Romance de vira lata #02
Fizemos um acordo, nunca mais falar sobre isso depois de amanhã.
Nunca mais nos lembrarmos do futuro que poderíamos ter. Mas eu posso quebrar esse trato, eu posso voltar atrás. Te agradeço por isso, você entende. Mas longe de saber. De que eu palpito de forma nervosa lembrando de ontem, como ansiedade, mas é de lembrar do rapaz rockabilly que sabe a hora exata de puxar uma mulher pra perto. É aquele pior tipo de homem, que sabe o que dizer, sabe o que quero escutar. Isso me acaba. Até porque, raramente alguém acerta. Mas você acertou, consecutivamente, na sua honestidade gostosa de escutar. E que gostosa.
Mas hoje chegou e não foi bonito. Não teve suor de cidade, não teve MASP, não teve beijo, não teve Madalena, não teve cerveja, não teve nada que lembrasse você.
Só que eu precisava ter certeza que isso foi mais que um delírio meu, que isso foi verdade, mesmo que por algumas horas. Precisava de algo que me fizesse lembrar, porra, talvez pra sempre, de que isso aconteceu. Porque eu sempre vou querer olhar pra trás e lembrar do seu cheiro e dos seus olhos me olhando de cima, da falta de jeito, da minha extrema vergonha. Seu estilo de rua, de homem vivido, seu toque cicatrizado.
Foram dois dias da sua essência.
Mas nós fizemos um acordo, pra ficar fácil de seguir em frente. Mas tudo que eu quero é quebrar ele. Mas também precisamos seguir em frente.
Somos diferentes, estamos em lugares diferentes e a vida real não tem suor de cidade todo dia. Não pra mim, pelo menos.
Agora é só esperar o amanhã. Se é que ele vem.











