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♡ : Accidentally falling asleep together (Katherine e John)
DITADURA AU
O quarto era amplo, assim como o resto da casa. Luzentrava pelas frestas das várias janelas de madeira em todos os cômodos, eneste não era exceção. Era estranho para alguém que vivera os últimos anosapenas em claustrofobia sombria, tanto espaço e tanta claridade. Não era ruim.Em alguns momentos, ele se perguntava se não teria morrido e aquilo era oparaíso.
Ainda assim, era estranho. A cama era macia demais, eele passara a maior parte do tempo desde que chegara sentado no chão, a cabeçaencostada no dossel antigo, apenas respirando fundo e admirando a paisagem.Cristina estava em um escritório do outro lado do corredor, fazendo ligações, esua voz se tornara um ruído branco – múltiplas variações de “Eu encontrei ele... De verdade, dessa vez,ele está aqui em casa!... Não sei direito o que fizeram, nada bom... Certo,venha logo”. Aos poucos, tudo ao seu redor ficava mais nítido e eleconseguia formar pensamentos com muito mais facilidade.
Uns poucos pares de caixas estavam empilhados em umdos cantos do quarto. “São suas coisas”,Cristina lhe dissera. “Foi o queconseguimos salvar do apartamento depois dos milicos revirarem tudo.” Joãoainda não tocara em nenhuma delas, com uma apreensão bem amarrada ao fundo deseu estômago, temendo as lembranças que imagens de um passado mal lembradopoderiam acordar.
E então, não saíra de seu lugar.
Não demorou muito para que o céu do lado de foraescurecesse. Ele e Cristina jantaram,nada elaborado (“Caralho, esqueci defazer a feira”). Pão, carne e chá – ele não fazia ideia até aquele momento doquanto tinha sentido falta da bebida que ele e sua amiga amavam –, mas para eleaquilo parecia mais um manjar divino. Além disso. Não tinha como descrever oquão precioso era comer novamente com Cris.
“Tem gente vindo pra cá. Não sei se vão chegar hoje; a maior parte dopessoal saiu daqui do Rio, acabei sem te dizer. Mas eles estão vindo.” Ela lhe ofereceuum sorriso, e ele tentou retribuí-lo da melhor forma possível. Provavelmentefalhara miseravelmente, mas se foi o caso, Cristina não deu indícios. “Desculpa por não ter parado ainda e ficarcom você, eu realmente tenho que resolver umas coisas ainda-”
João balançou a cabeça, ficando tonto no processo.Tinha quase certeza de que as coisas que ela tinha para resolver envolviam aconfusão que ela provavelmente se envolvera para tirá-lo de seu purgatóriosua prisão seu cativeiro do hospital, mas preferiu não mencionar suasuspeita, por mais que ela gelasse sua espinha e arrepiasse os pelos de seusbraços.
“Tudo bem. Depois.” Se expressar em palavras ainda era muito anormal paraseu consciente. A dose diária dos remédios que lhe entorpeciam a todo o momentoestava se dissipando cada vez mais rápido em sua corrente sanguínea, mas issonão apagava os anos de repressão constante. Felizmente, Cristina pareceuentender: eles ainda teriam muito tempo para isso.
Os dois voltaram para os quartos, e ele não tem certezade quanto tempo passou para seus olhos serem atraídos pela forma preta por trásdo papelão. Ele se aproximou devagar, como se visse um animal assustado. Paraele, era quase que uma miragem. Mas não, estava mesmo ali: sob uma camada depoeira, o estojo de vinil preto com seu antigo violão dentro.
Em instantes, estava de volta ao chão, segurando oinstrumento como se fosse alguma joia preciosa. Algo dentro de si pareceucompleto novamente, e antes que pudesse perceber, estava dedilhando as cordasde metal e nylon, ajustando a afinação de cada uma. Uma onda de insegurança lhetomou – será que ainda conseguiria...
Mas suas mãos se moviam com memória muscular – quasecomo andar de bicicleta, ele estava tocando de novo, e sua ansiedade se aplacoupelo momento. Não reconheceu nenhuma melodia específica de imediato, apenasdançando pelos acordes de forma simples e familiar.
Não demorou para que começasse a procurar em suasmemórias por algo mais concreto. Era difícil, e a maior parte das canções semisturava. Com algum esforço e vários erros, passou a dedilhar uma sequência deacordes, mas-
Ele não conhecia aquela música. Não de antes, pelomenos. Era uma melodia melancólica, uma valsa simples, mas bela. A letra nãolhe vinha, mas ele não estava inventando nada ali.
Em um momento de compreensão que poderia muito mesmoser um soco em seu estômago, João percebe que escutou a música em um dos rarosmomentos que o rádio estava ao seu alcance, no purgatório prisão câmarade tortura hospital.
Respirou fundo, tentando acalmar seus batimentosacelerados. Concentrou-se em tentar encontrar os versos perdidos em seusubconsciente, como se fossem a chave para apaziguar seu pânico. Depois demuitas repetições, ele conseguira cantar (a voz rouca, praticamentesussurrante) quase toda a letra, que lhe trazia uma nostalgia profunda remetidaa um conto de fadas, com exceção das últimas estrofes.
