Fantasma do futuro
Recapitulando: Katabasis, R.F. Kuang
Elspeth é uma espécie de "fantasma do futuro" da Alice, uma vez que a dita cuja é incapaz de encarar quem ela está negando se tornar: desiludida com a academia.
A Alice tem uma relação estranha com o Grimmes e para ser notada por ele, ela tentou seduzi-lo. Todas as mulheres do departamento tentaram adverti-la sobre como isso era perigoso, e ela sempre ignorando as discussões sobre o feminismo na academia, acreditava ser perda de tempo, se achou diferente, obstinada demais, "melhor" que as outras para precisar de qualquer tipo de coletividade.
Então quando habitou a posição de abusada, ela sofreu muito. Ele orquestrou um momento sexual no laboratório só para que ela visse, como punição por ela ter recusado um toque anterior.
Absurdo, sádico até, porque ele sabia que ela estaria lá, ele queria que ela visse. Ele fez isso porque, apesar de ela estar flertando, quando ele tentou beijá-la, tocá-la, ela recusou; e aí, ele começou a ignorar a existência dela, rejeitá-la, o que prejudicou muito a carreira dela. Ela tentou correr atrás e aceitar as investidas dele por qualquer dose de validação mas, por rancor, ele não aceitou, já não tinha interesse.
Então ela foi atrás de uma professora feminista, que organizava reuniões de auxílio e conscientização, na tentativa de melhorar a vida acadêmica para as mulheres de Cambridge. Buscando esse abraço, esse consolo, ela recebeu uma bela lição de moral, muito da merecida: você não pode usar o feminismo só quando te convém.
Achei isso muito interessante, porque a Alice sempre pensou no próprio umbigo, nunca olhou para os atos de conscientização porque ela se considerava obstinada, melhor, diferente. Nunca procurou dar apoio para quem sofria, mesmo que no fim, ela também fosse mulher.
Então ela sofreu em silêncio, sozinha, até perceber que ela o odiava e que havia descido até o inferno sem ter certeza do que faria ao encontrá-lo.
No meio disso tudo tem o Peter, que fala um pouco da infância dele. Ele tem a doença de crohn que o debilita muito, causando internações. Os remédios criam resistência e param de fazer efeito, então ele some por dias a fio. Ele optou por não revelar o assunto com outros, nem com o Grimmes, até se fazer necessário. Ao relatar o problema, como esperado o professor não reagiu com empatia, o que resultou nele roubando uma pesquisa do Peter e publicando sem o nome dele.
E ao ser apresentado à isso, o leitor já é jogado no capítulo seguinte, com a protagonista tentando defender o indefensável, afinal na cabeça dela, ela precisa batalhar pela única coisa valiosa na vida dela (Grimmes e academia).
A Alice se recusa a tocar na ferida porque ela foi abusada, mas ela se recusa a perceber. Ela repara o abuso quando é com outros (e não reage), mas quando é com ela....











