos memorizassem os contornos do rosto de Diaval, a linha reta do nariz e do maxilar. Sabia que era arriscado estar tão próxima, para ele e seu próprio coração, mas não queria se afastar. "Assim como não me importo muito agora, mesmo que a gente esteja no castelo de um vampiro." Quase bufou com a ênfase na palavra, ainda sem acreditar. "O que você queria me contar? Está tentando me distrair com essas estrelas? Porque não vai funcionar." A visão era bonita, mas a curiosidade ainda ardia dentro de Vicky, por ouvir mais de Diaval e saber o que ele tinha a dizer.
❝ s-scared? me? i’m not..scared. ❞, dito por @allburnin.
onde: navio fantasma.
“Sim, com certeza eu acredito em você!” As asas de Tinkerbell batiam em um ritmo errático, demonstrando sua própria desconfiança em relação aos arredores. Se perguntada, diria que não tinha medo dos fantasmas, mas que , na verdade,não gostava de estar em um navio — se fossem analisar seu histórico, veriam que muitos dos piores ou mais assustadores momentos de sua vida tinham acontecido em navios. “Se serve de consolo, fantasmas costumam ser tranquilos… Se eles forem com sua cara! Só não deixe eles se aproximarem demais.”
Tentava se distrair observando as asas da outra de uma forma que esperava ser discreta. Ainda não conseguia acreditar que as vezes estava rodeada de fadas, mas haviam muitas coisas difíceis de acreditar por ali. Vicky então respirou fundo, acalmando o coração e a mente. O Halloween naquele lugar era mais um teste para a sanidade. "Isso não serve de consolo." A voz era quase um resmungo, mas com a gratidão pela fada ao menos tentar. Era gentil também. "O que acontece se eles não forem com a minha cara? Ou se aproximarem demais?" Quase se encolheu enquanto falava, como se quisesse diminuir de tamanho. Geralmente era confiante o suficiente para querer aparecer, mas naquele instante queria sumir apenas um pouquinho.
"E de quem é a sua fantasia? O que ela faz?" Desde o momento que tinham se encontrado na Avenida Principal, Jane ainda estava curiosa para descobrir qual era a homenagem feita por Vicky. Na verdade, não estava curiosa com apenas a fantasia dela, mas de todos os perdidos que escolheram personagens de seu mundo como fantasia. Jane também estava no grupo, já que havia escolhido por se fantasiar como uma personagem de Jornada nas Estrelas depois de descobrir sobre o que a série se tratava. Esperava que Merlin um dia colocasse os episódios para serem assistidos no cinema do Reino dos Perdidos. "A minha você acha que funcionou? Estou parecida com o personagem da série?" Porter deu uma voltinha em seu lugar para poder mostrar a escolha para a amiga. "Tentei pensar para receber do armário mágico exatamente como tinham me dito que era, sabe? Mas como nunca vi uma foto, fica difícil de saber se acertei." Assim que encontraram no The Mist, a cientista começou a caminhar até o balcão. Queria pedir um drink docinho para começar sua noite. "Aquele ali também está vestindo uma coisa que não conheço." Indicou com a cabeça alguém com uma máscara estranha com algo como círculos nas bochechas. Dava arrepios. "O que é? Eu acho que fiquei com um pouco de medo."
A companhia de Jane era sempre apreciava por Vicky, que caminhava ao lado dela com um sorriso pequeno enquanto tentava melhor um pouco seu humor. Sentia-se um pouco cansada e meio assustava, embora tentasse disfarçar ambas as emoções. "É a personagem de um jogo de videogame." Contou, percebendo que talvez devesse contar também o que era um videogame. "As pessoas podem jogar com um personagem através de um aparelho e viver aventuras. O jogo da Lara Croft, essa personagem, é bem famoso. Tem até filmes sobre ela." Não que fossem dos seus favoritos, porque considerava os jogos infinitamente melhores. "Ela não é assustadora, não é algo de terror, mas é bastante inteligente... o que realmente pode assustar alguns homens." Quase riu, recordando-se de alguns poucos problemas enfrentados por homens que menosprezavam o intelecto feminino. "E gostei muito da sua fantasia! Adoro jornada nas estrelas e acho que a Capitã Kirk foi um dos meus primeiros exemplos de uma mulher incrível, bem sucedida e inteligente." Confessou, o pequeno lado nerd saltando dentro de si. "Você está perfeita, não se preocupe com isso. A sua ideia foi ótima!" A aprovação estava presente no tom de voz, que desapareceu assim que olhou para a direção apontada, arrepios tomando o corpo. "Aquele é um personagem de filme de terror, um boneco que convite as pessoas para jogos cruéis, eu acho. Nunca assisti muitos filmes assim." Não era uma pessoa medrosa, mas seu tempo livre era pouco gasto com files e fantasia e ficcção eram seus preferidos quando possuía espaço para assistir. "Acho que esse é o primeiro Halloween que eu realmente participo dessa forma, acredita? Por aqui é sempre assim?"