“Vem, me dê a mãoa gente agora __ ___ _____ medono tempo __ _______ ____ ___ a gente nem tinha nascido.
____ ___ fatalque o faz-de-conta terminasse _______ __ _____ ______ ___ ___ noite que não tem mais fim-”
Soltou um murmúrio de frustração, repetindo o ritmomais devagar como se assim pudesse descobrir como a música era, como o fim eracantado. Tinha praticamente desistido quando uma voz surge vinda da soleira daporta, completando os espaços que faltavam.
“A gente agora já não tinha medo./ No tempo da maldade acho que a gentenem tinha nascido./ Agora era fatal,/ que o faz de conta terminasse assim/ pralá deste quintal/ era uma noite que não tem mais fim.” A mulhersuspirou antes de cantar a última estrofe, a que ele não conseguira lembrarabsolutamente nada “Pois você sumiu no mundo sem me avisar, e agora eu era a louca aperguntar; o que é que a vida vai fazer de mim?”
Catarina o encarava de pé na entrada de seu quarto.
No tempo em que ainda conseguia sonhar, ele imaginara estemomento. Ele correria até ela, levantando-a do chão em seus braços. Beijariaseu rosto e seus lábios com uma paixão indescritível, inspiraria o perfume doscabelos cor de fogo como se fosse seu próprio oxigênio, e a abraçaria tão forteque temeria quebrar algum osso.
A realidade era muito diferente. Alguns momentos sepassaram antes que ele conseguisse encontrar forças para se levantar.
“Não sabia que você conhecia essa música”, é aprimeira coisa que ela diz quando se aproxima do corpo trêmulo dele. Está maismagra, e o cabelo, mais curto. A pele está um tanto pálida com a luz que vem danoite lá fora. Os círculos escuros abaixo dos olhos não surgiram de ontem parahoje, ele sabia, foram cultivados por meses, até anos, de noites mal dormidas.
Ela continuava sendo a coisa mais bela que já haviavisto.
“Eu também não.”
Se beijaram com suavidade quase desconhecida, seabraçaram com uma delicadeza inimaginável. Inspirou o perfume dela – nuncamudara, em todo esse tempo – e poderia não ser indispensável para suasobrevivência, mas continuava sendo o que lhe dava vontade de viver.
Eles tinham muito o que conversar. Se pudesse, João lhediria tudo o que estava sentindo, tudo o que sentiu, tudo que nem mesmo sabeexplicar, o quanto ele sentira saudade dela e como ele perdera parte de si, oquanto isso lhe trazia medo. Todo o tempo roubado e perdido entre os dois, aviolência irreparável que fora cometida à eles e à sua volta. Mas naquelemomento, naquela situação preciosa que se encontravam, palavras não lhe vinhame nem bastariam.
“Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo.” Ele apenas consegue repetircom sua voz falha e fraca junto ao ouvido dela, e ela não demora paraacompanhar o coro, entonação límpida e clara.
-
João não poderia dizer em que momento seguiram para acama ou a que horas adormeceram, ainda entrelaçados, tendo certeza que o outroestava ali, que aquilo era mesmo real. Quando ele dá por si, raios de sol dançamgentis sobre seus corpos, e ele abre os olhos para ver os braços finos dela porcima de sua cintura.
Ele vira o rosto para observá-la, e encontra olhosazuis e sonolentos fazendo o mesmo consigo.
Pela primeira vez em quem sabe quanto tempo, eledormira bem.
“Oi”, Catarina diz, os dedos traçando o rosto magro demaisde João – ele não tivera coragem de se encarar no espelho ainda, e só podiaimaginar o quão destruído estava. Não tinha importância, não ali.
Eles tinham muito o que conversar. Anos roubados,memórias nebulosas, momentos sombrios. Mas agora, tudo o que precisa-
Dragon Quest XI é cerca de 50 horas de duração, possivelmente 100 horas para completar tudo
Dragon Quest XI é cerca de 50 horas de duração, possivelmente 100 horas para completar tudo
Dragon Quest XI: In Search of Departed Time levará cerca de 50 horas para ser concluído, segundo o diretor Takeshi Uchikawa. Se você é um platinador e fazer todos os elementos secundários, é possível que o jogo tenha 100 horas, Uchikawa acrescentou. Uchikawa confirmou a notícia durante um evento de “mini estágio” no segundo dia do Dragon Quest XI “Countdown Carnival” em Fukuoka hoje. Dragon Quest…
"Sei que possivelmente nunca serei tudo aquilo que sempre sonhaste para a tua vida... apesar de todo o esforço certamente esperarias algo diferente... mas promete-me que nada seria capaz de te afastar de mim..."
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"Possivelmente a minha definição de eternidade não coincide com a tua e com a de muitas pessoas mas o nosso amor foi eterno... para mim a eternidade transparece na intensidade dos sentimentos, da vivência de cada segundo, mesmo que dure simplesmente poucos segundos, nunca deixará de ser o melhor segundo da vida!"