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Roger Waters retorna com novo álbum e single divulgado
Responsável pelas composições das letras e líder conceitual da banda Pink Floyd, após Syd Barrett ter deixado o grupo em 1968, Roger Waters retorna com seu novo álbum “Is This The Life We Really Want?”. Como tira gosto para os fãs, o músico divulgou o primeiro single, “Smell The Roses”.
📀 - Quarteto 1111 - Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas (Obra-Ensaio de José Cid) - (1975) 💫
Quarteto 1111 e o prog épico de “Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas”.
Em pleno crepúsculo do regime e no auge da efervescência criativa pós-25 de Abril, o Quarteto 1111, um dos nomes mais emblemáticos do rock progressivo português, entregou ao mundo uma obra ambiciosa, conceptual e profundamente marcada pela assinatura de José Cid. Intitulado "Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas (Obra-Ensaio de José Cid)", o álbum representa o derradeiro suspiro da formação clássica da banda antes de mudanças profundas na sua trajetória.
Editado originalmente pela Valentim de Carvalho (com prensagens Decca/Valentim de Carvalho), o disco surge como um duplo lado conceptual, dividido em partes que exploram questões existenciais, sociais e poéticas. A produção ficou a cargo do próprio José Cid, com engenharia de som de Hugo Ribeiro, num registo que equilibra densidade sinfónica, experimentalismo e uma urgência lírica típica da época. A reedição limitada de 2009 pela Guerssen, trouxe nova vida ao trabalho, confirmando o seu estatuto de culto no prog nacional.
No núcleo do álbum está José Cid (teclados, voz, composição principal), figura central e motor criativo do Quarteto. Acompanhado por António Moniz Pereira (guitarra), Mike Sergeant (que entrou na fase final) e Vítor Mamede (no lugar de Michel Silveira/Miguel Artur da Silveira, o baterista histórico), o quarteto constrói paisagens sonoras grandiosas, influenciadas por King Crimson, Renaissance e pelo melhor do prog britânico, mas com uma alma inequivocamente portuguesa. A letra de “Cantamos Pessoas Vivas” conta ainda com a colaboração de José Jorge Letria.
Musicalmente, o álbum oscila entre passagens instrumentais elaboradas, melodias épicas e reflexões poéticas sobre identidade, liberdade e o papel do artista num tempo de transformação. Faixas como as partes de “Onde, Quando, Como, Porquê” funcionam quase como um manifesto: um convite à reflexão coletiva num Portugal que despertava para a democracia.
Quase 50 anos depois, "Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas" continua a soar como um marco do rock progressivo luso, não apenas pela sua ambição formal, mas pela forma como captou o espírito de uma geração que cantava “pessoas vivas” em tempos de mudança. Um ensaio sonoro que, tal como o próprio título sugere, questiona o lugar, o momento e a razão de ser da música como ato de resistência e celebração humana.
Quarteto 1111 - Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas - DJ Massivemig Recommends.
#Quarteto1111 #josecid #musicaportuguesa #rockprogressivo
📀 - Petrus Castrus - Mestre (1973) 🎸💫
Petrus Castrus: o “Mestre” que marcou a história do rock português.
Em plena ditadura, dois irmãos decidem gravar um disco que iria tornar-se um dos marcos fundadores do progressive rock nacional. Chama-se "Mestre" e é o álbum de estreia dos Petrus Castrus, projecto liderado por Pedro Castro e José Castro.
Editado pela Sassetti (sob a Guilda da Música), o LP foi gravado entre Novembro de 1972 e Abril de 1973 nos míticos Strawberry Studios, no Château d’Hérouville, em França, com mistura nos Studios Aquarium, em Paris. A produção técnica ficou a cargo do engenheiro Gilles Sallé, e o som reflecte a ambição sinfónica e psicadélica que a banda trazia influenciada por Pink Floyd, Procol Harum e The Nice.
A formação do disco contava com:
Pedro Castro (baixo, guitarra, 12 cordas, kazoo, voz e coros),
José Castro (piano, órgão, cravo, sintetizador, xilofone, voz e coros),
Júlio Pereira (guitarra acústica, baixo, guitarra solo), que abandonaria o grupo logo após as gravações,
Rui Reis (piano, órgão, cravo),
João Seixas (bateria e percussão).
