Aos que caminham com os próprios pés
Caminho entre conquistas como quem pisa em brasas — glorifico cada uma, não por vaidade, mas por sobrevivência. Só eu sei o que se passa nas entranhas do meu silêncio: noites que não dormem, madrugadas que trabalham, uma qualidade de vida que se esconde em algum lugar entre o café e o caos. O que sacrifico, não jogo fora. É semente, não sobra.
O sucesso, ah, o sucesso… tem cheiro de enxofre para narizes invejosos. E eu já me acostumei — faz parte do pacote. Muitos querem a medalha, poucos encaram a maratona. E quando se recusam a suar, ainda fazem pose de elegância. Cômico, se não fosse tão comum.
Minhas vitórias nascem do simples: uma disciplina que ninguém vê, um emocional que aguenta firme quando tudo grita, e o desapego de valores que brilham, mas não nutrem. Não cultivo a ilusão do otimismo tóxico, nem danço com a tal da felicidade permanente. Estou ocupado demais sendo real.
Minha prioridade? É meu norte. E não peço desculpas se ela fere sensibilidades alheias — o que dói hoje, amadurece amanhã.
Aceito as versões distorcidas que fazem de mim por aí — é o preço de não ser raso. Mas dos meus, dos que comungo o pão e o sonho, espero mais. Irmão desejar o brilho do outro sem ter se arriscado à própria escuridão? É um pecado que beira o imperdoável.
A sorte, talvez, é que não tenho tempo pra perder com dramas terceirizados. O sucesso dos outros não precisa parecer com o meu — cada qual com sua história, seu inferno, sua redenção. Mas dos que caminham comigo… deles, sim, eu exijo verdade. O resto, é barulho.












