📀 - Quarteto 1111 - Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas (Obra-Ensaio de José Cid) - (1975) 💫
Quarteto 1111 e o prog épico de “Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas”.
Em pleno crepúsculo do regime e no auge da efervescência criativa pós-25 de Abril, o Quarteto 1111, um dos nomes mais emblemáticos do rock progressivo português, entregou ao mundo uma obra ambiciosa, conceptual e profundamente marcada pela assinatura de José Cid. Intitulado "Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas (Obra-Ensaio de José Cid)", o álbum representa o derradeiro suspiro da formação clássica da banda antes de mudanças profundas na sua trajetória.
Editado originalmente pela Valentim de Carvalho (com prensagens Decca/Valentim de Carvalho), o disco surge como um duplo lado conceptual, dividido em partes que exploram questões existenciais, sociais e poéticas. A produção ficou a cargo do próprio José Cid, com engenharia de som de Hugo Ribeiro, num registo que equilibra densidade sinfónica, experimentalismo e uma urgência lírica típica da época. A reedição limitada de 2009 pela Guerssen, trouxe nova vida ao trabalho, confirmando o seu estatuto de culto no prog nacional.
No núcleo do álbum está José Cid (teclados, voz, composição principal), figura central e motor criativo do Quarteto. Acompanhado por António Moniz Pereira (guitarra), Mike Sergeant (que entrou na fase final) e Vítor Mamede (no lugar de Michel Silveira/Miguel Artur da Silveira, o baterista histórico), o quarteto constrói paisagens sonoras grandiosas, influenciadas por King Crimson, Renaissance e pelo melhor do prog britânico, mas com uma alma inequivocamente portuguesa. A letra de “Cantamos Pessoas Vivas” conta ainda com a colaboração de José Jorge Letria.
Musicalmente, o álbum oscila entre passagens instrumentais elaboradas, melodias épicas e reflexões poéticas sobre identidade, liberdade e o papel do artista num tempo de transformação. Faixas como as partes de “Onde, Quando, Como, Porquê” funcionam quase como um manifesto: um convite à reflexão coletiva num Portugal que despertava para a democracia.
Quase 50 anos depois, "Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas" continua a soar como um marco do rock progressivo luso, não apenas pela sua ambição formal, mas pela forma como captou o espírito de uma geração que cantava “pessoas vivas” em tempos de mudança. Um ensaio sonoro que, tal como o próprio título sugere, questiona o lugar, o momento e a razão de ser da música como ato de resistência e celebração humana.
Quarteto 1111 - Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas - DJ Massivemig Recommends.
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