Teve ainda a participação especial de José Mário Branco no xilofone em “S.A.R.L.”.
Com letras de poetas como Sophia de Mello Breyner Andresen, Alexandre O’Neill, Ary dos Santos, Bocage, Manuel Bandeira ou Alberto Caeiro, "Mestre" não era apenas um disco de rock progressivo: era um objecto de contestação subtil mas afiada, o que lhe valeu problemas com a censura da época. Faixas como a homónima “Mestre” ou “S.A.R.L.” continuam a soar como hinos contra o poder e a exploração.
Quase 53 anos depois, "Mestre" mantém-se como um dos álbuns mais importantes e influentes da história do rock português, um registo corajoso, ambicioso e tecnicamente brilhante que merecia (e merece) muito mais reconhecimento além-fronteiras. Um verdadeiro clássico.
Petrus Castrus - Mestre - DJ Massivemig Recommends.
#petruscastrus #musicaportuguesa #anos70 #rockprogressivo
📀 - Tantra - Mistérios e Maravilhas (1977) 🎸🔥
Tantra e o clássico “Mistérios e Maravilhas”: um marco do rock progressivo português que resiste ao tempo.
Enquanto o punk explodia com fúria no Reino Unido, Portugal vivia um dos períodos mais criativos e ambiciosos da sua história do rock. No meio dessa efervescência, um grupo de jovens músicos lisboetas entrava nos estúdios Valentim de Carvalho, no Alto da Loba, para gravar um álbum que se tornaria referência incontornável do prog rock nacional.
Tantra lançavam assim "Mistérios e Maravilhas", o seu disco de estreia editado pela EMI. Gravado em apenas oito dias, entre 26 de setembro e 7 de outubro de 1977, com a mistura finalizada em três madrugadas intensas, o álbum revela uma ambição rara para a cena portuguesa da época. Com cerca de 54 minutos de duração, o trabalho impressiona pela maturidade composicional, pela riqueza instrumental e pela capacidade de criar atmosferas épicas e místicas.
O quarteto era liderado pelo carismático guitarrista e vocalista Manuel Cardoso (conhecido também como Frodo), acompanhado por Armando Gama (teclados), Américo Luís (baixo) e Tózé Almeida (bateria e percussão). Juntos, construíram um som sinfónico denso, com influências claras de Genesis, Pink Floyd e toques de jazz-rock, mas com uma identidade própria marcada por melodias emocionais e longos desenvolvimentos instrumentais.
O disco abre com a épica “À Beira do Fim” (quase 11 minutos), que estabelece imediatamente o tom grandioso do álbum. Seguem-se temas como a curta e imaginativa “Aventuras de um Dragão num Aquário”, a mística faixa-título “Mistérios e Maravilhas”, a monumental suíte “Máquina da Felicidade” (mais de 13 minutos) e ainda “Variações Sobre Uma Galáxia” e “Partir Sempre”. O resultado é um trabalho coeso, quase conceptual, que transporta o ouvinte por paisagens sonoras cósmicas e introspectivas.
O sucesso não se fez esperar. O álbum granjeou elogios da crítica e do público, levando a banda a encher salas por todo o país, culminando num memorável concerto esgotado no Coliseu dos Recreios em 1978. Tantra provava que era possível fazer rock progressivo de nível internacional em Portugal.
Quase cinco décadas depois, "Mistérios e Maravilhas" continua a ser considerado um clássico obrigatório para qualquer amante de rock progressivo. Reedições em CD (nomeadamente pela Musea) e a disponibilidade nas plataformas digitais mantêm viva esta obra, que envelheceu com dignidade e continua a revelar novas camadas a cada audição.
Numa época em que o rock português procurava afirmar a sua voz própria após o 25 de Abril, Tantra ofereceu mistérios e, sobretudo, maravilhas. Um disco que não é apenas um registo musical, é um testemunho da criatividade e da ambição de uma geração.
Tantra - Mistérios e Maravilhas - DJ Massivemig Recommends.
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