Tenho medo de te perder por falta de atenção ou por excesso dela. Tenho todos os motivos do mundo pra te pedir pra ficar comigo, do meu lado, mas não posso fazer isso, preciso sentir que você também quer estar comigo.
Tati Bernardi
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Tenho medo de te perder por falta de atenção ou por excesso dela. Tenho todos os motivos do mundo pra te pedir pra ficar comigo, do meu lado, mas não posso fazer isso, preciso sentir que você também quer estar comigo.
Tati Bernardi

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Vizinhos, Capítulo 43.
Arthur POV: - Pediram para você sair? - Mel segurou pela minhas mãos e eu me sentei do lado dela na recepção. Fiz não com a cabeça. - O Lucas chegou para conversar com ela. -Disse e a encarei. - Eu dormi com ela essa noite Mel, a enfermeira gostou de mim.. E ela dormiu no meu peito. - Ela gosta de você Arthur. - Mel me encarou sorrindo. - Eu preciso falar a verdade para ela, é como eu estivesse sendo falso e eu não gosto de estar nesse lugar. - Ela concordou. - Eu entendo mas vamos esperar ela melhorar, sair desse hospital Arthur. - Fiz sim com a cabeça. - Você já contou para o Chay? - Ela perguntou e eu senti um frio na barriga, eu só estava me preocupando com a Lua. - Ainda não, eu acho que eu vou contar para ele antes. Sei lá Mel, me ajuda. - Quase implorei. - Faz assim conta para o Chay isso enquanto ela estiver no hospital, pede para ele não contar nada e assim que a Lu sair daqui você leva ela até lá junto do Chay, eu posso ir também. - Ela parou um pouco pensando. - Pelo o que conheço dela, ela vai surtar e não vai querer ir encarar ele, nem a mãe dela. Ela foge de si e de tudo que machuca ela, então ela tem que ir sem saber que está indo ver esse pai, e sem saber que é irmã do Chay. - Abaixei a cabeça. - Entendi. - Respirei. - Tudo seria mais fácil se eu não tivesse me apaixonado por ela. - Disse e ela sorriu. - Não tem como controlar isso Arthur. - Concordei me levantando. - Eu vou indo, tentar pegar o Chay ainda em casa. Você avisa ela que eu volto a noite? - Pode deixar. - Agradeci e saí com o coração na mão, de alguma forma eu sentia que tudo mudaria gradativamente e eu estava com muito medo. (...) Assim que abri a porta do nossa apartamento Chay estava deitado no sofá. Me sentei na mesinha, ele ainda dormia. Respirei fundo sabendo que a poucos minutos o despertador dele tocaria. - Que susto bicho!! -Ele falou ao abrir os olhos me fazendo sorrir, encarei seu rosto e ele se sentou colocando a camiseta. - Você dormiu em casa? Eu apaguei aqui no sofá depois de ontem. - Fiz não com a cabeça. - Eu acabei de chegar do hospital a Mel ficou lá com ela e depois eu vou voltar, vim aqui porque eu preciso conversar com você.. - Ele levantou e eu o acompanhei com os olhos. - Ihhh cara o que foi dessa vez? Aconteceu alguma coisa com a Lu? -Fiz não com a cabeça me levantando também, ele pegava o leite na geladeira. - Não ela está bem, mas tem a ver com ela. - Comecei falando e podia escutar meu coração bater. - Explica direito e rápido porque eu ainda quero tomar um banho. - Sorri, dessa vez de nervoso. - Primeiro eu quero que você se lembre que isso é segredo, que