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❝Eu espero...❞ Foi tudo que murmurou em resposta, definitivamente não queria ter de lidar com malucos com armas a perseguindo, começava a se lembrar por que odiava as festividades mágicas de halloween. Se resignou a assentir com a cabeça quando foi inquerida sobre a possibilidade de uma passagem secreta, se fosse considerar o que sabia sobre castelos antigos... Fazia sentido que tivessem passagens secretas, mas isso era mais especulação do que conhecimento real já que a Tremaine nunca passou tempo o suficiente em um castelo para saber. Começou a olhar em volta, buscando alguma coisa que parecesse se sobressair o suficiente para que fosse certo, mas nada parecia realmente lhe chamar atenção. ❝Há menos que consiga derreter as paredes, não recomendo.❞ A última coisa que precisava no momento era ficar presa em um incêndio, a noite já não estava boa e ela não queria que piorasse ainda mais. Contudo, sua atenção se voltou para a perdida quando algo pareceu captar sua atenção, o suficiente para que fizesse como o instruído e tocasse na parede notando alguma disformidade. Tateou com mais cuidado, buscando achar um ponto de pressão ou alguma alavanca, não demorou muito mais para que sentisse os dedos irem contra a parede adentro e a parede pareceu se abrir diante delas. A luz do corredor estreito que se seguia a frente era bem baixa e conseguia ver algumas teias de aranha pelo caminho, mas qualquer coisa era melhor do que ficar ali esperando pelo pior. Instintivamente fez um gesto para que a perdida fosse na frente, talvez um resquício de instinto materno de algum tipo. ❝Vamos, é melhor nos movermos rápido e com cautela, nunca se sabe o que vamos encontrar no fim desse corredor.❞
"Não vou derreter parede alguma." Garantiu com um resmungar ao observar o corredor que se abriu. Estava verdadeiramente surpresa por um castelo ter uma passagem secreta, mas parti de si se censurava por ainda ficar surpresa pelas coisas em um lugar onde tudo parecia possível. As aranhas assustavam um pouco, mas nada era comparado ao pavor da possibilidade de ser perseguida por uma serra elétrica. "Esse lugar é horrendo." Resmungou, uma reclamação alta enquanto entrava no túnel, aguardando a outra mulher e ouvindo a porta se fechar atrás de si. A luz parca permitia visualizar apenas alguns pequenos insetos, o que também significava que deveria haver alguma saída por ali. "Vamos procurar uma saída, provavelmente vamos sair em algum outro cômodo do lugar ou do lado de fora." Esperava que fosse a segunda possibilidade, porque já estava um pouco cansada de ficar morrendo. Parte de si desejava desafiar a morte, saber se realmente poderia morrer ali pelas mãos de algum personagem, mas outra... reconhecia o perigo, a adrenalina pelo corpo fazendo o coração bater forte e as pernas tremerem. "Você acha que pode ter alguma coisa no fim desse corredor também?" O tom estava mais baixo, agora desconfiado e um tanto assustado ao olhar aos arredores, pensando em tudo o que poderia se ocultar nas sombras. Não muito distante, ouviu um barulho, como alto se arrastando. Imediatamente se moveu, sentindo o corpo esquentar. O poder sempre parecia reagir a emoções extremas e naquele momento estava assustada. "Está ouvindo isso?" Sussurrou, quase se curvando na direção da outra. "Parece que alguém está caminhando, arrastando os pés..." Parecia estranho, mas quando olhou para frente, uma múmia parecia se aproximar lentamente. "Isso é brincadeira, não é? Sério?" Virou-se para a outra, as sobrancelhas se erguendo. Pelo menos não tinha arma nenhuma aquela nova ameaça.
