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O círculo social de Timoteo não era rodeado pelas mais estáveis e responsáveis pessoas. Além de Tom que geralmente estava ocupado com algum novo emprego ou chorando por uma garota bonita, ou Tyler que dividia seus esforços entre o esporte e a personificação da frase ‘o diabo veste Prada’; o restante das pessoas que marcavam presença em seus dias basicamente eram aquelas que partilhavam de mesmos gostos imprudentes que o colombiano. Que já estavam acostumadas à embriaguez ou aos efeitos de substâncias mais pesadas e que curtiam festas como se não houvesse o dia seguinte. Desse modo, ele não se recordava de presenciar alguém ficar bêbado em tão pouco tempo - o que deixava a situação particularmente engraçada, mesmo que por enquanto ele pudesse apenas perceber nela a letargia característica daquele tipo de situação. “Eu tenho segredos demais, nena. Alguns deles eu teria que te matar se descobrisse” Apesar da óbvia piada, ele tinha mesmo segredos demais. E que não entendessem mal: não era como se ele guardasse segredos de Bridgit especificamente, ou mesmo de outras pessoas. Quanto a diversos aspectos, Timoteo guardava pontos de vistas e sentimentos tão bem que se tornavam segredos até para si mesmo. Tinha em seus olhos escuros um brilho de expectativa, mesmo que plenamente convencido de seus dotes, curioso para saber se a jovem apreciaria a mistura. Verdade que a versão original do drink que aprendera não recebia o licor escarlate que acrescentou ao fim, e levava uma cerveja de gengibre, e não aquela coisa barata que usavam ali — mas esperava ser suficientemente agradável ao paladar. Ela poderia atingir os objetivos daquela noite com mais um shot, claro, mas qual graça teria em sofrer com a ardência e o consumo de algo que detestava? A graça também estava em todo o processo. A resposta viera em duas partes, primeiro no rosto impressionado e depois nas palavras que deixavam claro o resultado que ele queria. Ela tinha razão, e aquele era um dos segredos que escondia de si mesmo. Teo era talentoso e, arriscaria dizer, inteligente. Apenas escolhia não se aplicar em absolutamente nada - para que o faria, de qualquer maneira? Para alguém acostumado a não receber atenção, fosse ela positiva ou negativa, não fazia sentido o esforço. Tomou um gole da própria criação, que de fato estava delicioso, mas devolveu sem demora à loira que parecia mesmo apreciar o drink. A pergunta o fez rir; a primeira coisa que vinha em sua cabeça era indecente. A segunda, ilegal. A terceira, imprudente. Tentou pensar em outras coisas que fazia, que melhor caberiam à inexperiência da jovem artista. “Bom, a primeira coisa que eu faço é dançar, claro.” Disse enfim, o que era verdade. “Que tal assim que acabar com a bebida a gente ir até a pista?” Não havia uma pista de verdade, mas um bom número de pessoas dançavam há apenas alguns metros dali.
As primeiras palavras que recebeu de resposta fizeram Bridgit arquear as sobrancelhas uma vez, logo desfazendo a expressão com uma risada baixa. “Um dia eu consigo descobrir eles.” Fora sua réplica, simples e expelida com um sorriso pequeno por parte da loira. A Hughes até se identificava um pouco com aquilo, mesmo que não encarasse as suas coisas como segredo. Haviam alguns pontos que ela simplesmente não gostava de falar. Muitos deles relacionados aos acontecimentos de seu passado, os motivos de ser como era atualmente, isto é, reservada, hesitante, insegura, e todos os outros pontos que faziam-na ser alguém muito reclusa em si mesma. Havia demorado algum tempo para conseguir voltar a confiar nas pessoas desde que o acidente que tirou a vida de seus pais também mudou completamente a dinâmica de sua rotina, e esse era o principal motivo de não gostar de tocar tanto naqueles pontos; era um assunto cicatrizado. Tinha medo de cutucar a ferida demais, e acabar retrocedendo o avanço que havia lutado tanto para fazer. Antes que permitir-se embarcar demais naquela espiral de pensamentos, Bridgit voltou a atenção para o drink quando este retornara para suas mãos, roubando dali mais um gole generoso da mistura. A cada nova porção que lhe descia pela garganta, parecia ficar mais fácil de continuar bebendo. Sua atenção ainda era concentrada sobre o rosto do amigo enquanto esperava pela sua resposta, e quando esta veio, o cenho da loira franziu-se um pouco. “Dançar? Ah, não, não… Eu não danço.” Negou prontamente com a cabeça. “Quero dizer, eu sou péssima nisso. Você não vai querer me ver dançando.” Completou, com uma risadinha baixa enquanto passava rapidamente o olhar pelas pessoas que dançavam, concentradas há alguns metros deles. Observar os movimentos que elas faziam só fez a Hughes ter mais certeza de que, com certeza, não era o tipo de pessoa que conseguia soltar-se daquela forma em festas. Não achava que conseguiria ficar confortável, e o clima estava tão bom que Bridgit não queria fazer qualquer coisa que interferisse naquilo. “Não tem outra coisa pra gente fazer? Uma que não exija ficar tão no meio de todo mundo assim…” Sugeriu ao que mais um gole fora tomado, voltando o olhar para Teo em seguida.
Teo semicerrou os olhos, o semblante deixando claro o quão entretido estava. “Qual é, todo mundo dança” Argumentou, o que não deixava de ser verdade. Nem todos dançavam muito bem, claro, mas qualquer um podia encontrar ao menos um pouco de ritmo em seu corpo. E se ela não encontrasse, então podia ficar tranquila pois o colombiano tinha ritmo pelos dois. Mesmo assim, o rapaz cedeu, concordando com a cabeça enquanto olhava para as pessoas a sua volta. Ele não entendia muito bem introvertidos, afinal, toda sua existência parecia guiada pela específica vontade de chamar atenção para si mesmo. Não havia dúvidas que o colombiano adorava ser o centro das atenções onde quer que fosse, e portanto dançar nem mesmo remetia a algo chamativo demais àquele ponto. Mas havia prometido que cuidaria de Bridgit caso ela optasse por beber, e força-la em uma situação embaraçosa não parecia condizente com sua promessa. Pensou no que ele faria bêbado que não incluísse uma multidão o encarando, o que diminuía e muito suas opções. Finalmente teve uma ideia, e então passou o braço em torno dos ombros da garota, com um sorriso um tanto travesso. “Já sei.” E após roubar o drink de um cara que passou a seu lado, bebendo de uma vez, Teo começou a caminhar para fora dali. “Muitas das vezes fazemos um after party no lago” Comentou, durante a caminhada “Claro que costuma ter algumas pessoas a mais, mas acho que vai ser melhor assim” Disse, sem entrar em muitos detalhes do motivo de ser mais adequado que não houvessem tantas pessoas. Não muito depois e estavam já no local, caminhando ao redor da água, e Timoteo parou no ponto onde as tais festas costumavam se dar. “Então vamos lá: sua primeira noite de diversão embriagada, mas sem precisar lidar com a atenção das pessoas” Explicou enfim, tirando o celular do bolso e selecionando algumas músicas. Apesar de muito distante da própria embriaguez, havia consumido álcool suficiente para sentir a característica leveza causada pela substância. Alcançou as mãos da jovem ao som do pop animado que ressoava no espaço deserto e ligeiramente escuro; qualquer um que os visse ali certamente pensaria que eram dois loucos. “Agora não tem mais desculpas para não dançar, até porque eu sou um ótimo professor”