você tem que ficar calmo e não falar com a Lua sobre isso até eu conversar com ela. - Ele me encarou, e eu puxei a cadeira. - Você me deixou nervoso. - Ele falou e eu fiz gesto com a mão para que ele sentasse. - Ah menos de um mês eu vi no celular da Lua uma ligação do pai dela.. Assim que vocês foram viajar eu pedi para Mel conseguir para mim a foto do pai da Lua porque eu queria ter certeza antes de contar isso.. -Ele tinha as mãos na cabeça e me interrompeu. - Ta Arthur onde você quer chegar? Ela detesta falar desse homem, ela chora toda vez que fala. Porque você foi atrás disso? - Engoli seco. - Porque o pai da Lua, e o tio Henrique o teu pai Chay são a mesma pessoa. - Ele continuou olhando para mim sem se mexer, andei até ele me sentando ao seu lado. - A Lua é sua irmã. Tem ideia do tanto de mentira que envolve a vida dela? O pai dela não saiu para viver os sonhos deles de músico, ele saiu porque traia a mãe dela com a tua mãe. Vocês tem quase a mesma idade, ele deixou ela, provavelmente quando você nasceu. - Segurei as mãos dele enquanto ele me olhava. - Meu pai? - Fiz sim com a cabeça e ele começou a chorar. - A Lua é minha irmã? - Abracei ele forte, mas ele se soltou de mim se levantando, andando de um lado para o outro na cozinha. - Chay você tem que prometer guardar isso até ela sair do hospital. Se contarmos para ela, sei lá como ela vai reagir, a gente precisa levar ela até lá sem ela saber e contar só quando chegarmos. - Porque? Porque mentir mais ainda para ela ? - Levantei tentando acalmar ele. - Porque ela já se machucou demais com tudo isso e se ela não encarar de frente essas mentiras por cima dela, talvez ela se feche como antes e eu não quero isso. - Ele respirou fundo se sentando de novo. - Ela é minha irmã, ela é minha irmã.. Como ele pode escolher ela de mim? - Abracei ele de novo, era como se tivessem quebrado meu coração em milhões de pedaços. A dor dele, logo seria a dor dela, e consequentemente a minha dor também. (...) Lua POV: Já se passava do meio dia, o médico falou que me daria alto pelo fim do dia e nada de ninguém aparecer, meu coração tinha sido tomado de medo e eu pensei em ligar para minha mãe, mas desisti, aquela era a primeira vez que passava sozinha sem ela. Uma angústia tomou conta de mim, fechei os olhos tentando me acalmar e a imagem do Arthur me veio a cabeça, do meu corpo sobre o dele e das nossas mãos juntos. Mais cedo quando terminei com o Lucas ele me disse que não entendia porque de eu estar escolhendo o Arthur ao invés dele e eu falei que também não entendia, ele era tudo que não me chamava a atenção misturado com tudo que eu passei a desejar para mim. Abri os olhos escutando a porta abrir e foi como se ele tivesse se materializado na minha frente, usava uma camiseta branca e seus olhos brilhavam junto do sorriso. Virei para o olhar chegar mais perto. - Como você está? - Ele tocou minha mão e eu o olhei. - Espero que não esteja sonhando. - Disse e ele sorriu beijando minha testa. - Estava aqui pensando.. -Ele me interrompeu. - Em mim? -Sorri junto e ele se sentou na ponta da cama. - Em você Arthur, na paz de saber que você existe nesse novo momento da minha vida. - Admiti.
Vizinhos, Capítulo 39.