Diaval suspirou pesadamente ao escutá-la falar sobre criar coragem de viver. A verdade era que viver era tudo que Diaval queria. Desde que quase morreu em um incêndio e acabou sendo salvo por Malévola... ele vivia como se o amanhã fosse incerto. Agora? Nem isso podia fazer. Não quando as pétalas estavam lá o relembrando que a maldição poderia matá-lo a qualquer hora. Não quando suas transformações descontroladas e seus pesadelos sugavam toda a sua energia pela noite, tirando o tempo que ele poderia estar realmente aproveitando o que lhe restava. Tudo que Diaval fazia era tentar arrumar um jeito de sobreviver àquela maldição e parecia cada vez mais que pra isso acontecer, os perdidos deveriam voltar pra casa. Diaval sempre pregou que era isso que desejava, mas, ao mesmo tempo, queria ter certeza de que teria momentos com Vicky. Ficar longe dela havia o feito perceber que, se ela retornasse para o mundo real ou se Diaval acabasse sofrendo as consequências do novo conto... ele queria que pelo menos tivesse existido para ela. A aproximação de Victoria e a mão quente da perdida em seu rosto trouxe um tanto de conforto para Diaval, mesmo que ainda sentisse que havia muito em seu peito para carregar. Mas com Vicky ali pelo menos não se sentia totalmente sozinho. Esse momento quase deve ter sido arruinado quando Victoria mencionou Phillip, já que Diaval não escondeu o rolar dos olhos. "Eu não quero que você mude isso. Você não precisa mudar nada." Diaval levou sua mão até a dela em seu rosto, acariciando-a enquanto deslizava até o pulso de Victoria, mantendo o toque dela em si, sem querer que ela se afastasse novamente. "O negócio com Phillip é que... eu obviamente o conheço." Não queria ter que confessar nada disso, sem saber exatamente a razão que o fazia hesitar, mas Victoria ainda merecia uma explicação. "E Aurora, ela..." Diaval pausou, pensando em suas palavras. "Eu sei que ela é difícil, mas não é culpa dela." Diaval sabia que Aurora tinha que lidar com muita coisa, com os resquícios da maldição e também a responsabilidade sobre o reino. "Eu a conheço desde que ela era um bebê, mas não acho que vocês perdidos conhecem a história toda." Pelo menos não todos eles. "De certa maneira, ela é família pra mim. Então escutar que o idiota do marido dela é sua prioridade não é exatamente o que eu gostaria de ouvir." Aquele último comentário talvez não tivesse muito a ver com Aurora, e sim com o fato de que Victoria desejava tanto a companhia logo de Phillip. E isso fazia Diaval se questionar se teria alguma desculpa para disfarçar seu ciúme se fosse outra pessoa no lugar do príncipe. Ele suspirou, acariciando o braço dela com o polegar. "Mas eu sei que deveria ter contado isso antes."
Um sorriso fraco tomou conta de Diaval, podendo sentir os ombros menos tensos com a última fala dela. Ele voltou a segurar a mão da mulher, dessa vez tirando-a de seu rosto para levá-la até seus lábios, deixando um beijo terno em seu dorso. "Eu vou levar isso como um sinal de que eu posso continuar falando..." Ele tentou brincar e rir da situação, antes de repousar a mão de Vicky em seu peito, ainda cobrindo-a com a sua, como se quisesse agora que ela sentisse seu coração batendo forte contra o peito. "Tem outra coisa que preciso contar..." Sentiu sua respiração falhar por um segundo, como se as paredes daquele corredor ficassem cada vez mais apertadas. Como se temesse que sequer falar disso fosse o fazer vomitar agora mesmo. Diaval apertou de leve a mão de Vicky, sabendo que deveria ser sincero com ela, que deveria avisar sobre seu novo destino... Só não sabia se estava preparado para dizer como iria acontecer. Por mais que a mão quente de Vicky o reconfortasse agora, parecia que Diaval estava chegando perto demais das chamas. Não desejava que a perdida se sentisse culpada a ponto de afastar-se dele novamente. "Mas antes... Você quer sair daqui?" Diaval sorriu um tanto sem jeito, sendo a sua vez de levar a mão até o rosto alheio, tirando uma pequena mecha de cabelo dali e colocando-a atrás da orelha de Victoria. Era a primeira vez que prestava atenção de verdade na fantasia de Vicky, e certamente tinha perguntas a fazer sobre isso. "Eu sei que tem cômodos menos assustadores nesse lugar."
