Vizinhos, Capítulo 39.
Arthur POV: Ela cantando na minha frente enquanto eu dedilhava o violão sem esforço algum, minha cabeça estava longe. O recente namorado dela sentando na cadeira bem a frente babava ao vê-lá, e eu não conseguia entender como ela estava com ele. Desde que sumi pra pensar sobre tudo ela mudou comigo, esta distante e fria. Não olha mais nos meus olhos, falava o minimo possível e sorria muito pouco para mim. Admito que isso tem me quebrado por dentro, a poucos dias ela vem trazendo esse cara sem graça para o bar e eu tenho engolido muito bem tudo, mas no fundo em sinto que deixar o que eu sinto por ela de lado só faz com que eu me coloque de lado por medo, e viva uma vida que não é minha. - Arthur eu vou no banheiro, se quiser cantar alguma coisa. - Ela se virou e eu a encarei saindo da minha transe. - Não.. - Respondi surpreso e sorri sem jeito. - Ela se virou e eu toquei seu braço. - Lu eu preciso falar com você. - Mordi os lábios e ela continuou me olhando. Avistei seu namorando levantando e me sentei aonde estava. - Pode ser depois. -Falei desanimado e ela não entendeu pois continuou com o seu olhar pra cima de mim, tentei sorrir quando ela se virou para dar atenção para o cara mais sem graça do pedaço. (...) Lua POV: Estávamos os dois no banheiro da cozinha, obvio que eu sentia que ele não estava bem, tentava um jeito de falar, mas tinha medo do que ele poderia me dizer. Ele abriu a porta indo lavar a mão enquanto eu secava as minhas sem o olhar. Quando ia saindo em silencio ele deu um paço e puxou pela minha mão, podia sentir meu coração vir na boca. - Lu. - Me virei e ele chegou mais perto. - O que? - Minha voz saiu quase que em um sussurro. - Aquele cara te faz feliz? - Ele perguntou firme me olhando nos olhos, encarei o dele sem conseguir responder. Ficamos em silencio por alguns segundos. - Sim. - Respondi engolindo seco. Ele levantou nossas mãos que estavam entrelaçadas e beijou me olhando fundo nos olhos. Pude sentir os meus marejarem junto com o dele, sua mão soltou da minha, descendo pela minha cintura. - Porque você está fazendo isso comigo? - Sussurrei quando sua testa colou na minha e ele encostou meu corpo na parede, eu não conseguia me desvincular dos seus braços. - Porque eu te amo. - Ele me respondeu fazendo tudo ficar mudo. Seus olhos, os meus se encarando. Era como se só existe nós, era como se fossemos aqueles dois desconhecidos do primeiro beijo nesse mesmo banheiro, era como se não tivéssemos nos machucado antes, era como se fossemos virgens de nós, era novo e ao mesmo tempo não. O tempo parou naquele eu te amo e o nosso beijo dessa vez tinha gosto de amor. (...) O baque, o estalo, a angustia, a duvida. Saí sem rumo depois daquele beijo, era como se eu tivesse me encontrado, ele tinha me encontrado e eu precisava respirar essa nova eu que eu desconhecia.












