Há mundos submersos que só o silêncio da poesia penetra
_ Conceição Evaristo

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Há mundos submersos que só o silêncio da poesia penetra
_ Conceição Evaristo

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Mitski passa de solteirona de bar a casada de luto pelo proprio casamento e eu amo isso
Atrito. Algo me amarra o peito. Coração pulsante. Há algum tempo venho sentindo uma raiva velada, escondo vorazmente ate de mim. O atritos entre duas mentes levanta faíscas que ameacam queimar tudo. Eu que causei. A raiva escapou, como doce veneno, destilado e fatal. Queria ser, ao menos, mais conciente disso e escolher machucar quando quero e machucaria mesmo, com vontade. Mas pareço perder a consciência de mim, minhas palavras meus atos. Tudo dormente e distante. Me distancio da realidade por sobrevivência, não suporto viver sobre esse mundo. Mas em minha distância eu perco o tato, penso e digo coisas que os outros não entendem. Só sou engraçado quando não estou tentanto. Nunca fui fofo. Traço linhas de raciocínio que não fazem sentido. Sinto. Sinto. Sinto. Sinto a distância. Sinto o desgaste. Os ossos tremelicando. Não quero desistir, mas meu corpo clama pela desistência. A morte parece um caminho mais fácil, mas teimoso escolho sempre ester vivo. Vivo nessa semivida. Nesse fingimento. Nesse baile de mascaras. Sem pompa. Sem drama. Sem glória. Só o cheiro de terra molhada pela chuva. O tempo vem esfriando e o gelo de mimha alma vem trepitado. Ouço o trincar de dentro para fora. Esse desfalecer uma hora vai ter fim? Um fim inusitado? Um ônibus? Moto? Carro? O transtito dessa cidade é perigoso. Tenho medo da dor, mas já não sinto o tempo todo? O ato mais esgoita de todos, não vou romantizar isso, não mesmo. Sério, será que a vida é tão ruim ou sou só eu que não sei viver. Não sou adepto a viver. A conversar. A ocupar espacos. Estou cansado dessa merda. Gastei todo meu carisma no trabalho e só sobrou ríspidez, ódio e desistência em forma de poesia barata e metalinguística. O atrito que me amarra o peito logo desvanece na indolência, sim, eu sei, sou eu mesmo.
Being here isn't enough anymore
Eu quero virar musgo e so desaparecer dentre as folhas, sumir. Transformado em materia e essência. Carne e osso transformados em caule e folhas. Sangue e lagrimas em rios e cachoeiras. Amargor em relva, um frescor suave de uma brisa de verão. O peso que me rouba em sol e chuva. O nada me consumiu por inteiro, não me resta nada. Algo me chama para o outro lado. O escapismo não é mais o suficiente. Meu deus foi roubado, levaram-no de mim. Não. Não amo nunca mais. Quero tudo. Ao som. Mar. Luz. Céu profundo. Um tranceder da matéria, uma alquimia de almas. O vazio me corroiu por dentro, mas algo ressoa dentro de mim como uma brisa. Uma vibração. O som das rosas do tempo que brotam de tempos em tempo. A natureza me chama, corpo e mente a um novo estado da matéria onde não há dor. Não há dor. Indolência é minha nova palavra favorita. Quero mergulhar num mar de não dor. Tenho desejado ferozmente o corpo e o profano, ecos de humanidade em minhas veias. O sangue derramado dos espinhos das rosas secou e sinto seu cheiro subindo pelo peito lá de baixo. A gota da reuva secou e não sobrou papel para secá-lo. Essa conjugação exite? Não sei mais, o erro faz parte. Uma dor nova me acompanha pelos dias, nas costas, em baixo da escapula, fina e quase constante piora depois dos dias longos. As provas me tiraram a sanidade, mas virão outras. O humor se perdeu já a algum tempo. Nem minha escrita é a mesma. Estou mudando, acho, acho. Algo novo vem chegando, mas estou cansado. Quero transcender da matéria, deixar de ser humano, alcançar as estrelas onde tuda a realidade é diferente. Tenho sonhado sonhos estranhos.

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Tá ficando difícil, de novo, mas eu consigo. Consigo. Repito para mim mesmo. Sobrevivo. Essa amargura que permeia minha vida. Ridícula. Dia após dia um novo desafio, menos energia. Meus ossos estremecem a luz do novo dia, manhãs cheias de mais tarde, noutro ritmo sempre. Sempre. Nem o azedo dos dias pode ser o mesmo. Nunca. Nunca é o suficiente. Sempre sigo nessa linha tênue malabarista prestes a cair num posso sem fundo. Não tem plateia. Não tem riso. Não tem humor. Resistência. Resistência. A música de resistência me acalenta. Tornaria meus dias suportáveis se pudessem ser. Doçura, não me lembro mais. A esperança está acabando, qualquer dia adentro as profundezas do desespero. Minha mente tem silenciado nesse mar de nuvens negras, nenhum murmúrio, apenas uma tensão estática que permeia o ar pedindo em urgência para ser quebrada. Os fios se entrelaçam por entre os postes expostos nas ruas levando a eletricidade dessa tão amarga cidade. A estática eletriza minha alma. O brilho da tela suavemente toca minha pele e tremula. Tremulando. Os dias se passam e por dentro estou quebrado. Tem algum jeito de fugir da existência? Esperei por algo ou por alguém bom e nada, esperar, esperançar, não me trouxe nada. "Viver é melhor que sonhar" será mesmo? Não tenho mais certeza. Sinto falta da euforia e do sentido. Tenho desejado desejos empoeirados.
Barulhera negra, negra não entra no céu.
"Barulhera negra, negra não entra no céu..."
"Levaram deus e é por isso que eu não amo nunca mais..."