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What if the first not-me transitional object is techne? I reach beyond myself in my distress to soothe myself, and in doing so begin to know myself. San Junipero is the place where what is real becomes radically uncertain. The living and the dead coexist. Bodies are optional. Desire is freed from the constraints of biography. And identity is no longer tethered to the biological. Perhaps it never was.
Mike Langlois, âSan Junipero & the Uncanny: Dead Residents, Living Fantasies, & What Makes an Identity Real, or, Why I Ainât afraid of AIâ
Sobre o filme, âMary e Max - Uma Amizade Diferenteâ de 2009*
Resenha PsicanalĂtica Sobre a Amizade, a Falha e a Possibilidade de Reparação
* Resenha com spoiler. Melhor assistir ao filme primeiro.
âMary e Maxâ Ă© um filme de animação em stop-motion (uma tĂ©cnica em que objetos sĂŁo fotografados quadro a quadro), sem uso de CGI (Computer-Generated Imagery). Ou seja, nada ali Ă© digitalizado: tudo existe fisicamente em estĂșdio. O filme levou cinco anos para ser concluĂdo. Cada segundo do filme exigiu 24 fotografias, todas manipuladas manualmente. Cada personagem foi inteiramente construĂdo Ă mĂŁo, com silicone, argila e estruturas internas de metal. Os cenĂĄrios â ruas, casas, objetos, comida, roupas â tambĂ©m foram produzidos artesanalmente, peça por peça. Assim, cada movimento, por menor que fosse, exigia que os animadores deslocassem os bonecos milĂmetro a milĂmetro antes de fotografar. O diretor, Adam Elliot, recusa o uso de CGI para âsuavizarâ a animação, pois acredita que o stop-motion expressa melhor a vulnerabilidade humana â algo magistralmente retratado no filme.
O filme aborda temas humanos com profundidade: solidĂŁo, falhas ambientais, conteĂșdos fantasmĂĄticos, a busca pelo outro e a possibilidade de reparação emocional. Mary e Max criam, atravĂ©s das cartas, um espaço emocional compartilhado, no qual a subjetividade de um afeta a do outro e ambos se transformam, ora colapsando, ora reorganizando partes fundamentais de si mesmos. Forma-se um territĂłrio psicolĂłgico conjunto, co-criado, onde a experiĂȘncia emocional ocorre entre dois sujeitos, e nĂŁo apenas dentro deles.
Nas cartas que enviam um ao outro, revelam-se conteĂșdos que descrevem seus medos mais infantis, com vulnerabilidades ainda sem defesas elaboradas. Emergem afetos primĂĄrios, arcaicos, com nĂșcleos de angĂșstia que, em um contato face a face, permaneceriam recalcados. Mary nasce em um ambiente emocional marcado pela negligĂȘncia materna, alcoolismo, violĂȘncia simbĂłlica e ausĂȘncia de vĂnculo seguro. Isso produz nela angĂșstias primitivas de cisĂŁo: sua mĂŁe Ă© vivida quase sempre como exclusivamente mĂĄ, instĂĄvel, descontrolada, desonesta, imprevisĂvel, emocionalmente inacessĂvel e nĂŁo confiĂĄvel. Sobre essa figura materna, Mary deposita projeçÔes de angĂșstia e confusĂŁo que nĂŁo consegue metabolizar, o que se manifesta em ansiedades persecutĂłrias (âas pessoas nĂŁo gostam de mim porque minha mĂŁe Ă© feiaâ, âsou estranhaâ, etc.). âUma alma complicadaâ, como dizia a prĂłpria Mary.
Ela relata tudo isso com a naturalidade de quem apenas se acostumou a um ambiente desorganizador, diante relaçÔes negligentes, pouco empåticas, ameaçadoras, sem condiçÔes de integração emocional. Nesse funcionamento, cada personagem é vivido como totalmente bom ou totalmente mau.
Em contraste com a mĂŁe, Max surge, no inĂcio do filme para Mary, como alguĂ©m â mesmo nunca tendo sido encontrado fisicamente â idealizado positivamente: compreensivo, acolhedor, confiĂĄvel e incapaz de rejeitĂĄ-la. Mary opera com defesas primitivas, mantendo tendĂȘncia de separar o mundo entre figuras idealizadas e figuras persecutĂłrias, sem nuances intermediĂĄrias. Com o tempo, Ă medida que a troca de cartas se intensifica, Mary começa a projetar em Max partes intolerĂĄveis de si. E Max responde emocionalmente a essas projeçÔes, sentindo exatamente aquilo que ela nĂŁo consegue elaborar sozinha.