Arthur POV: Ela cantando na minha frente enquanto eu dedilhava o violão sem esforço algum, minha cabeça estava longe. O recente namorado dela sentando na cadeira bem a frente babava ao vê-lá, e eu não conseguia entender como ela estava com ele. Desde que sumi pra pensar sobre tudo ela mudou comigo, esta distante e fria. Não olha mais nos meus olhos, falava o minimo possível e sorria muito pouco para mim. Admito que isso tem me quebrado por dentro, a poucos dias ela vem trazendo esse cara sem graça para o bar e eu tenho engolido muito bem tudo, mas no fundo em sinto que deixar o que eu sinto por ela de lado só faz com que eu me coloque de lado por medo, e viva uma vida que não é minha. - Arthur eu vou no banheiro, se quiser cantar alguma coisa. - Ela se virou e eu a encarei saindo da minha transe. - Não.. - Respondi surpreso e sorri sem jeito. - Ela se virou e eu toquei seu braço. - Lu eu preciso falar com você. - Mordi os lábios e ela continuou me olhando. Avistei seu namorando levantando e me sentei aonde estava. - Pode ser depois. -Falei desanimado e ela não entendeu pois continuou com o seu olhar pra cima de mim, tentei sorrir quando ela se virou para dar atenção para o cara mais sem graça do pedaço. (...) Lua POV: Estávamos os dois no banheiro da cozinha, obvio que eu sentia que ele não estava bem, tentava um jeito de falar, mas tinha medo do que ele poderia me dizer. Ele abriu a porta indo lavar a mão enquanto eu secava as minhas sem o olhar. Quando ia saindo em silencio ele deu um paço e puxou pela minha mão, podia sentir meu coração vir na boca. - Lu. - Me virei e ele chegou mais perto. - O que? - Minha voz saiu quase que em um sussurro. - Aquele cara te faz feliz? - Ele perguntou firme me olhando nos olhos, encarei o dele sem conseguir responder. Ficamos em silencio por alguns segundos. - Sim. - Respondi engolindo seco. Ele levantou nossas mãos que estavam entrelaçadas e beijou me olhando fundo nos olhos. Pude sentir os meus marejarem junto com o dele, sua mão soltou da minha, descendo pela minha cintura. - Porque você está fazendo isso comigo? - Sussurrei quando sua testa colou na minha e ele encostou meu corpo na parede, eu não conseguia me desvincular dos seus braços. - Porque eu te amo. - Ele me respondeu fazendo tudo ficar mudo. Seus olhos, os meus se encarando. Era como se só existe nós, era como se fossemos aqueles dois desconhecidos do primeiro beijo nesse mesmo banheiro, era como se não tivéssemos nos machucado antes, era como se fossemos virgens de nós, era novo e ao mesmo tempo não. O tempo parou naquele eu te amo e o nosso beijo dessa vez tinha gosto de amor. (...) O baque, o estalo, a angustia, a duvida. Saí sem rumo depois daquele beijo, era como se eu tivesse me encontrado, ele tinha me encontrado e eu precisava respirar essa nova eu que eu desconhecia.
Vizinhos, Capítulo 38.
Lua POV:
- Chay ele atendeu? - Me sentei na bancada olhando para fora do bar, a tarde já ia embora. Já fazia semanas do nosso fim, as coisas tinham mudando muito. Eu por motivos de sobrevivência me joguei de cabeça no teatro e afoguei minha carência no Lucas. Não era fácil olhar pra ele, então eu evitava, parei de ir pro bar, saia pra encontrar o Chay atrasada para não esbarrar com ele, não toquei mais violão, não escrevi mais musica. O melhor do que eu era me fazia lembrar ele, e no momento eu não queria ser melhor pra mim, mas queria muito que o tempo fosse e fizesse com todo o amor que sinto por ele passe. - Não.. -Ele me olhou preocupado. Respirei fundo. - Eu acho que ele está bem Chay. -Falei angustiada. Ele segurou minha mão. - Você não tem culpa alguma. -Ele me olhou nos olhos e eu sorri de lado. - Eu sei que não.. - Olhei para os violões no chão. - Nunca mais teve música aqui? - Perguntei e ele fez não com a cabeça. - Ele anda fora do ar. - Voltei a olhei para a porta querendo que ele se materializasse