memories as heavy as a stone | june79 | pov
— Kreacher. — Regulus chamou em um tom baixo, ainda que fosse o suficiente para que o elfo doméstico fosse capaz de ouvir. Dadas as informações que tinha sobre o paradeiro de Katherine, ele apenas esperava que a mais velha não tivesse mentido para ele. Que ela estivesse viva. Pois simplesmente, ela tinha que estar. — Master Regulus isn’t asleep. — O elfo disse em uma constatação óbvia. Mesmo que quisesse estar no quarto, em segurança e sem qualquer pertubação dentro da mente dele. Teria sido arrancado da pouca paz que tinha recuperado depois do leilão, em uma forma que não aguardava. As visitas de Bellatrix se tornavam mais danosas na medida que o tempo passava. E ainda sentia o peso das palavras dela na mente dele. Cada segundo contava e por isso tinha que se concentrar para fazer o que devia. — There’s no time for that now, Kreacher. I need you to do something for me. I need... to leave the house right now. I need to get on Ellerby’s old broom abandoned depository. — Falou em urgência, tentando ser firme com o elfo. Afinal, ele tinha bondade dentro dele e gostava de tratá-lo de uma maneira digna. Algo, que muitos outros bruxos não se importavam muito. E pela lealdade do mesmo, esperava que conseguisse aparatar com ele até lá. Afinal, segundo as leis mágicas, as mãos de Regulus estavam atadas. E Bellatrix certamente sabia disso, colocando mais um empecilho para que salvasse Katherine.
— Master Regulus isn’t safe to leave this late. — Disse a criatura e ainda que entendesse a preocupação de um pedido tão não usual, ele tinha que obedecê-lo, reflexo que ele tinha com a servidão para com os Black. — I’m not asking you, Kreacher. That is important to me, each second counts. I need to help... a friend. Please. — Falou, engolindo a seco quando fizera menção a palavra. Afinal, dentro de si sabia que aquilo representava muito mais para ele. Mais do que ele ou até mesmo ela pudessem admitir para si mesmo. Não a via tinha um tempo, e vê-la no leilão fora algo que não deixou a vida de Regulus muito mais fácil. A presença do irmão também não teria sido fácil para ele, é como se todos os fantasmas do passado dele viessem ao encontro. Ainda que de ‘fantasmas’ esses não eram algo que poderia facilmente esquecer. A respiração ficou presa, até que o elfo concordasse em tirá-lo da mansão dos Black. E desde que eles voltassem antes os pais notassem a falta dele, estaria de volta.
Se tivesse tempo até mesmo usaria o artifício que o irmão fazia quando moravam juntos, para enganar sobre o paradeiro dele dentro da própria casa. Alguns travesseiros e cobertas já tinham o ajudado em algumas travessuras do passado. Contudo, o Black mais novo não tinha exatamente tempo para isso. E segurou a mão de Kreacher para aparatar até o local, já que Regulus ainda estava em treinamento e não confiava em si mesmo para fazê-lo sozinho em vista do estado abalado que estava. A sensação de aparatar não era das melhores e sentia que poderia vomitar, mas qualquer reação que pudesse ter em relação a isso fora dissipada logo assim que ele ficou ciente que tinham chegado ao local. Existia um arrepio correndo pelo corpo dele só de pensar o que Bellatrix teria feito, pois ele bem sabia a extensão e até era o limite da prima. Talvez ele quisesse se manter na ignorância, mas assim que se aproximava com o elfo ao lado, viu que parte do escuro do local escondia a verdadeira face do medo. E por mais que houvesse um falso julgamento de quem possuía aquela marca no antebraço esquerdo, não tinha medo. Regulus entendia o conceito bem mais do que qualquer outro.
Medo, às vezes era palpável. Outra vezes, nem tanto. Era claro ou estava escondido. Este tinha muitas faces e formas. Mas, encontrá-la daquela forma o fez se sentir culpado. Por ter alimentado aquilo. E de terem chegado onde tinham chegado. Tudo porque, teria subestimado quem não deveria. E talvez, esse fosse um dos piores defeitos de jovem. — Kreacher, help me. I can’t use magic. — Disse, se aproximando mais ainda vendo a figura desacordada amarrada a uma pilastra do depósito. — Get her off this things, I will hold her. — Ordenou, ficando a postos no momento que as amarras desapareceram. No mesmo instante, sentiu o peso das ações cometidas e notou que não apenas tinha sido torturada do modo ‘usual’, mas existia um corte no pescoço de Katherine, o que fazia a urgência de levá-la para longe daquele local. “You should have heard her scream, it was pure music.” Voltou a ecoar dentro da cabeça de Black. Sentiu raiva. Mas, de nada aquilo adiantava ou desfaria o mal que teria acontecido. “Or maybe I can go there and finish the job… What is it gonna be?” Fez com que fechasse os olhos, enquanto sustentava o peso da loira sobre si, com receio que aquilo tudo fizesse parte de um plano. E que não importasse o acordo entre eles. Bellatrix voltaria para atormentá-lo.
Ajeitou-a para que ficasse ao lado dele, uma forma melhor para que Kreacher o ajudasse e aparatasse com ambos para o hospital. — Kreacher. St. Mungos. Fast. — Disse ao segurar a mão do elfo novamente e segurar bem firme a loira contra o corpo dele. O baque de saber que tinha chegado ao local, era um alívio e ao mesmo tempo tinha um pesar. De se separarem e ele não a poder ver mais, sem o mínimo de chances de saber se ela ficaria bem. — No one can see us, we need her to get her close enough to the hospital. I’m not sure if someone that I know is there, so... be careful. Once that person leaves the door, we get closer and we leave right after. — Instruiu, sabendo que não poderia desperdiçar tempo para que fosse pego ou para ela que precisava de cuidados. Com sorte, o barulho de aparatação de Kreacher chamaria a atenção do funcionário do hospital. E era o bastante para fazê-lo verificar e encontrar a loira. Com pesar, sentiu mais uma vez raiva de tudo que tinha acontecido. E antes mesmo que pudesse dizer adeus. Estava novamente na mansão dos Black. O elfo parecia estar consternado com o semblante de Regulus. — That will be all for today, Kreacher. Thank you. — Disse, rumando para o próprio quarto, já maquinando e sabendo que aquela noite passaria em claro. Uma última carta ele escreveria e pediria para Kreacher entregá-la para alguém de confiaça para chegar até Katherine. Até lá, o corpo repousando sobre a cama, era uma mera tentativa de desviar a tensão que tinha dentro de si. Seria uma noite longa.