Feministas radicais em: dialética, queermisia, especismo e racismo.
Vocês já analisaram com atenção as frases mais ditas pelas feministas radicais?
Feministas radicais (obviamente que não todas) demonstram bastante interesse em genitálias de forma que deixa explícito o quão genitalistas e diadistas são, no sentido de conectarem tal órgão a tal sexo/gênero, afirmando apenas dois sexos/gêneros como únicos e reais. Sem contar as falas racistas e queermisíacas em geral.
Frases ditas por elas como "você até pode ser uma mulher trans, mas sempre será um macho", usando a genitália e os cromossomos como "argumentos", é bem incoerente, uma vez que não sabemos quais genitálias outras pessoas têm, muito menos quais cromossomos temos sem sequer um exame. Além disso, há indivíduos que vivem sua vida inteira achando ter XX ou XY e descobrem anos depois que não – havendo mais de 40 possibilidades cromossômicas –, e passam a se entenderem como intersexo.
Pessoas transgênero e não-cis em geral até podem fazer uso de hormônios, cirurgias e a retificação de documentos, mas sempre vão ouvir algo sobre seus cromossomos. Sério que algo que você nem sabe qual a pessoa tem realmente te diz se ela é "macho ou fêmea"? E qual a relevância disso? Nem preciso explicar porque isso é transmísiaco, diadista, cissexista e perisexista, não é?
Aliás, o título de "macho" nunca é dado a homens trans; macho é um termo sempre usado para o homem cis diádico heterossexual/romântico e heteronormativo, como um título para o enaltecer.
O termo macho e fêmea são bem problemáticos. É recomendável não usar. (Sabemos que muitas mulheres usam na misandria justamente por que os homens cis usam o termo macho pra os exaltar, então elas usam como contra-discurso, essa é outra questão que não vou discutir aqui.)
Essa ideia que as pessoas tem de macho e fêmea, de que precisamos de um macho e uma fêmea para reproduzir, que nascemos com essa “missão” e que as coisas se limitam a isso já exclui pessoas que são estéreis, intersexo, assexuais, entre várias outras possibilidades (sim, essa é uma crítica à religião etnocentrista por conta da monogamia religiosa).
Não é especismo eu não querer um termo que remete a animais pra mim. Socialmente, esses termos [macho e fêmea] são problemáticos e vai além de remeter a animais somente. Pensem um pouco que, talvez você verá que os nomes que as pessoas usam quando querem ofender as outras tem peso social diferente.
Animais não são algo abominável, mas o peso social e histórico de cada termo são sim ruins e pejorativos. Vou dar alguns exemplos para ilustrar e pense um pouco ao que esses termos remetem além de ao animal:
Quando alguém quer ser capacitista, academicista ou elitista em geral, chama outra pessoa de burra, anta, asno ou cavalo. Quando querem cometer queermisia, ou sexismo, usam animais como veado, gazela, cavala, etc.
Quando querem ser machistas ou misógines, chamam as mulheres de vaca, égua, cachorra e etc, e quando querem ofender alguém pelo seu caráter usam cobra.
Outra problemática é que os termos macho e fêmea são usados para desumanizar grupos específicos como mulheres cisgênero ou pessoas não-cisgênero designadas mulheres ao nascer (DMAN) que são reduzidas a reprodução como falei ali em cima e também animalizar pessoas negras, chamando-as de macacas, por exemplo.
Na época da escravidão essas pessoas não eram tratadas como tal, ou seja, como pessoas, mas sim como macho e fêmea, apenas. Até hoje pessoas negras são vistas como barraqueiras e hipersexualizadas, as mais fortes, que aguentam qualquer tipo de trabalho, fazendo referência a selvageria.
[O foco do texto em si é mostrar tamanha desconexão nas frases usadas por radfems, e os problemas em usar animais com peso pejorativo contra pessoas trans, e contra qualquer pessoa que não faça parte da norma padrão da sociedade.]
Por agora é isso. Se você tem algo a acrescentar ou alguma crítica, desde que seja construtiva, não exite em comentar. Peço que compartilhe também.
O texto é uma adaptação de Yvies feita com um texto de Transgredindo a Norma, chamado "gênero é sentimento".










