Dia 62: O silêncio do domingo à tarde
O domingo à tarde é o dia mais perigoso da semana para quem está tentando juntar os pedaços. O barulho do final de semana vai diminuindo, as ruas vão ficando vazias e a luz do sol vai sumindo devagarzinho, deixando aquele tom cinza na janela. É a hora em que a mente da gente gosta de aprontar, resgatando memórias que deviam continuar bem guardadas no fundo da gaveta.
Antigamente, essa hora da tarde era a nossa hora sagrada. Era o momento de preparar o café, colocar uma música baixa no fundo e não fazer absolutamente nada, só aproveitando a companhia um do outro antes da correria da segunda-feira começar. Agora, esse horário virou um teste de paciência com a minha própria cabeça.
Eu olhava pro sofá hoje e parecia que a casa inteira estava prendendo a respiração. A tentação de deixar a nostalgia tomar conta é gigante, mas eu me forcei a continuar em frente. Lavei a louça, arrumei a sala, coloquei as coisas da semana em ordem. Não por obrigação, mas para não dar espaço para a mente voltar para aquele passado que não existe mais.
A gente vai aprendendo a preencher os vazios do domingo com pequenos atos de sobrevivência. O meu compasso hoje foi desacelerando conforme a noite chegava, mas sem pânico. É só mais um domingo que ficou para trás, mais uma etapa cumprida nessa caminhada.
Desce mais uma bem gelada, irmão. Hoje a gente bebe para celebrar cada pequena vitória silenciosa que ninguém vê.

