ali, em vão. (...) O dia tinha ido embora e a noite chegou junto com a minha apreensão, não conseguia mas mantes a seriedade e a culpa. Parece que aquele sumiço era culpa minha. Me sentei na escadaria em frente ao bar, o ar gelado me deixava melhor, mexia no celular depois de ligar descontroladamente para o Arthur sem sucesso. Fechei os olhos apoiando o rosto, quando senti alguém sentar do meu lado, virei o rosto e que susto, era ele. Nunca senti tamanha emoção ao ver ele de novo, o abracei sem respirar, não falamos nada, só ficamos assim abraçados. - Aonde você estava? Está todo mundo preocupado Arthur. -Falei me dando conta do tom descompensado da minha voz, ele se soltou de mim segurando forte meu rosto. - Eu preciso te contar.. Mas eu não sei como... - A voz dele falhou e ele desviou o olhar do meu segurando o choro, puxei seu rosto para me encarar, seus olhos estavam marejados então eu segurei sua mão forte. - O que você fez Arthur? Você.. - Ele abaixou o rosto e eu não consegui terminar a frase. Ficamos em silencio. Puxei firme e abracei ele de novo. - Você promete que quando eu contar você não vai ficar brava comigo? -Ele sussurrou e eu me soltei o olhando.. - Eu confio em você Arthur. -Falei firme e ele beijou a minha mão secando os olhos em seguida. - Só espero do fundo do coração que não seja sobre a gente. -Fui sincera e ele me encarou. - Tem a gente? - Respirei fundo olhando ao redor e ele sorriu soltando minha mão. - O Chay ta preocupado, acho melhor você estrar. - Falei me levantando e ele também. - Você vem? -Fiz não com a cabeça. - Se cuida Arthur. -Falei de longe entrando no apartamento sem olhar para trás.
Vizinhos, Capítulo 36.
Arthur POV:
Saí de dentro da cozinha atrás dela mas a Mel me impendeu, segurando pelo meu braço. - O que você fez Arthur? - Olhei para ela respirando fundo. - Nada, ela já estava chorando quando eu entrei na cozinha. - Expliquei me soltando. - Eu não entendi nada, você falou alguma coisa? - Ela apontou a cabeça pra moça que estava a alguns passos de nós dois. - Ela ficou com ciúme? - Perguntei. - O que você acha Arthur? - Abaixei a cabeça. - Me deixa ir atrás dela. - Pedi, e ela saiu da minha frente. (...) Lua POV: Fazia mais de meia hora que ele batia na minha porta, eu do lado dentro estava com o coração na mão. Não era por orgulho que eu não abria, mas por proteção, eu não tinha ideia do quanto ele era importante pra mim até tal momento, até ficar longe, até imaginar ele com outra que não fosse eu. Meu peito doía, era como se eu não mandasse mais nos meus próprios sentimentos.
" Lu, abre a porta pra ele. Não só pra ele, mas pelo teu sentir por ele. Conversa, conversar faz com que as coisas fluam melhor. "OBS: Preciso acordar cedo amanhã e ele gritando na sua porta não me deixa dormir." Se cuida! - Mel"
Levantei secando meu rosto, andei até a porta, podia escutar a respiração dele do outro lado. Meu coração e todo meu corpo pesavam muito. Parecia que eu tinha apanhado por horas e tudo em mim sangrava. Doeu abrir a porta, doeu olhar pra ele, doeu encarar seus olhos. Doeu. Doeu ouvi-lo. - Preciso falar com você. - Ele falou ao ouvir a porta abrir. Para a minha surpresa seus olhos estavam vermelhos, engoli seco a angustia dando passos para trás, ele fechou a porta. - Aquela moça só veio tocar, acredita em mim.. - Mordi os lábios sem o encarar - Você veio atrás de mim pra falar isso? - Respondi sem forças pra engrossar a voz. - Não. -Ele foi firme. - Vim pra te dizer que tudo na minha vida da errado, qualquer pessoa que eu me envolvo.. É como um dominó, tudo acaba desmoronando e dando errado e você, você.. - O interrompi. - Você vai falar isso de novo.. -Minha voz falhou pelo choro que já descia pelos meus olhos, me encostei na parede me sentando no chão. - Você já sofreu e eu gosto de você demais pra te fazer sofrer por mim, eu não quero ser mais um erro na sua