Ele passa a experimentar ansiedade, confusĂŁo, medo de perdĂȘ-la e sobrecarga emocional diante da responsabilidade de responder. As cartas de Mary o reativam a lembrança de dores antigas â dores que nem acontecimentos extremos, como ter sido acusado injustamente de homicĂdio culposo ou atĂ© ganhar na loteria, conseguem igualar em impacto emocional. Max sofre um colapso e acaba internado em um hospital psiquiĂĄtrico. Mary tambĂ©m atravessa tragĂ©dias â a morte do pai por afogamento e, depois, a morte da mĂŁe ao confundir o frasco de bebida com fluido para embalsamar animais â, mas o que precipita seu prĂłprio colapso Ă© a ruptura com Max.
JĂĄ adulta, Mary aparentemente refeita de suas dores infantis, apĂłs um casamento e sua entrada na Faculdade, publica em seguida um livro sobre a SĂndrome de Asperger, usando a vida de Max como base de seus estudos, sem o consentimento dele. Para alguĂ©m com Asperger, isso representa uma quebra profunda de previsibilidade e violação de intimidade, levando Max a entrar num colapso ansioso e agressivo tĂpico de seu funcionamento. Ele sente-se traĂdo, usado e reduzido a um objeto de estudo. Corta completamente o vĂnculo e devolve o ursinho que Mary lhe dera, simbolizando o fim da relação.
A partir disso, Mary entra em derrocada emocional: culpa persecutĂłria intensa, sensação de ser âmĂĄâ, destrutiva, tĂłxica; passa a beber como a mĂŁe, abandona o autocuidado e mergulha em vazio existencial. Ela atinge um ponto grave: planeja suicĂdio, entra em desespero e vive um estado de ânĂŁo-serâ, uma perda profunda de continuidade do self â o que expressa, ao mesmo tempo, a angĂșstia kleiniana de destruição interna e a falha ambiental primĂĄria descrita por Winnicott sendo reencenada.
Mary sobrevive Ă tentativa de suicĂdio. A partir de entĂŁo, começa gradualmente a integrar suas partes quando reconhece que feriu Max e tenta reparar.
Na Ășltima carta que Max escreve para Mary, ele diz que a perdoa justamente porque ela nĂŁo Ă© perfeita. âNinguĂ©m Ă©. Eu tambĂ©m nĂŁo souâ, afirma. Explica que todos carregam falhas â e que sĂŁo essas imperfeiçÔes que nos tornam humanos.
Diz que ninguém escolhe os próprios defeitos: são partes que simplesmente compÔem quem somos, e com as quais precisamos viver.
Compartilha sua metĂĄfora preferida: a vida Ă© como uma longa calçada. Algumas sĂŁo lisas e bem cuidadas; outras, como a dele, tĂȘm rachaduras, cascas de banana e bitucas de cigarro pelo caminho.
Afirma que, apesar das falhas â as dele e as de Mary â ela continua sendo sua melhor amiga. Que o vĂnculo entre eles Ă© raro, precioso, insubstituĂvel.
Max escreve que, por mais dificuldade que tenha de compreender o mundo e as pessoas, Mary foi uma das poucas que ele conseguiu amar do jeito que sabia amar: de forma sincera, constante e silenciosa.
Mesmo quando ela o feriu, ele aprendeu que a dor tambĂ©m faz parte dos vĂnculos verdadeiros.
A carta funciona como um legado emocional: Max deseja que Mary continue vivendo, estudando, errando, acertando â apenas existindo. Diz que a maior descoberta de sua vida foi perceber que nĂŁo precisava ser perfeito para amar ou ser amado.
A reconciliação tardia ocorre quando Mary decide procurar Max e viajar para encontrĂĄ-lo para pedir perdĂŁo e restabelecer o vĂnculo. Ao chegar ao apartamento, encontra Max morto, sentado em sua poltrona. Max morreu feliz, com todas as cartas de Mary penduradas no teto, formando seu âcĂ©u pessoalâ. Ele a perdora silenciosamente.
