jongha.
ain’t leaving now
jongha se impressiona, a princípio, mas a surpresa não se transforma no mesmo pânico que assola a maioria dos demais; quando a performance toda começa, seu instinto natural é se render alguns passos para trás, mas assim que bate a percepção de que aquilo vai além do teatral, a atenção e a curiosidade não o deixam arredar o pé. em simultâneo, jongha passa os olhos pela multidão só para checar se qinyun está à vista (ele não está). a breve preocupação logo se dissipa, de qualquer forma, já que a coisa toda não parece colocar ninguém em perigo.
as mãos imitam a de todos ali assim que jongha sente o celular vibrar contra a perna em meio aos outros pelo menos cinquenta ao seu redor, reproduzindo uma sinfonia desconjunta da mais variada lista de toques polifônicos. fica fácil entender que o conteúdo que jongha processa na telinha é o mesmo que coloca em choque e planta uma enxurrada de dúvidas em quase todo mundo ao seu redor.
seja como for, ou o que quer que aquilo signifique, qualquer linha de pensamento que jongha tente construir ganha uma curva assim que ele vira as costas, depois de alguns passos. ele poderia muito bem tentar adivinhar quem é que ele vê caindo poucos metros à sua frente no meio da muvuca que ainda tem lugar, e que aparentemente não consegue mais levantar, o restante ocupado demais com as próprias paranoias para dedicar atenção. mas ele só conhece uma pessoa com aqueles cabelos.
“ei. ei,” jongha pronuncia devagar, com um cuidado que não é usualmente seu, uma das mãos em um joelho enquanto a outra se estende a cassiel. “você consegue levantar?”
havia se rendido à própria curiosidade para ir até o evento tardiamente, não antes de ter passado boas horas em seu dormitório debatendo com a própria mente se valia a pena a locomoção até fora do instituto. a vida de cassiel se baseava em dois estágios de aprisionamento, sendo o primeiro a igreja, e o segundo, mesmo que não quisesse categorizar daquela fora, tratava-se de gamsiin. admitia, porém, que parte de si ainda temia qualquer grau de liberdade que viesse a experimentar.
e justamente para tentar calar essa parte foi que decidiu ir até a comemoração de dia das bruxas. mãos enfiadas nos bolsos e passos pequenos, que o levavam a andar por entre as pessoas com olhares curiosos enquanto atentava-se aos detalhes da ocasião. notou, porém, que a movimentação tornou-se estranha aos poucos, e foi assim que viu-se no meio do emaranhado de pessoas que se aglomeravam em volta do espetáculo a parte que era exibido no meio da roda que se formou ali.
cassiel mal tivera tempo para raciocinar o que havia acontecido, ainda estando assimilando toda a confusão que construiu-se tão rápido que ele não conseguiu acompanhar. em um segundo, estava apenas compondo a plateia, e no seguinte, fora atingido pelos esbarrões eufóricos da dispersão de pessoas alarmadas, não tardando a enfrentar um golpe forte o suficiente para acabar no chão.
o yang grunhiu ao sentir o corpo atingindo o asfalto, falhando na primeira tentativa de levantar-se ao que o tornozelo latejou na função. provavelmente havia o torcido no meio de todo o tumulto. antes que pudesse tentar uma segunda vez, encara a mão que foi estendida a sua frente, reconhecendo de quem se tratava assim que o olhar identificou os traços de jongha.
o loiro engoliu em seco, a mandíbula rapidamente tornando-se rígida. “eu não preciso da sua ajuda.” sibilou, seco. cassiel não o conhecia muito a fundo, mas sabia algumas informações básicas, como a habilidade que o outro portava. essa, em específico, o deixava em alerta sempre que na presença de jonha. qualquer poder que passasse perto de exercer controle sobre o yang o deixava com os dois pés atrás. “você pode ir. eu me viro aqui.” reforçou, temendo o simples ato de estar ao redor dele ali. quando tentou ficar de pé mais uma vez, porém, só exercera outra tentativa falha, que se findou com outro murmúrio de dor escapando pelos lábios.
















