meu bem,
eu te escolho porque te amo não como quem procura destino, nem como quem se agarra à promessa de que algo, um dia, não vai doer.
eu te escolho porque aprendi, no ritmo do próprio corpo, que o amor também é escolha; e que escolher, todos os dias, é um tipo de coragem que não grita.
eu te escolho porque reconheço em você não um fim, mas um caminho que me atravessa.
eu te escolho não como resposta, mas porque você habita em mim como uma pergunta viva.
eu te escolho porque há em nós algo que não se explica, um encontro que não pede licença, que é entre duas mulheres que se olham sem a necessidade de se completar, apenas de se reconhecer.
eu te escolho porque sustentar o calor do afeto mesmo quando o mundo ao redor nos ensinou a temer o excesso, a se proteger do toque, a se calar para caber, também é uma forma de amar.
eu te escolho porque não me reduzo ao silêncio, nem te transformo em abrigo que me apaga.porque me mantenho inteira e, ainda assim, me aproximo.
eu te escolho porque tocar, para mim, é também cuidar.
eu te escolho porque aprendo que o amor entre nós não é uma linha reta, mas um gesto que se refaz no erro, no recuo, no recomeço.
eu te escolho porque há em mim uma insistência delicada: não te ferir quando seria mais fácil afastar, não te reduzir quando seria mais fácil simplificar, não te perder quando o mundo tenta nos dispersar.
eu te escolho porque amar você é sustentar um vínculo que pulsa no entre, nesse espaço delicado onde duas existências se encontram sem que uma precise desaparecer.
eu te escolho porque, enquanto posso, não desejo nada além de permanecer.
e se algo entre nós existe, não será por sorte, nem por acaso,
será porque,
todos os dias
eu escolho você.














