VocĂȘ engatou a primeira marcha um pouco frouxa e o carro reclamou.
Abrimos as janelas, sol do lado de fora. Dava pra sentir o cheiro das ĂĄrvores e da grama do nosso lado. Um cavalo passou do seu lado, uma famĂlia brigando do meu. Ă feriado, ninguĂ©m por aqui.
Nada ainda.
Meu braço brincava com o vento do lado de fora, ajudando a refrescar. VocĂȘ ameaçou fechar a janela e eu trouxe meu cotovelo pra dentro. A janela continuou aberta. Parei de brincar, mas ainda me apoiei ali.
JĂĄ foram 10 minutos e ainda nada.
âVira aqui, aqui dĂĄâ foi o primeiro som, bem baixo, te ajudando a sair da rota das obras, pra pegarmos menos carros no caminho. Quase que vocĂȘ nĂŁo me escuta.
Depois disso, nada.
AlguĂ©m buzinou, um carro com uma mĂșsica muito alta incomodava um pouco. VocĂȘ colocou jazz pra tocar, ainda nĂŁo entendi por quĂȘ, tambĂ©m incomodava.
15 minutos e nada.
Ainda esperava irmos pra sua casa, nos acalmarmos por lĂĄ, talvez. Quem sabe conversar. Mais uma buzina, dos outros. Outro sinaleiro vazio.
Aqui, nada.
VocĂȘ virou na rua da minha casa. Pensei âpelo menos ele vai entrar na garagem, me esperar tomar banho e conversarâ. No mĂnimo isso.
VocĂȘ parou o carro na rua, na frente da portaria. Puxou o freio de mĂŁo.
20 minutos.
âTchau.â
Fazer o quĂȘ, soltei o cinto.

