Havia uma mísera e pequena parte de Victoria que temia ter seu toque rejeitado, mas o alívio a invadiu quando Diaval manteve a mão dela ali. Um sentimento maior ainda a tomou quando após poucos dias fora capaz de sentir o homem novamente, o coração subindo a boca e iniciando uma jornada de fuga. Precisou cerrar os lábios para conter o que queria dizer, concentrando-se apenas em Diaval e no que ele falava, na maneira terna com a qual se explicava. Não conhecia o vínculo entre todos aqueles, não sabia que Aurora era como uma família e qualquer que fosse a relação entre Diaval e Phillip ou sobre o casamento da bela adormecida com seu príncipe. A ignorância levava Vicky a cometer erros, definitivamente como falar sobre Aurora e seu marido para o corvo. Enquanto ele falava, pareceu enxergar algo mais em suas palavras e olhar. Não parecia apenas defender uma pessoa querida de sua família, mas.... dentre todas as coisas, focou em uma. "Você está com ciúmes?!" O tom soou mais alto do que pretendia, um sorriso largo de repente se espalhando pelo rosto. Sentia-se quase lisonjeada ao reparar no setimento de Diaval. A ira anterior, a raiva das palavras não mais existindo em nenhuma parte de seu corpo. Tinha sido uma fagulha rápida de ser extinta, sendo ocupada pelo queimar lento de um sentimento que parecia se arrastar pela essência e a consumir lentamente. "Phillip não é uma prioridade." Tentou, sem sucesso, replicar a voz dele. "Você está errado sobre isso." Apesar da declaração, não queria iniciar outra briga. Sabia que não poderiam permanecer naquele lugar por muito tempo, mas Vicky não queria se afastar. Ou deixar de tocá-lo ou ser tocada. "Pode me contar o que quiser, inclusive sobre o que gostaria de ouvir." Percebeu então que também queria contar tudo à ele, inclusive falar qualquer coisa que Diaval gostaria de ouvir. O beijo em mãos pareceu transformar sangue em lava, quente e intenso pelas veias e Vicky respirou fundo, mantendo sob controle o nervosismo.
Ao ser convidada para outro cômodo, embora soubesse que era o ideal a se fazer, não conseguiu evitar que a própria mente a traísse com ideias indecentes. Não. Não era o momento para os pensamentos assumirem forma lasciva, visto que estavam em um castelo cheio de vampiros e que tinham acabado de fazer as pazes. Ainda assim o estômago se contorcia com a ideia de ficar com Diaval em um espaço privado, ansiosa por saber o que ele tinha a dizer. A ansiedade, quase juvenil, fazia o coração dar saltos dolorosos. "Vamos. Para onde você quiser." Respondeu ao engolir em seco, segurando a mão dele, pouco disposta a soltar. Caminhou devagar e silenciosa pelo corredor, afastando-se da janela e abrindo uma porta qualquer, surpresa pela fechadura aberta. Bem, parecia servir. Victoria estava ansiosa, o cômodo oferecendo pouca luz e o suficiente que era visível parecia ser uma parede com várias cabeças de animais esquisitos. Tentou não olhar para aquilo, focando em Diaval que... Victoria deu uma risadinha, o polegar fazendo uma carícia na mão dele. "O que você está vestindo?" Reparou pela primeira vez, os olhos focados no chapéu dele. "Não sabia que gostava de chapéus." Apesar tirar a atenção das vestes dele, focou novamente no rosto do qual tanto gostava, ainda mantendo um sorriso. "Certo, o que tem a me dizer além dos seus ciúmes?" A provocação saiu sem que percebesse, a voz sem qualquer acusação. Estava sentindo-se mais aberta, mais compreensiva para ouvi-lo.