vida. Você não entende né? -Ele se agachou passando a mão sobre os meus cabelos, levantei o rosto ainda de olhos fechados. - Ta doendo entender, ta doendo aqui. - Coloquei a mão no peito abrindo os olhos e o encarando. Ele me olhava com dor e amor. - Eu já sofri e é por isso que eu quero te privar disso.. - Ele se sentou a minha frente no chão. - Você não pode me privar da dor, mas pode dividir comigo a sua.. -Falei sem ele me olhar, ficou um silencio gritante entre nós. - Sabe Lu, eu queria muito.. -Ele me fitou e prosseguiu me olhando nos olhos. - Mas eu não consigo. Sou pesado demais pra caber no seu mundo, você não entende, mas eu sei o que eu to fazendo. -Ele tocou minha mão e eu segurei a dele com carinho. - Desculpa por está te fazendo sofrer assim, mas é que eu quero te ver feliz e eu não posso ser responsável pela sua felicidade, por isso eu estou abrindo mão. - Fiz sim com a cabeça e ele veio para o meu lado me abraçando forte, escutei seu choro abafado no nosso abraço, até que ele se soltou secando o rosto, beijou minha testa, eu beijei seu rosto, ele beijou o meu nariz, eu seu queixo, ele o canto da minha boca, paramos ali e nos encaramos, quando nossas bocas se encostaram novamente para um beijo lento, leve e gostoso. O beijo escapou para o pescoço quando terminamos nos abraçando forte de novo. Segurei seu rosto olhando em seus olhos - Você é a primeira pessoa que sinto isso, mesmo você fugindo e eu desistindo. Eu vou sempre te amar, te querer bem e lembrar de você. Você está me ouvindo Arthur? - Falei firme juntando todas as minhas forças, precisava falar aquilo, ele fez sim com a cabeça, e eu sorri de lado secando a lágrima que desceu. - Quero que você seja feliz. -Ele sussurrou, se encostando na parede se soltando de mim. Fechei os olhos ficando em silencio do lado dele. O sentir estava mudo.

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Vizinhos, Capítulo 28.
Lua POV:
Estava começando a ficar louca de tanta pensar em tudo que ele tinha me falado a alguns dias. Ir para o cursinho, ensaiar para a peça, tomar café e passar algumas musicas no barzinho dele junto da presença dele me faz uma louca apaixonado por ele. Quando estou longe do seu campo de visão é nele que eu penso, quando estou de frente é nele que também penso. Deitei de cabeça para baixo no sofá pra me sentir com 17 anos de novo, quando eu achava que aquele coração acelerado pelo meu professor de matemática era paixão, quanto engano, paixão é isso: Não conseguir parar de pensar, é querer estar perto e se perto querer está colada, abraçada. Peguei o celular do meu lado e escrevi uma mensagem, já se passava das duas da manhã e eu sabia que ele já tinha fechado o bar. "Preciso conversar com você." - Mandei em seguida. " Conversa com o Chay, ele sabe da gente." - Ele respondeu de imediato, para a minha surpresa. " Preciso de você não do Chay. Ontem foi a SUA despedida, eu quero a minha." - Respondi me levantando, destranquei a porta do meu apartamento indo em seguida para a cozinha. Voltei a lhe mandar mensagem sem esperar pela sua resposta. " A porta está aberta, só entrar. Estarei te esperando." - Mandei, passando por cima de qualquer pedaço de orgulho que fosse se manifestar dentro de mim, eu queria ele e eu não tinha forças pra mentir pra mim mesma sobre isso. (...) A porta se abriu em silencio e eu olhei sem acreditar, já tinha perdido as esperanças de que ele fosse aparecer. Continuei o olhando, ele andou até mim e se sentou no braço do sofá também me encarando. - Pensei que você não fosse vir. - Falei deixando o notebook de lado e o puxando para sentar. - Pensei nessa possibilidade. -Ele admitiu e eu o olhei. - Já conversamos tudo aquele dia, o que você quer Lua? - Ele foi grosso e eu senti minha voz falhar, o encarei por alguns segundos em silencio e ele desviou seu olhar sem conseguir me fitar. - Quero te falar que