14º Encontro (20/06/2017):
Voltamos a formulação do projeto, depois de algumas semanas dedicando-se a escrita do resumo de Siepex, na sala de reunião para decidir alguns pontos da pesquisa e assim, estruturalizar o trabalho a ser desenvolvido no segundo semestre de 2017.
Ao iniciar a discussão de projeto percebemos uma falha ao pensá-lo, pois excluímos a ele um fator que tantos momentos dentro da graduação somos levados a atentar, O Aluno, numa pesquisa de espaço, o agente principal de influência para este meio é o indivíduo, pois o espaço torna-se visível e considerável, no momento em que ele é habitado, e cada ser que ocupa este lugar será único. Exemplo: Eu e minha colega estamos numa sala de aula, embora seja o mesmo espaço e forma situada no espaço, não indica que estarei ocupando-o de mesma forma, pois, cada indivíduo carrega dentro de si, toda subjetividade que o torna sujeito distinto de qualquer outro.
O fato é que no campo da análise em que cultura é entendida como coisa dinâmica, não estática e sempre mutável, o conceito de identidade como característica do que permanece tal como é (embora possa ser percebido como múltiplo) não daria conta de explicar fenômenos que se constroem no mundo sociocultural marcado pela dinamicidade das construções simbólicas fluidas, que como tais são perenes de lutas de representações (CHARTIER, 1990) que marcam simbolicamente a identidade e delimitam poder de inclusão ou exclusão. Assim na compreensão dos objetos da cultura o conceito de identidade não vem assumindo o sentido de id~entico, igual e permanente, mas sim do que é contraditório múltiplo e mutável.(SANTOS. Pág. 143)
Portanto, antes de trabalhar com o espaço, primeiro precisamos trabalhar com a habitação do eu, do olhar pra mim, perceber que sou uma construção do mundo, onde envio e recebo informação a todo instante, para que após esse processo possamos olhar para o espaço e entendê-lo. Para que possamos endereçar meu olhar a algum lugar e entender que ele significa algo pra mim, preciso entender que compreendo-o, a partir, de subjetividades que me constituíram. A pesquisa, não tem o interesse de trabalhar com o foco nestas questões, contudo, passar sem ao menos tocar nesse assunto, seria negligenciar o sujeito que ocupa o espaço, o Aluno.
No segundo momento fomos para a rua, entender e conhecer melhor a comunidade onde a escola situa. Os pontos de referência que os circunda já foi mencionado na fase de escritura de resumo ao Siepex, mas olhar para a comunidade, as pessoas que as formam, como elas vivem neste espaço, é parte importante para considerar quais são as referências de ocupações e espaço que elas estão habituadas. Exemplo: Eu nunca morei numa região de parto, mas com certeza, minha visão para ela se tornaria distinta se considerarmos alguém nascido e criado nesta região, e portanto as formas com que ocuparia estes espaços altera.
A comunidade ao entorno da escola, é marcado por duas realidades distintas, de um lado, temos famílias com grandes espaços residências, e do outro lado não, ruas com pavimentos outras não, parece pouco, mas avaliar esta condição, mostra qual a possível realidade financeira e possivelmente a forma como a estrutura familiar é formada. Fato é, não podemos pensar que em toda rua sem pavimento ou com uma casa menor terá uma construção familiar menos consolidada ou uma situação financeira inferior. Mas, estas imagens podem interferir diretamente na construção subjetiva das crianças, e perceber isso é olhar para minhas primeiras escritas sobre os alunos do Álvaro e perceber que uma aluna tem o telefone da moda e custa quase 10 vezes mais que o celular de um outro aluno, talvez, essa diferença é maior quando percebemos que a aluno usa tênis de marca e ele apenas chinelos gastos. Avaliar estas duas realidades influência em como vou avaliar estes alunos, como eles vão avaliar sua posição no espaço e portanto, sua visão e construção de significantes para ele.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
SANTOS. Luciano dos. AS IDENTIDADES CULTURAIS: Proposições Conceituais e Teóricas. Revista Rascunhos culturais: MS. 2011.