"desculpa...?" encolheu os ombros, não sabendo bem o que dizer diante da puxada de orelha nem um pouco discreta. não era sua culpa se estava ficando nervosa com a possibilidade de virar outra criatura maluca justo na noite de halloween. não que corvos fossem malucos, mas era maluca a sensação de virar um corvo. não queria isso de novo. "muito branca?" repetiu, fazendo uma careta. "sei lá?! eu bebi umas coisas no bar, comi uns doces... será que algum deles causa esse efeito?" coçou sua cabeça, enquanto tentava lembrar de algum aviso ou coisa do tipo. "mas, se eu tô pálida e com dentes grandes, então só posso estar parecendo um vampiro." concluiu, ainda acreditando ser algo que envolvia somente sua aparência, mais aliviada por ter uma resposta. "ufa! se eu parecesse um lobisomem, juro que ia me esconder o resto da noite."
A palavra vampiro fez Vicky dar um passo para trás, porque por mais que adorasse Chloe, não adorava vampiros. "Você comeu ou bebeu alguma coisa e virou isso?" Olhou para a bebida em mãos, perguntando-se quais seriam as consequências de ingerir o líquido. De repente não queria mais consumir nada que tivesse naquele lugar. "Você tá sentindo coisas estranhas?" Aproximou-se de novo, um pouco temorosa, mas corajosa o suficiente para colocar um dos dedos na bochecha de Chloe, como se desejasse sentir a maciez da pele. Tinha lido em Crepúsculo que vampiros tinham a pele dura e fria, como mortos. "Tipo, vontade de morder algum pescoço ou tomar sangue?" Indagou, buscando novamente uma distância segura. "Ainda bem que não é um lobisomem, apesar de eu achar que gosto um pouco mais dos lobisomens."
Havia ficado animado quando Victoria disse que iriam para Halloweentown, por que achava que era uma experiência e tanto! E era por isso que mesmo mais baixinho, ele meio distraído como sempre ia cantarolando. ❝In this town we call home everyone hail to the pumpkin song... In this town, don't we love it now? Everybody's waiting for the next surprise.❞ A cabeça se movia levemente de acordo com a música, os olhos admirando a paisagem macabra e todos os seres aterrorizantes que haviam ali, alguns lhe despertavam certa repugnância, mas nunca medo. Talvez tivesse se perdido demais dentro da própria cabeça, mesmo que não estivesse pensando nada em específico, por que as palavras de Victoria soaram bem distantes do que ele achou que estivesse sendo a conversa. Ainda que bem, talvez ela estivesse falando um pouco sozinha nos últimos dois minutos, mas depois de meses de amizade, imaginava que ela já tinha se acostumado com o jeito dele. E mesmo que não entendesse muito bem como haviam entrado naquele tópico, não hesitou em entrar mais ativo na conversa como se nunca tivesse saído dela. ❝Bem, eu acho que entendo o ponto... Meio que nós somos aquilo que lembramos, não é? Mas eu ouvi um perdido dizendo que o nosso corpo meio que retem essas memórias mesmo quando a gente sofre amnésia ou algo parecido? Então talvez não se perca tudo... Ainda que nossas memórias serão trocadas, aí eu já não sei se entraria no mesmo tópico ou não. O que difere memórias alteradas de memórias esquecidas? Vocês não tem algum tipo de filme que fale disso no seu mundo?❞
Halloweentown a deixava um pouco pessimista, percebeu enquanto adentrava o lugar. Era um pouco mais colorido do que esperava, mas o cenário ainda enviava arrepios pelo corpo. Por isso contava com a companhia de Eric, possivelmente um dos homens mais decentes que havia conhecido no lugar. Resistia ao impulso de se agarrar ao braço dele a cada susto, respirando fundo ao tentar se acostumar com a visão de esqueletos. "Memórias são frágeis." Resmungou, um pouco mais mal educada do que gostaria antes de respirar fundo novamente em uma tentativa de ajustar o tom. Eric não tinha culpa de nada e tinha sido gentil o suficiente de aceitar o convite quando poderia estar passando mais tempo com a esposa. "Memórias podem ser criadas e manipuladas, mesmo assim são importantes. Se esquecemos de quem somos e nossas experiências, esquecemos de nós mesmos e isso seria como morrer mesmo. Esse perdido está certo também." Deu de ombros, de repente pensando mais a fundo sobre o assunto. "Não sei como funcionam ciência e medicina por aqui, mas as pessoas podem perder a memória devido a uma batida ou um evento traumático. Não tenho certeza se existiam livros sobre isso, porque nunca estudei muito a respeito." Agora que estava perdida em um mundo diferente, lamentava-se pelo fato de não ter adquirido o máximo de conhecimento sobre tudo o que podia. "Mas talvez eu encontre algo por aqui... posso fazer isso para preservar até mesmo a minha própria memória, sabia? Está cada vez pior." Se lamentou, novamente voltando ao pessimismo. "Algumas noites não me lembro direito de nada! Isso também acontece com você, esses lapsos de recordação?" Ainda não sabia muito sobre o que poderia mudar ou não na história dele.
