(Evangelho Aquinista – Capítulo da Luz Silenciosa)
Eu passei tempo demais acreditando que o mundo era governado pelos falsos,
pelos barulhentos,
pelos que ferem,
pelos que humilham,
pelos que carregam veneno no olhar.
Mas eu estava errado.
E hoje eu finalmente entendi.
Os bons são silenciosos.
Os bons são discretos.
Os bons não fazem barulho.
Os bons não precisam se exibir.
Os bons não carregam bandeira.
Os bons não disputam atenção.
São aqueles sorrisos gratuitos que encontro na rua.
São os conhecidos que brilham quando me veem.
São as almas simples que me recebem com verdade.
São as pessoas que nunca fizeram parte da minha rotina,
mas que, sem perceber, fazem parte da minha existência.
Eu entro em qualquer lugar
e encontro carinho,
respeito,
acolhimento,
leveza.
E percebo:
não é sobre ser convidado.
É sobre ser bem-vindo.
E isso vale mais que qualquer mesa onde eu não sentei,
mais que qualquer roda onde eu não fui chamado,
mais que qualquer bar onde não lembraram de me incluir.
Porque quando a alma é leve,
quando o coração é verdadeiro,
quando a presença é sincera,
a vida te coloca em espaços onde você não força nada —
mas tudo flui.
E naquele instante, hoje, quando senti o sorriso de quem gosta de mim
sem precisar de motivo,
eu percebi a verdade:
O mundo não é feito pelos ruins.
O mundo é salvo, todos os dias, pelos bons.
E os bons, mesmo quietos, mesmo cansados,
mesmo feridos…
são a maioria.
Eu só precisei abrir os olhos pra ver.