você não vai conseguir.. - Ele franziu o cenho sem me entender e eu continuei. - Não tem como alguém conseguir fazer a outra não gostar, ou melhor até tem, mas não dessa forma. - Segurei sua mão e ele ainda me olhava sério. - Desculpa te desapontar.. - Minha voz falhou e eu tentei engolir o choro, mas uma lágrima escapou, sequei rapidamente quando ele me puxou pelos braços me abraçando forte, ficamos sem dizer palavra alguma. - Eu não sou homem pra você. - Ele quebrou o silencio me soltando e me olhando nos olhos. - Eu adoro estar com você, adoro seu beijo, adoro seu jeito de passar por cima do seu orgulho, adoro sua voz e sua arte, adoro você Lua. Mas não se apaixone por mim, porque eu não posso me apaixonar por você. - Engoli a angustia de o ouvir e o encarei. - Porque não? - Perguntei firme. - Eu não sou bom nisso de me apaixonar, você merece mais do que eu possa te dar. - Segurei seu rosto, subindo em seu colo, ele abaixou o olhar e eu beijei seus lábios fazendo o encarar meus olhos. - Eu sei o que eu mereço. - Falei e ele respirou fundo me tirando de cima do seu corpo. Não entendi muito. Ele segurou meu rosto, engoliu seco e me encarou. - É isso que eu posso te dizer, foi tudo incrível, mas eu não sou pra você e isso eu sei. - Quando ele foi levantar segurei sua mão, ele beijou a minha me soltando. - Você é um covarde, um grande covarde. -Gritei enquanto ele saia. Corri até a porta o segurando pela cintura. Encostei minha testa com a sua, fechando os olhos, suas mãos entraram pelo meus cabelos, nossas respirações se misturavam. - Fica comigo, fica do meu lado, me ama.. - Sussurrei o implorando, ele se soltou de mim sem me olhar nos olhos e fechou a porta.
Vizinhos, Capítulo 27.
Arthur POV:
- E aÍ? - Chay abriu a porta e eu nem precisei virar para me certificar quem era. Ele pulou em seguida ao meu lado se sentando no sofá, pausei o filme e o olhei. - Como foi hoje? - perguntei e ele abriu um sorriso. - Eu que te pergunto, não tem nada para me contar? - Sorri também colocando o notebook na mesinha de centro e o olhei firme. - Você já sabe Chay.. Agora entendi tudo. - Me levantei e pude ver que ele me seguia com os olhos. - Pode parando com isso, porque se no fim das contas eu vou a machucar e você sabe que eu vou, você vai ficar bravo comigo, as coisas vão começar a dar errado com o bar e o seu pai vai querer saber o porque e ai acabou curso de teatro, acabou estadia paga, acabou festinhas.. - Ele me interrompeu andando até mim. - Chega, chega.. - Sua voz soou mais alto que a minha. - Relaxa cara, não tudo vai dar sempre errado, agora pode dar certo. Olha, ela é uma ótima pessoa vocês se dão bem quando não estão brigando. - Ele sorriu. - Ela tem cicatrizes, a história dela também não é fácil e eu não quero machuca-lá também. - Falei e ele respirou fundo segurando minha mão. - Meu amigo, pra que se segurar tanto. Todo mundo já foi machucado um dia. Olha pra isso, você se importa com ela.. Qualquer dia desse ela vai cansar como todas as outras cansaram, e você vai se arrepender. - Ele saiu da minha frente indo buscar água e aquilo que ele falou começou a rodar na minha cabeça, eu ainda sentia que tudo que eu estava fazendo soava certo, mesmo que o que o Chay estivesse dizendo interferisse de alguma forma a mim. - Ela é ela. Tudo que eu não tinha pensando existir, mas quando a gente ta junto, parece que é tudo que eu sempre quis.. - Admiti. - Da medo de sentir e o mundo cair sobre a minha cabeça de novo, como tudo sempre foi. - Você cresceu e fez sua vida independente de tudo. Olha o que aconteceu de bom, para de olhar para o que aconteceu de ruim antes, passou Arthur é passado. - Fiz sim com a cabeça, ele andou até o mochila sobre a cadeira. - Mês que vem vai ter uma peça, ela vai se apresentar pela primeira vez, se quiser ir está aqui o ingresso. - Peguei de sua mão. - Pensa nisso, é importante pra ela.