Sugar Plum era um tanto traiçoeira, apesar do rostinho que muitos julgavam como inocente. Quando chegou no reino dos perdidos, estava pronta para deixar aquela vida de vilã pra trás e aprender com seus 'erros', até que aqueles perdidos decidiram arruinar sua vida! Então Sugar Plum não tinha outra opção além de voltar para os velhos hábitos, e o universo frequentemente a mostrava que estava certa quando odiava aqueles forasteiros, e estava certa em desejar usá-los para alcançar o poder. Era exatamente isso o que seu novo destino lhe daria de bandeja. E talvez fosse por isso que Sugar até que se deu muito bem com os piratas, festejando com eles naquela noite, além de participar de seus jogos de aposta, ganhando alguns merlos. Quando estava prestes a partir, no entanto, avistou uma figura conhecida. Victoria, a tal da Chama em quem a fada havia jogado uma maldição simples. Sugar Plum colocou o capuz de sua fantasia de um jeito que cobria seus olhos, aproximando-se dela cautelosamente por trás, estendendo sua cestinha cheia de docinhos para que ficasse em seu campo de visão. "Um docinho pelos seus pensamentos?" Questionou em uma voz doce e melódica, que Victoria não reconheceria do dia que esbarrou em Sugar quando estava mal-humorada.
A ideia de se aventurar em um navio fantasma tinha sido péssima ideia, porque a mera ideia de algo que deveria estar acima da água a deixava um pouco apavorada. Não parecia ideal para Chama estar em um navio. O pior? Os fantasmas! Estava absolutamente chocada com estes, o pensamento racional a todo custo tentando encontrar uma explicação. Depois de tanto tempo no reino dos perdidos já deveria ter se acostumado, mas era uma cientista e procurar resposta e explicações era a sua profissão. Estava quase com dor de cabeça quando uma voz suave chamou a atenção, feliz por direcionar sua atenção para alguém que parecia viva. Parecia uma figura conhecida também, pelo menos a fantasia que fez Vicky sorrir. "Acho que meus pensamentos no momento estão mesmo valendo um docinho. Acho que preciso algo para açucarar essa noite." Respondeu, não hesitando em pegar qualquer doce da cesta, rapidamente tirando a embalagem. "Estou me perguntando como são possíveis essas manifestações extracorpóreas, mas eu já deveria estar acostumada. É tudo bem maluco por aqui." Suspirou, desistindo e tentar entender e levando o doce até a boca. E mordeu. E alguma coisa quebrou, algo que com certeza não era o doce. Quando afastou o alimento para enxergar melhor, percebeu o pequeno pedaço branco preso ainda ali. "Mas o que..." Começou, passando a língua pelo dente quebrado, um dos da frente. "Não acredito!" Resmungou, direcionando o olhar para a outra. "Do que isso é feito? Concreto?!"
