Visita Integrada Memorial da Resistência e Pina Contemporânea – 11 de abril de 2026
Dona Eunice, Zé Espinguela, Heitor dos Prazeres.
O que essas pessoas têm em comum? Ícones do Carnaval e que, infelizmente, sofrem apagamento histórico. Ainda bem que há um esforço de pessoas e instituições para reverter isso, a exemplo da visita integrada que participei no sábado (11/04), promovida pelo Memorial da Resistência e a Pina Contemporânea, lá na Luz.
A Pina conheço há tempos (mais aqui), já o Memorial eu tive mais contato digital, por conta do TCC da pós em História Pública. As entidades fazem parte da mesma instituição e montaram essa vivência em alusão a exposição (que encerrou no dia seguinte) "Trabalho de Carnaval", essa manifestação (que em São Paulo se iniciou em Pirapora do Bom Jesus pelos idos do século XVI) que não apenas tem folia, mas um aprofundamento da nossa cultura, feito por tantas mãos e que também sofreu nos tempos de ditadura cívico militar.
O mais legal foi conhecer o público dessa visita, de pessoas curiosas e a pesquisadoras, de gente que vive o Carnaval. Mais legal foi a gente dar vez a vozes que historicamente são apagadas, desde pessoas que fizeram o Carnavalesca se expandir, além as citadas no início deste post, e pessoas LGBT, como a minha xará (para mim não importa a grafia) Kelly Cunha e Rafa BQueer, artista paraense (depois que vi que ela já teve trabalho a expostos no IMS), que tinha um vídeo instalação nessa exposição na Pina.
A obra dela, aliás, levantou questionamentos sobre o Festival de Parintins, em que muitos trabalhadores vêm pra cá, labutam e muitas vezes não tem o reconhecimento que merecem.
Nisso, me lembrei de um livro: “Carnavais, malandros e heróis”, um dos primeiros que li na graduação em Comunicação Social – Jornalismo, pra lá de duas décadas.
A obra do Roberto da Matta fala muito não só dessa manifestação, tão importante para nós, mas também nos dá aquela “pulga atrás da orelha” sobre há mesmo essa necessidade de heróis e quem é realmente malandro. Nesse contexto eurocentrista (que até forja essa obra do da Matta), que fiquei pensando após a visita, especialmente quando ele fala do termo “Você sabe com quem está falando?” (mais aqui).
Pois é. Eunice, Zé e Heitor estão falando a todo o momento, que os ouçamos!
Evento potente para todas as pessoas, inclusive quem não é muito da folia, meu caso.
Afinal, Carnaval é ato político.
P.S: o Tumblr é meio chatinho com certas imagens, então precisei excluir e editar algumas (paciência)!