O perdĂŁo de Max atua nela como reorganização psĂquica: desfaz a fantasia arcaica de ser intrinsecamente defeituosa ou destrutiva. Ao ler a Ășltima carta, Mary entra em contato com um tipo de amor que nĂŁo exige perfeição, que nĂŁo abandona, nĂŁo humilha, nĂŁo pune. Mary percebe, pela primeira vez, que realmente foi amada. O encontro com as cartas guardadas rompe seu fantasma de desamor fundamental e a permite viver um luto que, em vez de destruĂ-la, a integra.
Diante daquele arquivo silencioso de afeto, ela vive algo radicalmente novo: a experiĂȘncia de ter sido importante para alguĂ©m â verdadeiramente importante.
list of reasons mothers may hate their babies by Winnicott.

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"It is a joy to be hidden, and disaster not to be found."
-D.W. Winnicott
"Il fatto che il dolore richieda cosĂŹ tanto tempo per risolversi non Ăš un segno di inadeguatezza, ma Ăš indice di profonditĂ dell'anima."
Donald W. Winnicott
Donald Winnicott volt az egyik elsĆ orvos Ă©s pszicholĂłgus, aki rĂ©szletesen bemutatta, milyen nagy szerepet jĂĄtszik az ember fejlĆdĂ©sĂ©ben a szĂŒlĆ Ă©s az ĂșjszĂŒlött közötti testi kapcsolat. Hogy ezek a fizikai interakciĂłk az egĂ©sz Ă©letĂŒnkre kihatnak Ă©s meghatĂĄrozzĂĄk az identitĂĄsunkat.
Magyarul az, ahogy a baba Ă©rzi a szĂŒlĆ testĂ©t, ahogy reagĂĄl rĂĄ, Ă©s ahogy a szĂŒlĆ reagĂĄl a baba testĂ©re - az kihat arra, hogy mikĂ©nt alakĂtjuk ki azt a kĂ©pet, amit sajĂĄt magunkrĂłl alkotunk. Mi több, azt is, hogy mit kĂ©pzelĂŒnk valĂłsĂĄgnak Ă©s mit nem.
Az a mĂłd, ahogyan az anya a gyerekĂ©t tartja, meghatĂĄrozza a gyermek "kĂ©pessĂ©gĂ©t arra, hogy Ă©rezze a sajĂĄt testĂ©t, mint a lĂ©leknek otthont biztosĂtĂł helyet," Ărta.
Amikor ez a folyamat fĂ©lremegy, mert az anya kĂ©ptelen kapcsolĂłdni Ă©s rĂĄhangolĂłdni a gyermek testĂ©nek rezdĂŒlĂ©seire - akkor a baba azt tanulja meg, hogy a szĂŒlĆ elvĂĄrĂĄsaihoz hasonuljon. A szĂŒlĆ kĂ©pzetĂ©t teszi magĂĄĂ©vĂĄ arrĂłl, hogy ki Ă©s mi is Ć.
A kisgyermek persze nem kĂ©pes mĂ©g szofisztikĂĄlt Ă©s racionĂĄlis magyarĂĄzatot fƱzni ahhoz, ami törtĂ©nik. Egy jĂłval Ćsibb, zsigeri Ă©s kinesztetikus (mozgĂĄs-reflex) szinten annyit fog fel, hogy "valami nincs rendben" vele. Hogy elutasĂtjĂĄk. Azt tanulja meg, hogy a sajĂĄt testĂ©bĆl Ă©rkezĆ jelzĂ©sekre nem kap megfelelĆ vĂĄlaszt - ezĂ©rt azokat el kell fojtania.
A gyermek bezĂĄrul. A valĂłdi szĂŒksĂ©gletei nem tƱnnek valĂłsĂĄgosnak maga szĂĄmĂĄra. Megszakad a kapcsolata a valĂłs Ă©njĂ©vel. Egy hamis Ă©nt kezd el Ă©pĂteni, hogy elfogadĂĄsra talĂĄljon. Hogy alkalmazkodjon Ă©s tĂșlĂ©ljen.
A jĂł hĂr Winnicott szerint az, hogy a szĂŒlĆk tĂșlnyomĂł többsĂ©ge kĂ©pes arra, hogy megadja a gyermekĂ©nek azt, amire szĂŒksĂ©ge van. Ăs a gyermekek tĂșlnyomĂł többsĂ©ge egĂ©szsĂ©ges kötĆdĂ©st alakĂt ki a szĂŒleivel. Ăs ehhez a szĂŒlĆnek egyĂĄltalĂĄn nem kell "tökĂ©letesnek" lennie - csupĂĄn "elĂ©g jĂł szĂŒlĆnek."