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Diaval deixou que Victoria falasse, sem interrompê-la. Ele sabia que merecia as palavras duras, e merecia vê-la se afastar como se ele fosse quem estivesse pegando fogo agora, destruindo tudo ao seu redor. Mesmo assim, saber que merecia não fazia o seu coração deixar de apertar, percebendo que Victoria estava tão distante, e não apenas fisicamente falando. Geralmente Diaval sabia colocar uma fronte impassível, mas devia ser óbvio naquele momento para Victoria que ele estava tendo muita dificuldade para esconder que estava completamente esgotado. Não tinha mais espaço para guardar dentro de si tudo que vinha sentindo ultimamente, não apenas com as lembranças da última conversa com Victoria e a culpa pesando em seus ombros, mas também tudo que o assombrava com as pétalas e o tanto que se sentia sozinho. "Eu sei. Eu sei que nada disso é culpa sua. Eu sei que não posso retirar minhas palavras agora." Foi o que disse, sentindo uma ardência em sua garganta que não tinha nada a ver com as pétalas dessa vez. Não podia parar por aí quando a perdida lhe deu a chance de se explicar. "Victoria..." Diaval pausou, como se fosse difícil pra ele colocar pra fora todos os pensamentos caóticos que se perdiam em sua mente e assombravam seus sonhos. "Eu não sou bom nisso. Eu não sou bom com palavras, e eu sei que eu tenho algum dom de afastar as pessoas, de me fechar ao ponto de que ninguém quer chegar muito perto..." Tinha uma razão de ter acabado em Malvatopia, no fim das contas. Não era parte de um mundo de mocinhos que sabiam expressar seus sentimentos mais profundos por meio de músicas emocionantes. Seu lugar, no fim, era com alguém tão solitário quanto ele. "E nada disso é uma desculpa para o que eu disse pra você. Mas ultimamente... eu estou com tanto medo." Admitir isso saiu quase em um sussurro engasgado e trêmulo, esperando que Victoria tivesse escutado. Diaval nem chegou a perceber quando as lágrimas começaram a cair, e a última vez que ficou vulnerável na frente de alguém... bem, nem Carlota tinha o visto chorar.
"Tudo que eu conheço virou de cabeça pra baixo por causa dessa história de perdidos, e... eu não tenho nem certeza de qual é o meu lugar no meio disso tudo." Era um jeito de falar que não tinha espaço pra ele em seu novo conto. Que seria esquecido. Mesmo antes disso, já havia conversado com alguns perdidos e alguns deles nem sabiam da existência de Diaval porque ele não existia em algumas de suas histórias. Seu coração falhou algumas batidas, tendo quase certeza de que aquilo não era o suficiente para fazer Victoria o perdoar. "Mas o que realmente me assusta é que eu quero que você se aproxime. Eu quero que você me conheça." E os deuses sabiam o quanto ele vinha lutando para isso não acontecer. Mas aconteceu, e Vicky agora era... uma amiga. Alguém que ele queria manter por perto. Alguém que, se as estrelas permitissem seus desejos, pudesse ver que valia de alguma coisa. "E como eu vou fazer isso quando você pode ir embora a qualquer momento? Mesmo que eu me esqueça de tudo, eu não sei... se vou superar o sentimento de que você se foi." Nem tinha certeza se isso era possível, mas se pudesse acreditar em qualquer milagre do mundo dos mocinhos, que fosse o fato de que talvez não fosse a esquecer por completo. "... Eu só queria dizer que sinto muito."
Se Diaval queria falar e se explicar, Vicky iria ouvi-lo, decidida a ir embora na primeira palavra que a desagradasse. Gostava de ter Diaval em sua vida e dos momentos com ele que pareciam um pouco mais mágicos, mas ao mesmo tempo estava um pouco assustada com a maneira como sentia-se ligada a ele. Parecia um instante decisivo, onde poderia fortalecer seus muros ou rompê-los de vez, então quando ele começou a falar, Victoria cruzou seus braços, como se assim pudesse proteger o próprio coração de mais decepções. Ouvir seu nome nos lábios do homem corvo enviou uma onda de sentimentos pelo corpo e ela percebeu a súbita intensidade de suas saudades. Queria abraça-lo, portanto apertou seus braços um pouco mais, apenas para não cair em nenhuma boba tentação naquele momento. Ainda estava analisando-o, julgando o que faria. Algo brilhou no rosto dele e Vicky percebeu que Diaval estava... chorando? Estava chorando? As lágrimas do homem foram capazes de partir alguma coisa dentro de Victoria, cujas pontas espetavam o estômago de forma desconfortável. Fazia com que quisesse chorar também. E evocava chamas lentas dentro da cientista, que ardiam com o calor da própria raiva e mágoa. Esperou paciente até que ele falasse e quando pareceu finalizar, ficou parada onde estava, os olhos presos nele.
