No meio da multidão. É um mar de pessoas desconhecidas que correm daqui pra lá e de lá pra cá. E eu. Estática. Sem movimento. Porque todos à minha volta correm, andam, não param. E eu paro. Porque se eu correr eu posso perder a possibilidade quase inexistente de te ver ali. Se eu sair, e você aparecer…
Mas por que diabos você apareceria? Não existe razão para eu continuar martelando essa chance pequena, mínima, quase nula, de você estar ali, bem aonde estou, no mesmo momento. E eu olho nos seus olhos e você olha nos meus. O sorriso colado no seu rosto e, no meu? Nem se fala... E eu corro para os seus braços e você para os meus e o mundo para por um instante que parece ser infinito. As pessoas param de correr, o tempo para de andar, e tudo à nossa volta é testemunha de que, sim! Nós nos encontramos no mesmo lugar inesperado, no mesmo momento inesperado, sem nenhuma explicação possível. Os planetas se alinharam, o universo se uniu e as pessoas pararam só para que nós pudéssemos nos encontrar no meio dessa multidão esmagadora…
Mas não… Você não está ali. Sou só eu, no meio da multidão, sozinha. Claro, afinal, por que diabos você apareceria ali, do nada? A chance é pequena, mínima, quase nula… Quase… Minhas esperanças se agarram nessa pequena, mínima, quase nula chance de encontrar seus olhos ali no meio, sentir seu cheiro e ser abraçada por toda a segurança que teria eu se você estivesse ali. Porque se eu não acordar todos os dias esperando que você apareça sem aviso prévio em cada lugar que eu vou, então para que eu sequer levantaria da minha cama?