A rossz hĂr az, hogy a szĂŒlĆk egy kisebbsĂ©ge kĂ©ptelen megadni azt, amire a gyermekĂ©nek szĂŒksĂ©ge van. Nem feltĂ©tlenĂŒl azĂ©rt, mert nem akarja. Hanem pĂ©ldĂĄul azĂ©rt, mert Ć sem kapta meg soha a sajĂĄt szĂŒleitĆl. Vagy mert egyĂ©b okbĂłl (halĂĄl, betegsĂ©g, nyomor stb.) kĂ©ptelen rĂĄ a legjobb szĂĄndĂ©kai ellenĂ©re sem.
Ha ellĂĄtogatsz egy nevelĆintĂ©zetbe, elmegyĂłgyintĂ©zetbe, hajlĂ©ktalan szĂĄllĂłra, rehabilitĂĄciĂłs otthonba, börtönbe vagy hasonlĂł helyre, akkor viszont azt fogod lĂĄtni, hogy azok az emberek kĂ©pezik a többsĂ©get, akik sĂșlyosan traumatizĂĄlĂłdtak gyermekkĂ©nt.
Ăvtizedek Ăłta tudjuk, hogy a kĂŒlönfĂ©le "deviĂĄns" Ă©s antiszociĂĄlis viselkedĂ©sek mögött nem az ĂĄll, hogy ezek az emberek erkölcstelenebbek, jellemtelenebbek, rosszabb emberek lennĂ©nek, mint az ĂĄtlag. Hogy mĂĄs anyagbĂłl lennĂ©nek gyĂșrva. Hanem sokkal inkĂĄbb az, hogy az Ć törtĂ©netĂŒk mĂĄr a kezdetektĆl nagyon fĂ©lrement. Akkor, amikor mĂ©g nem is Ă©rtettĂ©k, hogy mi törtĂ©nik körĂŒlöttĂŒk.
Tudjuk azt is, hogy a generĂĄciĂłrĂłl generĂĄciĂłra ĂĄtadott traumĂĄk ördögi köre megszakĂthatĂł - hogy a mĂșlt börtönĂ©bĆl van szabadulĂĄs. Hogy szĂĄmos jĂł gyakorlat van arra, mikĂ©nt lehet a szĂŒlĆk Ă©s gyermekek tĂĄmogatĂĄsĂĄval valĂłsĂĄgos csodĂĄt elĂ©rni.
Ăvtizedek Ăłta tudjuk ezt. Ăs mĂ©gis, nem azt tesszĂŒk, ami logikus lenne. Hogy masszĂvan befektetĂŒnk abba, hogy minĂ©l több szĂŒlĆ kapjon tĂĄmogatĂĄst ahhoz, hogy megadja a gyermekĂ©nek, amire szĂŒksĂ©ge van. Hanem tovĂĄbbra is abba fektetĂŒnk bele egyre növekvĆ forrĂĄsokat, amirĆl tudjuk, hogy rövid tĂĄvon legfeljebb tĂŒneti kezelĂ©s, kozmetikĂĄzĂĄs - hosszĂș tĂĄvon pedig tovĂĄbb sĂșlyosbĂtja a problĂ©mĂĄt.
KirekesztĆ, kriminalizĂĄlĂł politikĂĄk. DiszkriminatĂv egĂ©szsĂ©gĂŒgy. OktatĂĄsi Ă©s lakĂłhelyi szegregĂĄciĂł. Tömeges bebörtönzĂ©s. Paternalizmus. Elitizmus. MegbĂ©lyegzĂ©s.
Amikor a legközelebb arrĂłl lesz szĂł a közĂ©letben, hogy valamelyik nĂ©pszerƱtlen, "deviĂĄns" tĂĄrsadalmi csoportot hogyan lehet mĂ©g jobban kirekeszteni, bĂŒntetni, fegyelmezni - akkor jusson eszedbe ez a poszt! Jusson eszedbe, hogy a valĂłdi megoldĂĄs nem bilincsekbĆl meg rĂĄcsokbĂłl ĂĄll. Hanem a gyermekĂ©t vĂĄrĂł szĂŒlĆkkel kezdĆdik.