Victoria respirou fundo, prestes a soltar as sentenças que poderiam definir o futuro da conexão que possuía com Diaval após alguns minutos de silêncio. "Você está com medo, está confuso, sua vida virou de cabeça para baixo." Afirmou, finalmente descruzando os braços, gesticulando enquanto falava. "Mas não é o único, Diaval. Estou apavorada, com medo, confusa, com saudades do que eu tinha na minha outra vida." Os olhos se voltaram os próprios dedos, que pareciam quentes demais, embora não estivessem pegando fogo. "Então deixe que eu me aproxime e deixe que eu te conheça. Fale comigo, Diaval. Eu quero que você fale. Eu quero me aproximar e quero te conhecer, porque não é o unico assim." Provavelmente jamais tinha dito palavras mais verdadeiras na vida e como se para provar seu ponto, deu um passo para frente, diminuindo a distância. "Não vou deixar que o medo me impeça de viver. Não vou deixar que o medo do futuro me impeça de viver o agora. Nunca deixei isso acontecer e não vou fazer agora, porque não importa o que aconteça, eu não quero e não vou deixar de ser Victoria." Sabia que não tinha muita escolha quanto a isso, mas estava determinada. "Você quer viver uma vida na covardia, temendo o dia de amanhã ou você quer viver todos os dias como se fossem os últimos? Não consumido pelo medo, mas pela ousadia, atrevimento, sei lá, o que desejar chamar. Viva como quiser, mas não deixe que o medo de algo que não aconteceu domine a sua vida. Não vai dominar a minha, porque eu sei o que eu quero." Mais um passo, dessa vez torcendo para que a mão não estivesse quentes demais ao tocar o rosto dele e limpar uma das lágrimas. "E sabe o que eu quero? Continuar perto de você. Quero continuar vivendo meus dias com você, com Phillip, Pinóquio, qualquer um dos meus novos amigos." Claro, Diaval tinha um impacto maior em sua vida, mas não sabia se era o momento adequado para enfatizar o fato. "Não pense no momento em que posso partir, porque eu estou aqui. Estou aqui agora e você pode escolher se vai virar as costas para mim mesmo enquanto estou aqui. Odiaria se fizesse isso. Porque eu sei que não vou esquecer você, aqui ou lá." A voz não passava de um sussurro e no momento Vicky não se importava se Diaval tinha um talento para afastar as pessoas ou que não fosse bom as palavras. Gostava dele exatamente assim, os pequenos defeitos que o faziam ser quem era. "Senti sua falta esses dias. Acho que sentiria sua falta mesmo sem te conhecer. Acho que sentia sua falta mesmo antes daqui." Confessou, os dedos traçando carícias pelo rosto dele.
fazia alguns minutos que chloe tentava investigar o motivo do sentimento de estranheza que surgiu de uma hora para a outra. considerando onde estava, não ficaria surpresa se fosse consequência de alguma bebida — por sinal, que sede! —, mas queria entender o que acontecia. sem um espelho para verificar sua aparência, sua melhor opção era falar com alguém conhecido, nem pensando ao se aproximar de vic. "ei, oi!" a cumprimentou rapidamente, sentindo algo estranho nos dentes. "ahm, fantasia legal." tentou sorrir, forçando um papo-furado antes de chegar ao ponto que queria. "vem cá... você tá notando algo estranho em mim? na minha boca? sei lá, não sei se você já observou ela, mas..." ao passar a língua pelos dentes, notou como seus caninos pareciam maiores. "que porr-" o xingamento baixo foi cortado. "eu tô verde?! ou alguma coisa estranha? ou só aumentou meus dentes?" por favor, que eu não vire um bicho agora! eu não aguento mais. de mudanças visíveis, só dava para notar os dentes e a pele mais pálida que o normal.
A aproximação repentina de Chloe a assustou um pouco, mas estava naturalmente assustada com tantos monstros de verdade por perto. Se já não era grande fã do Halloween em seu mundo, tudo se tornava ainda pior quando ameaças reais pairavam ao seu redor. Ao observar a outra, ergueu as sobrancelhas, sem soltar exatamente a primeira coisa que passava pela cabeça. Não queria ser indelicada. "Estou bem, obrigada. Você está bem?" Enfatizou, apenas porque ela parece pálida demais, um pouco mais aturtdida do que o normal. Quando ela abriu a boca, Vicky sentiu o coração subir para a garganta em uma velocidade alarmante e tentou engolir em seco sem sucesso. O que eram aqueles dentes? "Você parece muito branca." Comentou, perdendo o medo de soar indiscreta. "Seus dentes também estão esquisitos. O que aconteceu? Você bebeu ou comeu algo estranho?" Era seu primeiro palpite, que tivesse consumido algo mágico, porque não queria pensar em seu segundo palpite.