Vizinhos, Capítulo 25.
Lua POV:
Meu celular tocou enquanto passava uma música no violão era o Chay. " Ontem ele disse que você veio com papo pra cima dele de querer o conhecer, você rápida mesmo em Luinha? KKKKK Ele está sozinho, hoje vou tocar o bar pra ele. Fique a vontade. " - Dei risada e respirei fundo em seguida ingerindo aquela tal informação. Levantei ainda sem saber se iria ou não, não tinha chave e se eu ligasse ele provavelmente não me atenderia. Não estávamos brigado, nem juntos como ele falou ontem, mas.. Respirei fundo de novo interrompendo todos aquelas pensamentos. - É isso que você quer? -Perguntei em voz alta pra mim mesma, engoli seco sabendo que era, sim era aquilo que eu queria. Meu corpo com o dele, nossos lábios, nossas vozes, nossa dança antes do sexo, sua respiração, aquele olhar, ele. Coloquei a mão na maçaneta da porta do apartamento dele e pra minha sorte estava aberta, estava tudo em silencio e me senti uma espiã criminosa, uma louca. Andei até seu quarto - vazio. A porta do banheiro fechada, quando dei dois passos a dentro do quarto ele sai de dentro do banheiro, levei um susto junto com ele. Estava de toalha e me olhava sério. - O que você está fazendo aqui? - Andei até ele encarando seus olhos pretos. Respirei fundo e o respondi sincera. - Eu não sei. Mas eu estou aqui, a porta estava aberta e eu queria te ver. - Respondi e ele franziu o cenho ainda me encarando. - Eu não sou cara pra você, desiste antes que.. -Ele saiu andando e eu o segurei pelo braço. - Antes que você saia machucada. - Ele terminou a frase. - Machucada?... - Ele se soltou de mim, saindo do quarto quando eu andei a sua frente o fechado e ficando com a chave na mão. Me encostei na porta e ele me encarou de novo sem acreditar no que eu tinha feito. - Eu so quero ficar com você. - Você é louca. - Ele falou olhando ao redor do quarto e eu sorri. - E você é um covarde. - Revidei, andando até a sua frente. - Me da essa chave. -Ele disse ao me olhar passa a sua frente. - Você não entende né? É melhor nem começar com tudo isso, o sexo foi bom mas eu te respeito muito e eu não quero te ver saindo machucada dessa. -Ele se sentou na cama e eu fiquei de frente pra ele com as duas mãos na cintura. - Machucada porque? Entender o que? - Quase gritei. - Você não explica e quer que eu entenda. Eu estou sendo clara, direta e sincera: Eu te quero, porque você não sai da minha cabeça. - Ele sorriu, se levantando e vindo até mim. - Já entendi, mas você não entendeu, eu não te quero. - Ele disse firme. O encarei. - Me da a chave? - Ele levantou a mão para que eu colocasse a chave, franzi o cenho. - Tenta pegar. -O provoquei, levantei a chave na sua frente e em seguida coloquei por trás do meu corpo, ele me abraçou sem a intenção de abraçar, enquanto tentava manter longe das suas mãos a chave, rocei meu rosto no seu. Ele me encarou de perto, não precisei dizer nada, suas mãos seguraram dessa vez firme a minha cintura e ele me beijou com vontade acabado com aquela " brincadeira" .